Matéria
– Uma doença várias vertentes
O
transtorno bipolar pode variar de pessoa para pessoa. Conheça os tipos!
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017 - Editora Alto Astral
Além da explicação sobre o problema vista até aqui, é importante ressaltar que ele pode se manifestar em diversos graus, sendo apresentado em quatro tipos numa escala de formas mais leves e mais graves, quando atrapalha completamente a rotina do indivíduo. “O que vai apontar o nível é a frequência, a gravidade e a duração. No primeiro nível, por exemplo, a pessoa consegue executar suas tarefas diárias”, indica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano.
O
Tipo I
Acomete
cerca de 1% da população mundial e deixa o humor do doente exageradamente
elevado e expansivo (mania) e pode prejudica-lo nos círculos sociais. Além disso,
o indivíduo também pode passar por períodos de sentimentos negativos, perda de
apetite e insônias. “Em quadros como esse, o que mais chama a atenção é a
desproporção entre as reações, ou seja, quando não há acontecimentos no
ambiente em que a pessoa está e que justifiquem tal comportamento alterado”,
explica Maria Cristina.
Transtornos
Ciclotímicos
Tem como
característica essencial a oscilação frequente de humor, com sintomas
alternados de euforia e depressão moderados. É considerado um dos menos graves,
já que muitas vezes, pode ser confundido com a própria personalidade da pessoa.
Porém de acordo com o Manual, embora alguns indivíduos com esse tipo possam não
ter problemas com certos períodos de hipomania, o prejuízo social acontece em
decorrência das mudanças constantes de humor, ou seja, o individuo pode ser
visto como temperamental, mal-humorado, imprevisível, incoerente ou não confiável.
O
Tipo II
Essa forma
de apresentação difere-se do tipo I devido ao nível de humor, menos elevado e
agressivo, sendo assim chamado de hipomania. De acordo com Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtorno Mentais, pessoa com transtorno bipolar tipo II
normalmente apresentam um episódio depressivo maior, sem que os estados de
euforia mais amenos (hipomania) causem prejuízos pontuais para a vida do paciente.
Transtorno
relacionado induzido por substância ou medicamento
Tanto no
transtorno bipolar quanto no transtorno relacionado induzido, as
características diagnosticadas são as mesmas: mania, hipomania e depressão. O que
varia é que no segundo os estados surgem e se tornam um problema devido a uma
substância. Isso ocorre por causa dos efeitos colaterais de alguns fármacos
antidepressivos e outros psicotrópicos. Entretanto, segundo o Manual, quando
acontecem casos de da hipomania ou mania após uso de medicamento antidepressivo
ou outros tratamentos e persistem além dos efeitos fisiológicos do fármaco,
essa condição é considerada indicadora de transtorno bipolar real, e não de
transtorno relacionado induzido.
Dá
para controlar?
O
tratamento do transtorno bipolar é feito por especialistas de diversas áreas,
como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. “Em alguns casos, há a internação
para proteger o indivíduo dele mesmo e também para que os médicos verifiquem quais
medicamentos têm mais eficácia e eficiência”,
explica Maria Cristina.
“O mau humor da fome”
Maria
Cristina explica que alterações no aparelho digestivo também podem originar
várias doenças emocionais. Podem ser causadas pelas lesões das paredes do
intestino; motilidade intestinal , que é a capacidade dos intestinos realizarem
contrações para expelir o bolo fecal; alteração na flora bacteriana ou variação
de hormônios responsáveis pela digestação-absorção. A má alimentação também pode
prejudicar as funções mentais, como percepção, memória e até causar distúrbios
de humor.”
Seja qual for o quadro, a variação de humor constante não é saudável e é preciso ser reconhecida o quanto antes!

