Capítulo 3 – A Teoria e a Experiência Histórica das Revoluções
Socialistas
1. A teoria científica da revolução socialista
A inevitabilidade da morte do capitalismo
e da vitória do socialismo foi cientificamente fundamentada por Marx e Engels. Formularam
as bases da revolução socialista que conservam a sua importância nos nossos
dias.
No fim do século XIX e começo do XX, época
em que o capitalismo se transformou em imperialismo, a sua última fase, mudaram
essencialmente as condições para a revolução socialista. A prática da luta
revolucionária colocou muitos problemas novos.
De acordo com as condições históricas mudadas e a experiência das massas
revolucionárias, Lénine elevou a teoria
da revolução socialista a um nível novo:
elaborou uma série de problemas novos e de grande importância,
concretizou e desenvolveu os anteriores, indicou as possibilidades e
perspectivas revolucionárias aumentadas.
O desenvolvimento do processo
revolucionário mundial e as realidades atuais confirmam a justeza da teoria
marxista-leninista da revolução socialista.
Os
fundadores do marxismo-leninismo revelaram a essência profunda da
diferença radical entre a revolução socialista e todos os anteriores tipos de revoluções sociais.
Uma das diferenças principais consiste em
que a
revolução socialista liquida para
sempre a propriedade privada dos meios de produção e toda a exploração em
geral. A propriedade privada dos meios
de produção permite aos seus possuidores explorar os que não têm. Os esclavagistas
apropriavam-se dos trabalho dos escravos, os latifundiários, do dos camponeses
e a burguesia , do dos operários e de todos os trabalhadores. A abolição da propriedade privada dos meios
de produção e a sua entrega ao povo significa a liquidação e a divisão da
sociedade em pessoas que trabalham e que apropriam os resultados do seu
trabalho. Todas as revoluções do passado
apenas modificavam a forma de exploração :
a forma de exploração esclavagista foi substituída pela feudal e esta
pela capitalista. A revolução socialista
estabelece o domínio da propriedade social dos meios de produção e, portanto ,
elimina a exploração em geral. “Quem
não trabalha não come” é um dos
princípios fundamentais da nova sociedade.
Por isso a revolução socialista é a
revolução mais profunda na história da
humanidade. Outra particularidade da revolução socialista consiste em que as
relações de produção socialista não podem surgir no seio da sociedade
capitalista. Com efeito, numa
determinada etapa da formação esclavagista nasceram as relações de produção
feudais, nas condições do feudalismo maduro apareceram as relações de produção
capitalistas. Mas o capitalismo não cria
elementos acabados do socialismo : a propriedade socialista, as relações de
produção socialistas, a democracia socialista, etc.
Os sociais-reformistas contemporâneos
apresentam como premissas materiais do socialismo, “elementos” acabados do socialismo, o capitalismo
monopolista do Estado que, segundo afirmam, muda a própria natureza do
capitalismo, transformando-o
gradualmente em regime socialista. Apresentam como tais “elementos”
as empresas e os ramos da
economia capitalista nacionalizados, as
sociedades accionistas, as cooperativas,
as diversas formas de regulação da
economia pelo Estado, a democracia
burguesa, a legislação social, os sindicatos , etc. Mas nem as empresas nacionalizadas, nem as
sociedades accionistas, nem outros
fenômenos alegados pelos reformistas são
“elementos” do socialismo e
testemunham da mudança radical da natureza da sociedade capitalista.
O capitalismo monopolista de Estado cria
as premissas materiais do socialismo sob a forma de uma gigantesca socialização
dos meios de produção. No entanto, o surgimento , no seio do capitalismo, das
premissas materiais do socialismo não significa o nascimento das “formas”,
“embriões”, “elementos” acabados do socialismo. O regime socialista não pode nascer no seio
do capitalismo porque o seu surgimento está ligado com a passagem da propriedade privada dos meios de produção para a propriedade social socialista.
Os meios de produção fundamentais
pertencem , no capitalismo, à classe dos capitalistas não interessada na sua
socialização. Contra isto ela mobiliza todas as forças e, em particular, todos os meios do seu Estado policial. A classe operária está interessada na
socialização socialista dos meios de produção. Mas ela só pode socializar os
meios de produção monopolizados pela classe dos capitalistas vencendo a
resistência desta classe, destruindo a máquina estatal burguesa e estabelecendo
o seu domínio político : a ditadura do proletariado. Para a realização desta tarefa só existe um
meio : a revolução socialista.
Portanto, a revolução socialista começa pela
conquista do poder político pelo proletariado e continua até a
edificação do socialismo. Todas as revoluções anteriores terminaram com a
conquista do poder. Devido ao
estabelecimento da sua ditadura, a classe que chega ao poder afirma o novo
direito e promove a política favorável ao desenvolvimento das novas relações de
produção já formadas. Portanto, mudavam
apenas as formas de propriedade privada, as formas de exploração do povo
trabalhador, mudava a classe que aparecia agora como a principal exploradora do
povo. A revolução socialista destrói radicalmente as bases econômicas da velha
sociedade, elimina a fonte de exploração, da desigualdade social, da submissão
e opressão da maioria dos trabalhadores pela minoria. Por isso a revolução socialista começa com a
conquista do poder político. Só depois de tomar o poder é possível tirar à
classe dominante as fábricas, empresas,
bancos , terra e entregá-los ao povo.
Outro traço distintivo da revolução
socialista consiste em que a revolução pode vencer se é dirigida pelo partido
marxista, o partido de novo tipo, a vanguarda política da classe operária.
Muito antes do começo da revolução o partido comunista, baseando-se na
concepção marxista- leninista científica do mundo, elabora o programa da
revolução e define claramente as suas tarefas fundamentais. O programa traduz os interesses radicais do
trabalhadores, por isso em torno do proletariado unem-se todas as camadas dos
trabalhadores e os intelectuais progressistas.
O programa traça a via, as medidas e os meios de criação da nova
sociedade. Sem a definição nítida do objetivo, das tarefas concretas, dos meios
e métodos de luta, a revolução socialista não pode vencer, não pode ser
construída a sociedade nova, socialista.
“Sem teoria revolucionária não pode haver também movimento
revolucionário” , escrevia Lénine. Uma
particularidade importante da revolução socialista, que o partido marxista deve
ter sempre em conta na atividade prática , é
a destruição do Estado
burguês que se realiza no processo do seu desenvolvimento. Todas as revoluções do passado, em última
instância, levavam ao poder a nova classe dos exploradores e apenas
aperfeiçoavam a máquina estatal existente.
A nova classe adaptava-a aos seus interesses e utilizava-a como
instrumento para a consolidação do novo regime explorador. No processo de revolução socialista, que
realiza tarefas essencialmente diferentes das das revoluções anteriores, é destruído o Estado burguês e criado o
Estado novo, socialista, que exerce a ditadura do proletariado cujo objetivo é a edificação do socialismo.
No seu trabalho Princípios
Básicos do Comunismo, F Engels dizia que a revolução estabelece,
direta ou indiretamente, o domínio político do proletariado que o utiliza imediatamente como meio para a
obtenção de outras medidas que ataquem diretamente a propriedade privada e
assegurem a existência do proletariado. A mesma ideia é exposta em Miséria
da Filosofia e em Manifesto
do Partido Comunista, onde a
ideia da ditadura do proletariado é
expressa pelas palavras: “o proletariado
organizado como classe dominante” e onde se definem as suas tarefas
fundamentais. Por fim, em Crítica
do Programa de Gotha , Marx assinalava especialmente que “entre a
sociedade capitalista e a comunista fica o período de transformação
revolucionária de uma na outra. Ao qual
corresponde também um período político de
transição cujo Estado não pode ser senão a ditadura
revolucionária do proletariado”. Esta
tese dos clássicos do marxismo-leninismo e a sua luta contra o oportunismo
quanto à questão da ditadura do proletariado têm o seu significado também hoje.
Uma das condições do desenvolvimento efetivo da revolução socialista na nossa
época é a destruição do Estado burguês e o estabelecimento da ditadura do
proletariado.
Ao
formular sucintamente a essência do poder dos trabalhadores nascido na
revolução, Lénine assinalava que a ditadura
do proletariado significa que “só
uma classe determinada, a saber os operários urbanos e em geral os operários
das fábricas, os operários industriais, estão em condições de dirigir toda a
massa de trabalhadores e explorados na luta para derrubar o jugo do
capitalismo, no processo do próprio
derrubamento, na luta para manter e
consolidar a vitória, na obra da criação
do novo regime social, do regime socialista, em toda a luta pela completa
supressão das classes”.
Daí se deduz que a ditadura do
proletariado tem dois aspectos principais. Um deles é o asseguramento da
vitória da revolução, o esmagamento da resistência das classes hostis. Lénine
frisava, no entanto, que a violência
não só esgota as funções da ditadura do
proletariado, como nem sequer constitui o seu conteúdo principal. O conteúdo
principal constitui o segundo aspecto da
ditadura do proletariado : a direção
política dos trabalhadores no interesse da edificação da nova sociedade. Esta função criadora é fundamental e principal na sua atividade. Disso convence também a prática da existência
dos Estados socialistas que, em curtos prazos históricos, conseguiram realizar transformações
verdadeiramente grandiosas na vida dos seus povos.
Na revolução socialista, as massas
trabalhadoras não só atuam como a força que elimina o velho regime social, mas
também como a força que cria a nova economia, as novas relações sociais e o Estado socialista. V. I.Lénine escrevia que a revolução
socialista “só pode ser realizada com
êxito com a atividade criadora histórica independente da maioria da população
e, em primeiro lugar, da maioria dos trabalhadores”.
A ditadura do proletariado é o Estado do
período de transição do capitalismo para
o socialismo. Para a classe operária, a
ditadura não é um objetivo em si, mas um meio
importante de construção da sociedade socialista.
A edificação do socialismo pressupõe a
mudança de tarefas, funções , formas e métodos de atividade do poder da classe operária. Devido à
eliminação das classes exploradoras
extingue-se a função do esmagamento da sua resistência. Começa o processo de transformação do Estado da ditadura do proletariado em Estado de todo
o povo. Na URSS, o Estado da ditadura do proletariado transformou-se em Estado
socialista de todo o povo , e a democracia proletária, em democracia socialista
de todo o povo. “Cumpridas as tarefas da
ditadura do proletariado, o Estado soviético transformou-se em Estado de todo
o povo” – diz-se na Constituição da
URSS.
A conclusão sobre a possibilidade da
vitória do socialismo primeiramente num
só país constitui uma importante contribuição de Lénine para a teoria marxista
da revolução socialista.
