Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

terça-feira, 10 de março de 2015

SERVIR E SER SIMPLES

Minha intenção é trabalhar este texto com os alunos da NEJA I com o objetivo de trabalhar histórias de vida - Trajetórias individuais dos meus alunos - Quem é o aluno da NEJA? Será que conseguirei? 
Destaco que respeito todas as crenças religiosas e até mesmo os Ateus.
Mas peço lhes que tenham o coração aberto a evolução espiritual.
Afinal de contas o que nos distingue dos demais seres vivos e dentro do reino animal é a nossa capacidade de refletir, de pensar quem nós somos e para onde queremos ir. E o que podemos fazer neste momento. A revolução tem que partir dentro para fora? Ou de fora para dentro? Em outras palavras: Você vai esperar a sociedade mudar para mudar seu interior? Ou você mesmo terá a coragem para ser o agente da sua própria mudança?


Livro:  Asas para Voar – 2ª edição 2009
Autor: Dom Cipriano Chagas, OSB

Quem é Dom Cipriano Chagas?

Dom Cipriano Chagas, OSB
Nascido em Passos (MG), em 13 de fevereiro de 1923. Foi casado com a jovem Rachel que o resgatou para o cristianismo e a Igreja Católica. Deste matrimônio o fruto foi Eduardo que logo veio a falecer e, um ano depois, Rachel também veio a falecer. Homem experimentado, encontrou no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, o novo sentido de sua vida, ser sacerdote do Deus Altíssimo. Trabalhou durante  muitos anos na direção espiritual de casais e de muitas famílias.. Também é um dos precursores da Renovação Carismática Católica no Brasil, fundador –presidente da Comunidade Emanuel (RJ). Fundador da revista Jesus Vive e é o Senhor da Edições Louva-a-Deus. Tem mais de 40 livros publicados e cerca de 10.000 palestras gravadas.


Capítulo 8 – Servir e Ser Simples – págs 91 a 96

     Embora Jesus chamasse os discípulos para estar com ele, eram também enviados a pregar e “a curar os enfermos, ressuscitar os mortos, limpar leprosos, expulsar demônios” (Mt 10,8).  Logo que chamou Simão e André, disse-lhes que os mudaria em pescadores de homens (Mc 1,17). Os setenta foram enviados no nome de Jesus ocmo mensageiros da paz: “Curai os enfermos... e dizei-lhes:  ̔o reino de Deus chegou para vós” (Lc 10,1-20). Jesus tinha vindo para dar a sua vida pelos outros e seus discípulos deviam fazer exatamente o mesmo.

     No entanto, nem sempre o compreenderam. Jesus descobriu repetidas vezes que seus discípulos caíam em duas tentações iguais e opostas, que tolhiam seu espírito de serviço. A primeira tentação era ser ambiciosos. Várias vezes viam-se discutindo  sobre quem era o maior. Quando Tiago e João pediram os lugares de maior honra no reino dos céus, demonstraram o espírito do mundo que busca status em vez de serviço. Jesus os repreendeu:  “Quem quiser ser grande entre vós,seja vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a  sua vida  em resgate de muitos.” (Mt 20, 26-28): Mais tarde demonstrou esse espírito de serviço de um modo que eles nunca esqueceram: enrolando uma toalha em sua cintura e ajoelhando-se , lavou os pés dos discípulos.

     A segunda tentação deles era a autoridade.”Eis que deixamos nossas casas e vos seguimos”,protestou Simão Pedro. Mas Jesus lhe  assegurou que ele “receberia muitas vezes mais neste tempo, e no mundo vindouro a vida eterna” (Lc 18,28-30).Embora precisemos ser honestos sobre  nossas próprias fraquezas ,no momento em que caímos na autopiedade, prejudicamos a obra de Deus em nossas vidas. É apenas quando aceitamos nossa fraqueza humana, sabendo que a graça de Deus é suficiente, desejando apenas o reino de Deus, poderemos servir os outros com o espírito amoroso,gracioso e  humilde de Jesus Cristo. O servo não deve exigir certas condições de serviço. Ele renunciou a seus direitos, e  pode bem ter que passar sem confortos e recompensas normais. Ao crescermos em anos , é fácil procurar privilégios, posição e respeito. Não foi este o caminho de Jesus.

