Destaco que respeito todas as crenças religiosas e até mesmo os Ateus.
Mas peço lhes que tenham o coração aberto a evolução espiritual.
Afinal de contas o que nos distingue dos demais seres vivos e dentro do reino animal é a nossa capacidade de refletir, de pensar quem nós somos e para onde queremos ir. E o que podemos fazer neste momento. A revolução tem que partir dentro para fora? Ou de fora para dentro? Em outras palavras: Você vai esperar a sociedade mudar para mudar seu interior? Ou você mesmo terá a coragem para ser o agente da sua própria mudança?
Livro: Asas para Voar – 2ª edição 2009
Autor: Dom
Cipriano Chagas, OSB
Quem
é Dom Cipriano Chagas?
Dom
Cipriano Chagas, OSB
Nascido
em Passos (MG), em 13 de fevereiro de 1923. Foi casado com a jovem Rachel que o
resgatou para o cristianismo e a Igreja Católica. Deste matrimônio o fruto foi
Eduardo que logo veio a falecer e, um ano depois, Rachel também veio a falecer.
Homem experimentado, encontrou no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, o
novo sentido de sua vida, ser sacerdote do Deus Altíssimo. Trabalhou
durante muitos anos na direção
espiritual de casais e de muitas famílias.. Também é um dos precursores da
Renovação Carismática Católica no Brasil, fundador –presidente da Comunidade
Emanuel (RJ). Fundador da revista Jesus Vive e é o Senhor da Edições
Louva-a-Deus. Tem mais de 40 livros publicados e cerca de 10.000 palestras
gravadas.
Capítulo 8 –
Servir e Ser Simples – págs 91 a 96
Embora Jesus chamasse os discípulos para
estar com ele, eram também enviados a pregar e “a curar os enfermos, ressuscitar os mortos, limpar leprosos, expulsar
demônios” (Mt 10,8). Logo que chamou
Simão e André, disse-lhes que os mudaria em pescadores de homens (Mc 1,17). Os
setenta foram enviados no nome de Jesus ocmo mensageiros da paz: “Curai os enfermos... e dizei-lhes: ̔o reino de Deus chegou para vós” (Lc
10,1-20). Jesus tinha vindo para dar a sua vida pelos outros e seus discípulos
deviam fazer exatamente o mesmo.
No entanto, nem sempre o compreenderam.
Jesus descobriu repetidas vezes que seus discípulos caíam em duas tentações
iguais e opostas, que tolhiam seu espírito de serviço. A primeira tentação era
ser ambiciosos. Várias vezes viam-se discutindo
sobre quem era o maior. Quando Tiago e João pediram os lugares de maior
honra no reino dos céus, demonstraram o espírito do mundo que busca status em
vez de serviço. Jesus os repreendeu: “Quem quiser ser grande entre vós,seja vosso
servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja o vosso escravo; assim como
o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida
em resgate de muitos.” (Mt 20, 26-28): Mais tarde demonstrou esse
espírito de serviço de um modo que eles nunca esqueceram: enrolando uma toalha
em sua cintura e ajoelhando-se , lavou os pés dos discípulos.
A segunda tentação deles era a autoridade.”Eis que deixamos nossas casas e vos
seguimos”,protestou Simão Pedro. Mas Jesus lhe assegurou que ele “receberia muitas vezes mais neste tempo, e no mundo vindouro a vida
eterna” (Lc 18,28-30).Embora precisemos ser honestos sobre nossas próprias fraquezas ,no momento em que
caímos na autopiedade, prejudicamos a obra de Deus em nossas vidas. É apenas
quando aceitamos nossa fraqueza humana, sabendo que a graça de Deus é
suficiente, desejando apenas o reino de Deus, poderemos servir os outros com o
espírito amoroso,gracioso e humilde de
Jesus Cristo. O servo não deve exigir certas condições de serviço. Ele
renunciou a seus direitos, e pode bem
ter que passar sem confortos e recompensas normais. Ao crescermos em anos , é
fácil procurar privilégios, posição e respeito. Não foi este o caminho de
Jesus.
Nestes nossos tempos de publicidade é
fácil apresentar Jesus como aquele, que satisfará todas as suas necessidades.
Está ansioso? Jesus lhe trará paz! Está perdido? Jesus o ajudará a encontrar a
verdadeira direção! Está deprimido! Jesus encherá tua vida de alegria! Tudo
isto é parte das boas novas de Jesus,
ele anseia por satisfazer nossas mais profundas necessidades. Mas é apenas
metade da história. Na prática, muitas das nossas necessidades serão
satisfeitas ao dar-nos em serviço a Jesus e aos outros. Aqueles que estão
prontos a perder sua vida, encontrá-la-ão. É ao darmos que Deus nos dará – “uma boa medida, sacudida, transbordante,
será posta em vosso colo. Pois a medida com que medirdes será usada para vos
medir.” (Lc 6,38). Quando os setenta saíram a pregar e a curar, voltaram
cheios de alegria por causa de tudo o que tinham experimentado (Lc 10,17).
As necessidades do mundo são imensas. Deus
quer alcançar todos os que estão clamando por ajuda;mas escolheu agir primeiro
por seus discípulos. Se ficarmos tomados com nossas próprias necessidades
pessoais ou estivermos buscando posição, estatus na igreja ou no mundo, seremos
de pouco ou nenhum uso para Deus.
VIVER COM SIMPLICIDADE – págs 93 e 94
O discípulo de um rabi podia
renunciar a muitos benefícios materiais
para estudar a Torah, mas sabia que seria
por tempo limitado. Seria recompensado financeiramente por sua diligência
quando por sua vez assumisse o papel de mestre. Com Jesus era inteiramente diferente.
Ele pôs de lado toda segurança mundanda e conforto material. Muitas vezes não
tinha onde repousar a cabeça. Chamou seus discípulos também a uma vida de
humildade e pobreza. Embora fosse do bom prazer do Pai dar-lhes o Reino, deviam
vender seus bens e dar em caridade. Jesus lhes disse: “Não levem ouro nem prata, nem
cobre em seus cintos, nenhum saco em vossas viagens, nem duas túnicas, nem
sandálias, sem cajado;pois o operário merece o seu alimento” (Mt 10,9-10).
Como seu Mestre, deviam estar dispostos a deixar suas casas, suas famílias,
suas ocupações e sua segurança pelo Reino de Deus. Mas ao fazerem o Reino sua
meta mais elevada, tudo aquilo de que
precisavam lhes seria provido.
Convém salientar que discipulado tão
radical aplicava-se primariamente àqueles que eram chamados a uma vida de plena
comunidade com ele. Outros discípulos que não eram atraídos a uma comunidade
tão íntima, pareciam ter guardado alguma coisa de seus bens materiais, e ajudavam a prover a Jesus e aos
Doze. Não obstante, os discípulos do
Novo Testamento eram encorajados a viver uma vida simples em que tinham seus
bens “em comum” (At 4,32).
A relativa riqueza de muitos cristãos de
hoje, especialmente no Ocidente , é quase certamente uma pedra de tropeço ao
discipulado efetivo. É improvável que Deus nos confie as verdadeiras riquezas espirituais enquanto não ver que
estamos genuinamente servindo a ele e
não ao dinheiro. É quando podemos aprender a viver no princípio do
contentamento (1Tm 6,6-10) do Novo Testamento que Deus nos confiará os dons de seu Espírito que
enriquecerão nossas próprias vidas bem como as daqueles a quem servimos.
CHAMADOS
A SOFRER –págs 94 a 96
Quando Jesus chamou seus discípulos a
segui-lo, tinham que estar dispostos a seguir o caminho da cruz. Se deviam
partilhar suas vidas uns com os outros, precisavam partilhar a dor e a alegria.
“Pois foi-vos concedido não apenas crer
em Cristo mas também sofrer por ele.” (Fl 1,29)
Jesus tentou prepará-los para isto falando
claramente sobre seus próprios sofrimentos e os que seus seguidores teriam de
suportar. Mas não podiam, ou não
queriam, compreender essas advertências. Lemos em Mateus 16 que “daquele momento em diante Jesus começou a
mostrar a seus discípulos que ele devia ir a
Jerusalém e sofrer muitas coisas da parte dos anciãos e sumos sacerdotes
e escribas, e ser morto...” Pedro
imediatamente protestou: “Que Deus não
permita isto, Senhor! Não, Senhor, isto nunca lhe acontecerá.” Isto lhe
valeu uma repreensão pungente: “Afasta-te , Satanás! És para mim uma pedra
de escândalo! Tu pensas como os homens e não como Deus.” E no caso de os discípulos manterem quaisquer
outras ilusões, Jesus começou falar claramente sobre os sofrimentos deles
também. “Se alguém quer vir após mim, que
se segue a si mesmo, tome sua cruz e
siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida perdê-la-á, e quem perder sua vida
por minha causa encontra´-la-á...”. A vida para o Senhor terminou com
rejeição, dor e morte dolorosíssima. O discípulo nunca deve surpreender-se
seguir Jesus o levar pelo mesmo caminho.
