Colégio
Estadual Miguel Couto
Disciplina:
Filosofia [2º Ano - E.M. Regular]
Profa –
Djane Bouças
Texto: Capítulo - DEMÓCRITO
...o brinquedo
mais genial do mundo...
Livro, O Mundo de Sofia
Páginas 57, 58, 59 e 60 – A TEORIA ATÔMICA
Que bom poder falar com você
novamente, Sofia! Hoje vou lhe contar
sobre o último grande filósofo da natureza. Ele se chamava Demócrito [c.460-370 a.C.] e era natural da cidade portuária de
Abdera, na costa norte do mar Egeu. Se você conseguiu responder à pergunta
sobre as peças de Lego, certamente não terá dificuldade para entender o projeto
deste filósofo.
Demócrito concordava com seus
antecessores num ponto: as transformações que se podiam observar na natureza
não significavam que algo realmente “se
transformava”. Ele presumiu, então, que todas as
coisas eram constituídas por uma infinidade de pedrinhas minúsculas,
invisíveis, cada uma delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas Demócrito deu o nome de átomos.
A palavra “átomo”
significa “indivisível”. Para Demócrito era muito importante estabelecer que as unidades
constituintes de todas as coisas não podiam ser divididas em unidades ainda
menores. Isto porque se os átomos também fossem
passíveis de desintegração e pudessem ser divididos em unidades ainda menores,
a natureza acabaria por se diluir
totalmente. Como uma sopa que vai ficando cada vez
mais rala.
Além disso, as “pedrinhas”
constituintes da natureza tinham que ser eternas, pois nada pode surgir do nada. Neste ponto, Demócrito concordava com Parmênides e com os eleatas. Para ele, os
átomos eram unidades firmes e sólidas. Só não podiam ser iguais, pois se todos os átomos fossem iguais não
haveria explicação para o fato de eles se combinarem, para formar de papoulas a
oliveiras, do pelo de um bode ao cabelo humano.
Demócrito achava que existia
na natureza uma infinidade de átomos diferentes: alguns arredondados e lisos,
outros irregulares e retorcidos. E precisamente porque suas formas eram
tão irregulares é que eles podiam ser combinados para dar origem a corpos os
mais diversos. Independentemente, porém, do número de
átomos e de sua diversidade, todos eles seriam eternos, imutáveis e
indivisíveis.
Se um corpo – por exemplo, de
uma árvore ou de um animal – morre e se decompõe, seus átomos se espalham e
podem ser reaproveitados para dar origem a outros corpos. Pois se é verdade que os átomos se movimentam no espaço, também é
verdade que eles possuem diferentes “ganchos”
e “engates” e podem ser
novamente reaproveitados na composição de outras coisas que vemos ao nosso
redor.
E agora acho que você não tem
mais dúvida sobre o que eu queria dizer com as peças de Lego, não é? Elas
possuem aproximadamente todas as características que Demócrito descreveu para
os átomos. E é exatamente por isso que se prestam
tão bem à construção de qualquer coisa. Em primeiro lugar, são indivisíveis. Em segundo, diferem entre si na forma e no tamanho, são compactas e
impermeáveis. Além disso, as peças de Lego possuem
ganchos e engates, por assim dizer, o que permite que sejam combinadas na
construção de todo tipo de figura. Tais ligações podem ser desfeitas para
que as mesmas peças possam ser reaproveitadas na construção de novos objetos.
Justamente por possibilitarem
seu reaproveitamento é que as peças Lego se tornaram tão populares. A mesma peça de Lego pode servir hoje para a construção de um carro,
amanhã para um castelo. Ainda por partcima, podemos
dizer que são “eternas”. As crianças de hoje podem brincar com
as mesmas pedras que fizeram a diversão de seus pais quando eles ainda eram
crianças.
É claro que também podemos
construir objetos de barro. Mas o barro nem sempre pode ser
reaproveitado, pois se desfaz em partes cada vez menores, até se reduzir a pó. E estas minúsculas partículas de
argila não podem ser reunidas para formar novos objetos.
Hoje em dia podemos dizer que a teoria atômica de
Demócrito estava quase perfeita. De fato, a natureza é composta de
diferentes átomos, que se ligam a outros para depois se separarem novamente. Um átomo de hidrogênio presente numa célula da pontinha do meu nariz
pode ter pertencido à tromba de um elefantes. Um átomo de carbono que está hoje no músculo do meu coração
provavelmente esteve um dia na cauda de um dinossauro.
