Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A Arte da Guerra - Capítulo I: Preparação dos Planos


Sun Tzu – A Arte da Guerra – Capítulo I

Capítulo I – Preparação dos planos


Sun Tzu disse:
     A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim, em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
     A arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que devem ser levados em conta. São: a Lei Moral;  o Céu; a Terra; o Chefe; o Método e a disciplina.
     A Lei Moral  faz com que o povo fique de completo acordo com seu governante, levando-o a segui-lo sem se importar com a vida, sem temer perigos.
     O Céu  significa a noite e o dia, o  frio e o calor,  o tempo e as estações.
      A Terra compreende as  distâncias, grandes e pequenas; perigo e segurança; campo aberto e desfiladeiros; as oportunidades de vida e morte.
     O Chefe  representa as virtudes da sabedoria, sinceridade, benevolência, coragem e retidão.
    Deve-se compreender por Método e disciplina  a disposição do exército em subdivisões adequadas, as graduações de posto entre os oficiais, a manutenção de estradas por onde os suprimentos devem chegar às tropas e o controle dos gastos militares.
     Esses cinco fatores devem ser familiares a cada general. Quem os conhecer, será vencedor; quem não os conhecer, fracassará.
     Portanto, quando procurarem determinar suas condições militares, tomem suas decisões tendo como base uma comparação desta forma:
     Qual dos dois soberanos está impregnado com a Lei Moral?
     Qual dos dois generais tem mais competência?
     Com quem estão as vantagens oriundas do Céu e da Terra?
     Em que lado a disciplina é mais rigorosamente aplicada?
     Tu Um faz alusão à notável história de Ts´ao Ts´ao (155-220 d.C), um disciplinador tão rigoroso que, uma vez de acordo com seus próprios e severos regulamentos contra o estrago  de plantações, condenou-se à morte por ter deixado seu cavalo entrar num milharal!  Todavia, em vez de perder a cabeça, foi persuadido, para satisfazer seu senso de justiça, a cortar o cabelo.  “Quando fizer uma lei, não permita que seja desobedecida; se for, seu infrator deve ser condenado à morte.”
     Qual o exército mais forte?
     De que lado há oficiais e soldados mais bem treinados?
     Em que exército existe a absoluta certeza de que o mérito será mais apropriadamente recompensado e o demérito punido sumariamente?
     Usando essas sete considerações, posso prever vitória ou derrota. O general que prestar atenção aos meus conselhos e agir de acordo com eles vencerá; deixe que fique no comando! O general que não prestar atenção aos meus conselhos, nem agir de acordo com eles,será derrotado; que seja exonerado!  Mas lembre-se:  enquanto estiver dando atenção aos benefícios do meu conselho, aproveite-se também de toda a circunstância útil acima e além das regras comuns e modifique seus planos de acordo com ela.
     Toda operação militar tem o logro como base. Por isso, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças , devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe;  quando longe, devemos fazê-los acreditar que estamos perto. Preparar iscas para atrair o inimigo. Fingir desorganização e esmagá-lo. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças  superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranquilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as.  Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado.
     O general que vence uma batalha, fez muitos cálculos no seu templo, antes de ser travado o combate. O general que perde uma batalha, fez poucos cálculos antes. Portanto, fazer muitos cálculos conduz à vitória e poucos, à derrota; até onde mais , levará a falta de cálculo! E graças a esse ponto que posso prever quem, provavelmente, vencerá ou perderá.

Fonte: A Arte da Guerra –Sun Tzu – Adaptação e Prefácio de James Clavell, 30ª Edição. Editora Record.



A ARTE DA GUERRA - SUN TZU (Prefácio)