SOFRIMENTO FÍSICO – págs 94
e 95
Muitos sofreram perseguição
física. Pedro e João foram presos e espancados por sua ousadia; Estevão foi
apedrejado até morrer; Tiago foi morto a espada. Pouco tempo depois, “uma grande perseguição levantou-se contra a
igreja em Jerusalém ,e todos foram dispersados”. (At 8,1). Mais tarde, São
Paulo escreveu que fora açoitado cinco vezes com 39 golpes do açoite judaico, três
vezes com varas, e também fora apedrejado. A maioria dos apóstolos sofreu o
martírio de uma forma ou de outra. Durante aqueles primeiros anos de Igreja, pavorosa
perseguição veio de uma série de imperadores romanos: Nero, Domiciano, Trajano,
Plínio, Marco Aurélio, Décio, Dioclesiano. Com vários graus de ferocidade essa
perseguição continuou através da Igreja cristã. Em anos recentes, e mesmo hoje,
milhares de cristãos em todo o mundo têm
sido aprisionados e torturados por sua fé. Estima-se que houve mais martírios
por Jesus no século passado do que no resto da história da Igreja.
Nada disso é surpresa. Jesus advertiu seus
discípulos quanto aos perigos físicos que estavam à sua frente: “Acautelai-vos dos homens; pois vos
entregarão aos conselhos e vos flagelarão em suas sinagogas, e sereis
arrastados diante de governadores e reis por minha causa... Irmão entregará
irmão à morte, e o pai entregará seu filho, e filhos se levantarão contra pais
e os matarão; e sereis odiados por todos por minha causa...” (Mt
10,17.21-22).
DOR MORAL E EMOCIONAL – págs
95 e 96
Não nos é difícil sentir algo da tristeza
de São Paulo quando escreveu: “Dimas, por
amor a este mundo, abandonou-me... Crescêncio foi para a Galácia, Tito para a
Dalmácia.... Alexandre , o ferreiro, fez-me grande mal....” (2Tm 4,10.14) Também nos ferimos e nos
sentimos desapontados uns com os outros
pois somos, no melhor, uma comunidade de pecadores. Frequentemente precisamos
perdoar e ser perdoados, e o perdão é sempre doloroso. Ele custou a Jesus
sua morte na cruz. Para nós, também,
poderá ser uma experiência de cruz perdoar alguém que nos feriu muito.
DOR ESPIRITUAL –p.96
São Paulo uma vez escreveu sobre o
esmagador fardo que sentia por seus irmãos judeus que não criam em Jesus como
seu Messias: “Sinto grande pesar, incessante amargura no coração. Porque eu mesmo
desejaria ser reprovado,separado de Cristo, por amor dos meus irmãos, que são
do mesmo sangue que eu, segundo a carne.” (Rm 9,2-3) E durante seu ministério em Éfeso
disse que “por três anos cessei, noite e dia, de admoestar,
com lágrimas, a cada um de vós.” (At 20,31). Deus, em sua grande
compaixão, “estende suas mãos todo dia a um povo rebelde”. Tendo-nos feito à
sua imagem, ele anseia por que partilhemos de seu amor. Pois que o amor nunca
se forçará a pessoas que não o desejem, Deus nos vê afastar-nos dele e uns dos
outros; ele nos vê ressentindo-nos, odiando-nos, matando-nos uns aos outros. Enviou
seu Filho para trazer paz à Terra, mas porque não queremos que ele reine sobre
nós, a desconfiança, a confusão, a
amargura e a guerra poluem a face da terra.
Será surpresa que um Deus amoroso esteja
sentindo? Quando Jesus chora por seu corpo, a igreja dividida, ferida,
quebrada, não nos comoveremos? Quando Jesus chora, como uma vez o fez diante do
túmulo de Lázaro, ao ver os estragos causados hoje pelo pecado do homem,
ficaremos apáticos? Quanto mais amarmos Jesus, quanto mais próximos estivermos
de seu grande coração de amor, tanto menos nos surpreenderemos de sentir a sua
dor.
O sofrimento está inevitavelmente
entretecido no discipulado, finamente entrecruzando-se com a alegria. Mas é no
sofrimento que Deus trabalha mais profundamente em nossas vidas. Aqueles que
têm maior sensibilidade e profundidade espiritual têm experimentado maiores
sofrimentos.


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