Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Não julgue para não sereis julgado!

     O ato de julgar o outro é além de ser um subterfúgio para que não tenhamos que lidar com a nossas próprias inquietudes, é também uma das maiores portas para o erro. A dor de ser algo de julgamento alheio, nunca é maior do que o remorso em descobrir que fomos injustos com alguém. A fábula do escritor Mário Salvador, ilustra bem a passagem do Evangelho de São Mateus.

     Naqueles tempos, um caçador encontrou na floresta uma raposa morta e junto ao seu corpo estava seu filhote. Então, o caçador pegou o filhote e o levou para sua casa. Não tardou para que a vizinhança começasse o falatório:

A vizinhança:

- Este animal é bravio, é uma fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar seu filho, o recém-nascido.

     O tempo foi passando e o caçador continuava cuidando daquele filhote, que ai final de um tempo acabou tornando-se uma forte e bela raposa adulta, não bravia como os vizinhos haviam falado há tempos atrás. Todavia, a vizinhança continuava cismada e não acreditava que uma raposa poderia ser dócil e sempre que tinha a oportunidade deixava o caçador de antena ligada, dizendo:

A vizinhança:

- Você pode não entender, mas este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores.

     De manhã bem cedinho, quando o caçador chegou em casa, observou que sua raposa criada com tanto carinho estava com a boca cheia de sangue, e logo veio em sua memória o falatório da vizinhança:

O falatório da vizinhança na memória do caçador:

- Este animal é bravio, é uma fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar seu filho!

- Você pode não entender, mas este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores

     Ao ver a raposa com a boca toda ensanguentada, imediatamente logo veio em sua mente o falatório da vizinhança. Assustado o caçador não pensou duas vezes, tirou o machado de suas costas e matou a raposa. Morta a raposa, o caçador foi ver como estava seu filho, e qual não foi a sua surpresa ao perceber que seu filho dormia tranquilamente, mas no chão bem próximo a sua cama jazia um enorme corpo de cobra.

      Percebendo o engano ou a injustiça que cometeu, o caçador num gesto de arrependimento decidiu enterrar o corpo da raposa, que ele havia matado junto com o machado, objeto usado por ele para dar fim a vida da raposa.

 

1º Passo livre interpretação: Que mensagem traz o texto?

2º Passo interpretação do texto: O “falatório da vizinhança” descrito nesta fábula representa julgamento? E por que?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todo comentário e crítica construtiva é bem vinda. Destaco que não julgarei e respeitarei sua opinião, mesmo sendo diferente da minha.