     Nestes nossos tempos de publicidade é fácil apresentar Jesus como aquele, que satisfará todas as suas necessidades. Está ansioso? Jesus lhe trará paz! Está perdido? Jesus o ajudará a encontrar a verdadeira direção! Está deprimido! Jesus encherá tua vida de alegria! Tudo isto  é parte das boas novas de Jesus, ele anseia por satisfazer nossas mais profundas necessidades. Mas é apenas metade da história. Na prática, muitas das nossas necessidades serão satisfeitas ao dar-nos em serviço a Jesus e aos outros. Aqueles que estão prontos a perder sua vida, encontrá-la-ão. É ao darmos que Deus nos dará – “uma boa medida, sacudida, transbordante, será posta em vosso colo. Pois a medida com que medirdes será usada para vos medir.” (Lc 6,38). Quando os setenta saíram a pregar e a curar, voltaram cheios de alegria por causa de tudo o que tinham experimentado (Lc 10,17).

     As necessidades do mundo são imensas. Deus quer alcançar todos os que estão clamando por ajuda;mas escolheu agir primeiro por seus discípulos. Se ficarmos tomados com nossas próprias necessidades pessoais ou estivermos buscando posição, estatus na igreja ou no mundo, seremos de pouco ou nenhum uso para Deus.



                                VIVER COM SIMPLICIDADE – págs 93 e 94

     O discípulo de um rabi podia renunciar  a muitos benefícios materiais para estudar a Torah, mas sabia que seria  por tempo limitado. Seria recompensado financeiramente por sua diligência quando por sua vez assumisse o papel de mestre. Com Jesus era inteiramente diferente. Ele pôs de lado toda segurança mundanda e conforto material. Muitas vezes não tinha onde repousar a cabeça. Chamou seus discípulos também a uma vida de humildade e pobreza. Embora fosse do bom prazer do Pai dar-lhes o Reino, deviam vender seus bens e dar em caridade. Jesus lhes disse: “Não levem ouro nem prata,  nem cobre em seus cintos, nenhum saco em vossas viagens, nem duas túnicas, nem sandálias, sem cajado;pois o operário merece o seu alimento” (Mt 10,9-10). Como seu Mestre, deviam estar dispostos a deixar suas casas, suas famílias, suas ocupações e sua segurança pelo Reino de Deus. Mas ao fazerem o Reino sua meta mais elevada,  tudo aquilo de que precisavam lhes seria provido.

     Convém salientar que discipulado tão radical aplicava-se primariamente àqueles que eram chamados a uma vida de plena comunidade com ele. Outros discípulos que não eram atraídos a uma comunidade tão íntima, pareciam ter guardado alguma coisa de seus bens  materiais, e ajudavam a prover a Jesus e aos Doze. Não obstante,  os discípulos do Novo Testamento eram encorajados a viver uma vida simples em que tinham seus bens “em comum”  (At 4,32).

     A relativa riqueza de muitos cristãos de hoje, especialmente no Ocidente , é quase certamente uma pedra de tropeço ao discipulado efetivo. É improvável que Deus nos confie as verdadeiras  riquezas espirituais enquanto não ver que estamos genuinamente servindo a ele  e não ao dinheiro. É quando podemos aprender a viver no princípio do contentamento (1Tm 6,6-10) do Novo Testamento que Deus  nos confiará os dons de seu Espírito que enriquecerão nossas próprias vidas bem como as daqueles a quem servimos.



                                  CHAMADOS  A SOFRER –págs 94 a 96

     Quando Jesus chamou seus discípulos a segui-lo, tinham que estar dispostos a seguir o caminho da cruz. Se deviam partilhar suas vidas uns com os outros, precisavam partilhar a dor e a alegria. “Pois foi-vos concedido não apenas crer em Cristo mas também sofrer por ele.” (Fl 1,29)

     Jesus tentou prepará-los para isto falando claramente sobre seus próprios sofrimentos e os que seus seguidores teriam de suportar.  Mas não podiam, ou não queriam, compreender essas advertências. Lemos em Mateus 16 que “daquele momento em diante Jesus começou a mostrar a seus discípulos que ele devia ir a  Jerusalém e sofrer muitas coisas da parte dos anciãos e sumos sacerdotes e escribas, e ser morto...”  Pedro imediatamente protestou: “Que Deus não permita isto, Senhor! Não, Senhor, isto nunca lhe acontecerá.” Isto lhe valeu uma repreensão pungente:  “Afasta-te , Satanás! És para mim uma pedra de escândalo! Tu pensas como os homens e não como Deus.”  E no caso de os discípulos manterem quaisquer outras ilusões, Jesus começou falar claramente sobre os sofrimentos deles também. “Se alguém quer vir após mim, que se segue  a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida perdê-la-á, e quem perder sua vida por minha causa encontra´-la-á...”. A vida para o Senhor terminou com rejeição, dor e morte dolorosíssima. O discípulo nunca deve surpreender-se seguir Jesus o levar pelo mesmo caminho.


