Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Matéria – Vida que segue!

 Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017

Editora Alto Astral

 

Matéria – Vida que segue!

O transtorno não condena o paciente a ter uma rotina sem qualidade. Duvida? Então, confira uma série de dicas que vão ajudar na busca pelo bem-estar.

 Quando uma pessoa é diagnosticada com uma doença, é comum, no começo, encarar o fato de uma forma um pouco negativa, ressaltando os aspectos prejudiciais da condição. Entretanto, é possível superar o choque inicial e buscar maneiras de manter a qualidade de vida mesmo diante de uma situação desfavorável. Nas próximas paginas, descubra uma série de dicas que vão auxiliar o paciente para que ele enxergue que dias bons não vão deixar de ser parte da rotina!

 

1.Aceite a doença

“Quando o paciente aceita que precisa de tratamento psiquiátrico, esse processo torna-se mais fácil e eficaz”, destaca a psiquiatra, Maria Cristina De Stefano.

 2. Confie em especialistas

“A maioria das doenças se cura espontaneamente ou com quase nenhuma interferência médica, porém, os transtornos mentais podem ser controlados, atenuados, e até curados, com um tratamento adequado”, indica Maria Cristina.

 3. Respeite o tratamento

Ao receber a terapia indicada por um profissional, é importante integrá-los ao dia a dia, em doses e horários certos definidos pelo seu psiquiatra.

 4. Durma bem

Especialistas indicam dormir ao menos 8 horas por noite. “O corpo cansado, exausto e estressado fica mais propenso a adoecer”, indica Maria Cristina.

 5. Saiba o que evitar!

Algumas substâncias, tanto lícitas (medicamentos em demasia, cigarro, café e álcool) quanto ilícitas (maconha, cocaína, LSD e crack), não são indicadas para quem tem o transtorno. “Elas modificam as funções e diminuem a vida dos neurônios”, destaca Maria Cristina. Além disso, um fator que pode contribuir para o desenvolvimento da bipolaridade é a dependência química.

 6. Fuja do estresse negativo

“Uma pessoa submetida ao estresse constante e intenso tem mais chance de adoecer ou de ter uma crise emocional, principal desencadeante das alterações do humor”, afirma Maria Cristina.

 7. Tchau, pessimismo!

Se possível, observe as pessoas com quem convive diariamente e evite indivíduos pessimistas, controladores; estressados, tensos e explosivos. “As crises alheias podem agravar seus sintomas. Busque manter relacionamentos com pessoas que influenciam sua vida de forma positiva, com calma, aceitação, compreensão e estabilidade”, destaca Maria Cristina

 8. Pratique atividades psicofísicas

Algumas práticas físicas feitas ao ar livre, por exemplo, são capazes de estimular o corpo e ainda fornecem sensação prazerosa o que ajuda a estabilizar e manter o humor, pois isso libera endorfina, um dos neurotransmissores capazes de desligar a adrenalina, hormônio comum em situações de estresse.

 9. Tenha companhia para exercitar-se

Nas fases de euforia, pode ser mais fácil manter atividades físicas, entretanto, em seu oposto, pode ser mais difícil. Por isso, procure companhias que o estimulem, principalmente em momentos deprimidos. “Exercícios físicos facilitam uma neuroquímica mais equilibrada e acalmam a mente” afirma o hipnoterapeuta e psicólogo clínico Bayard Galvão.

 10. Busque tranquilidade

Seja através de uma caminhada tranquila, uma volta de bicicleta, olhar as nuvens passando no céu. Preste atenção nesses momentos que são apenas seus e faça deles os melhores.

 11. Lazer é importante, sim!

“Fazer algo que dá prazer é uma forma de manter o bom humor e a autoestima”, ressalta Maria Cristina.

 12. Aprenda a ser espontâneo

O hábito tem capacidade de desenvolver a autoconfiança, importante para a evolução do tratamento.

 13. Frequente um acupunturista

“A técnica promove relaxamento, libera neurotransmissores importantes tanto para a recuperação de lesões cerebrais como periféricas, e, em consequência, evita crises”, recomenda a psiquiatra.

 14. Descubra o toque

Massagens podem liberar ocitocina, conhecida como hormônio do amor e, como efeito, além de ajudar no relaxamento, modula o humor e a ansiedade.

 15. Atente-se ao seu prato

Quem tem a doença precisa manter uma alimentação balanceada, nem que seja preciso interferência médica ou de nutricionistas. “O transtorno bipolar pode levar a queda ou aumento de apetite, da voracidade à anorexia, portanto, o déficit de vitaminas no organismo, assim como a obesidade,  agravam os sintomas de humor alterado”, aponta Maria Cristina.