K. Marx e F. Engels, ao estudar as leis do
desenvolvimento do capitalismo pré-monopolista, chegaram à conclusão da
possibilidade da vitória da revolução proletária em todos ou na maioria dos
países desenvolvidos daquela época. O capitalismo desenvolvia-se por linha ascendente. O mundo
ainda não estava completamente repartido.
Mas já naquele tempo os países capitalistas desenvolviam-se de modo
desigual. No entanto, esta desigualdade
do desenvolvimento era apenas uma tendência e ainda não levava a conflitos
agudos. Eram pouco desenvolvidas as contradições entre os países capitalistas,
entre as colônias e as metrópoles.
Depois de realizar a revolução, o proletariado teria de se opor à burguesia unida de todos ou da
maioria dos países.
Um exemplo disso é a luta dos
operários contra a burguesia no período
da Comuna de Paris. Naquele período em países como a Rússia, o proletariado
apenas começava a formar-se , na Inglaterra e em França estava ainda
insuficientemente organizado. Não tinha aliados que pudessem apoiar
decididamente as suas lutas contra as classes dominantes. À união da burguesia o proletariado não podia
opor a sua unidade por causa da insuficiente madureza e organização do
movimento comunista internacional e da ausência dos partidos comunistas
verdadeiramente de massas. É claro que
só a luta aberta dos proletários de todos
os países poderia compensar a
fraqueza do proletariado de um país.
K. Marx e F. Engels escreviam em Manifesto do Partido Comunista : “A
unidade da ação, pelo menos dos
países civilizados, é uma das primeiras
condições da sua libertação”. A Comuna de Paris de 1871 confirmou esta conclusão de Marx e Engels.
V.
I. Lénine estudou profundamente o novo
período histórico, desenvolveu as concepções de Marx e Engels e mostrou de modo
convincente que todo o sistema do
capitalismo já amadureceu para a revolução socialista. Na sua obra O
Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, Lénine escrevia que em todos os
países capitalistas já existe a base econômica para a revolução proletária : as
relações de produção capitalistas deixaram de corresponder ao caráter e ao
nível de desenvolvimento das forças produtivas, surge a necessidade de sua
substituição pelas relações de produção socialistas.
Entretanto, Lénine demonstrou que a
desigualdade do aumento do poderio dos
grupos industriais e financeiros e do desenvolvimento dos países capitalistas
provoca a mudança da correlação de suas
forças econômicas e políticas. No mundo repartido entre as grandes potências
imperialistas, este desenvolvimento desigual conduz à luta por uma nova
repartição das colônias, das esferas de influência, etc. Nestas condições , as contradições entre os
países capitalistas agravam-se extremamente,
os conflitos agudos entre os monopólios conduzem a guerras imperialistas
que debilitam o imperialismo. Aumenta
também a desigualdade no desenvolvimento
político dos países (são diferentes
as situações de classe, o caráter e a agudeza das contradições de classe
no país, o nível de desenvolvimento da
luta de classes , etc.). Lénine frisava que o nível de desenvolvimento
das forças produtivas não condiciona por si mesmo o nível de desenvolvimento da
luta de classes. A burguesia dos países capitalistas desenvolvidos, obtendo os
lucros máximos, pode direta ou indiretamente utilizá-los para subornar alguns
grupos da classe operária a fim de dividi-la e afrouxar o seu espírito
revolucionário.
Devido à ação da lei do desenvolvimento
desigual, num país capitalista, antes que em outros, podem amadurecer as
contradições necessárias à revolução e ele pode converter-se em
“elo mais fraco na cadeia do imperialismo”. Este elo mais fraco pode ser rompido em
resultado da vitória da revolução proletária.
Portanto, na base do estudo das condições
históricas do imperialismo, Lénine tirou uma conclusão completamente nova sobre a
possibilidade da vitória da revolução
num país, tomado por separado.
Lénine formulou claramente esta conclusão
no seu trabalho Sobre a Palavra de Ordem dos Estados Unidos da Europa: “A desigualdade do desenvolvimento
econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do
socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista
tomado por separado”.
Posteriormente , Lénine chegou à conclusão
de que o socialismo não pode vencer simultaneamente em todos os países.
Trata-se já não da possibilidade mas da inevitabilidade da vitória do
socialismo primeiramente num só país.
Quais são as premissas materiais da
revolução socialista que criam a base econômica?
É o conflito entre as forças produtivas e
as relações de produção nos limites do modo de produção capitalista.
A produção capitalista é uma produção
social. A sua base fundamental são as empresas grandes e muito grandes.
Caracteriza-se pela socialização do trabalho
sem precedentes na história. O
capitalismo desenvolve-se na base da concentração e centralização da produção,
na base da especialização e da cooperação não só de empresas isoladas, como de ramos inteiros da economia.
Liga os processos pequenos, dispersos e isolados de produção num complexo
econômico único. No capitalismo, as empresas deixam de ser isoladas e
transformam-se em elementos interligados de um organismo econômico único. Cada
uma delas torna-se dependente de muitas outras. Fora desta dependência a
empresa capitalista não pode produzir nem vender no mercado os seus produtos.
No capitalismo, à forma social de
produção opõe-se inevitavelmente a forma
privada de apropriação. As empresas capitalistas são a propriedade privada (num
caso, a propriedade de uma pessoa, noutro, a
propriedade de um grupo de pessoas, como por exemplo nas sociedades por
ações).
“No capitalismo, na sua fase imperialista, conduz à
socialização integral da produção nos seus mais variados aspectos ; arrasta,
por assim dizer, os capitalistas, contra
sua vontade e sem que disso tenham
consciência, para um novo regime social,
de transição entre a absoluta liberdade de concorrência e a socialização
completa” – escrevia Lénine. O capitalismo procura adaptar-se às novas
condições, busca novas formas de seu domínio, muda de colorido, mas não elimina
a sua contradição fundamental.
A socialização das forças produtivas estimula o desenvolvimento do capitalismo
monopolista de Estado que une forças dos monopólios à força do Estado burguês
para a defesa do regime capitalista.
Tornam-se cada vez mais variadas as formas
de influência do Estado burguês na economia do país, aumenta a sua propriedade dos meios de
produção ; o Estado tenta regular o desenvolvimento da economia à escala nacional.
É sabido que em vários países capitalistas são criados diversos
organismos e comitês de “planificação”, “programação”, etc. No entanto, a propriedade privada dos meios
de produção impede o desenvolvimento harmonioso das forças produtivas, trava o
seu progresso, exclui a possibilidade de planificar a produção à escala
nacional. A planificação e a direção
centralizada da economia só se tornam possíveis com o estabelecimento da
propriedade social socialista.
A existência da propriedade privada
devem-se os atributos permanentes do capitalismo : crises, recessões, inflação.
O capitalismo torna-se cada vez menos estável. Aumenta o militarismo. A
burguesia vê a saída, por um lado, na criação de uniões econômicas de
diferentes países, na chamada integração econômica, e na criação das uniões
políticas. Por outro lado, a burguesia
procura atenuar as contradições crescentes, passando a economia para bases
militaristas e de preparação de uma nova guerra mundial.
O militarismo contemporâneo não só são
guerras e conflitos armados, mas também a
preparação maciça para as guerras que se exprime nas sempre crescentes despesas militares com as investigações
científicas no domínio militar, a produção de armamentos, a manutenção do
enorme aparelho militar e das forças armadas , etc.
Se
de 1949 a 1980 as despesas militares totais dos EUA constituíram 2 trilhões de
dólares , ou seja, o seu volume anual médio era de 62 milhões, em 1981 ultrapassou 150 milhões, em 1982 200 mil
milhões de dólares , e em 1986 370 mil milhões de dólares. As autoridades americanas planejam gastar,
nos próximos cinco anos, para fins militares
(segundo diferentes estimativas) de 1,5 a 2,25 trilhões de dólares. Para
ter uma ideia mais clara desta cifra astronômica, pode-se dizer que é 4 vezes
superior ao produto nacional bruto anual de todos os países latino-americanos e
9 vezes maior do dos países africanos.
Todos estes fenômenos no desenvolvimento
da economia, sem dúvida, determinam o aumento das contradições tanto dentro dos
países capitalistas como entre eles. O desemprego, as greves dos operários e
empregados, as manifestações de massa de envergadura inédita – tudo isto é
manifestação das profundas contradições do sistema capitalista.
Agravaram-se as contradições entre o
trabalho e o capital, entre os monopólios e o povo, entre as potências
imperialistas, entre os países imperialistas e os países dependentes e
oprimidos.
Deste modo o capitalismo criou as premissas
materiais necessárias para a passagem ao socialismo. Lénine escrevia: a reorganização socialista da sociedade só é possível “sob a condição de que as premissas
econômicas, sociais, culturais e políticas fundamentais disto sejam criadas em
grau suficiente pelo capitalismo”. Esta
conclusão tinha e tem importância teórica e prática.
A única saída da crise existente é a
destruição das relações produtivas e a sua substituição pelas socialistas. No
seu tempo, Lénine assinalava que só é
possível o movimento em frente, “só para
a sociedade socialista, para a
revolução socialista”.
Para a realização da revolução socialista,
como de qualquer outra revolução, além da existência das premissas materiais e
a não correspondência das relações de produção ao caráter e ao nível de
desenvolvimento das forças produtivas, é necessária a existência da situação
revolucionária. No conceito “elo fraco”
na cadeia do imperialismo. Lénine incluiu a existência da condição
essencial para a revolução: a situação
revolucionária.
Baseando-se na teoria marxista da
revolução, Lénine revelou o conteúdo
concreto da situação revolucionária como um conjunto de condições objetivas
necessárias para o começo e a vitória da revolução socialista. Lénine deu particular atenção aos traços
essenciais da situação revolucionária como as vacilações do governo e a
atividade das massas. Ensinava que o
proletariado deve escolher o momento para a ação quando se manifesta o maior
desespero governamental e a maior agitação popular.
Lénine acentuava que as massas que sofrem
sérias necessidades econômicas podem fazer as revoluções. Como entender isto? Tem-se em vista antes de tudo as necessidades
econômicas do proletariado ocupado no processo de produção. São a falta de
meios, a insegurança no futuro, a deterioração da situação econômica em
comparação com o período anterior. Mas
pode e deve tratar-se também de que certas camadas dos trabalhadores vivem na
miséria, durante muito tempo não têm
emprego, perdem a sua qualificação, passam fome, não têm as condições
habitacionais sofríveis. As autoridades
dos EUA, Inglaterra, França e outros países capitalistas desenvolvidos muitas
vezes reconheciam oficialmente que nos seus países grande parte dos
trabalhadores tem uma vida miserável.
Os EUA é um país capitalista desenvolvido
e rico. Tanto mais surpreendente é o
contraste entre o nível de desenvolvimento da produção, a riqueza da burguesia
e a miséria dos milhões de trabalhadores. Segundo dados oficiais, nos EUA cerca de 13% da população (aproximadamente 25
milhões de pessoas) vive no “nível de
miséria”. Os negros, os mexicanos, os
portoriquenhos, os índios e outros cidadãos americanos de cor são submetidos à
superexploração.
A realidade desmente as declarações dos
ideólogos burgueses e os revisionistas de que
nos países capitalistas desenvolvidos o nível de vida das massas
trabalhadoras é alto e, por isso, são
impossíveis as ações revolucionárias dos trabalhadores. Sem dúvida, como escrevia no seu tempo
Engels, a organização dos operários e a sua sempre crescente resistência à
ofensiva do capitalismo criam, na medida
do possível, o obstáculo ao aumento da miséria. Mas o que aumenta
incontestavelmente é a insegurança da inexistência. Por isso é preciso sublinhar que as
necessidades econômicas, as condições de vida material do proletariado e de
todos os trabalhadores são uma das causas da activização da luta das massas
contra os monopólios. No entanto, quanto mais ativamente se desenvolve a ofensiva
da burguesia contra as massas trabalhadoras na corrida aos maiores lucros, mais
forte é o descontentamento do povo com as condições de vida e a política das classes dominantes, mais se
intensifica a “fermentação” que, em momentos críticos para o governo, se
transforma em diversas formas de protesto das massas.
Como se sabe, a lei fundamental de
qualquer revolução, incluindo a revolução socialista, é a existência de condições objetivas e do
fator subjetivo da revolução. V. I.
Lénine dedica especial atenção à análise do fator subjetivo da revolução
socialista, à sua estrutura e à interligação de todos os seus elementos
fundamentais.
K. Marx e F. Engels descobriram a grande
missão histórica do proletariado. Demonstraram que o proletariado é o principal
elemento das novas forças produtivas. O desenvolvimento da produção capitalista
condiciona o aumento e a concentração do proletariado. O proletariado cria os
principais valores materiais. A sociedade capitalista repousas nos ombros do
proletariado, da classe gigante. E esta classe é a mais explorada, não tem
nenhuma propriedade dos meios de produção.
No capitalismo contemporâneo aumenta o
grau de exploração da classe operária. Por seu turno, a deterioração das
condições de trabalho, o aumento do grau de exploração, o empobrecimento
relativo, o agravamento das contradições entre o trabalho e o capital conduzem
ao desenvolvimento da luta de classe do proletariado e ao aumento do movimento
grevista. Por isso proletariado está
vitalmente interessado na abolição da propriedade privada dos meios de
produção. O que produz o proletariado e todas as massas trabalhadoras deve
pertencer a eles. Mas isto só é possível
com o estabelecimento da propriedade social dos meios de produção. Portanto, o
interesse fundamental do proletariado é liquidar a exploração e libertar todos
os trabalhadores da opressão social e nacional. Este interesse radical e comum
dos proletários de todos os países constitui a base objetiva da sua
solidariedade, do seu internacionalismo.
Por outro lado, o proletariado não se pode
libertar sem libertar ao mesmo tempo todos os trabalhadores da exploração; ele
aglutina em torno de si todas as camadas da sociedade exploradas pelo
capitalismo sob uma ou outra forma, num ou outro grau. Quanto mais ativa é a ofensiva da burguesia
contra os direitos econômicos e políticos da população trabalhadora, mais as
massas trabalhadoras se unem em torno do proletariado. É exatamente isto que condiciona a força do
proletariado na sociedade capitalista. Lénine escrevia : “A força do proletariado em qualquer país
capitalista é incomparavelmente maior do que a parte do proletariado na soma
total da população. Isso acontece porque o proletariado domina economicamente o
centro e o nervo de todo o sistema econômico do capitalismo, e,
também porque o proletariado exprime, econômica e politicamente, os
interesses reais da imensa maioria dos trabalhadores sob o capitalismo”.
Sem dúvida, o proletariado não se
manifestou imediatamente como a força política independente. No Manifesto do Partido Comunista , K. Marx
e F. Engels escreviam que na primeira etapa da existência do capitalismo o
proletariado atuava como a “classe em
si” , não compreendia ainda os seus próprios interesses e combatia não a burguesia,
mas “os inimigos dos seus
inimigos”. “O problema não consiste em
que no momento dado vê o seu objetivo este ou aquele proletário ou
mesmo todo o proletariado. Trata-se de
saber o que é proletariado na realidade
e o que ele, conforme o seu ser , será historicamente obrigado a
fazer”.
Realmente, a situação do proletariado no
sistema de produção e o seu ser condicionaram o seu desenvolvimento e a luta
contra o regime econômico e político existente da sociedade capitalista.
Aparecem organizações profissionais do proletariado (sindicatos, uniões políticas). Graças à atividade enérgica dos partidos
marxistas do proletariado e à educação da classe no espírito da concepção
revolucionária científica, o proletariado transforma-se paulatinamente de
“classe em si” em “classe para si”.
A grande missão histórica do
proletariado, como mostraram os fundadores do marxismo, consistia e consiste na
libertação de toda a humanidade da exploração e das guerras, dos antagonismos
de classe e nacionais. Mostraram que só sob a direção do proletariado pode ser
criada a sociedade de justiça social que assegurará a cada pessoa todas as
condições necessárias ao seu desenvolvimento harmonioso.
A força do proletariado depende da sua
capacidade para unir a população trabalhadora, estabelecer com ela uma aliança
sólida, depende de como exerce o papel dirigente nesta aliança, da política que
promove e do grau consequente desta, da teoria pela qual se guia.
Na época atual aumentou consideravelmente
o número e o poderio da classe operária. Se nos meados do século XIX, o
proletariado só existia em alguns países da Europa e da América do Norte, hoje
quase não existe no mundo Estado onde não haja classe operária. No começo dos
anos 80, o número da classe operária internacional atingiu cerca de 660 milhões de pessoas. Nos países
capitalistas industrializados ela constitui a maioria da população ativa.
A elevação do papel da classe operária no
mundo atual deve-se não só ao aumento do seu número, como às mudanças
qualitativas profundas que nela ocorrem.
A revolução técnico-científica, produzindo mudanças estruturais na
classe operária (o aparecimento de novas
profissões operárias, o aumento da parcela do trabalho intelectual na sua
atividade laboral, etc), conduz à elevação do nível da sua instrução e
qualificação. Estes processos criam condições favoráveis para a elevação do nível de organização e de
consciência da classe operária.
Dos países capitalistas é característico o
processo de proletarização de uma parte considerável dos trabalhadores do
comércio, de escritório, de engenheiros e técnicos. Assim como a classe operária, são alvo da
exploração capitalista. A maioria dos engenheiros e técnicos perdem os
privilégios sociais, a sua situação material só é um pouco melhor do que a dos
operários altamente qualificados. Tudo isto aumenta as possibilidades para a
criação de amplas uniões de classe e a luta mais eficaz da classe operária
pelos seus interesses.
Uma parte considerável da população dos
países capitalistas constitui a pequena burguesia que, por um lado, é
proprietária dos meios de produção e, por outro, é trabalhadora. Por isso são –lhe inerentes as vacilações
entre a burguesia possuidora dos meios de produção e o proletariado desprovido
destes. O desenvolvimento do capitalismo provoca o arruinamento da grande parte
da pequena burguesia, e esta engrossa as fileiras do proletariado. As condições
de trabalho e de vida aproximam-na do proletariado. Os interesses comuns dos trabalhadores
criam a possibilidade e a necessidade da aliança do proletariado com a pequena
burguesia. Mas como a pequena burguesia
em virtude do seu ser é inconsequente, o papel dirigente deve pertencer ao
proletariado.
A política da classe dominante, que visa
intensificar a exploração dos trabalhadores, condiciona a possibilidade e a
necessidade de fortalecer a aliança do proletariado com toda a população
trabalhadora do país. Aqui, muita coisa depende da capacidade do proletariado e
do seu partido de terem em conta os interesses específicos de diferentes
camadas trabalhadoras.
Nas condições atuais cresceu o potencial
revolucionário da classe operária que se diferenciava consideravelmente do
proletariado do século passado e começo do século XX. O agravamento das
contradições do capitalismo reflete-se diretamente no desenvolvimento da luta
de classes. O número médio anual dos participantes em greves e em outras ações
de protesto sócio-político de massa nos países capitalistas economicamente desenvolvidos
foi, nos anos 70, de 50 milhões, nos anos 1980-1985, totalizou 340 milhões de
pessoas.
A classe operária dos países capitalistas
depara, no entanto, com grandes dificuldades e problemas sérios. Seria errado
pensar que a elevação do nível de sua consciência e organização é um reto
processo ascendente. Este processo é diferente em diferentes países e em
diferentes períodos. A ideologia burguesa dominante, a propaganda
anticomunista, as ideias reformistas sobre a possibilidade da “melhoria” paulatina do capitalismo exercem
forte influência sobre a classe operária.
Por isso ainda nem todos os setores da classe operária são politicamente
ativos e ocupam posições de classe consequentes.
A consolidação da aliança do proletariado
com as camadas trabalhadoras não proletárias em grande parte depende do grau de
agravamento das contradições, da tática e a estratégia dos partidos comunistas.
A cisão da classe operária, a ausência de unidade nas suas fileiras , a
ausência da aliança sólida com os trabalhadores são sintomas da sua fraqueza.
Um dos elementos determinantes do fator
subjetivo da revolução socialista é o partido marxista, organizador e dirigente
político da classe operária. Marx e Engels assinalavam que a classe operária só
pode defender seus interesses se organizada num partido político particular,
oposto a todos os outros partidos. Envidaram muitos esforços para a organização
e o desenvolvimento dos partidos operários, lutavam energicamente contra os
oportunistas.
Baseando-se nos princípios formulados por
Marx e Engels e tendo em conta o nível novo de desenvolvimento da
sociedade, Lénine desenvolveu a sua
teoria sobre o partido. Mostrou que o
partido é um produto do movimento operário, portador da teoria
revolucionária. A concepção científica
do mundo é criada pelos intelectuais a partir da posição da classe operária e
introduzida pelo partido no movimento operário. O partido formula os objetivos
programáticos do movimento revolucionário do proletariado. É uma organização política
combativa que procura atrair para a luta revolucionária todo o proletariado,
todos os trabalhadores. O partido define as particularidades de cada etapa do
processo revolucionário, estuda os novos fenômenos no desenvolvimento da
sociedade, explica às massas as suas tarefas concretas e ajuda-as a aprender com a sua própria experiência.
V. I. Lénine escrevia : “A verdadeira educação das massas nunca pode
ser separada da luta política independente e, sobretudo, da luta revolucionária
da própria massa. Só a luta educa a classe explorada, só a luta lhe abre a medida
das suas forças, amplia o seu horizonte, aumenta as suas capacidades , aclara o
seu espírito, forja a sua vontade”.
Quando as massas se põe em movimento, surge a base para a sua educação
política e a tomada de consciência dos interesses radicais da classe. Lénine assinalava: “...Devemos ter presente a enorme força
esclarecedora e organizadora que tem a revolução quando os vigorosos acontecimentos históricos pela
força tiram os filisteus dos cantos perdidos, dos sótãos e subsolos e os fazem
ser cidadãos. Meses de revolução, às vezes, educam mais rápida e completamente os
cidadãos do que as décadas de estagnação
política” . O partido generaliza e divulga a experiência da luta de classe do proletariado, encabeça
diretamente as ações da classe operária.
Lénine lutava implacavelmente contra os
oportunistas e os revisionistas que tentavam diluir o partido nas camadas
pequeno-burguesas e privá-lo do caráter proletário de classe. Lutava também
contra os revisionistas de esquerda que desejavam substituir o partido por uma
organização paramilitar. Sem dúvida , as condições históricas concretas
existentes no país e o estado do movimento operário condicionam as formas de
organização e de atividade do partido.
Por exemplo, na Rússia, no período de desenvolvimento do movimento
operário, nas condições do domínio do czarismo, repressões e clandestinidade,
Lénine dedicava a principal atenção à formação do núcleo profissional do
partido que devia ser a força dirigente e organizadora do partido e do
movimento operário. Quando mudavam as
condições e se criavam possibilidades favoráveis para o trabalho do partido,
logo aumentava o número dos seus membros.
No Outono de 1905, no período de Ascenso da revolução
democrático-burguesa, as organizações do POSDR
nas grandes cidades aumentaram duas, três e, às vezes , dez vezes. Lénine escrevia: “Na Primavera de 1905, o nosso partido era
uma união de círculos clandestinos, no Outono tornou-se um partido de milhões
de proletários”.
Cresceu ainda mais rapidamente o partido
após a revolução democrático-burguesa de Fevereiro de 1917.
A força do partido reside na unidade com as
massas. Mesmo na clandestinidade ele
procura atrair para as suas fileiras os representantes mais avançados da classe
operária, unir em torno de si a classe operária e todos os trabalhadores.
Nas condições legais, a tarefa do partido
consiste em tornar-se um partido de
massas. Na época presente, o movimento comunista internacional é a força
política mais influente da atualidade.
Os partidos comunistas atuam em 95 países,
contando com mais de 80 milhões de
comunistas. Os partidos e os movimentos democráticos revolucionários dos países
da Ásia e África passam cada vez frequentemente para a posição do socialismo
científico, base ideológica do movimento comunista. Os comunistas lutam pela
realização dos objetivos imediatos da classe operária e pelos objetivos do
futuro, eles interpretam os interesses de todos os trabalhadores, reivindicando
o progresso social, a libertação nacional dos povos, o desarmamento e a paz.
A força dos partidos revolucionários
consiste na firmeza com que eles defendem os direitos e aspirações vitais do
povo trabalhador, indicam as vias da saída da crise da sociedade burguesa , e
apresentam uma alternativa real à sociedade exploradora, encontram respostas às
questões radicais da contemporaneidade, respostas impregnadas pelo otimismo.
Eles são os mais firmes defensores
autênticos dos interesses nacionais dos seus países.
A linha consequente de classes que seguem
os partidos comunistas eleva o prestígio deles, apesar de o aparelho
político-ideológico do imperialismo atuar cada vez mais perfidamente,
combinando a discriminação com a perseguição dos comunistas, uma aberta
propaganda anticomunista com o apoio dos elementos do movimento operário que se
pronunciam contra a política de classes e contra a solidariedade
internacionalista, pelo apaguizamento social e a conciliação com a
burguesia. A burguesia monopolista, as
forças reaccionárias atacam os comunistas com tal ferocidade justamente por
fato de estes apresentarem um movimento que tem as raízes penetradas
profundamente no desenvolvimento social e que interpreta os interesses mais
prementes das massas populares.
Os partidos comunistas conduzem uma luta
cotidiana pela unidade do movimento operário, procuram a unidade de ação com os
partidos sociais-democratas e com todos os partidos e organizações
progressistas.
Podem os partidos, despertando a
consciência do proletariado e das massas, exercer influência ativa sobre o
processo de situação revolucionária?
Os oportunistas de esquerda afirmam que a
situação revolucionária depende inteiramente da atividade volitiva e
perseverante dos revolucionários. Os
comunistas rejeitam este ponto de vista como não científico, errado e não
correspondente à realidade, reconhecendo ao mesmo tempo que os partidos armados
com a teoria do desenvolvimento social e que trabalham ativamente nas massas
podem influir na formação da situação revolucionária. Lénine sublinhava isso reiteradas vezes.
Desmascarando a política de classe dominante, lançando palavras de ordem e
apresentando exigências ao governo, aos partidos comunistas contribuem para a
criação das condições objetivas necessárias à formação da situação
revolucionária.
Portanto, o fator subjetivo da revolução
socialista é a prontidão e a capacidade do partido marxista do proletariado e
seus aliados para ações revolucionárias conscientes que visam a liquidação do
regime capitalista e a criação do socialismo.
A maturidade do fato subjetivo da revolução socialista depende, em
grande parte, do espírito revolucionário da classe operária, da experiência da
sua luta, das tradições, do nível de consciência e de organização, do grau de
assimilação da teoria revolucionária, da solidez da sua aliança com as massas
trabalhadoras tanto à escala nacional como internacional.
A revolução não se pode realizar sem o
fator subjetivo maduro. Esta é uma lei do desenvolvimento de qualquer
revolução. Mas o significado do fator subjetivo aumenta consideravelmente na
revolução socialista. E não é por acaso, pois para a vitória da revolução
socialista é necessário que o partido baseie a sua política no conhecimento das
leis do desenvolvimento social, da luta de classes e saiba determinar
acertadamente não só a direção principal do desenvolvimento do movimento
revolucionário, como também as tarefas, as formas e métodos de luta concretos.
A luta pela formação do fator subjetivo da revolução socialista condiciona a
necessidade da luta pela unidade da classe operária e contra o oportunismo e o
revisionismo. A história do
desenvolvimento do movimento operário mundial é a história da luta entre o
marxismo e o oportunismo em todos os problemas fundamentais : teóricos, políticos
e organizativos.
2. A Grande Revolução Socialista de Outubro : começo da nova época
revolucionária
Antes de 1917, o
socialismo era apenas um sonho, uma teoria e bandeira do movimento
revolucionário.
Em 25 de Outubro (7 de Novembro) de 1917
na Rússia realizou-se a primeira revolução socialista vitoriosa no mundo. Ela
aplicou na prática as ideias do socialismo.
Esta revolução respondia às necessidades
do desenvolvimento da Rússia daquela época. Nasceu da luta das forças de classe
da sociedade russa condicionada pelas causas internas. Ao mesmo tempo, as
contradições que engendraram a revolução de Outubro eram o centro das
contradições mundiais do capitalismo. O desenvolvimento desigual deste e o
desenvolvimento desigual do movimento revolucionário internacional dele decorrente
colocaram a Rússia, no começo do século XX, no primeiro plano da revolução
socialista mundial do proletariado objetivamente amadurecida.
Os adversários do marxismo procuraram
minimizar o significado das ideias de Outubro, afirmando que a revolução de
Outubro é um fenômeno histórico casual, resultado de erros grosseiros de uns e
da utilização acertada destes erros por outros. Repetem que a Grande Revolução de Outubro
realizou-se “contra as regras” num país atrasado e não preparado para as
transformações socialistas.
A própria realidade desmentiu os dogmas
oportunistas, segundo os quais a revolução socialista só se pode realizar nos
países com o mais alto nível de desenvolvimento das forças produtivas e onde o
proletariado constitui a maioria da população.
No momento da realização da revolução
socialista, a Rússia era um país com o nível médio de desenvolvimento do
capitalismo. A entrada do capitalismo na fase monopolista teve como resultado o
desenvolvimento das suas formas modernas. Neste sentido a Rússia até
ultrapassava outros países capitalistas em muitos índices (por exemplo, no
nível de concentração da produção). No
entanto, as formas avançadas da produção capitalista existiam lado a lado com
os restos do passado. No campo ainda existia o sistema de relações semifeudais.
Muito atrasadas eram as periferias semicoloniais da Rússia. Além disso, a
Rússia estava atrasada em relação dos outros países capitalistas quanto ao
nível de desenvolvimento da indústria.
As contradições do imperialismo
agudizaram-se extraordinariamente na Rússia, sendo agravadas pelo jugo do
czarismo e pelos vestígios do regime de servidão. A Rússia era o elo mais débil
do imperialismo internacional, um foco de entrelaçamento das suas contradições.
Foi exatamente a Rússia que se tornou o centro do movimento revolucionário
mundial. Colocou-se perante o proletariado da Rússia a tarefa dificílima e de
colossal responsabilidade : ser o primeiro a romper a cadeia do domínio da
burguesia.
Refletindo sobre as particularidades da revolução na Rússia, Lénine chegou à conclusão de que “dentro das leis gerais do desenvolvimento em
toda a história mundial não estão de modo nenhum excluídas , mas, pelo
contrário, pressupõem-se determinadas etapas do desenvolvimento que apresentam
peculiaridades, quer na forma quer na ordem da história habitual....” . Por
ordem habitual tinha em vista o nível de desenvolvimento das forças produtivas
e da cultura que é necessário para a criação do socialismo. Na velha
Rússia, como assinalava Lénine, este nível, no verdadeiro sentido da
palavra não existia. A vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro fez
rapidamente da Rússia o país mais avançado no sentido político. A mudança da ordem histórica consistia,
segundo Lénine, em que os operários e camponeses, primeiro, conquistaram o
poder para depois , na sua base, superar o atraso técnico-material e elevar as
forças produtivas do país ao alto nível mundial. Tendo em vista estes problemas difíceis, Lénine notava que na Rússia era mais fácil
que em outros países capitalistas começar a revolução socialista, mas era muito
mais difícil fazer com que ela avançasse
para a conclusão da edificação do
socialismo. (Os marxistas consideram
que, posteriormente, as revoluções socialistas vitoriosas serão possíveis, com
o apoio dos países socialistas, mesmo nos países atrasados.)
A principal força motriz e guia da Grande
Revolução Socialista de Outubro foi a classe operária em aliança com o
campesinato mais pobre.
