Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Carta à Coordenadoria e à Diretora

À Coordenadoria da Baixada Litorânea I
De : Djane Bouças de Carvalho Britto – número da matrícula xxxxxxxx

Venho por meio desta reafirmar minha posição com relação ao comunicado que me foi passado de maneira informal pela diretora *****, ****, referente à disciplina de Filosofia e respectivamente sua nova carga horária, nos moldes da nova matriz curricular.

Tendo em vista o comunicado que recebi de maneira informal e indireta do inspetor, xyz, através da diretora ****, segundo o qual não tenho autorização para lecionar aulas de filosofia no Ensino Médio, no caso na EJA, reafirmo aqui minha posição quanto a colocação do inspetor xyz. De fato, legalmente não tenho autorização, uma vez que não sou formada em Filosofia logo não sou licenciada, sou apenas licenciada em Sociologia. Por esta razão, enfatizo nesta carta o meu desejo de não mais dar aulas de Filosofia para o Estado do Rio de Janeiro em quaisquer série ou fase e colégio, e reitero minha vontade em permanecer somente com as cargas horárias referentes à Sociologia, no ***** e complementando-as preferencialmente no *****, onde leciono esta disciplina deste 2008.2.

Vale registrar que o tratamento do inspetor xyz com relação à professora em questão pode ser caracterizado como assédio moral, dado que esta professora está em Estágio Probatório. Cumpre salientar também, que é de conhecimento geral que há no Magistério do Estado do Rio de Janeiro, professores de História que lecionam Sociologia e Filosofia. Sendo assim, esta carta tem como objetivo reafirmar formalmente a posição da professora em questão em não dar mais aulas de filosofia no magistério estadual, tendo em vista que esta está sofrendo assédio moral, porém não tem como provar.
Por meio desta carta (formal) venho por fim defender-me desta decepção e de possíveis outras que posso vir a ter dentro do Magistério do Estado do Rio de Janeiro, já que ainda estou em estágio probatório.
Convém advertir à coordenadoria que sinceramente não sei o nome do respectivo inspetor, o que significa que fui avaliada segundo critérios que desconheço totalmente, por uma pessoa que também desconheço absolutamente. Decididamente é uma falta de respeito para com os professores que ali chegaram por seus próprios méritos e levam o magistério estadual a sério.

Cordialmente,



Cabo Frio, dia 23 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (04)

Infelizmente ainda não estou me sentindo em férias. Muitos de vocês que estão lendo isto aqui falarão que é besteira, que estou fazendo uma tempestade num copo d´água, etc. Mas aprendi com a vida a não esperar que os outros façam as coisas por mim e que resolvam os meus problemas. Muito menos a ficar esperando migalhas do “Grande Irmão”. Pois bem cá estou em mais uma madrugada, tendo que pensar como vou resolver a novela do supervisor da educação. Detalhe, agora o supervisor virou inspetor. São exatamente 4hs e 09 minutos.

O Conselho de Classe – dia 21 de dezembro de 2009

Que dia inesquecível! Caminhando alegremente para o colégio de repente me veio uma intuição: E se o supervisor da educação estiver lá? Como devo me comportar? E não é que entro na sala da diretora quem encontro lá, o supervisor que agora é inspetor. Com tanta mudança de status, peço licença ao inspetor, supervisor, ah sei lá, para chamá-lo de uma vez por todas de fiscal da educação. Logicamente este “servo” da educação estava para lá para fiscalizar e para chatear, com mudanças e mais cobranças de última hora.


É desnecessário dizer que o conselho não começou na hora, pois professores tiveram que fazer alterações em seus diários devido as últimas notícias do fiscal da educação. A principal foi que todos os professores deveriam fechar seus diários antes ou no dia do conselho de classe. Confesso que jurava que todos sabiam disso, mas ao observar a situação tive que me conter e ficar quieta, afinal já tinha aberto meu bico. Dei graças a Deus por ter feito tudo certinho, também pudera, passei a madrugada organizando essa papelada toda. Se eu tivesse que alterar alguma coisa ia ficar p... da vida.

Antes de começar o conselho de fato, abri meu bico, deixei claro para os colegas o que estava se passando comigo. Enquanto isso na sala ao lado estava o fiscal, falei em alto e bom som o que estava se passando, até para que ele escutasse mesmo. Ao final, a diretora pediu para que eu escrevesse, foi o que fiz (veja carta endereçada à Coordenadoria Regional das Baixadas Litorâneas). A professora que estava sentada ao meu lado, só me perguntava: Quanto tempo você tem de Estado? Estava tão irada na hora que nem dei muita atenção. Ainda bem! Mas senti e percebi pela maneira dela falar sua mensagem: Querida não se estressa, depois de um tempo no Estado você se acostuma. Sinceramente, é disso que tenho medo. Como posso aceitar o que fizeram comigo e com os alunos da 1002 este ano? Como posso aceitar deixarem meu nome num quadro de horário de uma escola na qual não pisava desde do final do ano de 2008? Como posso aceitar que de repente apareça na minha matrícula hora extra que nunca tinha feito? Como posso aceitar depois de terem feito essa falcatrua com meu nome vir um fiscal da educação e dizer que não tenho autorização para dar aulas de filosofia? Meu medo é justamente este que eu me acostume, e que com o passar dos anos eu permita que o Estado ou seja lá que governo for me vença, que eu passe a aceitar as coisas do jeito que são, de cima para baixo, sem nenhum compromisso sério com a educação e com os profissionais que estão “no chão da fábrica” . Não é senhor Lula “Deus” da Silva? Não é prezado governador Sérgio Cabral?

Agora são 4horas e 44 minutos acho que consegui colocar para fora. Às 10hs de hoje ainda terei que estar na Coordenadoria com uma posição. A carta mencionada acima foi entregue à diretora da escola onde tenho matrícula por orientação da coordenadoria.