A vida é uma dádiva divina, só temos uma, saber viver para nós humanos é uma
tarefa mais complexa do que para um animal. Basta lembra-los que só nós
seres humanos temos essa capacidade maravilhosa de refletir, de pensar sobre
nós mesmos, sobre os outros e o entorno. De voltar no tempo com o nosso pensamento. E não
somos pré-determinados como os animais o são, Deus nos concedeu o
livre-arbítrio para que ao longo de nossa caminhada saibamos distinguir o bem
do mal, separar o joio do trigo. Sendo assim só nós podemos refletir sobre
nossas próprias vidas e buscar o melhor enredo.
Há muitas maneiras de encarar a vida, e
elas podem mudar ao longo da viagem e mesclarem-se. Podemos imaginar a vida como um grande palco de
teatro, onde somos levados a representar papéis; podemos olhar a sociedade em que
vivemos e chegarmos a conclusão de que estamos vivendo numa selva ; há quem encare
a vida como um jogo, em que ou se perde ou se ganha; tem também as pessoas que
olham a vida como se fosse uma estrada. Com esse caleidoscópio de visões ou maneiras
de encarar a vida , se você não tiver raiz profunda, se você não conjugar com quem você é, ou quem
você quer ser; quando passar por intempéries ou tiver que se reorientar na vida
enfrentar a situação vai ser muito mais difícil. Sair do caos e encontrar seu
próprio eixo pode levar uma eternidade. E quanto mais cedo começarmos a busca
pelo nosso auto conhecimento melhor, assim, quanto mais cedo nos indagarmos :
Quem sou eu? Quem eu quero ser em termos
de ser humano Melhor ! Mais tempo de vida teremos para nos conhecermos e quando
tivermos que alinhar os imãs da nossa bússola interior, não sofreremos
tanto. Afinal de contas perder-se ao
longo da vida é muito fácil, o difícil muitas vezes é reencontrar-se.
Socrátes já dizia que uma vida não
refletida não merecia ser vivida e “conhece-te a ti mesmo”. E só podemos nos
conhecer, mergulhando em nós mesmos, não se trata de egoísmo ou narcisismo, é
uma questão de necessidade de sobrevivência, principalmente quando percebemos
ou encaramos o mundo como uma selva, onde os mais fortes sobrevivem. E as
múltiplas dimensões do ser humano precisam estar equilibradas para sobreviver:
biologicamente, socialmente , psicologicamente e espiritualmente , podemos
pensar na tríade: corpo, mente e alma. Quem nunca ouviu falar na frase “mente
sã, corpo são”. E temos que ter raízes
bem profundas para não sermos levados pelas vozes da multidão que mais nos
desorientam do que nos guiam. Esse processo de buscar o nosso centro , de
mergulharmos em nós mesmos não é tão simples assim, pois podemos não gostar do que iremos ver,
teremos que nos enfrentar, admitir muitas vezes para nós mesmos que estamos
errados, mas se formos humildes e não nos cobrarmos tanto, sairemos mais
fortalecidos e podemos aos poucos ir realinhando os imãs e nossas raízes
ficarão mais profundas.
A vida passa muito rápido, quando se vê
dois anos se foram, e volta a cena o teatro das eleições
municipais, dois anos depois o teatro agora toma conta do país, são as eleições
presidenciais. É o teatro da disputa de poder. Quando vemos passaram-se vinte
anos e aí olhamos o que aconteceu com a sociedade e com o mundo nesses vinte
anos? Podemos ser meros espectadores ou podemos pensar em participar de alguma
maneira nesse grande palco de teatro que é a vida em sociedade. Em que todos interpretam papéis mas muitos
nem mesmo sabem quem são, perderam suas raízes, deixaram-se levar por valores
menos nobres e caíram no fingimento. Fingem para os outros o que não são,
escondem-se através de máscaras, têm medo dos próprios sentimentos e não sabem
lidar com as próprias emoções, são perdidos em si mesmos e muitas vezes
possuídos por emoções destrutivas, como raiva e ódio e o sentimento de inveja. Certas
cenas do palco político brasileiro nos dão exemplos de como nossos políticos
são excelentes artistas, muitos venderam-se ao sistema e vivem uma vida de
teatro, submissos a vontade do grupo que está no poder.
A vida é um jogo onde não se pode ganhar
sempre e que temos que aprender a perder. Quem gosta de perder? Ninguém, a não
ser que a derrota lhe traga alguma vantagem.
Quando as regras do jogo são claras e justas para ambos os lados, tal
como nos jogos esportivos: futebol, baseibol, vôlei e muitos outros, temos uma
competição e cooperação e o jogo é limpo. Duas equipes disputando um
campeonato, ganha a competição a equipe que se destacou melhor, que soube se
organizar melhor, que soube controlar-se melhor, aquela em que os membros se
uniram, cada um por meio de sua função cooperou. Esse é o espírito que as
olimpíadas buscam enaltecer a cada quatro anos. Mas nem sempre a competição é
bem vista pela sociedade de maneira geral, pois competir também pode trazer à tona
sentimentos de superioridade e inferioridade e com isso uma gama de emoções e
sentimentos que podem gerar um caos interior tenso de lidar. Mais uma vez venho
aqui levantar a bandeira do “conhece-te a ti mesmo”. Ao invés de competir ou
comparar-se com o outro, é melhor olhar para si mesmo: o que eu sou por fora e
por dentro. Os olhos da sociedade sempre nos enganam, as aparências geralmente
nos iludem, portanto não compare-se com o outro, evite situações que podem
ferir sua auto estima. Não se machuque por comparações inúteis e nem entre em
competições, que são na realidade jogos psicológicos que vão te desequilibrar.
