QUANDO ME AMEI DE VERDADE
Kim McMillen & Alison McMillen
Editora Sextante
Introdução
Durante muitos anos, vivi de forma cautelosa e defendida. Eu não sabia
como ter amor e compaixão por mim mesma. Quando fiz quarenta anos, isso começou
a mudar.
Quando comecei a amar tudo o que sou, a vida se transformou, abrindo-se
em lindos e misteriosos caminhos. Meu coração ficou mais leve e eu passei a ver
as coisas de forma diferente.
Fui me comprometendo cada vez mais a seguir esse chamado interior, e
percebi a presença constante de uma inteligência divina que guiava minha vida.
Dou a essa inteligência o nome de graça, sempre disponível para todos nós.
Nos últimos doze anos, fui aprendendo a reconhecer e a aceitar esse
verdadeiro presente. Cultivar o amor e a compaixão por mim mesma tornou isso
possível.
As etapas que vou descrever são minhas. As suas podem ser diferentes,
mas espero, de todo o coração, que as minhas despertem em você essa ânsia que
existe em todos nós.
Quando
me amei de verdade ,
deixei de me contentar com pouca coisa.
Quando
me amei de verdade,
tomei contato com a minha própria
bondade.
Quando
me amei de verdade,
comecei a valorizar o dom da vida com a
maior gratidão.
Quando
me amei de verdade,
pude compreender que, em qualquer
circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então, pude relaxar.
Quando
me amei de verdade,
consegui moderar meu ritmo e minha
pressa.
E isso fez uma enorme diferença na minha
vida.
Quando
me amei de verdade,
comprei o colchão de penas que desejava
havia anos.
Quando
me amei de verdade,
aprendi a gostar de estar sozinha,
rodeada pelo silêncio, usufruindo sua magia, prestando atenção ao meu espaço
interior.
Quando
me amei de verdade,
percebi que posso não ser uma pessoa
especial, mas que sou única.
Quando
me amei de verdade,
reformulei meu conceito de sucesso e a
vida ficou mais simples.
Ah, quanto prazer isso me trouxe!
Quando
me amei de verdade,
entendi que sou digna de conhecer Deus
diretamente.
Quando
me amei de verdade,
comecei a ver que eu não tinha de sair em
busca da vida.
Se eu ficar quieta e parada, a vida vem
até a mim.
deixei de achar que a vida é dura.
Quando
me amei de verdade,
pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que
estou indo contra a minha vontade.
Quando
me amei de verdade,
deixei a menina levada dentro de mim
pular do último trampolim da piscina.
Quando
me amei de verdade,
aprendi a satisfazer meus desejos, sem
achar que era egoísmo.
Quando
me amei de verdade,
partes minhas que eu ignorava desistiram
de disputar minha atenção.
Foi o início da paz interior. Comecei
então a ver tudo mais claro.
Quando
me amei de verdade,
comecei a perceber que os desejos do
coração acabam se realizando e passei a ter mais calma e paciência, exceto
quando esqueço disso.
Quando
me amei de verdade,
desisti de ignorar ou de suportar meu
sofrimento.
Quando
me amei de verdade,
meu coração se encheu de tanta ternura
que pôde acolher tanto a alegria quanto a tristeza.
comecei a meditar diariamente, e descobri
que este é um ato de profundo amor por mim mesma.
Quando
me amei de verdade,
passei a me sentir como um presente para
o universo e comecei a colecionar lindos laços de fita. Eles ficavam pendurados
na parede do meu quarto, para me
lembrar.
Quando
me amei de verdade,
sempre que fico ansiosa, zangada,
inquieta ou triste, pergunto a mim mesma: “Quem, dentro de mim está se sentindo
assim? Se eu escutar com paciência, descubro quem é que precisa do meu amor.
Quando
me amei de verdade,
deixei de precisar das coisas e das
pessoas para me sentir segura.
Quando
me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida fosse
diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu
crescimento.
Quando
me amei de verdade,
comecei a entender a complexidade , o
mistério e a vastidão da minha alma. Que tolice pensar que posso conhecer o
sentido da vida de alguém!
Quando
me amei de verdade,
desisti de projetar nos outros as minhas
forças e fraquezas, e guardei-as comigo.
Quando
me amei de verdade,
Comecei a perceber uma presença divina
dentro de mim e a ouvir sua orientação.
Estou aprendendo a confiar e a viver de
acordo com ela.
Quando
me amei de verdade,
desisti de ficar exausta por me empenhar
tanto.
Quando
me amei de verdade,
Comecei a sentir uma comunidade dentro de
mim.
Essa equipe interna, com múltiplos
talentos e características próprias, é a minha força e o meu potencial.
Fazemos reuniões de equipe.
Quando
me amei de verdade,
parei de me culpar pelas escolhas que fiz
e que me faziam sentir segura.
Passei a me responsabilizar por elas.
Quando
me amei de verdade,
comecei a perceber como é ofensivo tentar
forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado – inclusive eu
mesma.
Quando
me amei de verdade,
passei a caminhar todos os dias, a usar a
escada em vez do elevador e a escolher sempre o caminho mais bonito.
Quando
me amei de verdade,
passei a ser a minha própria autoridade,
ouvindo apenas a sabedoria do meu coração.
É assim que Deus fala comigo.
Isso é o que se chama intuição.
Quando
me amei de verdade,
comecei a sentir um grande alívio.