SOFRIMENTO FÍSICO – págs 94 e 95

Muitos sofreram perseguição física. Pedro e João foram presos e espancados por sua ousadia; Estevão foi apedrejado até morrer; Tiago foi morto a espada. Pouco tempo depois, “uma grande perseguição levantou-se contra a igreja em Jerusalém ,e todos foram dispersados”. (At 8,1). Mais tarde, São Paulo escreveu que fora açoitado cinco vezes com 39 golpes do açoite judaico, três vezes com varas, e também fora apedrejado. A maioria dos apóstolos sofreu o martírio de uma forma ou de outra. Durante aqueles  primeiros anos de Igreja, pavorosa perseguição veio de uma série de imperadores romanos: Nero, Domiciano, Trajano, Plínio, Marco Aurélio, Décio, Dioclesiano. Com vários graus de ferocidade essa perseguição continuou através da Igreja cristã. Em anos recentes, e mesmo hoje, milhares de cristãos em todo o  mundo têm sido aprisionados e torturados por sua fé. Estima-se que houve mais martírios por Jesus no século passado do que no resto da história da Igreja.

     Nada disso é surpresa. Jesus advertiu seus discípulos quanto aos perigos físicos que estavam à sua frente: “Acautelai-vos dos homens; pois vos entregarão aos conselhos e vos flagelarão em suas sinagogas, e sereis arrastados diante de governadores e reis por minha causa... Irmão entregará irmão à morte, e o pai entregará seu filho, e filhos se levantarão contra pais e os matarão; e sereis odiados por todos por minha causa...” (Mt 10,17.21-22).



DOR MORAL E EMOCIONAL – págs 95 e 96

     Não nos é difícil sentir algo da tristeza de São Paulo quando escreveu: “Dimas, por amor a este mundo, abandonou-me... Crescêncio foi para a Galácia, Tito para a Dalmácia.... Alexandre , o ferreiro, fez-me grande mal....”  (2Tm 4,10.14) Também nos ferimos e nos sentimos desapontados uns com os outros  pois somos, no melhor, uma comunidade de pecadores. Frequentemente precisamos perdoar e ser perdoados, e o perdão é sempre doloroso. Ele custou a Jesus sua  morte na cruz. Para nós, também, poderá ser uma experiência de cruz perdoar alguém que nos feriu muito.



DOR ESPIRITUAL –p.96

     São Paulo uma vez escreveu sobre o esmagador fardo que sentia por seus irmãos judeus que não criam em Jesus como seu Messias:  “Sinto grande pesar, incessante amargura no coração. Porque eu mesmo desejaria ser reprovado,separado de Cristo, por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, segundo a carne.” (Rm  9,2-3) E durante seu ministério em Éfeso disse que “por três anos cessei, noite e dia, de  admoestar, com lágrimas, a cada um de vós.” (At 20,31). Deus, em sua grande compaixão,  “estende suas mãos todo dia a um povo rebelde”. Tendo-nos feito à sua imagem, ele anseia por que partilhemos de seu amor. Pois que o amor nunca se forçará a pessoas que não o desejem, Deus nos vê afastar-nos dele e uns dos outros; ele nos vê ressentindo-nos, odiando-nos, matando-nos uns aos outros. Enviou seu Filho para trazer paz à Terra, mas porque não queremos que ele reine sobre nós,  a desconfiança, a confusão, a amargura e a guerra poluem a face da terra.

     Será surpresa que um Deus amoroso esteja sentindo? Quando Jesus chora por seu corpo, a igreja dividida, ferida, quebrada, não nos comoveremos? Quando Jesus chora, como uma vez o fez diante do túmulo de Lázaro, ao ver os estragos causados hoje pelo pecado do homem, ficaremos apáticos? Quanto mais amarmos Jesus, quanto mais próximos estivermos de seu grande coração de amor, tanto menos nos surpreenderemos de sentir a sua dor.

     O sofrimento está inevitavelmente entretecido no discipulado, finamente entrecruzando-se com a alegria. Mas é no sofrimento que Deus trabalha mais profundamente em nossas vidas. Aqueles que têm maior sensibilidade e profundidade espiritual têm experimentado maiores sofrimentos.