O desenvolvimento impetuoso do capitalismo
monopolista na Rússia levou à formação da classe operária combativa, capaz de
encabeçar a revolução que se aproximava. Apesar de relativamente pouco
numerosa, era uma força social e política muito maior do que a massa de muitos milhões de camponeses
dispersos e desunidos. Isto explicava-se
antes de tudo pelo alto nível de concentração da classe operária nos centros
vitalmente importantes e nas grandes empresas. Foi o proletariado que assimilou
a riquíssima experiência do movimento operário internacional, adaptou e
multiplicou as tradições revolucionárias do proletariado da Europa Ocidental.
Esta classe foi a força hegemônica da revolução democrático-burguesa de 1905.
O campesinato era uma grande força
revolucionária no país. Esmagado pela exploração, sem direitos, mas disposto a
lutar pela terra e a liberdade, tendia
espontaneamente para a classe operária. Na revolução socialista, o proletariado teve todo o apoio dos pobres do
campo que constituíam a esmagadora maioria da população rural. Tendo conquistado para o seu lado a maioria
dos camponeses trabalhadores, o proletariado ganhou-os à burguesia.
A condição determinante da vitória da
Grande Revolução Socialista de Outubro consistia em que à frente das massas
populares estava o partido marxista revolucionário combativo. O partido
guiava-se pela teoria avançada da classe operária : a teoria
marxista-leninista. A Grande Revolução Socialista de Outubro veio a ser o
modelo de aplicação prática da teoria leninista da revolução socialista. Esta
teoria deu aos trabalhadores da Rússia uma perspectiva clara, desencadeou a sua
iniciativa revolucionária, convenceu da possibilidade de realizar da revolução
socialista e de vencer. A revolução de Outubro foi a prova mais ponderável e
irrefutável da veracidade do marxismo-leninismo.
O partido bolchevique fundiu num único
caudal pujante a luta do proletariado pelo socialismo , a luta do campesinato
pela terra, a luta de libertação nacional, em que estavam empenhados os povos
oprimidos da Rússia, e o movimento de todo o povo contra a guerra imperialista
e pela paz, canalizando essa torrente para o derrubamento do regime burguês.
Com a vitória da revolução de Outubro
nasceu um novo regime social. Foi um exemplo inspirador para os operários de
todo o mundo.
A revolução de Outurbro arrancou da
escravidão capitalista a população de um país enorme que ocupa a sexta parte do
território do globo. Não só trouxe a libertação social à classe operária e ao
campesinato trabalhador, como resolveu os problemas nacionais da Rússia e
realizou as tarefas democráticas gerais. A revolução deu a terra aos camponeses
, libertou os povos da periferia da Rússia do jugo nacional. Não só interrompeu
o processo de atraso econômico da Rússia
em relação aos países avançados do Ocidente, como abriu a possibilidade de os
alcançar em prazos históricos curtos. Esta revolução, pela primeira vez na
história mundial, criou condições para a solução do problema feminino, a
emancipação jurídica e real das mulheres, dando-lhes os direitos iguais aos dos
homens.
Devido à revolução de Outubro, na Rússia
nasceu um Estado novo, socialista, cuja política externa desde o primeiro dia
foi colocada ao serviço da causa da paz e da amizade entre os povos. Outubro
uniu os conceitos de “paz” e “socialismo”, num todo único. No primeiro ato
legislativo do Poder Soviético, aprovado no outro dia depois da revolução de
Outubro – o Decreto leninista da paz, a luta por uma paz democrática e a cooperação
internacional foi proclamada como objetivo e o princípio supremo da política
externa do Estado socialista que corresponde aos interesses vitais dos povos de
todos os países. A guerra foi condenada como o maior crime contra a humanidade.
Com o seu primeiro ato político externo, o Estado dos operários e camponeses
declarou a vontade de pôr fim à guerra
imperialista e colocou como tarefa estratégica o asseguramento das condições
para a coexistência pacífica e de boa vizinhança dos Estados com regimes
sociais diferentes. A luta pela paz
tornou-se linha estratégica do Estado
proletário e do partido comunista. Esta linha é a manifestação evidente da
coincidência dos interesses de classe do proletariado com os verdadeiros
interesses da humanidade, com os interesses dos trabalhadores de todo o
planeta.
A Grande Revolução Socialista de Outubro
pela primeira vez na história criou o modelo de poder proletário para o período
de transição do capitalismo para o socialismo. No país foi estabelecida a ditadura
do proletariado, cuja forma estatal foi a República dos Sovietes. A classe
operária tornou-se classe dominante, e o partido comunista – o partido no
poder.
Foi difícil o caminho dos povos da Rússia
Soviética na criação da nova sociedade. O país encontrava-se no cerco
capitalista. A situação era agradava
pelas condições difíceis causadas pela guerra imperialista e a ruína econômica
resultante desta. “Tivemos que começar a
nossa revolução nas condições extremamente difíceis em que não se encontrará
nenhuma das posteriores revoluções operárias do mundo...” - escrevia
Lénine.
As dificuldades extraordinárias eram devidas
à guerra desencadeada contra a República dos Sovietes pela contra-revolução
interna e externa. As classes exploradoras derrubadas começara a guerra civil
pela retomada do poder, da propriedade e dos privilégios. Utilizavam todos os meios : a sabotagem, o
suborno e o terror sangrento. Os imperialistas estrangeiros, receando que a
revolução russa originasse o incêndio revolucionário na sua retaguarda,
lançaram contra o País Soviético as suas forças armadas. Assim foi criado o bloco único da contra-revolução
interna e estrangeira. Durante três
anos, os intervencionistas e os guardas brancos
(forças militares da contra-revolução interna) inundaram o país de sangue, destruíram a sua
indústria, cidades e povoados, submeteram o país ao bloqueio de fome, mas não
conseguiram quebrar a resistência do povo.
A derrota dos imperialistas estrangeiros e
seus agentes, os guardas brancos, confirmou as palavras de Lénine : “Jamais
será derrotado um povo em que os operários e camponeses, em sua maioria, sabem,
sentem e veem que defendem o seu poder soviético – o poder dos trabalhadores,
que defendem uma causa cuja vitória assegurará a eles e aos seus filhos a
possibilidade de usufruir todos os bens da cultura, todas as criações do
trabalho humano”.
O povo
soviético teve de resistir à dura prova da Grande Guerra Pátria. Antes
de agredir a URSS, em 22 de Junho de 1941, a Alemanha fascista conquistou quase
toda a Europa. Pretendia ao domínio mundial. Os fascistas colocavam o objetivo
de conquistar o território e as riquezas da União Soviética, liquidar o regime
socialista, exterminar milhões de soviéticos e os restantes transformar em
escravos. Neste embate de morte venceu o
socialismo, o novo regime social criado pelo Grande Outubro.
Quatro longos anos durou a guerra. A
vitória custou muito caro ao povo soviético. A guerra e a ocupação temporária
da parte do território soviético pelas tropas hitlerianas e dos aliados de
Hitler causaram ao país um prejuízo
colossal. Nas frentes de guerra e no cativeiro fascista morreram mais de 20
milhões de soviéticos. Os hitlerianos destruíram e saquearam 1710 cidades e
vilas, incendiaram mais de 70 mil aldeias. Liquidaram, completa ou
parcialmente, cerca de 32 mil empresas industriais, 65 mil quilômetros de vias
férreas, devastaram 98 mil kolkhozes. Jamais país algum sofreu perdas e
destruições iguais. Mas o povo soviético
resistiu às duras provações e venceu.
Defendendo a sua Pátria e as conquistas de
Outubro na Grande Guerra Pátria, o povo
soviético defendia não só a sua escolha histórica feita em 1917, como a sua
própria independência e liberdade. Salvava também os povos do mundo do perigo
de serem subjugados pelo fascismo.
O povo soviético percorreu um grande
caminho da Grande Revolução Socialista de Outubro até à construção do
socialismo desenvolvido. As décadas
passadas depois da vitória do Grande Outubro mostraram de que são capazes os
trabalhadores que assumiram a direção política da sociedade e a responsabilidade
pelo destino do país.
As ideias do socialismo que antes
inspiravam os homens para a luta revolucionária tornaram-se realidade. Pela
primeira vez na história da humanidade foi criada a sociedade socialista.
A base econômica do socialismo é
constituída pela propriedade social dos meios de produção, absolutamente dominante em todos os ramos da
economia nacional. Isto exclui completamente a possibilidade de transformação
dos meios de produção em meios de exploração de uma parte da sociedade por
outra.
A propriedade socialista na URSS tem duas
formas fundamentais: estatal e
cooperativo-kolkhoziana.
A propriedade estatal é patrimônio comum
de todo o povo, constituindo a forma essencial da propriedade socialista. São propriedade exclusiva do Estado : a
terra, o subsolo, as águas e as florestas. Pertencem ao Estado : os principais
meios de produção na indústria, na construção e na agricultura, os meios de
transporte e comunicação, os bancos, os bens das empresas comerciais, os
serviços públicos, outras empresas organizadas pelo Estado, a maior parte do
fundo imobiliário habitacional urbano e outros bens.
Outra forma de propriedade é a propriedade
de grupo, cooperativa, dos camponeses, voluntariamente unidos em economias
coletivas (kolkhozes). Na União Soviética há cerca de 26 mil
kolkhozes. A terra ocupada pelos
kolkhozes é-lhes concedida em usufruto perpétuo e gratuito. O Estado
contribui para o desenvolvimento da propriedade cooperativo-kolkhoziana e para
a sua aproximação da propriedade estatal.
A Grande Revolução de Outubro cumpriu a
tarefa dificílima de reorganização socialista da economia nacional. Em curtos
prazos históricos, o enorme país atrasado transformou-se num país com indústria
altamente desenvolvida e com agricultura coletivizada. A União Soviética ocupa
o primeiro lugar no mundo na produção de muitos produtos importantes :
petróleo, aço, cimento, adubos minerais, trigo algodão, locomotivas elétricas e
Diesel. A URSS dispõe do maior no mundo parque de
máquinas-ferramentas e ultrapassa outros países pelo número de engenheiros.
A vitória da Grande Revolução Socialista
de Outubro permitiu realizar transformações radicais no país que conduziram à
liquidação das classes exploradoras e de todas as possibilidades para a
existência da exploração e dos antagonismos sociais. Na sociedade soviética existem somente
classes trabalhadoras : a classe operária, o campesinato e a
intelectualidade. A sua aliança
inquebrantável constitui a base social do Estado socialista soviético.