“Conhece-te a ti mesmo”, fortaleça-se por dentro e surpreenda o adversário. E
lembre-se que a vida é uma estrada em que não se basta conhecer bem o caminho ,
e que talvez conhecer-se seja um dos principais caminhos. Pois não se esqueça
tudo que é material podem tirar de você, mas o que você é seu, suas
experiências são suas ninguém as viveu por você, só você viveu e muitas vezes
sobreviveu.
O filho cresceu e um dia do nada
simplesmente avisa que está botando o pé na estrada. O que fazer? Como lidar
com essa experiência? Vai amarra-lo no pé da cama , algemá-lo e passar-lhe um
sermão? Talvez seja tarde demais ... Ele pode estar tão decidido que qualquer
cena dramática de sua parte não o sensibilizará, ele decidiu, usou seu livre
arbítrio, fez sua escolha. Ao pais neste momento tempestuoso só resta orar para
que ele tenha escolhido o caminho do bem nesta longa da estrada da vida e que
nada o desvie desse caminho. Até porque “botar o pé” na estrada não é uma
decisão fácil de ser tomada é preciso ter coragem, é neste momento em que
teremos que assumir um compromisso com nós mesmos, de ser responsável pela
nossa própria vida, de assumir nossos erros e suportar as adversidades sem se
fazer de coitadinho ou de vítima e principalmente assumir as consequências de
nossas escolhas e decisões.
A vida é feita de escolhas, tal como uma
estrada em que muitos momentos nos depararmos com bifurcações, curvas
perigosas, subidas , descidas, e longínquos retornos; além da sinalização
quando tem ou quando conseguimos enxergar. Muitas têm acostamento outras nada,
apenas um abismo em baixo. Há quem prefira viver a cem km por hora, como se
viver em alta velocidade implicasse viver intensamente, cuidado, ao virar uma
curva, o abismo pode estar logo atrás; fez a escolha errada, cuidado o próximo
retorno só a quilômetros e quilômetros de distância, não vai dar para consertar
num pulo; não deu atenção às placas, aos
avisos de alerta, cuidado isso pode custar sua vida; vai fazer ultrapassagem,
tá com pressa, faça ,mas faça com responsabilidade e assumindo todos os riscos.
E todo cuidado é pouco quando se está na escuridão da estrada, o perigo pode
estar logo adiante e nos pegar de surpresa.
Qualquer que seja a cor escolhida neste
caleidoscópio cedo ou tarde vai perceber que sobreviver na selva é uma questão
de vida ou morte; ou vai chegar no leito de morte e confessar que viveu uma
vida de mentira, apenas representando e usando máscaras, mentindo para si mesmo
o mesmo todo; ou vai despertar para a vida perceber que perdeu muito tempo
competindo com os outros ao invés cooperar consigo mesmo, e que perdeu muito tempo olhando para os
outros ao invés de cuidar da própria vida e de suas potencialidades, de seus
talentos. E por fim depois de quilômetros e quilômetros rodados pode perceber
que pegou a estrada e que não está
preparado para o retorno. Assim o
princípio da caminhada já está dado desde do começo da filosofia com Sócrates :
Conhece -te a ti mesmo; uma vida não refletida não merece ser vivida.”
Essa viagem rumo ao auto conhecimento só depende de você. Há muitas
maneiras de fazê-la , mas você não vai conseguir escapar de si mesmo. Afinal,
refletir é preciso. É preciso que você
mergulhe em si mesmo, e tenha como inspiração a lição de Bob Marley: “Preocupe-se
mais com a sua consciência do que com a sua reputação.” E caminhe se perguntando: O que é mais
importante para mim a essência ou a aparência? E outras perguntinhas como as baixo:
a) Essência ou
aparência: Eis a questão?
b) Que interesses
tenho?
c) Que habilidades ou
talentos tenho?
d) Quais são os meus
valores?
e) Quais são os meus
objetivos?
f) Quais os meus
maiores medos?
g) Quais são minhas
qualidades?
h) Quais são meus
defeitos?
Pode
respondê-las como quiser, o importante é refletir , pensar com carinho sobre
cada uma delas e responder de acordo com a sua alma. Não minta para você mesmo.
Por exemplo: eu vou confessar que meu maior medo é acabar louca dentro de um
hospício público. Quanto aos objetivos é
natural que eles mudem ao longo da vida, ou que se tenha objetivos de curto,
médio e longo prazos, coloque-os todos. Vale lembrar que essas perguntas podem
ser feitas várias vezes ao longo de nossa caminhada e isso é natural, é saudável,
quer dizer que estamos vivendo de maneira consciente, refletindo, não somos
mais um na massa. E nem será uma viagem perdida.