Sun Tzu – A Arte da Guerra

PREFÁCIO
Sun Tzu escreveu este livro extraordinário na China, há mais 2.500 anos. Começa assim:
     A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a ruína. Assim, em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
     E termina:
     Dessa maneira, apenas o governante esclarecido e o general criterioso usarão as mais dotadas inteligências do exército para espionagem, obtendo, dessa forma grandes resultados.
     Os espiões são os elementos mais importantes de uma guerra, porque neles repousa a capacidade de movimentação de um exército.
     Acredito realmente que, se nossos chefes militares e políticos dos tempos modernos tivessem estudado esta obra genial, o Vietnã poderia não ter sido o que foi; não teríamos perdido a guerra da Coréia (perdemos porque não conquistamos a vitória); a Baía dos Porcos não teria acontecido; o fracasso dos reféns no Irã não teria desmembrado; e ,provavelmente, as I e II Guerras Mundiais teriam sido evitadas; certamente não teriam se desenrolados  desnecessária e estupidamente por monstros que se autodenominavam generais, teriam vivido suas vidas.
     O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar.
    Acho espantoso que Sun Tzu tenha escrito tantas verdades há 25 séculos, ainda hoje aplicáveis, principalmente na utilização de espiões, que considero extraordinária. Acho que este livrinho mostra com clareza o que ainda continua sendo feito errado e por que nos atuais adversários têm  tanto sucesso em algumas regiões (Sun Tzu é leitura obrigatória da hierarquia político-militar soviética e há séculos é traduzido para o russo; é também quase literalmente , a fonte do Pequeno Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung, doutrina de estratégia e tática).
     Ainda mais importante, acredito que  A Arte da Guerra mostra com grande clareza como tomar a iniciativa  e combater o inimigo: qualquer inimigo.
        Sun Tzu escreveu: se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates.
      Como em O Príncipe, de Maquiavel, e O Livro dos Cinco Círculos, de Miyamoto Musashi, as verdades e Sun Tzu, publicadas aqui, podem, da mesma forma, mostrar o caminho da vitóia em todas as espécies de conflitos comerciais comuns, batalhas em salas de diretoria e na luta diária pela sobrevivência, que todos enfrentamos – mesmo na guerra dos sexos! São todas formas de guerra, todas combatem sob as mesmas regras – suas regras.
      A primeira vez em que ouvi falar de Sun Tzu foi nas corridas em Happy Valley, Hong Kong, em 1977. Um amigo, P. G. Williams, administrador do Jóquei Clube, perguntou-me  se já lera o livro. Respondi que não e ele me disse que teria prazer em mandar-me um exemplar no dia seguinte. Quando o livro chegou , deixei-o de lado. Então, um dia, semanas depois, peguei-o. Fiquei espantadíssimo por não ter , em todas as minhas leituras sobre a Ásia, especialmente Japão e China, topado com esse livro antes. Desde então, tem sido meu companheiro constante, de tal forma que quando escrevi Casa Nobre, muitos personagens fazem referências elogiosas a Sun Tzu. Considero sua obra fantástica. Daí esta versão do livro dele.

