Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017
Editora Alto Astral
Matéria – Suporte que vem de casa
A família tem papel fundamental na vida do paciente que convive com alguma disfunção emocional
União que fortalece
Entre os
tratamentos psicossociais é importante destacar a terapia em família. A opção é
utilizada para reduzir o nível de angústia de todos para uma possível melhora
do doente e do ambiente familiar. Chamada de Terapia Focada na Família foi
criada pelo psicólogo americano David Miklowitz e tem como métodos estratégias
psicoeducacionais e exercícios em equipe. Em alguns casos, a técnica pode não só
melhorar a estrutura familiar, mas também estabilizar o humor do doente e
evitar hospitalizações. Para aplicar o método, procure acompanhamento
especializado.
Reação
positiva!
Muitas
vezes, os familiares não entendem a diferença constante de comportamento e
podem descontar mais peso em cima do transtorno. Ao reparar que algo não anda
bem, deve-se encorajar uma avaliação profissional. Caso o resultado seja
positivo, é preciso entender que a culpa não é do afetado: a doença é orgânica,
ou seja, implica em uma disfunção cerebral.
Auxílio
médico
Para que você
tenha mais conhecimento sobre o transtorno, é possível obter ajuda e apoio em
diferentes meios, seja com profissionais da área de saúde ou em ONGs que
trabalham com problemas mentais. A internet também é uma ferramenta importante
de informação, uma vez que concentra portais de ajuda e links diretos com
médicos e psicólogos. Porém, procure sempre sites especializados e com estudos
confiáveis. Ainda é indicado que os familiares e amigos mantenham sempre o
diálogo com diferentes plataformas, para entender o universo bipolar e fazer
parte dele de forma harmoniosa.
Rotina
normal
Para os
pais , é importante que a doença não tome conta da relação. O indicado é não individualizar
o filho, uma vez que, ao trata-lo de forma diferente, você pode encorajar uma
postura de vítima do mesmo. “Algumas vezes o doente pode manipular a situação
para se beneficiar”, aponta a psicóloga Luciana Kotaka. Para que se tenha
equilíbrio dentro do lar, ela recomenda estar presente de maneira natural, sem
superproteção ou vigilância constante.
Pise
no freio!
Pessoas
que possuem o transtorno bipolar apresentam a velocidade de pensamento em um
ritmo mais veloz, por isso é preciso manter a calma em situações de estresse. Dessa
forma, é recomendado que a família e os amigos estejam preparados e estimulem
uma desaceleração com atitudes que acalmem a ansiedade. Dica: tenha pela casa
cartazes positivos; procure não elevar o tom de voz; evite termos pejorativos e
preconceituosos quanto à doença, entre outros comportamentos positivos.
Cuidado
com carinho
Os portadores
do transtorno podem ainda passar por problemas como alcoolismo, depressão e, em
alguns casos, tentativas de suicídio. Nessas situações, o acompanhamento
especializado é mais que fundamental e requer uma decisão da família sobre internação
e medicamentos, dependendo do grau de comprometimento do quadro.
As doenças mentais orgânicas são aquelas em
que encontra-se uma lesão física que justifica a doença a nível psiquiátrico. Podemos
citar como exemplos os tumores, sífilis cerebral, aneurismas cerebrais,
arteriosclerose dos vasos cerebrais, oligofrenias”, detalha a psicóloga clínica
Luciana Kotaka.

