Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

PROJETO BÚSSOLA BIPOLAR - O CALEIDOSCÓPIO DA VIDA - Quando encaramos a vida como palco....

 

A vida é uma dádiva divina, só temos uma,  saber viver para nós humanos  é uma  tarefa mais complexa do que para um animal. Basta lembra-los que só nós seres humanos temos essa capacidade maravilhosa de refletir, de pensar sobre nós mesmos, sobre os outros e o entorno.  De voltar no tempo com o nosso pensamento. E não somos pré-determinados como os animais o são, Deus nos concedeu o livre-arbítrio para que ao longo de nossa caminhada saibamos distinguir o bem do mal, separar o joio do trigo. Sendo assim só nós podemos refletir sobre nossas próprias vidas e buscar o melhor enredo.

 

Há muitas maneiras de encarar a vida, e elas podem mudar ao longo da viagem e mesclarem-se.  Podemos imaginar a vida como um grande palco de teatro, onde somos levados a representar papéis; podemos olhar a sociedade em que vivemos e chegarmos a conclusão de que estamos vivendo numa selva ; há quem encare a vida como um jogo, em que ou se perde ou se ganha; tem também as pessoas que olham a vida como se fosse uma estrada. Com esse caleidoscópio de visões ou maneiras de encarar a vida , se você não tiver raiz profunda,  se você não conjugar com quem você é, ou quem você quer ser; quando passar por intempéries ou tiver que se reorientar na vida enfrentar a situação vai ser muito mais difícil. Sair do caos e encontrar seu próprio eixo pode levar uma eternidade. E quanto mais cedo começarmos a busca pelo nosso auto conhecimento melhor, assim, quanto mais cedo nos indagarmos : Quem sou eu?  Quem eu quero ser em termos de ser humano Melhor ! Mais tempo de vida teremos para nos conhecermos e quando tivermos que alinhar os imãs da nossa bússola interior, não sofreremos tanto.  Afinal de contas perder-se ao longo da vida é muito fácil, o difícil muitas vezes é reencontrar-se.

 

Socrátes já dizia que uma vida não refletida não merecia ser vivida e “conhece-te a ti mesmo”. E só podemos nos conhecer, mergulhando em nós mesmos, não se trata de egoísmo ou narcisismo, é uma questão de necessidade de sobrevivência, principalmente quando percebemos ou encaramos o mundo como uma selva, onde os mais fortes sobrevivem. E as múltiplas dimensões do ser humano precisam estar equilibradas para sobreviver: biologicamente, socialmente , psicologicamente e espiritualmente , podemos pensar na tríade: corpo, mente e alma. Quem nunca ouviu falar na frase “mente sã, corpo são”.  E temos que ter raízes bem profundas para não sermos levados pelas vozes da multidão que mais nos desorientam do que nos guiam. Esse processo de buscar o nosso centro , de mergulharmos em nós mesmos não é tão simples assim,  pois podemos não gostar do que iremos ver, teremos que nos enfrentar, admitir muitas vezes para nós mesmos que estamos errados, mas se formos humildes e não nos cobrarmos tanto, sairemos mais fortalecidos e podemos aos poucos ir realinhando os imãs e nossas raízes ficarão mais profundas.

 

A vida passa muito rápido, quando se vê dois  anos se foram,  e volta a cena o teatro das eleições municipais, dois anos depois o teatro agora toma conta do país, são as eleições presidenciais. É o teatro da disputa de poder. Quando vemos passaram-se vinte anos e aí olhamos o que aconteceu com a sociedade e com o mundo nesses vinte anos? Podemos ser meros espectadores ou podemos pensar em participar de alguma maneira nesse grande palco de teatro que é a vida em sociedade.  Em que todos interpretam papéis mas muitos nem mesmo sabem quem são, perderam suas raízes, deixaram-se levar por valores menos nobres e caíram no fingimento. Fingem para os outros o que não são, escondem-se através de máscaras, têm medo dos próprios sentimentos e não sabem lidar com as próprias emoções, são perdidos em si mesmos e muitas vezes possuídos por emoções destrutivas, como raiva e ódio e o sentimento de inveja. Certas cenas do palco político brasileiro nos dão exemplos de como nossos políticos são excelentes artistas, muitos venderam-se ao sistema e vivem uma vida de teatro, submissos a vontade do grupo que está no poder.

 

 

A vida é um jogo onde não se pode ganhar sempre e que temos que aprender a perder. Quem gosta de perder? Ninguém, a não ser que a derrota lhe traga alguma vantagem.  Quando as regras do jogo são claras e justas para ambos os lados, tal como nos jogos esportivos: futebol, baseibol, vôlei e muitos outros, temos uma competição e cooperação e o jogo é limpo. Duas equipes disputando um campeonato, ganha a competição a equipe que se destacou melhor, que soube se organizar melhor, que soube controlar-se melhor, aquela em que os membros se uniram, cada um por meio de sua função cooperou. Esse é o espírito que as olimpíadas buscam enaltecer a cada quatro anos. Mas nem sempre a competição é bem vista pela sociedade de maneira geral, pois competir também pode trazer à tona sentimentos de superioridade e inferioridade e com isso uma gama de emoções e sentimentos que podem gerar um caos interior tenso de lidar. Mais uma vez venho aqui levantar a bandeira do “conhece-te a ti mesmo”. Ao invés de competir ou comparar-se com o outro, é melhor olhar para si mesmo: o que eu sou por fora e por dentro. Os olhos da sociedade sempre nos enganam, as aparências geralmente nos iludem, portanto não compare-se com o outro, evite situações que podem ferir sua auto estima. Não se machuque por comparações inúteis e nem entre em competições, que são na realidade jogos psicológicos que vão te desequilibrar. “Conhece-te a ti mesmo”, fortaleça-se por dentro e surpreenda o adversário. E lembre-se que a vida é uma estrada em que não se basta conhecer bem o caminho , e que talvez conhecer-se seja um dos principais caminhos. Pois não se esqueça tudo que é material podem tirar de você, mas o que você é seu, suas experiências são suas ninguém as viveu por você, só você viveu e muitas vezes sobreviveu.

