O ato de julgar o outro é além de ser um subterfúgio para que não tenhamos que lidar com a nossas próprias inquietudes, é também uma das maiores portas para o erro. A dor de ser algo de julgamento alheio, nunca é maior do que o remorso em descobrir que fomos injustos com alguém. A fábula do escritor Mário Salvador, ilustra bem a passagem do Evangelho de São Mateus.
Naqueles tempos, um caçador encontrou na
floresta uma raposa morta e junto ao seu corpo estava seu filhote. Então, o
caçador pegou o filhote e o levou para sua casa. Não tardou para que a
vizinhança começasse o falatório:
A vizinhança:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho, o recém-nascido.
O tempo foi passando e o caçador
continuava cuidando daquele filhote, que ai final de um tempo acabou
tornando-se uma forte e bela raposa adulta, não bravia como os vizinhos haviam
falado há tempos atrás. Todavia, a vizinhança continuava cismada e não
acreditava que uma raposa poderia ser dócil e sempre que tinha a oportunidade
deixava o caçador de antena ligada, dizendo:
A vizinhança:
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores.
De manhã bem cedinho, quando o caçador
chegou em casa, observou que sua raposa criada com tanto carinho estava com a
boca cheia de sangue, e logo veio em sua memória o falatório da vizinhança:
O falatório da vizinhança na
memória do caçador:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho!
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores
Ao ver a raposa com a boca toda
ensanguentada, imediatamente logo veio em sua mente o falatório da vizinhança.
Assustado o caçador não pensou duas vezes, tirou o machado de suas costas e
matou a raposa. Morta a raposa, o caçador foi ver como estava seu filho, e qual
não foi a sua surpresa ao perceber que seu filho dormia tranquilamente, mas no
chão bem próximo a sua cama jazia um enorme corpo de cobra.
Percebendo o engano ou a injustiça que
cometeu, o caçador num gesto de arrependimento decidiu enterrar o corpo da
raposa, que ele havia matado junto com o machado, objeto usado por ele para dar
fim a vida da raposa.
1º Passo livre
interpretação: Que mensagem traz o texto?
2º Passo
interpretação do texto: O “falatório da vizinhança” descrito nesta fábula
representa julgamento? E por que?