 16. Reduza (o máximo que puder) o açúcar!

Essa dica é geral, porém cai muito bem para quem possui a doença. O açúcar em excesso pode levar à obesidade e aumentar a ansiedade. A cada dia, diminua um pouco e aprenda a dizer não à oferta de doces sem se sentir culpado ou constrangido.

 17. Mantenha-se firme aos seus propósitos

“A assertividade é um dos componentes da saúde mental e pode ser aprendida e treinada nas sessões de psicoterapia”, comenta a psiquiatra

 18. Escreva e detalhe seu dia

Guardar anotações do seu dia a dia, de momentos que o deixam feliz ou o oposto, o que fez e o que deixou de fazer, é uma forma de entender o que acontece com você e o que está contribuindo ou não para a melhora da doença. “As anotações também vão contribuir para o controle dos efeitos das medicações e ajudam seu médico a ajuda-lo mais ainda”, destaca a profissional.

 19. Alimente (positivamente) a química do seu corpo

Busque se conhecer, observando momentos de irritabilidade, tristeza, desânimo, excesso de felicidade e inquietações. “Em seguida escreva o que teria passado pela sua cabeça ou acontecido à sua volta logo antes (até 15 minutos) da emoção em questão. O tempo para o pensamento virar sentimento (seja trazendo alegria, tristeza ou raiva) é de 0,2 segundo, tempo para um pensamento alterar a química do corpo, gerando o que se chama de emoção”, explica Bayard.

 20. Aceite ajuda

Saiba que, mesmo buscando conquistar o controle, tudo bem receber ajuda. Isso, inclusive é uma ótima forma de acelerar o tratamento. “Guardar mágoas, ressentimentos e tristezas pode desencadear períodos depressivos. Aprender a desabafar sem buscar culpados nos liberta da raiva e nos leva a achar soluções realistas e possíveis, economizando nossa energia emocional”, comenta Maria Cristina.

21. Busque seu direito de tirar férias

Mesmo que seja autônomo, procure investir e separar um momento de descanso total, desligando-se o máximo possível. “O tempo de férias não deve ser menor de 20 dias, pois só neste período é que diminuem os hormônios do estresse”, recomenda a psiquiatra.

 22. Realize-se no seu trabalho

Ok, pode parecer idealístico, mas você pode controlar isso também, buscando não acomodar-se. Invista em você até que o leve a um trabalho no qual se sinta gratificado e respeitado.

 23. Adote um bichinho

Além de evitar o abandono, a adoção pode trazer estímulos surpreendentes para quem convive com a doença: “traz alegria, ensina a cuidar e a valorizar a vida, seja ela qual for, liberta nossos interesses e instintos, além de desenvolver nossa compaixão” comenta a psiquiatra. No entanto, a ação de cuidar deve ser pensada e realizada com responsabilidade.

 24. Tenha em quem confiar

Principalmente em momentos de euforia, antes de tomar alguma decisão, verificar com alguém em quem confia se a compra, investimento ou atitude pode fazer parecer ser boa. “Quando a pessoa está excessivamente alegre, é fácil tomar decisões de maneira inconsequente”, afirma Bayard.

 25. Quando estiver muito triste, desvie a atenção

“Caso fique pesado demais lidar com a dificuldade sozinho, deixe para fazê-lo em consultório com o psicoterapeuta”, recomenda Bayard.

 26. Tenha um mantra toda vez que pensar em suicídio

É um tema difícil de administrar, pois cada um lida com o momento de tristeza de uma forma. No entanto, buscar entender esse pensamento negativo como um momento ruim, que a “tempestade passará”, ajuda a dissipar as “nuvens”.

 27. Aproveite o presente!

Em situações de tristeza, aprenda a valorizar o que você tem hoje e tudo de bom que a vida tem para oferecer no momento presente. “Não é incomum as pessoas se tornarem insensíveis à realidade, buscando apenas felicidades intensas, relacionamentos perfeitos, sucesso sem esforço e variações, que quando confrontados com o mundo, este dá a impressão de ser sem graça e pouco, trazendo inúmeras tristezas e frustrações”, relata Bayard.

 28. Relembre!

Sabe aquilo que você escreveu em algum momento de felicidade? Não hesite em revisitá-lo e reviver boas experiências e vivências. Mas cuidado! “A diferença entre saudade e nostalgia é que a primeira é saudável e alimenta a vida, a segunda, dificulta o presente e se torna uma areia movediça”, ressalta o psicólogo.

 29. Cuide da sua felicidade

Para isso, é preciso entender que ela é uma escolha e não um lugar para chegar! Por isso, deixe-se levar pelo caminho mais alegre. Bayard exemplifica: “É fato que as pessoas não têm claro o que lhes dá prazer ou felicidade, mas sim o que elas acham que trará prazer. Um raciocínio para diferenciar um e outro é buscar nas lembranças e se perguntar: do que eu busco hoje que me trará felicidade,  quanto eu já vivenciei de maneira similar a situação?”

