Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017
Editora Alto Astral
Matéria – Vida que segue!
O
transtorno não condena o paciente a ter uma rotina sem qualidade. Duvida? Então,
confira uma série de dicas que vão ajudar na busca pelo bem-estar.
1.Aceite a doença
“Quando o paciente aceita que precisa de tratamento psiquiátrico, esse processo torna-se mais fácil e eficaz”, destaca a psiquiatra, Maria Cristina De Stefano.
“A maioria
das doenças se cura espontaneamente ou com quase nenhuma interferência médica,
porém, os transtornos mentais podem ser controlados, atenuados, e até curados,
com um tratamento adequado”, indica Maria Cristina.
Ao receber
a terapia indicada por um profissional, é importante integrá-los ao dia a dia,
em doses e horários certos definidos pelo seu psiquiatra.
Especialistas
indicam dormir ao menos 8 horas por noite. “O corpo cansado, exausto e
estressado fica mais propenso a adoecer”, indica Maria Cristina.
Algumas
substâncias, tanto lícitas (medicamentos em demasia, cigarro, café e álcool)
quanto ilícitas (maconha, cocaína, LSD e crack), não são indicadas para quem
tem o transtorno. “Elas modificam as funções e diminuem a vida dos neurônios”,
destaca Maria Cristina. Além disso, um fator que pode contribuir para o
desenvolvimento da bipolaridade é a dependência química.
“Uma pessoa
submetida ao estresse constante e intenso tem mais chance de adoecer ou de ter
uma crise emocional, principal desencadeante das alterações do humor”, afirma
Maria Cristina.
Se
possível, observe as pessoas com quem convive diariamente e evite indivíduos
pessimistas, controladores; estressados, tensos e explosivos. “As crises
alheias podem agravar seus sintomas. Busque manter relacionamentos com pessoas
que influenciam sua vida de forma positiva, com calma, aceitação, compreensão e
estabilidade”, destaca Maria Cristina
Algumas
práticas físicas feitas ao ar livre, por exemplo, são capazes de estimular o
corpo e ainda fornecem sensação prazerosa o que ajuda a estabilizar e manter o
humor, pois isso libera endorfina, um dos neurotransmissores capazes de
desligar a adrenalina, hormônio comum em situações de estresse.
Nas fases
de euforia, pode ser mais fácil manter atividades físicas, entretanto, em seu
oposto, pode ser mais difícil. Por isso, procure companhias que o estimulem,
principalmente em momentos deprimidos. “Exercícios físicos facilitam uma
neuroquímica mais equilibrada e acalmam a mente” afirma o hipnoterapeuta e
psicólogo clínico Bayard Galvão.
Seja
através de uma caminhada tranquila, uma volta de bicicleta, olhar as nuvens
passando no céu. Preste atenção nesses momentos que são apenas seus e faça
deles os melhores.
“Fazer
algo que dá prazer é uma forma de manter o bom humor e a autoestima”, ressalta
Maria Cristina.
O hábito
tem capacidade de desenvolver a autoconfiança, importante para a evolução do
tratamento.
“A técnica
promove relaxamento, libera neurotransmissores importantes tanto para a
recuperação de lesões cerebrais como periféricas, e, em consequência, evita
crises”, recomenda a psiquiatra.
Massagens podem
liberar ocitocina, conhecida como hormônio do amor e, como efeito, além de
ajudar no relaxamento, modula o humor e a ansiedade.
Quem tem a
doença precisa manter uma alimentação balanceada, nem que seja preciso
interferência médica ou de nutricionistas. “O transtorno bipolar pode levar a
queda ou aumento de apetite, da voracidade à anorexia, portanto, o déficit de
vitaminas no organismo, assim como a obesidade,
agravam os sintomas de humor alterado”, aponta Maria Cristina.
Essa dica
é geral, porém cai muito bem para quem possui a doença. O açúcar em excesso
pode levar à obesidade e aumentar a ansiedade. A cada dia, diminua um pouco e
aprenda a dizer não à oferta de doces sem se sentir culpado ou constrangido.
“A
assertividade é um dos componentes da saúde mental e pode ser aprendida e
treinada nas sessões de psicoterapia”, comenta a psiquiatra
Guardar
anotações do seu dia a dia, de momentos que o deixam feliz ou o oposto, o que
fez e o que deixou de fazer, é uma forma de entender o que acontece com você e
o que está contribuindo ou não para a melhora da doença. “As anotações também
vão contribuir para o controle dos efeitos das medicações e ajudam seu médico a
ajuda-lo mais ainda”, destaca a profissional.