     Infelizmente , pouco se sabe do autor ou de quando escreveu os 13 capítulos. Alguns o situam mais ou menos em 500 a.C., no Reino de Wu, outros em 300 a.C.
    Em 100 a.C., aproximadamente, um dos seus comentadores, Su-ma Ch’ien, forneceu esta biografia:
     Sun Tzu, cujo nome individual era Wu, nasceu no Estado de Ch´i. Sua Arte da Guerra chamou a atenção do Ho Lu, Rei  de Wu. Ho Lu disse-lhe: “Li atentamente seus 13 capítulos. Posso submeter sua teoria de dirigir soldados a uma pequena prova?”
     Sun Tzu respondeu: “Pode”.
     O rei perguntou: “A prova pode ser feita em mulheres?”
     A resposta tornou a se afirmativa e então trouxeram 180 senhoras do palácio. Sun Tzu dividiu-as em duas companhias e colocou duas concubinas favoritas  do rei na direção de cada uma delas. Depois, mandou que todas pegassem lanças e falou-lhes: “Suponho que saibam a diferença entre frente e costas, mão direita e esquerda?”
     As mulheres responderam: “Sim”.
     Sun Tzu prosseguiu: “Quando eu disser “Sentido”, têm de olhar diretamente para a frente. Quando eu disser “Esquerda volver”, têm de virar para sua mão esquerda. Quando  eu disser “Direita volver”, precisam virar-se para sua mão direita. Quando eu disser “Meia-volta volver”, vocês têm de virar-se de costas”.
zualabardas e achas-d´armas em forma, para começar a manobra. Então, ao som dos tambores, deu a ordem “Direita volver”, mas as moças apenas caíram na risada.
     Sun Tzu disse, paciente: “Se as ordens de comando não foram bastante claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general”. Assim, recomeçou a manobra e, desta vez, deu a ordem “Esquerda volver”, ao que as moças quase arrebentaram de tanto rir.
     Então ele disse: “Se as ordens de comando não forem  claras e precisas, se não forem inteiramente compreendidas, a culpa é do general. Porém, se as ordens são claras e os soldados, apesar disso desobedecem, então a culpa é dos seus oficiais”. Dito isso, ordenou que as comandantes das duas companhias fossem decapitadas.
     Ora, o Rei de Wu estava olhando do alto de um pavilhão elevado e quando viu sua concubina predileta a ponto de ser executada, ficou muito assustado e mandou imediatamente a seguinte mensagem:  “Estamos neste momento muito contentes com a capacidade do nosso general de dirigir as tropas. Se formos privados dessas duas concubinas, nossa comida e bebida perderão o sabor. É nosso desejo que elas não sejam decapitadas.”
     Sun Tzu retrucou, ainda mais paciente:  “Tendo recebido anteriormente de Vossa Majestade a missão de ser  o general de suas forças, há certas ordens de Vossa Majestade que, em virtude daquela função , não posso aceitar”. Consequentemente e imediatamente mandou decapitar as duas comandantes, colocando prontamente em seu lugar as duas seguintes. Isso feito, o tambor tocou mais uma vez para novo exercício.  As moças executaram todas as ordens, virando para a direita ou esquerda, marchando em frente, fazendo meia-volta, ajoelhando-se ou parando com precisão e rapidez perfeitas, não se arriscando a emitir um som.
     Então, Sun Tzu enviou uma mensagem ao rei, dizendo:  “Os soldados, senhor, estão agora devidamente disciplinados e treinados, prontos para a inspeção de Vossa Majestade. Podem ser utilizados como seu soberano o desejar. Mande-os atravessar fogo e água e agora não desobedecerão”.  Mas o rei retrucou:   “Que o general pare o exercício e volte ao acampamento. Quanto a nós, não desejamos descer e passar os soldados em revista.”
      Respondendo , Sun Tzu disse, calmo:  “O rei apenas gosta muito de palavras, e não sabe transformá-las em atos.”
     Depois disso, o Rei de Wu  viu que Sun Tzu sabia como comandar um exército e nomeou-o general. A oeste, Sun Tzu derrotou o Estado de Ch´u e abriu caminho para Ying, a capital; ao norte, aterrorizou os Estados de Ch´i e Chin, e estendeu sua fama até os príncipes feudais. E Sun Tzu partilhou o poder do reino.
     Portanto, Sun Tzu tornou-se general do Rei de Wu. Durante quase duas décadas, os exércitos de Wu dominaram seus inimigos de gerações: os reinos de Yueh e Ch´u. Nesse período, Sun Tzu faleceu e seu senhor, o Rei de Wu, foi morto em combate. Durante alguns anos, seus descendentes seguiram os preceitos de Sun Tzu e continuaram a dominar. E depois os esqueceram.
     Em 473 a.C., os exércitos de Wu foram derrotados e o reino despareceu.
     Em 1782, A Arte da Guerra  foi traduzida pela primeira vez para o francês, por um jesuíta, o Padre Amiot. Há uma lenda que diz ter sido esse livrinho a chave do sucesso e a arma secreta de Napoleão. Sem dúvida, suas batalhas dependiam de mobilidade e esta é uma das coisas que Sun Tzu salienta. Certamente, Napoleão usou os conhecimentos de Sun Tzu para conquistar a maior parte da Europa. Foi apenas quando deixou de segui-los que foi derrotado.
     A Arte da Guerra só foi traduzida para o inglês em 1905. A primeira tradução deve-se a P.F. Calthrop. A segunda, a que vão ler aqui, é de Lionel Giles, e foi  originariamente publicada em Xangai e Londres em 1910. Permiti-me algumas liberdades com esta tradução, para torná-la um pouco mais acessível – toda tradução do chinês antigo para outra língua é,, de certo modo uma questão de interpretação – e inclui algumas anotações de Giles, de acordo com o método chinês, logo após os trechos a que se referem.
     Para maior simplicidade, eliminei deliberadamente todos os acentos nos nomes e locais chineses. De fato, é quase impossível traduzir os sons chineses de uma letra através da grafia romana. Também para simplificar, utilizei o velho sistema ortográfico. Que todos os sábios, grandes e pequenos, por favor me desculpem!
     Espero sinceramente que apreciem  a leitura deste livro. Sun Tzu merece ser lido. Eu gostaria de tornar A Arte da Guerra  obrigatória de todos os nossos oficiais e soldados da ativa, bem como políticos, funcionários governamentais e todas as escolas superiores e universidades do mundo livre. Se eu fosse comandante-em-chefe, presidente ou primeiro-ministro, faria mais:  promulgaria uma lei determinando que todos os oficiais, principalmente os generais, fizessem anualmente um exame oral  e escrito desses 13 capítulos, com a nota mínima de 95 em 100. O general que não conseguisse passar, seria automática e sumariamente exonerado sem direito a recurso e todos os outros oficiais automaticamente rebaixados.
     Acredito firmemente que o conhecimento de Sun Tzu é vital para a nossa sobrevivência. Esse conhecimento pode dar-nos a proteção de que necessitamos para que nossos filhos cresçam em paz e com prosperidade.
     Nunca devemos esquecer que, desde a antiguidade, sabia-se muito bem que.... “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz”.
                                                                       James Clavell