Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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domingo, 31 de janeiro de 2021

Matéria – Uma doença várias vertentes

 

Matéria – Uma doença várias vertentes

O transtorno bipolar pode variar de pessoa para pessoa. Conheça os tipos!

Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017 - Editora Alto Astral

Além da explicação sobre o problema vista até aqui, é importante ressaltar que ele pode se manifestar em diversos graus, sendo apresentado em quatro tipos numa escala de formas mais leves e mais graves, quando atrapalha completamente a rotina do indivíduo. “O que vai apontar o nível é a frequência, a gravidade e a duração. No primeiro nível, por exemplo, a pessoa consegue executar suas tarefas diárias”, indica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano.

 

O Tipo I

Acomete cerca de 1% da população mundial e deixa o humor do doente exageradamente elevado e expansivo (mania) e pode prejudica-lo nos círculos sociais. Além disso, o indivíduo também pode passar por períodos de sentimentos negativos, perda de apetite e insônias. “Em quadros como esse, o que mais chama a atenção é a desproporção entre as reações, ou seja, quando não há acontecimentos no ambiente em que a pessoa está e que justifiquem tal comportamento alterado”, explica Maria Cristina.

 

Transtornos Ciclotímicos

Tem como característica essencial a oscilação frequente de humor, com sintomas alternados de euforia e depressão moderados. É considerado um dos menos graves, já que muitas vezes, pode ser confundido com a própria personalidade da pessoa. Porém de acordo com o Manual, embora alguns indivíduos com esse tipo possam não ter problemas com certos períodos de hipomania, o prejuízo social acontece em decorrência das mudanças constantes de humor, ou seja, o individuo pode ser visto como temperamental, mal-humorado, imprevisível, incoerente ou não confiável.

 

O Tipo II

Essa forma de apresentação difere-se do tipo I devido ao nível de humor, menos elevado e agressivo, sendo assim chamado de hipomania. De acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais, pessoa com transtorno bipolar tipo II normalmente apresentam um episódio depressivo maior, sem que os estados de euforia mais amenos (hipomania) causem prejuízos pontuais para a vida do paciente.

 

Transtorno relacionado induzido por substância ou medicamento

Tanto no transtorno bipolar quanto no transtorno relacionado induzido, as características diagnosticadas são as mesmas: mania, hipomania e depressão. O que varia é que no segundo os estados surgem e se tornam um problema devido a uma substância. Isso ocorre por causa dos efeitos colaterais de alguns fármacos antidepressivos e outros psicotrópicos. Entretanto, segundo o Manual, quando acontecem casos de da hipomania ou mania após uso de medicamento antidepressivo ou outros tratamentos e persistem além dos efeitos fisiológicos do fármaco, essa condição é considerada indicadora de transtorno bipolar real, e não de transtorno relacionado induzido.

 

Dá para controlar?

O tratamento do transtorno bipolar é feito por especialistas de diversas áreas, como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. “Em alguns casos, há a internação para proteger o indivíduo dele mesmo e também para que os médicos verifiquem quais medicamentos têm  mais eficácia e eficiência”, explica Maria Cristina.

 “O mau humor da fome”

Maria Cristina explica que alterações no aparelho digestivo também podem originar várias doenças emocionais. Podem ser causadas pelas lesões das paredes do intestino; motilidade intestinal , que é a capacidade dos intestinos realizarem contrações para expelir o bolo fecal; alteração na flora bacteriana ou variação de hormônios responsáveis pela digestação-absorção. A má alimentação também pode prejudicar as funções mentais, como percepção, memória e até causar distúrbios de humor.”

 Seja qual for o quadro, a variação de humor constante não é saudável e é preciso ser reconhecida o quanto antes!

 

Matéria – Via de duas mãos A dupla personalidade, assim como alterações repentinas de humor, são algumas das características que marcam o transtorno bipolar

 Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017 - Editora Alto Astral

Quem é que nunca acordou de mau humor de manhã, mas já no início do dia no trabalho ou na escola tudo ocorreu superbem e a felicidade tomou conta de seu interior? Alterações humor são comuns no dia a dia das pessoas! Mas você sabe até que ponto isso é normal? O transtorno bipolar tem causado dúvidas entre as pessoas e, por isso, alguns pacientes com a doença ainda estão sem tratamento. Assim, vale conhecer as características desse problema que atinge cerca de 8% da população – segundo a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). Explicamos nas linhas a seguir um pouco mais sobre o transtorno, suas consequências e trouxemos um teste que pode ajudar a identifica-lo (é claro, substituir de maneira alguma uma consulta médica).