Hoje em dia, porém, a ciência
descobriu que os átomos podem ser divididos em partículas ainda menores,
as “partículas elementares”. São elas os prótons, nêutrons e elétrons. E talvez estas partículas também possam ser divididas em outras,
menores ainda. Mas os físicos são unânimes em achar
que em alguma parte deve haver um limite para esta divisão. Deve haver as chamadas partículas mínimas, a partir das quais
toda a natureza se constrói.
Demócrito não teve acesso aos
aparelhos eletrônicos de nossa época. Na verdade, sua única ferramenta foi a
sua razão. Mas a razão não lhe deixou escolha. Se aceitamos que nada pode se transformar, que nada surge do nada e que
nada desaparece, então a natureza
simplesmente tem de ser composta por pecinhas minúsculas, que
se combinam e depois se separam.
Demócrito não acreditava
numa “força” ou numa “inteligência” que pudessem intervir nos processos
naturais. As únicas coisas que existem são os
átomos e o vácuo, dizia ele. E como ele só acreditava no “material”,
nós o chamamos de materialista.
Por detrás do movimento dos
átomos, portanto, não havia determinada “intenção”. Mas isto não significa que tudo o que acontece é um “acaso”, pois tudo
é regido pelas inalteráveis leis da natureza. Demócrito acreditava que tudo o que acontece tem uma causa natural; uma
causa que é inerente à própria coisa. Conta-se que ele teria dito que preferiria descobrir uma lei natural a
se tornar rei da Pérsia.
Para Demócrito, a teoria
atômica explicava também nossas percepções sensoriais. Quando percebemos alguma coisa, isto se deve ao movimento dos átomos no
espaço. Quando vejo a Lua, isto acontece
porque os “átomos da Lua” tocam os meus olhos.
Mas o que acontece com a consciência? Está aí uma coisa que não
pode ser composta de átomos, quer dizer, de “coisas” materiais, certo? Errado. Demócrito acreditava que a alma era composta por alguns átomos
particularmente arredondados e lisos, os
“átomos da alma”. Quando uma pessoa morre, os átomos de sua
alma espalham-se para todas as direções e podem se agregar a outra alma, no
momento mesmo em que esta é formada.
Isto significa que o homem
não possui uma alma imortal. E este
é um pensamento compartilhado por muitas pessoas em nossos dias. Como Demócrito, elas acreditam que a alma está intimamente relacionada
ao cérebro e que não podemos possuir qualquer forma de consciência quando o
cérebro deixa de funcionar e degenera.
Com sua teoria atômica,
Demócrito coloca um ponto final, pelo menos temporariamente, na filosofia
natural grega. Ele concorda com Heráclito em que tudo
“flui” na natureza, pois as formas vão e vêm. Por detrás de tudo o que flui, porém há algo de eterno e de imutável,
que não flui. A isto ele dá o nome de átomo.
Enquanto lia, Sofia olhava constantemente pela janela para ver se o
misterioso escritor daquelas páginas aparecia para colocar outra carta na caixa
de correio. Agora,
terminada a leitura, Sofia tinha os
olhos fixos em algum ponto da rua, mergulhada em pensamentos.
Ela achou o raciocínio de Demócrito ao mesmo tempo muito simples e
incrivelmente engenhoso. Ele tinha encontrado a solução para os
problemas do “elemento básico” e
das “transformações”. Esta questão era tão complicada que os filósofos tinham levado gerações
quebrando a cabeça com ela. No fim, Demócrito resolveu todo o
problema, usando para isto apenas a sua razão.
Sofia quase não conseguiu conter um sorriso. Tinha que ser verdade que a natureza era composta de
partículas minúsculas que nunca se modificavam. Ao mesmo tempo, Heráclito também tinha razão ao dizer que todas as
formas da natureza “fluem”. Isto porque todos os homens e todos os
bichos morrem, e até mesmo uma montanha vai se desintegrando aos poucos. O importante, porém, é que até esta montanha é composta de minúsculas
partes, indivisíveis, que nunca se desintegram.
Ao mesmo tempo, Demócrito colocou ainda outras questões para a reflexão. Por exemplo, ao dizer que tudo acontece mecanicamente. Ao contrário de Empédocles e Anaxágoras, ele não acreditava na
interferência de forças espirituais sobre a vida. Além disso, Demócrito não acreditava que o homem possuía uma alma
imortal.
Será que ela, Sofia, podia realmente dizer que Demócrito tinha razão?
