Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017 - Editora Alto Astral
Quem é que nunca acordou de mau humor de
manhã, mas já no início do dia no trabalho ou na escola tudo ocorreu superbem e
a felicidade tomou conta de seu interior? Alterações humor são comuns no dia a
dia das pessoas! Mas você sabe até que ponto isso é normal? O transtorno
bipolar tem causado dúvidas entre as pessoas e, por isso, alguns pacientes com
a doença ainda estão sem tratamento. Assim, vale conhecer as características
desse problema que atinge cerca de 8% da população – segundo a Associação
Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). Explicamos nas linhas a seguir um
pouco mais sobre o transtorno, suas consequências e trouxemos um teste que pode
ajudar a identifica-lo (é claro, substituir de maneira alguma uma consulta
médica).
Turbilhão de sentimentos
O
transtorno bipolar é diagnosticado com alterações de humor que aparecem como
episódios depressivos alternados com os de euforia – também conhecidos como
mania - , em diferentes graus de intensidade. “Geralmente, ele é caracterizado
por mudanças no modo de ser habitual, com o paciente apresentando-se mais
triste, irritado, sem ânimo ou impaciente – em sua forma depressiva. Ou com a mente, a fala e o comportamento
acelerados – o que caracteriza sua forma eufórica. Estas duas maneiras podem se
somar e coincidir na mesma pessoa, resultando no transtorno”, explica o
psiquiatra do Hospital Adventista Silvestre, Sander Fridman. A ABTB diz que
essa doença é uma condição médica frequente. O de tipo I, que se dá pela
presença de episódios de depressão e de mania, ocorre em cerca de 1% da
população geral. Já se considerar os quadros mais brandos – os denominados “espectro
bipolar” -, como o tipo II, que é marcado pela alternância de depressão e
episódios mais leves de euforia, a predominância pode chegar a até 8% da
população. Assim, estima-se que cerca de 1,8 a 1,5 milhões de brasileiros sejam
portadores do transtorno bipolar, em suas diferentes formas de apresentação.
Em cada fase
Uma sensação
Embora
seja típica nas crises, a característica mais marcante presente nos portadores
do transtorno é a mudança em relação ao modo habitual de ser da pessoa. Segundo
o profissional, algumas pessoas podem ter seus sintomas por tempo tão
prolongado que eles se confundem com a personalidade do doente. Confira a seguir
as duas fases mais marcantes do transtorno:
Depressão: nesse período, pode
ocorrer a perda quase completa dos interesses pessoais, bem como falta de
energia e de iniciativa, uma extrema inquietude angustiada, sono ruim –
acordando, muitas vezes, cedo demais ou sono excessivo. “Atenção e memória
podem ficar muito prejudicadas, interferindo no desempenho no trabalho, nos estudos
e na capacidade de cuidar de um dependente, por exemplo, e até de andar sozinho
pela rua com segurança”, explica Sander. A pessoa, normalmente, fala muito
pouco, com volume de voz baixo e expressão corporal contida. “Pode haver também
a perda do desejo sexual e até da capacidade de amar ou de vivenciar o amor,
ameaçando a continuidade dos laços familiares”, completa o psiquiatra.
Preocupações ou desejo de morrer também são comuns, assim como fantasias,
planos e tentativas de suicídio, cujo risco é alto e aumenta muito mais quando
associado ao abuso ou dependência de álcool. “Às vezes, visões de pessoas que
já morreram, vozes que falam com o doente ou lhe comandam fugas e atos suicidas
podem acompanhar e agravar muito o quadro, aumentando o risco para a
sobrevivência dos pacientes”, conta o profissional.
Euforia: a forma maníaca é um estado de exaltação do humor, com aumento de energia, sem qualquer relação com o momento em que a pessoa está vivendo. Nesse período, o paciente não está deprimido nem alegre por motivo especial, mas apresenta humor eufórico ou irritável. Em geral, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas o indivíduo não percebe sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes. Essa fase pode ser acompanhada de um aumento no desejo e na disposição sexual, na interação social e na redução da necessidade de sono diário, podendo interferir na capacidade intelectual – aumentando nos casos mais leves e piorando nos mais graves, pela incapacidade de se concentrar –, além do estresse cumulativo decorrente das consequências de seu comportamento perigoso. “Sua apreciação otimista da realidade é capaz de atingir níveis extremos, em que a pessoa pode julgar-se ilimitada em suas capacidades em geral, como voar, assumir dívidas, vencer pessoas armadas, etc”, diz Sander. Pode também acreditar que alguém está preparando uma forma de ataque ou perseguição contra ela, e eventualmente, tomar a iniciativa de “atacar antes”.
Consequências Graves
O transtorno bipolar causa incapacitação e grave sofrimento para os
portadores e suas famílias. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovaram
que a doença foi a sexta maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam
que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por
exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se
não tratado adequadamente.
Segundo Sander Fridman, as consequências do transtorno são:
*Morais : mudança na imagem social
*Laborais : incapacidade para o trabalho
*Psicológicas : sofrimento emocional e
internação psiquiátrica
*Físicas : vários adoecimentos, acidentes e tentativas
de suicidio
*Econômicas : empobrecimento, perda
de oportunidades de trabalho e subsistência
*Criminais : agressões, homicídios – como autor ou vítima
- , aprisionamento em manicômio judiciário e vítimas de vingança
*Legais
Segundo a ABTB, a mortalidade dos portadores do
transtorno bipolar é elevada e o suicídio é a causa mais frequente de morte,
principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o
suicídio ao menos uma vez em suas vidas.


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