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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Movimento contra a liberdade de imprensa

Matéria Movimento contra a liberdade de imprensa – Jornal O Globo 25.2.2015,  opinião p.19
João Ricardo Moderno

     O desprezo pela liberdade de imprensa e de expressão cresce nos políticos radicais brasileiros; e , no Facebook, valendo-se da liberdade da internet, militantes engrossam a voz contra a mídia. O sonho totalitário é tornar a grande imprensa brasileira de timbre estatal, buscando a “harmonia” ditatorial.  Assim, jamais teríamos reportagens estarrecedoras sobre a progressiva e interminável cultura da corrupção, do furto aberto ao dinheiro público e a desavergonhada sucessão de crimes, em uma escalada reconhecida por especialistas como talvez a maior da história da humanidade

     Contudo, nada parece abalar a convicção que a preservação e a expansão política e demográfica do homo corruptus depende da destruição da liberdade. Em latim, corrumpere significa destruir. Assim, corromper a liberdade é a garantia quase constitucional de expandir a corrupção do dinheiro público. O mantra liberticida faz alusão ao  “controle social da mídia” ou “regulamentação da mídia” , eufemismo para a repressão. Controle social da mídia faz o consumidor, que escolhe livremente seus veículos de comunicação.  Os trabalhadores dos meios de comunicação de massa são oriundos dos mais diversos estados da federação, das mais diferentes origens sociais, econômicas , ideológicas, culturais e políticas.

     A guerra de posição gramsciana contra a liberdade de imprensa já começou por meios econômicos, políticos, psicossociais e culturais. Quanto mais são divulgados, os malfeitos criminosos, maior o movimento contra a imprensa livre. O “crime” da  mídia brasileira é publicar as maiores barbaridades perpetradas contra o Brasil. A chamada revolução bolivariana na América Latina tem especial objetivo calar a liberdade para implantar uma imprensa subserviente, obediente, corrupta, chapa-branca e autoritária. A liberdade de expressão é a pedra no sapato dos totalitarismos. Por isso, todos os países do eixo-bolivariano formam um bloco unido contra a crítica da imprensa.

     A guerra contra a mídia atinge diretamente a liberdade da arte, da cultura, da ciência, da religião, da economia, da política, do esporte e demais atividades humanas. O fanatismo ideológico associado ao furor da paixão pelo crime financeiro, o materialismo mais hediondo da adoração ao bezerro de ouro e uma vontade patológica de poder se associam para condenar os mais elevados valores e princípios do Estado Democrático de Direito. É nosso dever, pois, defender a liberdade de imprensa e de expressão de toda tentativa de repressão  autoritária, e de todas as agressões explícitas ou dissimuladas. Mais vale corrigir alguns excessos inerentes à democracia que aprovar a exceção do fim da liberdade no Brasil. Democracia é contradição.


Autor- João Ricardo Moderno é presidente da Academia Brasileira de Filosofia.


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