Entre as conquistas de Outubro um lugar
particular cabe à resolução da questão nacional. Na União Soviética existem
cerca de 100 nações e nacionalidades. As
relações entre elas é um dos
problemas sociais
complexos. Não é por acaso que à Rússia
czarista chamavam “prisão dos povos”. Os
latifundiários e capitalistas russos, com a ajuda dos funcionários do governo
czarista, oprimiam sem piedade as nações e nacionalidades não russas,
mantinham-nas na miséria, na situação de dependência semicolonial, negando-lhes
todos os direitos.
Devido à aplicação consequente da política
leninista, a questão nacional foi resolvida definitivamente com a construção do
socialismo. Todas as nações e
nacionalidades da União Soviética são livres e iguais em direitos. Uniram-se voluntariamente num poderoso Estado
federal e, com a ajuda da desinteressada
do povo russo, entraram decididamente no caminho da nova vida.
A coesão e a ajuda mútua dos povos permitiram o desenvolvimento acelerado de
todas as repúblicas. A hostilidade e a desconfiança nas relações entre as
nações cederam lugar à amizade e ao respeito mútuo. As culturas nacionais alcançaram grande
florescimento. Em todas as esferas da vida social desenvolve-se a ritmos
rápidos o processo de aproximação das nações. Criou-se uma nova comunidade
humana histórica : o povo soviético.
Nenhuma sociedade existente no passado fez
nem podia fazer para o trabalhador tanto quanto fez o socialismo. Todas as transformações e modificações que se
realizam no país soviético visam antes de tudo assegurar a cada pessoa
condições de vida verdadeiramente humanas.
O socialismo libertou os trabalhadores da exploração e opressão,
deu-lhes a confiança no futuro. Há muitas dezenas de anos que os soviéticos
desconhecem o desemprego. Não conhecem o sentimento humilhante de medo do dia
de amanhã, de ficar sem emprego, sem assistência médica, sem abrigo. O socialismo garantiu o direito
ao trabalho, à instrução, à segurança social, à assistência médica gratuita, ao
repouso , à habitação, a gozar dos benefícios da cultura. Na URSS é gratuito o ensino secundário para a
juventude. Nas escolas superiores, os estudantes, além de não pagarem o ensino,
recebem bolsas do Estado.
O estabelecimento dos princípios da
igualdade e justiça social foi uma grandiosa conquista da revolução de Outubro.
Cada pessoa goza plenamente de todos os direitos e liberdades que lhe permitem
participar ativamente na vida política. A todos os membros da sociedade é
garantida a relação igual com os meios de produção. Todos, independentemente do
sexo e nacionalidade, têm direito ao trabalho, ao repouso, à habitação, à
segurança na velhice, à assistência médica e à educação gratuitas. A política social
do partido e do Estado visa sempre elevar o bem-estar do povo, fortalecer a
saúde de todas as pessoas , aumentar o fundo habitacional, desenvolver e
aperfeiçoar o sistema de ensino geral e profissional. Tudo isto garante o alto
grau de igualdade que só é possível no socialismo.
O nível de vida material e espiritual dos
soviéticos tornou-se incomparavelmente mais elevado. Aumentou
extraordinariamente o nível de cultura geral e de instrução do homem soviético
que é considerado, com direito, o que lê mais. Na consciência social afirmou-se solidamente a
concepção materialista cientifica do mundo.
Na URSS foi criado um novo tipo de
democracia-socialista, que garante aos cidadãos os direitos e as liberdades que
não existem, nem podem existir, no Estado burguês. Os Sovietes de Deputados do
Povo constituem a base política da URSS. Nascidos na primeira revolução russa,
concentram e orientam a energia criadora das amplas massas para a realização
das tarefas sociais, econômicas e políticas essenciais.
Os êxitos alcançados pelo povo soviético
na luta revolucionária e na construção do socialismo estão inseparavelmente
ligados com o partido marxista-leninista. O partido, que tem hoje mais de 18
milhões de comunistas, é a vanguarda política reconhecida não só da classe
operária mas de todo o povo soviético. O PCUS elabora a estratégia
cientificamente fundamentada do desenvolvimento do país, resolve problemas
globais de caráter político , ideológico, econômico e administrativo.
O país soviético avançou muito na primeira
fase do comunismo. Na nova etapa do desenvolvimento histórico levantou-se
perante o PCUS e o povo soviético, em toda a sua complexidade, a tarefa do
aperfeiçoamento multilateral da sociedade socialista, de um aproveitamento mais
completo e eficaz das suas possibilidades e vantagens para o avançar ulterior
rumo ao comunismo. Este é o objetivo da
estratégia de aceleração do desenvolvimento do país elaborada pelo XXVII
Congresso do Partido Comunista da União Soviética. É esta a linha estratégica
do partido, que visa a transformação qualitativa de todos os aspectos da vida
da sociedade soviética : renovação radical da sua base técnico-material , a partir das realizações da revolução
técnico-científica ; aperfeiçoamento das relações sociais, sobretudo econômicas
; profundas mudanças no conteúdo e no caráter do trabalho, nas condições
materiais e espirituais da vida das pessoas ; activização de todo o
sistema de institutos políticos, sociais
e ideológicos.
O resultado dessas transformações será um
estado qualitativamente novo da sociedade soviética, que revela em plena medida
as enormes vantagens do socialismo em todas as esferas da vida. Desse modo será
dado um passo histórico em frente na via rumo à fase superior do comunismo.
* * *
Lénine via o significado internacional da
revolução de Outubro, principalmente, na influência que ela exerceu sobre toda
a marcha da história mundial. Sublinhava também o seu significado no sentido
estrito, tendo em vista a repetição necessária à escala internacional dos
traços mais essenciais desta revolução.
Nenhum acontecimento histórico exerceu
influência tão forte e profunda no desenvolvimento da humanidade como a Grande
Revolução Socialista de Outubro. No mundo não houve e não há forças e
movimentos políticos que não tenham sentido, de uma ou doutra forma, a influência da revolução de
Outubro, que não tenham sido atingidos, de um modo ou de outro, pelo processo
global de renovação revolucionária por
ela iniciado.
Todo o mundo dos explorados, subjugados
pelo imperialismo se pôs em movimento
sob a influência da revolução de Outubro. O fato de a classe operária do maior
país do mundo se transformar, devido à revolução de Outubro, em classe
dominante elevou incomparavelmente a consciência socialista do proletariado
internacional e o seu espírito revolucionário, fortaleceu a confiança nas suas força e na sua vitória.
Sob a influência da revolução de Outubro
registrou-se uma ascenção do entusiasmo
revolucionário em muitos países da Europa e Ásia.
Na Alemanha realizavam-se manifestações,
exigindo pôr imediatamente o fim à guerra imperialista, criavam-se Sovietes de
deputados operários e camponeses. No Outono de 1918, a crise revolucionária
agravou-se extremamente. A revolta abarcou quase todo o país e a monarquia
caiu. Em Janeiro de 1918 eclodiu a revolução operária na Finlândia. Em 1919, na
Hungria, Baviera e Eslováquia foi instaurado o Poder Soviético que , apesar de
esmagado pela contra-revolução, deixou marcas inapagáveis na consciência dos
trabalhadores. Na Itália iniciou-se um
amplo movimento pela criação dos Soviétes de fábrica. Os operários tomavam nas
suas mãos as fábricas e empresas, os
camponeses ocupavam as terras dos latifundiários. A luta revolucionária foi desencadeada em
França, Inglaterra, Bélgica, Polonia, Bulgária , Romênia, Checoslováquia , o
movimento grevista de massa alastrou-se aos EUA e aos países da América do Sul.
A revolução de Outubro deu impulso ao
ascenso do movimento operário em todo o mundo e, por seu turno, recebeu um
vigoroso apoio do proletariado internacional.
Na Inglaterra, desenvolveu-se o movimento de solidariedade sob a palavra
de ordem “Tirem as mãos da Rússia!” Em muitos países surgiram comitês locais e
nacionais que encabeçavam a luta com vista a pôr fim à intervenção , os estivadores recusavam-se a
carregar as armas para os intervencionistas. Na Itália, este movimento lançou a
palavra de ordem “Nenhuma espingarda,
nenhuma bala, nenhum soldado contra a Pátria dos trabalhadores!” Os trabalhadores de outros países viam na
Rússia Soviética o centro de atração revolucionária.
Nos primeiros anos após a revolução, muita
coisa permitia esperar que a revolução socialista vencesse não só na Rússia.
Mas isto não aconteceu. A burguesia do
Ocidente mostrou ser bastante forte para esmagar pela força a classe operária.
Um dos principais fatores que conteve o desenvolvimento da revolução nos países
da Europa Ocidental foi a ausência ou a fraqueza dos partidos
marxistas-leninistas revolucionários, a sua incapacidade de aproveitar as
condições favoráveis para ações decisivas da classe operária, para encabeçar e
conduzir as massas à conquista do poder estatal.
Sob
a influência da revolução de Outubro começou uma nova etapa do movimento
operário internacional que se caracterizou pela criação de partidos comunistas
em muitos países. A sua atividade enérgica em dezenas de países de todos os
continentes tornou-se um importante fator do progresso social. O movimento operário saiu do estado de
dispersão e impotência em que se encontrava por culpa dos oportunistas no
período da guerra imperialista de 1914-1918.
A revolução de Outubro deu aos
trabalhadores a compreensão da sua força , a clareza de objetivos e a segurança no futuro.
É difícil sobreestimar a enorme influência
que a revolução de Outubro exerceu sobre o movimento de libertação nacional.
Antes de mais, indicou aos povos
dependentes e coloniais, que constituíam mais de metade da humanidade, o único
caminho certo para a resolução da questão nacional. Além disso, o exemplo do País Soviético, que
derrotou os exércitos intervencionistas e defendeu as suas conquistas
socialistas, mostrou a esses povos que, por mais inabalável que parecesse o
domínio dos Estados imperialistas , a libertação do jugo colonial era
praticamente realizável. Em 191, Lénine dizia: “... a libertação dos povos do
Oriente é atualmente perfeitamente realizável na prática...”
A Grande Revolução Socialista de Outubro
abriu uma nova era, marcou um ponto de viragem na história universal,
determinou a direção geral e as tendências fundamentais da evolução do mundo,
dando início ao processo inexpugnável de substituição do capitalismo por uma
nova formação socioeconômica , o comunismo.
3. O aprofundamento do processo revolucionário mundial e a variedade
das formas de passagem para o socialismo
A Grande Revolução
Socialista de Outubro deu o primeiro passo da pré-história da sociedade humana
para a sua verdadeira história : a civilização comunista. “Nós começamos esta obra – escrevia
Lénine. Quando precisamente, em que
prazo os proletários de qual nação culminarão esta obra é uma questão não
essencial. O essencial é que se quebrou
o gelo, que se abriu caminho, que se indicou a via”.