Isto ela não sabia. Mas ela estava só no começo de seu
curso de filosofia
INFORMAÇÕES IMPORTANTES: Significados – O QUE É? Estimulando a
curiosidade
1)Química – [substantivo feminino]
ciência que estuda a estrutura das substâncias correlacionando-a com as
propriedades macroscópicas e investiga as transformações destas substâncias //
Química orgânica – parte da química que estuda os compostos que contém carbono. – Mini Dicionário
Aurélio, p 673
2) Físico – [adjetivo] 1. Relativo à física
ou às leis da natureza; [substantivo masculino] 2. As qualidades exteriores e materiais
do homem. 3. Compleição [1]. 4. Especialista em física. – Mini Dicionário
Aurélio, p 408
3) Fisicoquímica – [substantivo
feminino] Ciência que emprega métodos e informações da física e da química para
investigar as propriedades de sistemas, relacionando-as a sua estrutura e
constituição [Pl.: físico-químicas] – MD Aurélio, p 408
4) Inorgânico – [adjetivo] 1. Que não tem
órgãos; não orgânico. 2. Sem vida. - M.D. Aurélio – p480
5) Orgânico – [adjetivo] 1. Relativo a órgão,
organização ou a seres organizados.
2. Relativo a, ou
próprio do organismo [2]. 3. Relativo a, ou próprio da química
orgânica 4. Relativo a, ou derivado de organismos
vivos. 5. Relativo à agricultura e pecuário que
não usam pesticidas e fertilizantes sintéticos.
6. Fig. Que é natural ou inato, ou
profundamente arraigado, e não planejado ou imposto do exterior. - M.D. Aurélio – p 596
6)Substância – [substantivo feminino]
1. A parte real ou essencial de algo; 2. A natureza dum corpo; matéria ; 3. O que é
necessário à permanência material de uma coisa;
4. O que é
necessário à vida : substância; 5. Qualquer matéria
caracterizada por suas propriedades específicas. – Mini Dicionário Aurélio, p 753
7)Macroscópicas – [adjetivo] 1. Diz-se de
observação feita a olho nu; / visível a olho nu. – M.D.Aurélio; pg 528
8)Elemento – [substantivo masculino] 1. Aquilo que entra
na composição de alguma coisa. ; 2. Cada parte de um
todo.; 3. Ambiente, meio. ; 4.Aquilo que permite
formar um raciocínio, uma hipótese, etc; dado.
5. Quím. Substância que
não pode ser decomposta, mediante os processos químicos ordinários, em outras substâncias mais
simples; substância constituída por átomos com a mesma carga nuclear.
9) Molécula –[substantivo feminino] Fís-Quí. A menor porção duma substância capaz de
existência independente sem perder suas propriedades químicas. - M.D. Aurélio pág 561
10) Átomo – [substantivo masculino] Fís-Quim. Sistema energeticamente estável,
formado por um núcleo positivo que contém nêutrons e prótons, e cercado de
elétrons; a menor quantidade duma substância elementar que tem as propriedades
químicas de um elemento.
Atividade Avaliativa neste texto : Destacar as principais
partes do texto
Principais pontos [questões] do texto – continuação texto Héraclito e
Parmênides: -
*Demócrito também está interessado no problema da transformação colocado anteriormente por Heráclito e
Parmênides. Se para Heráclito as coisas [a natureza] vive
em constante transformação e tem como característica a contínua interação entre
os opostos [claro, escuro/ dia e noite por exemplo] e nada dura para sempre;
Parmênides ao usar sua razão afirma que “nada pode surgir do nada” e que não
podemos confiar nos sentidos somente na razão, e para ele uma coisa não poderia
se transformar em outra diferente, pois tudo “que existe sempre existiu”.
*Resposta de Demócrito para o problema da transformação – o átomo era a origem de tudo. As coisas eram
formadas por átomos, que são partículas invisíveis e indivisíveis, cada uma
delas eterna e imutável
*Demócrito acreditava que os átomos se
movimentavam no espaço e tinham formas ,
tamanhos diferentes e que justamente por isso eles poderiam combinar-se e dar origem a novos e diferentes corpos, assim como serem
reaproveitados.
*Teoria Atômica de Demócrito é quase
perfeita, pois de fato a natureza é
composta por diferentes átomos, que se ligam a outros para depois se separarem
novamente. Pois bem , “se ligam”, poderíamos deduzir que
estamos falando de ligações químicas [Química – uma das ciências da natureza
*O Materialismo em Demócrito