 

O filho cresceu e um dia do nada simplesmente avisa que está botando o pé na estrada. O que fazer? Como lidar com essa experiência? Vai amarra-lo no pé da cama , algemá-lo e passar-lhe um sermão? Talvez seja tarde demais ... Ele pode estar tão decidido que qualquer cena dramática de sua parte não o sensibilizará, ele decidiu, usou seu livre arbítrio, fez sua escolha. Ao pais neste momento tempestuoso só resta orar para que ele tenha escolhido o caminho do bem nesta longa da estrada da vida e que nada o desvie desse caminho. Até porque “botar o pé” na estrada não é uma decisão fácil de ser tomada é preciso ter coragem, é neste momento em que teremos que assumir um compromisso com nós mesmos, de ser responsável pela nossa própria vida, de assumir nossos erros e suportar as adversidades sem se fazer de coitadinho ou de vítima e principalmente assumir as consequências de nossas escolhas e decisões.  

 

A vida é feita de escolhas, tal como uma estrada em que muitos momentos nos depararmos com bifurcações, curvas perigosas, subidas , descidas, e longínquos retornos; além da sinalização quando tem ou quando conseguimos enxergar. Muitas têm acostamento outras nada, apenas um abismo em baixo. Há quem prefira viver a cem km por hora, como se viver em alta velocidade implicasse viver intensamente, cuidado, ao virar uma curva, o abismo pode estar logo atrás;  fez a escolha errada, cuidado o próximo retorno só a quilômetros e quilômetros de distância, não vai dar para consertar num pulo;  não deu atenção às placas, aos avisos de alerta, cuidado isso pode custar sua vida; vai fazer ultrapassagem, tá com pressa, faça ,mas faça com responsabilidade e assumindo todos os riscos. E todo cuidado é pouco quando se está na escuridão da estrada, o perigo pode estar logo adiante e nos pegar de surpresa.

 

Qualquer que seja a cor escolhida neste caleidoscópio cedo ou tarde vai perceber que sobreviver na selva é uma questão de vida ou morte; ou vai chegar no leito de morte e confessar que viveu uma vida de mentira, apenas representando e usando máscaras, mentindo para si mesmo o mesmo todo; ou vai despertar para a vida perceber que perdeu muito tempo competindo com os outros ao invés cooperar consigo mesmo,  e que perdeu muito tempo olhando para os outros ao invés de cuidar da própria vida e de suas potencialidades, de seus talentos. E por fim depois de quilômetros e quilômetros rodados pode perceber que pegou a estrada e que  não está preparado para o retorno.  Assim o princípio da caminhada já está dado desde do começo da filosofia com Sócrates : Conhece -te a ti mesmo; uma vida não refletida não merece ser vivida.”

 

 

 

      Essa viagem rumo ao auto conhecimento só depende de você. Há muitas maneiras de fazê-la , mas você não vai conseguir escapar de si mesmo. Afinal, refletir é preciso.  É preciso que você mergulhe em si mesmo, e tenha como inspiração a lição de Bob Marley: “Preocupe-se mais com a sua consciência do que com a sua reputação.”  E caminhe se perguntando: O que é mais importante para mim a essência ou a aparência?  E outras perguntinhas  como as baixo:

 

    

a)     Essência ou aparência: Eis a questão?

b)    Que interesses tenho?

c)     Que habilidades ou talentos tenho?

d)    Quais são os meus valores?

e)     Quais são os meus objetivos?

f)      Quais os meus maiores medos?

g)    Quais são minhas qualidades?

h)    Quais são meus defeitos?

 

     Pode respondê-las como quiser, o importante é refletir , pensar com carinho sobre cada uma delas e responder de acordo com a sua alma. Não minta para você mesmo. Por exemplo: eu vou confessar que meu maior medo é acabar louca dentro de um hospício público.  Quanto aos objetivos é natural que eles mudem ao longo da vida, ou que se tenha objetivos de curto, médio e longo prazos, coloque-os todos. Vale lembrar que essas perguntas podem ser feitas várias vezes ao longo de nossa caminhada e isso é natural, é saudável, quer dizer que estamos vivendo de maneira consciente, refletindo, não somos mais um na massa. E nem será uma viagem perdida.

 

Quando encaramos a vida como palco....

 Como muito bem nos ensina  Constantin Stalinislavski em seu livro "A Construção da Personagem":

"A única condição é não perder seu eu interior enquanto estiver fazendo essa pesquisa exterior. E agora, lhes digo o vamos fazer. Nossa próxima aula será uma mascarada." -pg 22.