O desenvolvimento do processo
revolucionário mundial, materializado na prática sob as mais diversas formas e
manifestações, também hoje decorre nos marcos das tendências históricas
marcadas pela Revolução de Outubro e reflete, de um modo ou de outro, a sua
herança ideológica, as leis gerais e as transformações por ela reveladas.
Depois da Revolução de Outubro, o
componente mais importante do processo histórico mundial de passagem para a
nova sociedade foi a formação do sistema socialista mundial. O socialismo saiu das fronteiras de um só
país. Foi desmentido na prática
o mito do anticomunismo de que a revolução socialista na Rússia é um
fenômeno casual. A entrada de novos
países no caminho da construção do socialismo demonstrou que a passagem para a
formação comunista é uma necessidade
histórica amadurecida e que as leis da edificação do socialismo têm um caráter
geral.
O sistema socialista mundial formou-se
definitivamente nos anos 50 do século XX.
O socialismo mundial hoje é:
- o
poderio econômico que constitui mais de
40% da produção industrial mundial;
- a aliança político-militar assente nos
princípios paritários e que opõe ao imperialismo;
- a maior fonte de cultura, ciência e
instrução no mundo;
- a única comunidade no mundo de países
dirigidos pelos trabalhadores de acordo com a sua vontade e os planos por eles
próprios elaborados;
- a mais segura e consequente defesa da
paz no nosso planeta.
Dentro do sistema socialista mundial
criou-se a comunidade dos países
socialistas que se caracteriza pelo regime socioeconômico e político comum dos
Estados nela integrados, pela cooperação voluntária na base dos princípios do
marxismo-leninismo e do internacionalismo socialista, pela ajuda mútua fraterna
e soberania de cada Estado.
O socialismo mundial é
uma formação internacional poderosa, assente numa economia altamente
desenvolvida, numa base científica sólida, num potencial político-militar
seguro. Representa mais de um terço da
Humanidade, dezenas de países e povos que seguem pela via da revelação
multilateral das riquezas intelectuais e morais do Homem e da sociedade. Surgiu um novo modo de vida baseado nos
princípios da justiça socialista, onde não há opressores nem oprimidos,
exploradores nem explorados, onde o poder pertence ao povo. Os seus traços característicos são o
coletivismo e a ajuda mútua entre camaradas, o triunfo das ideias de liberdade,
de unidade indestrutível dos direitos e deveres de cada membro da sociedade, a
dignidade do indivíduo, o verdadeiro humanismo.
O socialismo aperfeiçoa constantemente as
relações sociais, multiplica persistentemente o que foi alcançado, acumula
forças e aumenta o caráter cada vez mais convincente do seu exemplo, mostra o
humanismo real de todo o seu modo de vida.
O socialismo transformou-se numa poderosa força moral e material, mostrou
as possibilidades que se abrem perante a civilização moderna.
O progresso dos nossos dias é com toda a
justeza identificado com o socialismo.
Cada país que entrou no caminho socialista
realizou à sua maneira a revolução popular e as transformações socialistas.
No entanto, como confirma a vida, os
traços radicais inalienáveis da revolução socialista e da edificação do
socialismo conservam o seu vigor.
A experiência conjunta do desenvolvimento
do socialismo mundial convence do seguinte:
- o problema principal da revolução
continua a ser o problema do poder. Ou o poder da classe operária em aliança
com todo o povo trabalhador, ou o poder da burguesia. Não há meio termo;
- a passagem para o socialismo só é
possível se a classe operária e os seus aliados utilizarem o poder político
real por eles tomado para liquidar o
domínio socioeconômico dos capitalistas e de outros exploradores;
- a vitória do socialismo só é possível se
a classe operária e a vanguarda, os comunistas puderem entusiasmar e unir as
massas trabalhadoras na luta pela construção da nova sociedade e a
transformação da economia e de todas as relações sociais em bases socialistas;
- o socialismo só se pode afirmar se o
poder dos trabalhadores souber defender a revolução contra quaisquer ataques do
inimigo de classe, tanto interno como, mais provavelmente externo.
Estas são apenas algumas das lições do
desenvolvimento atual do socialismo. Elas reafirmam o grande significado
internacional da experiência da revolução de Outubro apesar de toda a
originalidade das condições desta.
Confirmam que Lénine tinha toda a razão ao escrever : “...O exemplo
russo mostra a todos os países algo de muito essencial do seu
futuro inevitável e próximo”.
As leis gerais de desenvolvimento da
revolução socialista constituem o seu conteúdo. Sem as tomar em conta, nenhum partido comunista pode
conduzir os trabalhadores à vitória.
Estas leis, refletidas na teoria marxista-leninista e confirmadas pela
prática, foram formuladas coletivamente
nas conferências internacionais dos partidos comunistas irmãos. A compreensão profunda das leis gerais, o
apoio nelas combinado com a análise criadora e a tomada em conta das condições
concretas de cada país foram e são uma particularidade inalienável da atividade
dos partidos marxistas-leninistas.
As leis gerais manifestam-se sempre, no
entanto, sob forma concreta, porque as condições particulares de
desenvolvimento da revolução num ou noutro país determinam as suas
peculiaridades nacionais e geram as leis específicas do seu
desenvolvimento. Lénine escrevia :
“Todas as nações chegarão ao socialismo,
isso é inevitável, mas chegarão todas de modo não exatamente idêntico, cada uma trará uma peculiaridade nesta ou
naquela forma de democracia, nesta ou naquela variedade da ditadura do
proletariado, neste ou naquele ritmo das transformações socialistas dos
diferentes aspectos da vida social”. Com
efeito, em nenhum país socialista hoje existente , as formas , os métodos e as
vias de revolução socialista foram uma repetição mecânica de uma experiência
estrangeira. A RDA ou a Polônia, a
Hungria ou Cuba, a Mongólia ou a Iugoslávia, numa palavra, todos os países
socialistas realizaram a revolução à sua maneira , por formas que foram ditadas
pela correlação das forças de classe em cada um desses países, pelas particularidades nacionais e a situação
externa. Houve a luta armada, houve
formas pacíficas de passagem para um novo sistema social, houve a rápida
ascensão das classes trabalhadoras ao poder e processos que se arrastaram no tempo.
Em alguns países foi necessário defende a revolução da intervenção
estrangeira, noutros isso passou-se sem ingerência externa.
A realização das leis gerais da construção
do socialismo, tendo-se em conta as condições concretas de cada país , caracteriza o socialismo real como um
regime verdadeiramente democrático e humano sem precedentes na história da
humanidade. A violação das leis gerais
da construção do socialismo e a incapacidade de as aplicar de modo criador às
condições históricas concretas e às particularidades nacionais de um ou
outro país conduzem às consequências graves.
A revolução socialista mundial não é um
processo extra-nacional. Marx e Engels
escreviam : “Pela forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado
contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado de cada um dos países tem
naturalmente de começar por resolver os problemas com a sua própria burguesia”.
A revolução socialista, chamada a
assegurar a passagem para uma sociedade sem diferenças de classes e, depois,
sem diferenças nacionais, desenvolve-se na base histórica existente pelas
forças e meios criados por cada nação na sociedade de classes. Seria utópico pensar que a revolução
socialista pode superar de uma vez as
diferenças seculares entre os povos com raízes nas profundezas da
história. A conservação das
particularidades nacionais é, portanto,
a lei objetiva da passagem para o socialismo e, em certa medida, do
próprio socialismo como a primeira fase da sociedade comunista.
A peculiaridade das formas de passagem
para o socialismo e a parcela do nacional e específico aumentam também devido
ao fato das revoluções e a edificação do socialismo se realizarem em diferentes
países , em períodos diferentes e em condições internacionais diferentes. Ao falar da peculiaridade das formas de
passagem de diferentes países para o socialismo , Lénine tinha em vista,
primeiro, os ritmos diferentes de desenvolvimento da revolução , segundo , a
possibilidade de formas diferentes de ditadura do proletariado e, terceiro, a
possibilidade de formas diferentes de alianças de classe e de métodos
diferentes de esmagamento da resistência das classes exploradoras. Por exemplo,
na Rússia foi necessário privar os exploradores do direito eleitoral, mas
noutros países isto não é obrigatório.
Quarto, Lénine previa a
possibilidade de diferentes formas e diferentes ritmos de transformações
econômicas no processo de criação da economia socialista em diferentes países
: desde a expropriação direta da
burguesia até a aplicação de diferentes formas de capitalismo de Estado e o
resgate dos meios de produção de algumas suas camadas. Lénine assinalava, além disso, que a passagem
do capitalismo para o socialismo é possível sob várias formas e isto
depende de se prevalece no país a grande
produção capitalista ou a pequena
economia.
O fator decisivo que condiciona a forma
histórica concreta da revolução proletária é a correlação das forças de classe tanto num país determinado como à
escala mundial. As particularidades
nacionais e as leis específicas da revolução socialista não podem alterar o seu
conteúdo , mas a sua consideração na atividade revolucionária e em grande
parte determina o êxito da revolução.
A ditadura do proletariado pode ter formas
diferentes dependentemente das condições de desenvolvimento de cada país. Mas pensar que é possível realizar a transformação radical sem a
direção do Estado pela classe operária significa desviar-se do terreno da
realidade para o fantástico.
Nos últimos tempos, os revisionistas
avançam excessivamente a questão dos chamados
“modelos de socialismo” afirmando
que o antigo modelo de socialismo está ultrapassado e que é necessário um
modelo novo , mais “liberal e mais
democrático” , etc. O caráter
anti-socialista destas afirmações é
evidente : sob o véu do chamado novo modelo de socialismo, procura-se
riscar as leis gerais de edificação do socialismo e do regime socialista, adulterar
o ideal do socialismo e aproximá-lo do capitalismo.
Ao falar das particularidades do
socialismo em diferentes países , os marxistas compreendem-nas como a
manifestação de um conteúdo único que está na sua base. Nos diversos
“modelos de socialismo” , de quais falam os revisionistas, desaparece o
conteúdo comum do socialismo e ficam apenas
as suas diferenças. Entretanto, o
socialismo real , não inventado, só se apresenta em qualquer país como a
unidade peculiar do geral , do particular e do singular.
Lembrar só o geral e esquecer o particular
e o singular significa cometer um erro e empobrecer o socialismo real que é tão
variado como a própria vida. Isto é compreensível, pois o geral nunca existe em forma pura, mas
realiza-se sempre através do concreto, assumindo formas específicas conforme o
decreto. Mas se riscarmos o geral e
sublinharmos apenas o específico, cometeremos um erro ainda mais grave, pois
perderemos o critério objetivo que está na base do fenômeno concreto e
determina a sua essência.
