Matéria do Jornal O Globo – caderno Sociedade p.30 – publicada em 28.2.2015
Cada vez mais pesquisas procuram encontrar
resposta para antiga questão da relação entre riqueza e bem-estar.
Jornalista – Cesar Baima (cesar.baima@oglobo.com.br)
A antiga questão sobre se o dinheiro traz
felicidade é objeto de cada vez mais estudos na crescente área da psicologia
social, que investigam temas como a relação entre riqueza e bem-estar, consumo
e satisfação, os impactos da abundância e da privação nas nossas vidas e a
forma como gastamos dinheiro. Geralmente,
a respostas destas pesquisas à pergunta original é de que sim, as pessoas mais
ricas realmente tendem a ser mais felizes, mas também trazem revelações surpreendentes,
como a de que as pessoas com renda mais baixa podem estar tão ou mais
satisfeitas com vida quanto as ricas, que sacrifícios moderados na verdade
podem elevar o grau de apreciação de uma experiência e que existem limites para
quanto de felicidade o dinheiro pode “comprar”. O interesse nesta área é
tamanho que foi tema de um simpósio especial realizado ontem, como parte da 16ª
Convenção Anual da Sociedade de Psicologia Social e da Personalidade dos EUA,
que acontece neste fim de semana, na Califórnia.
O primeiro desafio dos estudos sobre a
felicidade foi encontrar maneiras de medir um sentimento por natureza tão
subjetivo. Com o tempo, porém, surgiram diversas metodologias para avaliar de
forma confiável o grau de satisfação de um indivíduo com sua vida, tendo como
um de seus exemplos mais destacados a chamada “Escala Cantril”. Com ferramentas
como esta em mãos, os psicólogos puderam então procurar os fatores que poderiam
influenciar nesta sensação, inclusive a
disponibilidade , ou falta, de dinheiro.
Ricos querem ser mais ricos
Uma das pesquisas apresentadas no simpósio,
por exemplo, investiga o quanto de riqueza pessoas já ricas acham que precisam
acumular para de declararem de fato inteiramente felizes. Deaton e Daniel Kahneman,
psicólogo vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2002, mostraram que, pelo
menos nos EUA, a alta no nível de satisfação com a vida atrelada ao aumento da
renda se torna muito pequena a partir de uma renda anual de aproximadamente US$75
mil (cerca de R$216 mil). Já a nova pesquisa, ainda em curso, indica que os
ricos só sentiriam completamente felizes se tivessem algo entre três ou quatro
vezes seu patrimônio atual, independentemente de quão grande este já é.
- Indivíduos ricos, quer tenham US$ 1
milhão ou US$ 100 milhões, não ficam mais felizes quando sua riqueza aumenta;
sempre vão querer ter mais – diz Michael Norton, professor da Escola de
Negócios de Harvard e líder do estudo, que pretende publicar ao longo do
próximo ano. – A pesquisa está mostrando que a felicidade corrente não está
relacionada com a riqueza e talvez tenha até uma relação negativa com a renda.
Já outro estudo recente também apresentado
durante o simpósio abordou a distinção entre “ser” e “ter” ao analisar a
diferença da satisfação obtida com gastos “experienciais”, isto é, para fazer
algo como viajar ou saltar de paraquedas,da alcançada com compras materiais, ou
seja, de bens. Segundo um de seus autores, Amit Kumar, da Universidade de
Cornell, as experiências produzem uma sensação de felicidade mais prolongada do
que as posses. Além disso, os sentimentos de expectativa no período que
antecede o gasto são mais fortes e agradáveis no primeiro caso do que no
segundo.
- O período de antecipação das compras
experienciais tende a ser mais agradável e menos marcado pela impaciência do
que futuras compras materiais – conta Kumar, cujo estudo analisou, por exemplo,
o humor de pessoas esperando em longas filas para usufruir de uma experiência,
como um passeio de montanha-russa, ou para comprar um produto, como o mais novo
iPhone. – Aqueles que esperavam por uma experiência tenderam a estar com um
humor melhor e a se comportarem melhor do que os que esperavam para comprar um
bem material.
Gastos com
experiências como viajar produzem sensação de felicidade mais forte e
prolongada do que compra de bens materiais.
Todos nós sabemos que o dinheiro é fundamental
para a nossa sobrevivência, com ele podemos comprar bens materiais , resolver
situações tensas e até mesmo comprar e vender almas. Repito aqui a questão formulada na matéria acima:
Quanto de felicidade o dinheiro pode comprar? O que é felicidade para você?
Afinal de contas todos nós queremos ter uma vida feliz, próspera , com saúde e
tranquilidade.