Quando
me amei de verdade,
o meu lado impulsivo aprendeu a esperar
pelo momento certo.
Então me tornei lúcida e corajosa
Quando
me amei de verdade,
passei a aceitar o inaceitável.
Quando
me amei de verdade,
comecei a ver que o meu ego é parte da
minha alma.
Ao perceber isso, meu ego perdeu sua
estridência e paranóia e pôde me servir melhor.
Quando
me amei de verdade,
passei a acordar muitas vezes no meio da
noite ouvindo música dentro de mim.
Quando
me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo que não fosse
saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e hábitos – qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando
me amei de verdade,
deixei o perfeccionismo de lado – esse
carrasco da alegria.
Quando
me amei de verdade,
consegui falar a verdade sobre meus
talentos e minhas limitações.
Quando
me amei de verdade,
deixei de atender o telefone quando não
estava com vontade de conversar.
Quando
me amei de verdade,
não fiquei tão preocupada em perdoar os
outros.
Quando
me amei de verdade,
consegui ter consciência, nos períodos de
confusões, disputas ou desgostos, de que essas coisas também fazem parte de mim
e merecem o meu amor.
Quando
me amei de verdade,
permiti que meu coração se abrisse
por inteiro e entendesse
o sofrimento do mundo.
Quando
me amei de verdade,
comecei a recolher o lixo na rua.
Quando
me amei de verdade,
consegui perceber Deus dentro
de mim e ver Deus nos outros.
Isso nos torna divinos!
Você consegue fazer isso?
Quando
me amei de verdade,
comecei a escrever sobre o que
eu vivia e o que eu pensava,
porque compreendi que era meu
direito e minha responsabilidade.
passei a saber qual era o meu
objetivo e a me afastar suavemente
das distrações.
Quando
me amei de verdade,
vi que tudo aquilo a que eu
resistia persistia. Igual a uma
criança pequena dando puxões
na minha saia. Hoje, quando
a resistência fica me puxando,
eu olho para ela e afasto-a
gentilmente.
Quando
me amei de verdade,
aprendi a dizer não quando quero
e a dizer sim quando quero.
Quando
me amei de verdade,
procurei me manter neutra,
sem classificar as coisas de
certas ou erradas.
No início, chamei isso
de indiferença; hoje percebo
que a neutralidade nos faz ver
tudo com mais clareza.
Quando
me amei de verdade,
passei a encontrar um prazer
cada vez maior na solidão
e a usufruir a inexplicável
e profunda satisfação que sua
companhia traz.
Quando
me amei de verdade,
pude perceber como a vida
é divertida, como eu sou
divertida e como os outros
podem ser divertidos.
Quando
me amei de verdade,
confessei serenamente minha
coragem e meu medo, minha
ingenuidade e minha sabedoria,
e arranjei um lugarzinho para
cada um em volta da minha mesa.
Quando
me amei de verdade,
comecei a fazer massagem pelo
menos uma vez por mês.
Quando
me amei de verdade,
percebi que nunca estou só.
Quando
me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando
me amei de verdade,
parei de tentar impressionar
meu irmão.
desisti de tentar me livrar das
vozes críticas da minha cabeça.
Hoje digo assim: “obrigada pela
sua opinião”, e elas se consideram
ouvidas. Fim de discussão.
Quando
me amei de verdade,
deixei a parte de mim que ainda
sente falta do meu ex ficar triste,
em vez de tentar fazê-la desistir
de amá-lo.
Quando
me amei de verdade,
comecei a comprar deliciosas
tortas de chocolate para
a adolescente que existe
Em mim e que as adora.
Mas só de vez em quando.
Com baba-de-moça.
Quando
me amei de verdade,
perdi o medo de dizer o que
penso porque percebi como
é bom fazer isso.
Quando
me amei de verdade,
passei a derramar meus
sentimentos nos meus diários. Esses
parceiros adoráveis
falam a minha língua.
Não precisam de tradução.
parei de procurar “especialistas”
e comecei a viver a minha vida.
Quando
me amei de verdade,
descobri as lições que minha raiva
me dá sobre responsabilidade, e a
minha arrogância, sobre
humildade. Agora ouço as duas com
muita atenção.
Quando
me amei de verdade,
comecei a comer alimentos orgânicos
(menos aquela deliciosa torta de
chocolate. De vez em quando,
é claro).
Quando
me amei de verdade,
consegui relaxar quando
invadida por ondas de
racionalidade e de desespero.
Quando
me amei de verdade,
fui capaz de me dar
de presente um corte de cabelo num
supercabeleireiro e sair
felicíssima do salão.
Quando
me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão, e
com isso errei muito menos vezes.
aprendi a chorar as dores da
vida no momento em que elas
acontecem, em vez de
sobrecarregar meu coração
arrastando-as por aí.
Quando
me amei de verdade,
perdoei-me todas as vezes
em que me acusei e me critiquei.
Quando
me amei de verdade,
senti uma grande paz dentro de mim.
Foi bom. Muito bom.
Quando
me amei de verdade,
comecei a ouvir a sabedoria do
meu corpo. Ele fala claramente
através do cansaço, das sensações,
das antipatias e dos desejos.
Quando
me amei de verdade,
deixei de ter medo do medo.
desisti de ficar revivendo o passado e
de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
percebi que minha mente pode
me atormentar e me decepcionar.
mas quando eu a coloco a serviço
do meu coração, ela se torna uma
grande e valiosa aliada.


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