Portanto, o desprezo pelo conteúdo
socialista único e a acentuação desmedida das diferenças específicas são erros
graves dos adeptos da teoria do pluralismo dos modelos de socialismo.
A experiência do desenvolvimento das
revoluções socialistas enriqueceu as teses dos clássicos do marxismo sobre a
possibilidade das formas variadas da revolução socialista.
A revolução socialista pode ser realizada
por meio da insurreição armada, como foi na Rússia. Não se exclui a luta
guerrilheira combinada com a realização da greve nacional. Assim foi em Cuba.
O marxismo não nega, no entanto , a
possibilidade da passagem pacífica do poder para a classe operária.
Nas condições históricas concretas da
Rússia depois da revolução democrático-burguesa de Fevereiro de 1917 , criou-se
a possibilidade da passagem pacífica para o socialismo. Por todo o país
existiam e funcionavam ativamente os Sovietes de deputados operários e
soldados. A burguesia ainda não ousava ,
nem tinha a possibilidade de aplicar a violência contra as massas. O
imperialismo internacional estava dividido em dois campos hostis e não podia
socorrer a burguesia russa. Lénine
orientava o partido e a classe operária para a passagem pacífica rumo o
socialismo. Acentuava que a classe
operária deve necessariamente tentar aproveitar tal oportunidade , se “existe uma só possibilidade em cem...”
No entanto, a situação que se criou fez
com que a revolução russa se realizasse por via não pacífica. Mas a própria
colocação da questão sobre a
possibilidade de duas vias de desenvolvimento da revolução é uma
conquista do pensamento leninista que conserva a sua atualidade.
A possibilidade do desenvolvimento
pacifico da revolução depende das condições históricas concretas e , em
primeiro lugar, da ausência da violência externa sobre o povo, da correlação
das forças de classe no país, da posição do exército no momento crítico e, por
último, do grau de resistência das classes dominantes. As possibilidades da via pacífica da
revolução dependem também, sem dúvida, das condições internacionais.
Nos documentos programáticos do movimento
comunista internacional e nos programas dos partidos comunistas dos países
capitalistas sublinha-se que os comunistas farão tudo para aproveitar a possibilidade de
desenvolvimento pacífico da revolução se ela aparecer. Na Declaração da Conferência dos Partidos
Comunistas e Operários , realizada em Moscovo em 1960 , diz-se: “Apoiando- se na maioria do povo e dando
réplica decisiva aos elementos oportunistas, incapazes de desistir da política
de conciliação com os capitalistas e latifundiários, a classe operária tem a
possibilidade de derrotar as forças reaccionárias e antipopulares , conquistar
uma maioria sólida no parlamento , transformar o parlamento de instrumento ao
serviço dos interesses de classe da burguesia em instrumento ao serviço do povo trabalhador, desenvolver uma ampla luta extraparlamentar
de massas, vencer a resistência das
forças reaccionárias e criar as condições necessárias para a realização
pacífica da revolução socialista”.
Atualmente, devido a várias causas, em
muitos países capitalistas existe a possibilidade para a passagem relativamente pacífica para o
socialismo. Os partidos comunistas da Europa Ocidental, dos EUA, Canadá, Japão
e alguns outros países falam nos seus documentos programáticos da possibilidade
do caminho pacífico para o socialismo e, com base nisto, organizam a sua atividade.
Por outra parte, num grupo de países
capitalistas onde não há liberdades democrático-burguesas e a possibilidade da
luta política pacífica é reduzida ao mínimo , a revolução seguirá , pelos
vistos, a via não pacífica. Mas a proclamação da via armada não significa
recusa à utilização das formas pacíficas de luta revolucionária. Os partidos comunistas dos países que se
orientam para a luta armada da classe operária pelo poder promovem uma política
flexível , escolhendo formas concretas de luta de acordo com a situação no país
e na arena internacional e tendo em vista que a insurreição armada contra os
regimes fascistas e ditatoriais é o caminho mais provável da conquista do
poder.
Movidos pelo humanismo, os
marxistas-leninistas são partidários da via pacífica da revolução. As tarefas
fundamentais da revolução socialista são criadoras. Exigem a paz e a
conservação das forças produtivas da sociedade.
A vida da luta armada é uma via forçada
que surge nos casos em que as forças reaccionárias procuram esmagar a
revolução. A prática da luta
revolucionária da classe operária mostra que a via pacífica da tomada do poder
pode ser substituída pela luta armada em consequência da resistência
encarniçada da burguesia. Por exemplo, a
vitória pacífica da Frente Popular em Espanha, em 1936, provocou a resistência
feroz das forças reaccionárias
espanholas que, apoiadas pelos Estados fascistas : Alemanha e Itália , e
com o consentimento tácito da Inglaterra, França e EUA, desencadearam a guerra
civil que terminou com a vitória da reacção. Existem também outros exemplos.
Em Dezembro de 1970, no Chile, em
resultado do ascenso da luta revolucionária, as massas populares ganharam as
eleições e receberam alguns elementos importantes do poder de Estado. Três anos
existiu o poder popular (organismos governamentais representados pelo bloco da
Unidade Popular) e o poder da burguesia chilena que tinha a maioria no
parlamento e exercia todo o controle sobre a atividade dos órgãos judiciais. Em
Setembro de 1973 , em consequência da revolta das forças contra-revolucionárias
, a revolução foi derrotada. São lições
da revolução chilena : primeiro, confirmam a possibilidade da conquista
pacífica do poder pelo povo revolucionário ; segundo , mostram que não se deve utilizar
só os métodos de luta parlamentares, que é necessário utilizar todas as formas
de luta extraparlamentares possíveis em determinadas condições concretas ;
terceiro e principal , mostram que o poder revolucionário deve assegurar a
defesa das conquistas da revolução , ser consequente na repressão dos inimigos
da revolução , isolando-os da direção , estar preparado para os métodos de luta
armada que poderá impor o inimigo. Neste
caso, é necessário responder à força com a força no interesse do desenvolvimento
da revolução.
Independentemente da forma pacífica ou não
pacífica , a revolução desenvolve-se sempre de acordo com as leis objetivas
comuns das revoluções socialistas : a destruição necessária da máquina estatal
burguesa , a instauração da ditadura do proletariado , a unidade da classe
operária , o papel dirigente desta em relação ao seus aliados , etc.
Na concepção da via não pacífica da
revolução , lugar especial cabe à insurreição armada, ponto culminante da luta,
meio para vencer a resistência da burguesia e para a mudança radical da
correlação de forças na sociedade em favor da classe revolucionária.
V. I. Lénine ensinava que a atitude para
com a insurreição armada deve ser excepcionalmente séria, ensinava os operários
a preparar-se para ela minuciosamente , não perder de vista os diversos
fatores que influem no êxito da
insurreição.
Lénine lutava contra o aventureirismo que
nega a condicionalidade objetiva da luta armada, assim como contra o
oportunismo que nega esta luta como meio de conquista do poder. Os aventureiristas de todo gênero procuram
demonstrar que o êxito depende unicamente das qualidades volitivas dos
revolucionários e da sua arte tática.
Segundo eles, a insurreição não depende das circunstâncias objetivas.
Avançam a ideia da tomada repentina do poder.
Mas a tomada do poder não apoiada na vontade do povo e sem existir a
situação revolucionária conduz sempre à derrota. O marxismo ensina que a luta armada é necessária onde não há
condições para a tomada pacífica do poder.
É sempre necessária a presença de condições objetivas : situação
revolucionária , apoio da revolução pelas classes progressistas no país e pelos
proletários de outros países. O êxito da
revolução depende ainda do fator
subjetivo e da sua madureza. Na Rússia , os mencheviques tentavam
demonstrar que os sociais-democratas podem participar na insurreição armada do
povo mas não a podem preparar porque não são
“um partido de conspiradores”.
A posição dos bolcheviques era outra :
preparar a vitória só mediante a intensificação da agitação, sem criar ao mesmo
tempo uma organização para a preparação técnico-militar da insurreição,
significa conduzir o proletariado à
derrota. Quando a insurreição é posta na
ordem do dia ,é necessário um plano
exato de ação , a existência de armas, o saber manejá-las , a disciplina , a
organização das forças combativas da revolução , a coordenação das ações com as
unidades militares que apoiam a revolução , isto é , um conjunto de medidas
técnico-organizativas que assegurem o cumprimento de todas as etapas do plano.
Lénine advertia que o descuido é
inadmissível. É preciso ir até o fim, uma vez começada a insurreição
armada. Depois da derrota da insurreição
de Dezembro de 1905 na Rússia, os mencheviques diziam : “não se devia ter pegado em armas”. Lénine retorquiu : “Pelo contrário , o que era preciso era pegar em
armas mais decidida, enérgica e ofensivamente , o que era preciso era explicar
às massas a impossibilidade de uma greve puramente pacífica e a necessidade de
uma luta armada intrépida e implacável”.
A insurreição armada de Outubro de 1917
caracterizou-se pela escolha exata do lugar e do tempo, a elaboração das
operações de ofensiva , a direção política e militar da insurreição , a ordem
na realização do plano elaborado. A ação
revolucionária deve basear-se sempre no movimento das massas e ter o apoio do
povo.
Eis como V. I. Lénine formulou as regras
principais da insurreição armada:
1)Nunca jogar com a insurreição e, uma vez começada,
saber firmemente que é preciso ir até ao
final.
2) É necessário concentrar no
lugar decisivo, e no momento decisivo, uma
grande superioridade de forças , pois
de outro modo o inimigo, possuindo melhor preparação e organização, aniquilará
os insurrectos.
3) Uma vez começada a
insurreição , é preciso agir com a maior decisão
e passar obrigatória e incondicionalmente à ofensiva . “A defensiva é
a morte da insurreição armada”.
Na análise da revolução socialista, a sua
abordagem histórica concreta é importante princípio metodológico. A via
pacífica ou relativamente
“pacífica” do movimento
revolucionário, assim como a via das explosões súbitas da cólera popular só
podem conduzir aos resultados correspondentes às tarefas e aos objetivos da
revolução socialista , se asseguram a passagem do poder para os trabalhadores ,
criam o campo livre para o desenvolvimento das forças produtivas na base da
socialização da propriedade dos meios de produção , levantam as massas para as
atividades enérgicas , dando-lhes aos bens materiais e espirituais.
Os marxistas-leninistas sempre lutaram e
lutam contra o apego dogmático a umas ou outras formas de processo
revolucionário, assim como contra o revisionismo irrefletido. A revolução não
para a revolução – tal é a conclusão que permite avaliar corretamente os
objetivos e as tarefas do processo revolucionário mundial.

