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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Matéria – Após o diagnóstico

 Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017

Editora Alto Astral

 

Matéria – Após o diagnóstico

Assim como acontece com outras doenças, é preciso entender o transtorno bipolar e desmistificar algumas informações para buscar o tratamento correto.

 O transtorno bipolar caracteriza-se por alterações cíclicas de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia ou de mania em diferentes graus de intensidade. Porém as oscilações de humor das pessoas no transtorno são diferentes das mudanças que, geralmente, são normais de aparecer. Nesses pacientes, essas alterações de humor são mais graves e duradouras e interferem em aspectos importantes; como a capacidade de trabalhar, de estudar e de se relacionar com os outros.

     Por isso, é salutar que os pacientes que sofrem com o transtorno bipolar procurem intervenção médica especializada. Porém, alguns mitos relacionados à doença ainda atrapalham na busca pelo tratamento correto.

     “Os principais mitos associados ao transtorno bipolar referem-se à ideia de que um exame de sangue de dosagem de lítio permite comprovar ou descartar o diagnóstico da doença, à ideia de que transtorno é o novo nome da Psicose Maníaco Depressiva, enquanto esta é apenas um dos quadros mais graves apresentados pelos pacientes, a ideia de que todo transtorno bipolar necessita do uso de estabilizador do humor e, principalmente à ideia de que quem se exalta, isto é perigoso ou mostra-se com muita energia ou com depressão de verdade e está só fingindo. Outro mito associado à doença é de que a pessoa que fala muito rápido, que não consegue ser interrompida e é ansiosa não deve ser levada a sério quando o assunto é o transtorno”, explica o psiquiatra Sander Friedman.

 

 Transtorno bipolar e seu diagnóstico

      De acordo com a psicóloga Amanda Paiva, o primeiro passo para um diagnóstico correto é conversar com um médico. Um clínico geral ou um psiquiatra podem avaliar a história clínica de um paciente, fazer um exame físico e, se necessário, solicitar exames complementares que podem ajudar a fazer o diagnóstico diferencial com outras condições, como derrame cerebral ou tumores cerebrais. A psicóloga ainda reforçou o fato de que o transtorno bipolar não é diagnosticado por exames de sangue ou de imagens e que, por isso, o ideal é procurar por um profissional especialista e experiente.

     A psicóloga afirmou sobre o fato de que esses mitos que envolvem a doença podem levar os pacientes a não procurar por ajuda. Isso acontece porque a sociedade acaba criando estigmas e preconceitos, o que gera medo nas pessoas que sofrem com o transtorno e, consequentemente, evitam procurar por diagnóstico e tratamento.

 

 As opções de tratamento

     Pessoas com transtorno bipolar têm no tratamento médico e psicológico especializado as opções para lidar com a doença. “Geralmente, são usados um ou mais estabilizadores do humor, principalmente o carbonato de lítio. A associação com antidepressivos e antipsicóticos pode ser necessária para o controle dos episódios de depressão e de mania, respectivamente. Muitas vezes são também usados anticonvulsivantes no tratamento. Já a psicoterapia tem como objetivo, primeiramente, ajudar o cliente a perceber e conscientizar-se das alterações de seus estados mentais, para que assim possa lidar com essas questões de forma mais efetivam saudável e favorável à recuperação da saúde mental, autoestima e equilíbrio”, afirma Amanda. E segundo Sander, a internação psiquiátrica faz-se indispensável quando a estrutura social ou familiar de apoio for insuficientemente protetora frente à gravidade dos sintomas, considerados os demais fatores de risco do contexto da vida do paciente.

 Doença crônica

O transtorno bipolar é uma condição a ser acompanhada por um longo período de tempo, às vezes ao longo de toda a vida do paciente. A doença não tem cura, mas as pessoas melhoram e retoman suas atividades após a instituição do tratamento adequado.

 É preciso atenção ao diagnóstico, pois o transtorno bipolar pode ser confundido com outras doenças como depressão, déficit de atenção, esquizofrenia, quadros de histeria, demência e algumas psicoses.

 

 

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