 30. Leitura é poder

“Caso o paciente tenha medo de perder o emprego, ficar sem companheira (o) ou ficar doente, ele pode buscar sabedoria para viver bem, com pouco dinheiro e solteiro (a) e sabendo que um dia pode adoecer. Não foram poucos os que escreveram sobres estes assuntos, como Sêneca (filósofo do século I) e Montaigne (filósofo do século XVI)”, indica Bayard.

 Consultoria: Bayard Galvão, psicólogo clínico; Maria Cristina De Stefano, psiquiatra

Matéria – Após o diagnóstico

 Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017

Editora Alto Astral

 

Matéria – Após o diagnóstico

Assim como acontece com outras doenças, é preciso entender o transtorno bipolar e desmistificar algumas informações para buscar o tratamento correto.

 O transtorno bipolar caracteriza-se por alterações cíclicas de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia ou de mania em diferentes graus de intensidade. Porém as oscilações de humor das pessoas no transtorno são diferentes das mudanças que, geralmente, são normais de aparecer. Nesses pacientes, essas alterações de humor são mais graves e duradouras e interferem em aspectos importantes; como a capacidade de trabalhar, de estudar e de se relacionar com os outros.

     Por isso, é salutar que os pacientes que sofrem com o transtorno bipolar procurem intervenção médica especializada. Porém, alguns mitos relacionados à doença ainda atrapalham na busca pelo tratamento correto.

     “Os principais mitos associados ao transtorno bipolar referem-se à ideia de que um exame de sangue de dosagem de lítio permite comprovar ou descartar o diagnóstico da doença, à ideia de que transtorno é o novo nome da Psicose Maníaco Depressiva, enquanto esta é apenas um dos quadros mais graves apresentados pelos pacientes, a ideia de que todo transtorno bipolar necessita do uso de estabilizador do humor e, principalmente à ideia de que quem se exalta, isto é perigoso ou mostra-se com muita energia ou com depressão de verdade e está só fingindo. Outro mito associado à doença é de que a pessoa que fala muito rápido, que não consegue ser interrompida e é ansiosa não deve ser levada a sério quando o assunto é o transtorno”, explica o psiquiatra Sander Friedman.

 

 Transtorno bipolar e seu diagnóstico

      De acordo com a psicóloga Amanda Paiva, o primeiro passo para um diagnóstico correto é conversar com um médico. Um clínico geral ou um psiquiatra podem avaliar a história clínica de um paciente, fazer um exame físico e, se necessário, solicitar exames complementares que podem ajudar a fazer o diagnóstico diferencial com outras condições, como derrame cerebral ou tumores cerebrais. A psicóloga ainda reforçou o fato de que o transtorno bipolar não é diagnosticado por exames de sangue ou de imagens e que, por isso, o ideal é procurar por um profissional especialista e experiente.

     A psicóloga afirmou sobre o fato de que esses mitos que envolvem a doença podem levar os pacientes a não procurar por ajuda. Isso acontece porque a sociedade acaba criando estigmas e preconceitos, o que gera medo nas pessoas que sofrem com o transtorno e, consequentemente, evitam procurar por diagnóstico e tratamento.

 

 As opções de tratamento

     Pessoas com transtorno bipolar têm no tratamento médico e psicológico especializado as opções para lidar com a doença. “Geralmente, são usados um ou mais estabilizadores do humor, principalmente o carbonato de lítio. A associação com antidepressivos e antipsicóticos pode ser necessária para o controle dos episódios de depressão e de mania, respectivamente. Muitas vezes são também usados anticonvulsivantes no tratamento. Já a psicoterapia tem como objetivo, primeiramente, ajudar o cliente a perceber e conscientizar-se das alterações de seus estados mentais, para que assim possa lidar com essas questões de forma mais efetivam saudável e favorável à recuperação da saúde mental, autoestima e equilíbrio”, afirma Amanda. E segundo Sander, a internação psiquiátrica faz-se indispensável quando a estrutura social ou familiar de apoio for insuficientemente protetora frente à gravidade dos sintomas, considerados os demais fatores de risco do contexto da vida do paciente.

 Doença crônica

O transtorno bipolar é uma condição a ser acompanhada por um longo período de tempo, às vezes ao longo de toda a vida do paciente. A doença não tem cura, mas as pessoas melhoram e retoman suas atividades após a instituição do tratamento adequado.

 É preciso atenção ao diagnóstico, pois o transtorno bipolar pode ser confundido com outras doenças como depressão, déficit de atenção, esquizofrenia, quadros de histeria, demência e algumas psicoses.