 

Turbilhão de sentimentos

     O transtorno bipolar é diagnosticado com alterações de humor que aparecem como episódios depressivos alternados com os de euforia – também conhecidos como mania - , em diferentes graus de intensidade. “Geralmente, ele é caracterizado por mudanças no modo de ser habitual, com o paciente apresentando-se mais triste, irritado, sem ânimo ou impaciente – em sua forma depressiva.  Ou com a mente, a fala e o comportamento acelerados – o que caracteriza sua forma eufórica. Estas duas maneiras podem se somar e coincidir na mesma pessoa, resultando no transtorno”, explica o psiquiatra do Hospital Adventista Silvestre, Sander Fridman. A ABTB diz que essa doença é uma condição médica frequente. O de tipo I, que se dá pela presença de episódios de depressão e de mania, ocorre em cerca de 1% da população geral. Já se considerar os quadros mais brandos – os denominados “espectro bipolar” -, como o tipo II, que é marcado pela alternância de depressão e episódios mais leves de euforia, a predominância pode chegar a até 8% da população. Assim, estima-se que cerca de 1,8 a 1,5 milhões de brasileiros sejam portadores do transtorno bipolar, em suas diferentes formas de apresentação.

 

Em cada fase

Uma sensação

     Embora seja típica nas crises, a característica mais marcante presente nos portadores do transtorno é a mudança em relação ao modo habitual de ser da pessoa. Segundo o profissional, algumas pessoas podem ter seus sintomas por tempo tão prolongado que eles se confundem com a personalidade do doente. Confira a seguir as duas fases mais marcantes do transtorno:

Depressão: nesse período, pode ocorrer a perda quase completa dos interesses pessoais, bem como falta de energia e de iniciativa, uma extrema inquietude angustiada, sono ruim – acordando, muitas vezes, cedo demais ou sono excessivo. “Atenção e memória podem ficar muito prejudicadas, interferindo no desempenho no trabalho, nos estudos e na capacidade de cuidar de um dependente, por exemplo, e até de andar sozinho pela rua com segurança”, explica Sander. A pessoa, normalmente, fala muito pouco, com volume de voz baixo e expressão corporal contida. “Pode haver também a perda do desejo sexual e até da capacidade de amar ou de vivenciar o amor, ameaçando a continuidade dos laços familiares”, completa o psiquiatra.

     Preocupações ou desejo de morrer também são comuns, assim como fantasias, planos e tentativas de suicídio, cujo risco é alto e aumenta muito mais quando associado ao abuso ou dependência de álcool. “Às vezes, visões de pessoas que já morreram, vozes que falam com o doente ou lhe comandam fugas e atos suicidas podem acompanhar e agravar muito o quadro, aumentando o risco para a sobrevivência dos pacientes”, conta o profissional.

 

Euforia: a forma maníaca é um estado de exaltação do humor, com aumento de energia, sem qualquer relação com o momento em que  a pessoa está vivendo. Nesse período, o paciente não está deprimido nem alegre por motivo especial, mas apresenta humor eufórico ou irritável. Em geral, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas o indivíduo não percebe sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes. Essa fase pode ser acompanhada de um aumento no desejo e na disposição sexual, na interação social e na redução da necessidade de sono diário, podendo interferir na capacidade intelectual – aumentando nos casos mais leves e piorando nos mais graves, pela incapacidade de se concentrar –, além do estresse cumulativo decorrente das consequências de seu comportamento perigoso. “Sua apreciação otimista da realidade é capaz de atingir níveis extremos, em que a pessoa pode julgar-se ilimitada em suas capacidades em geral, como voar, assumir dívidas, vencer pessoas armadas, etc”, diz Sander. Pode também acreditar que alguém está preparando uma forma de ataque ou perseguição contra ela, e eventualmente, tomar a iniciativa de “atacar antes”.

 

Consequências Graves

     O transtorno bipolar causa incapacitação e grave sofrimento para os portadores e suas famílias. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovaram que a doença foi a sexta maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se não tratado adequadamente.

     Segundo Sander Fridman, as consequências do transtorno são:

*Morais : mudança na imagem social

*Laborais : incapacidade para o trabalho

*Psicológicas : sofrimento emocional e internação psiquiátrica

*Físicas : vários adoecimentos, acidentes e tentativas de suicidio

*Econômicas : empobrecimento, perda de oportunidades de trabalho e subsistência

*Criminais : agressões, homicídios – como autor ou vítima - , aprisionamento em manicômio judiciário e vítimas de vingança

*Legais 

Segundo a ABTB, a mortalidade dos portadores do transtorno bipolar é elevada e o suicídio é a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas.