Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017
Editora Alto Astral
Matéria
– Após o diagnóstico
Assim
como acontece com outras doenças, é preciso entender o transtorno bipolar e
desmistificar algumas informações para buscar o tratamento correto.
O
transtorno bipolar caracteriza-se por alterações cíclicas de humor que se
manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia ou
de mania em diferentes graus de intensidade. Porém as oscilações de humor das
pessoas no transtorno são diferentes das mudanças que, geralmente, são normais
de aparecer. Nesses pacientes, essas alterações de humor são mais graves e
duradouras e interferem em aspectos importantes; como a capacidade de
trabalhar, de estudar e de se relacionar com os outros.
Por isso, é salutar que os pacientes que
sofrem com o transtorno bipolar procurem intervenção médica especializada. Porém,
alguns mitos relacionados à doença ainda atrapalham na busca pelo tratamento
correto.
“Os principais mitos associados ao
transtorno bipolar referem-se à ideia de que um exame de sangue de dosagem de
lítio permite comprovar ou descartar o diagnóstico da doença, à ideia de que
transtorno é o novo nome da Psicose Maníaco Depressiva, enquanto esta é apenas
um dos quadros mais graves apresentados pelos pacientes, a ideia de que todo
transtorno bipolar necessita do uso de estabilizador do humor e, principalmente
à ideia de que quem se exalta, isto é perigoso ou mostra-se com muita energia
ou com depressão de verdade e está só fingindo. Outro mito associado à doença é
de que a pessoa que fala muito rápido, que não consegue ser interrompida e é
ansiosa não deve ser levada a sério quando o assunto é o transtorno”, explica o
psiquiatra Sander Friedman.
Transtorno
bipolar e seu diagnóstico
De acordo
com a psicóloga Amanda Paiva, o primeiro passo para um diagnóstico correto é conversar
com um médico. Um clínico geral ou um psiquiatra podem avaliar a história clínica
de um paciente, fazer um exame físico e, se necessário, solicitar exames
complementares que podem ajudar a fazer o diagnóstico diferencial com outras condições,
como derrame cerebral ou tumores cerebrais. A psicóloga ainda reforçou o fato
de que o transtorno bipolar não é diagnosticado por exames de sangue ou de
imagens e que, por isso, o ideal é procurar por um profissional especialista e
experiente.
A psicóloga afirmou sobre o fato de que
esses mitos que envolvem a doença podem levar os pacientes a não procurar por
ajuda. Isso acontece porque a sociedade acaba criando estigmas e preconceitos,
o que gera medo nas pessoas que sofrem com o transtorno e, consequentemente,
evitam procurar por diagnóstico e tratamento.
As
opções de tratamento
Pessoas com transtorno bipolar têm no
tratamento médico e psicológico especializado as opções para lidar com a
doença. “Geralmente, são usados um ou mais estabilizadores do humor,
principalmente o carbonato de lítio. A associação com antidepressivos e
antipsicóticos pode ser necessária para o controle dos episódios de depressão e
de mania, respectivamente. Muitas vezes são também usados anticonvulsivantes no
tratamento. Já a psicoterapia tem como objetivo, primeiramente, ajudar o
cliente a perceber e conscientizar-se das alterações de seus estados mentais,
para que assim possa lidar com essas questões de forma mais efetivam saudável e
favorável à recuperação da saúde mental, autoestima e equilíbrio”, afirma
Amanda. E segundo Sander, a internação psiquiátrica faz-se indispensável quando
a estrutura social ou familiar de apoio for insuficientemente protetora frente
à gravidade dos sintomas, considerados os demais fatores de risco do contexto
da vida do paciente.
Doença
crônica
O
transtorno bipolar é uma condição a ser acompanhada por um longo período de
tempo, às vezes ao longo de toda a vida do paciente. A doença não tem cura, mas
as pessoas melhoram e retoman suas atividades após a instituição do tratamento
adequado.
É preciso atenção ao diagnóstico, pois o transtorno
bipolar pode ser confundido com outras doenças como depressão, déficit de atenção,
esquizofrenia, quadros de histeria, demência e algumas psicoses.
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