Busque se
conhecer, observando momentos de irritabilidade, tristeza, desânimo, excesso de
felicidade e inquietações. “Em seguida escreva o que teria passado pela sua
cabeça ou acontecido à sua volta logo antes (até 15 minutos) da emoção em questão.
O tempo para o pensamento virar sentimento (seja trazendo alegria, tristeza ou
raiva) é de 0,2 segundo, tempo para um pensamento alterar a química do corpo,
gerando o que se chama de emoção”, explica Bayard.
Saiba que,
mesmo buscando conquistar o controle, tudo bem receber ajuda. Isso, inclusive é
uma ótima forma de acelerar o tratamento. “Guardar mágoas, ressentimentos e
tristezas pode desencadear períodos depressivos. Aprender a desabafar sem
buscar culpados nos liberta da raiva e nos leva a achar soluções realistas e
possíveis, economizando nossa energia emocional”, comenta Maria Cristina.
21.
Busque seu direito de tirar férias
Mesmo que
seja autônomo, procure investir e separar um momento de descanso total,
desligando-se o máximo possível. “O tempo de férias não deve ser menor de 20
dias, pois só neste período é que diminuem os hormônios do estresse”, recomenda
a psiquiatra.
Ok, pode
parecer idealístico, mas você pode controlar isso também, buscando não acomodar-se.
Invista em você até que o leve a um trabalho no qual se sinta gratificado e
respeitado.
Além de
evitar o abandono, a adoção pode trazer estímulos surpreendentes para quem
convive com a doença: “traz alegria, ensina a cuidar e a valorizar a vida, seja
ela qual for, liberta nossos interesses e instintos, além de desenvolver nossa
compaixão” comenta a psiquiatra. No entanto, a ação de cuidar deve ser pensada
e realizada com responsabilidade.
Principalmente
em momentos de euforia, antes de tomar alguma decisão, verificar com alguém em
quem confia se a compra, investimento ou atitude pode fazer parecer ser boa. “Quando
a pessoa está excessivamente alegre, é fácil tomar decisões de maneira
inconsequente”, afirma Bayard.
“Caso
fique pesado demais lidar com a dificuldade sozinho, deixe para fazê-lo em
consultório com o psicoterapeuta”, recomenda Bayard.
É um tema
difícil de administrar, pois cada um lida com o momento de tristeza de uma
forma. No entanto, buscar entender esse pensamento negativo como um momento
ruim, que a “tempestade passará”, ajuda a dissipar as “nuvens”.
Em
situações de tristeza, aprenda a valorizar o que você tem hoje e tudo de bom
que a vida tem para oferecer no momento presente. “Não é incomum as pessoas se
tornarem insensíveis à realidade, buscando apenas felicidades intensas,
relacionamentos perfeitos, sucesso sem esforço e variações, que quando
confrontados com o mundo, este dá a impressão de ser sem graça e pouco,
trazendo inúmeras tristezas e frustrações”, relata Bayard.
Sabe
aquilo que você escreveu em algum momento de felicidade? Não hesite em
revisitá-lo e reviver boas experiências e vivências. Mas cuidado! “A diferença
entre saudade e nostalgia é que a primeira é saudável e alimenta a vida, a
segunda, dificulta o presente e se torna uma areia movediça”, ressalta o psicólogo.
Para isso,
é preciso entender que ela é uma escolha e não um lugar para chegar! Por isso,
deixe-se levar pelo caminho mais alegre. Bayard exemplifica: “É fato que as
pessoas não têm claro o que lhes dá prazer ou felicidade, mas sim o que elas
acham que trará prazer. Um raciocínio para diferenciar um e outro é buscar nas lembranças
e se perguntar: do que eu busco hoje que me trará felicidade, quanto eu já vivenciei de maneira similar a
situação?”
“Caso o
paciente tenha medo de perder o emprego, ficar sem companheira (o) ou ficar
doente, ele pode buscar sabedoria para viver bem, com pouco dinheiro e solteiro
(a) e sabendo que um dia pode adoecer. Não foram poucos os que escreveram
sobres estes assuntos, como Sêneca (filósofo do século I) e Montaigne (filósofo
do século XVI)”, indica Bayard.

