Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


QUANDO ME AMEI DE VERDADE

Kim McMillen & Alison McMillen

Editora Sextante


                         Introdução

     Durante muitos anos, vivi de forma cautelosa e defendida. Eu não sabia como ter amor e compaixão por mim mesma. Quando fiz quarenta anos, isso começou a mudar.
     Quando comecei a amar tudo o que sou, a vida se transformou, abrindo-se em lindos e misteriosos caminhos. Meu coração ficou mais leve e eu passei a ver as coisas de forma diferente.
     Fui me comprometendo cada vez mais a seguir esse chamado interior, e percebi a presença constante de uma inteligência divina que guiava minha vida. Dou a essa inteligência o nome de graça, sempre disponível para todos nós.
     Nos últimos doze anos, fui aprendendo a reconhecer e a aceitar esse verdadeiro presente. Cultivar o amor e a compaixão por mim mesma tornou isso possível.
     As etapas que vou descrever são minhas. As suas podem ser diferentes, mas espero, de todo o coração, que as minhas despertem em você essa ânsia que existe em todos nós.


Quando me amei de verdade ,
deixei de me contentar com pouca coisa.

Quando me amei de verdade,
tomei contato com a minha própria bondade.

Quando me amei de verdade,
comecei a valorizar o dom da vida com a maior gratidão.

Quando me amei de verdade,
pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então, pude relaxar.

Quando me amei de verdade,
consegui moderar meu ritmo e minha pressa.
E isso fez uma enorme diferença na minha vida.

Quando me amei de verdade,
comprei o colchão de penas que desejava havia anos.

Quando me amei de verdade,
aprendi a gostar de estar sozinha, rodeada pelo silêncio, usufruindo sua magia, prestando atenção ao meu espaço interior.

Quando me amei de verdade,
percebi que posso não ser uma pessoa especial, mas que sou única.

Quando me amei de verdade,
reformulei meu conceito de sucesso e a vida ficou mais simples.
Ah, quanto prazer isso me trouxe!

Quando me amei de verdade,
entendi que sou digna de conhecer Deus diretamente.

Quando me amei de verdade,
comecei a ver que eu não tinha de sair em busca da vida.
Se eu ficar quieta e parada, a vida vem até a mim.

 Quando me amei de verdade,
deixei de achar que a vida é dura.

Quando me amei de verdade,
pude perceber  que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha vontade.

Quando me amei de verdade,
deixei a menina levada dentro de mim pular do último trampolim da piscina.

Quando me amei de verdade,
aprendi a satisfazer meus desejos, sem achar que era egoísmo.

Quando me amei de verdade,
partes minhas que eu ignorava desistiram de disputar minha atenção.
Foi o início da paz interior. Comecei então a ver tudo mais claro.

Quando me amei de verdade,
comecei a perceber que os desejos do coração acabam se realizando e passei a ter mais calma e paciência, exceto quando esqueço disso.

Quando me amei de verdade,
desisti de ignorar ou de suportar meu sofrimento.

Quando me amei de verdade,
meu coração se encheu de tanta ternura que pôde acolher tanto a alegria quanto a tristeza.

 Quando me amei de verdade,
comecei a meditar diariamente, e descobri que este é um ato de profundo amor por mim mesma.

Quando me amei de verdade,
passei a me sentir como um presente para o universo e comecei a colecionar lindos laços de fita. Eles ficavam pendurados na parede do meu quarto,  para me lembrar.

Quando me amei de verdade,
sempre que fico ansiosa, zangada, inquieta ou triste, pergunto a mim mesma: “Quem, dentro de mim está se sentindo assim? Se eu escutar com paciência, descubro quem é que precisa do meu amor.

Quando me amei de verdade,
deixei de precisar das coisas e das pessoas para me sentir segura.

Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade,
comecei a entender a complexidade , o mistério e a vastidão da minha alma. Que tolice pensar que posso conhecer o sentido da vida de alguém!

Quando me amei de verdade,
desisti de projetar nos outros as minhas forças e fraquezas, e guardei-as comigo.


Quando me amei de verdade,
Comecei a perceber uma presença divina dentro de mim e a ouvir sua orientação.
Estou aprendendo a confiar e a viver de acordo com ela.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar exausta por me empenhar tanto.

Quando me amei de verdade,
Comecei a sentir uma comunidade dentro de mim.
Essa equipe interna, com múltiplos talentos e características próprias, é a minha força e o meu potencial.
Fazemos reuniões de equipe.

Quando me amei de verdade,
parei de me culpar pelas escolhas que fiz e que me faziam sentir segura.
Passei a me responsabilizar por elas.

Quando me amei  de verdade,
comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado – inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade,
passei a caminhar todos os dias, a usar a escada em vez do elevador e a escolher sempre o caminho mais bonito.

Quando me amei de verdade,
passei a ser a minha própria autoridade, ouvindo apenas a sabedoria do meu coração.
É assim que Deus fala comigo.
Isso é o que se chama intuição.

Quando me amei de verdade,
comecei a sentir um grande alívio.

Quando me amei de verdade,
o meu lado impulsivo aprendeu a esperar pelo momento certo.
Então me tornei lúcida e corajosa

Quando me amei de verdade,
passei a aceitar o inaceitável.

Quando me amei de verdade,
comecei a ver que o meu ego é parte da minha alma.
Ao perceber isso, meu ego perdeu sua estridência e paranóia e pôde me servir melhor.

Quando me amei de verdade,
passei a acordar muitas vezes no meio da noite ouvindo música dentro de mim.

Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e hábitos – qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
deixei o perfeccionismo de lado – esse carrasco da alegria.

Quando me amei de verdade,
consegui falar a verdade sobre meus talentos e minhas limitações.

Quando me amei de verdade,
deixei de atender o telefone quando não estava com vontade de conversar.

Quando me amei de verdade,
não fiquei tão preocupada em perdoar os outros.

Quando me amei de verdade,
consegui ter consciência, nos períodos de confusões, disputas ou desgostos, de que essas coisas também fazem parte de mim e merecem o meu amor.

Quando me amei de verdade,
permiti que meu coração se abrisse
por inteiro e entendesse
o sofrimento do mundo.

Quando me amei de verdade,
comecei a recolher o lixo na rua.

Quando me amei de verdade,
consegui perceber Deus dentro
de mim e ver Deus nos outros.
Isso nos torna divinos!
Você consegue fazer isso?

Quando me amei de verdade,
comecei a escrever sobre o que
eu vivia e o que eu pensava,
porque compreendi que era meu
direito e minha responsabilidade.

 Quando me amei de verdade,
passei a saber qual era o meu
objetivo e a me afastar suavemente
das distrações.

Quando me amei de verdade,
vi que tudo aquilo a que eu
resistia persistia. Igual a uma
criança pequena dando puxões
na minha saia. Hoje, quando
a resistência fica me puxando,
eu olho para ela e afasto-a
gentilmente.

Quando me amei de verdade,
aprendi a dizer não quando quero
e a dizer sim quando quero.

Quando me amei de verdade,
procurei me manter neutra,
sem classificar as coisas de
certas ou erradas.
No início, chamei isso
de indiferença; hoje percebo
que a neutralidade nos faz ver
tudo com mais clareza.

Quando me amei de verdade,
passei a encontrar um prazer
cada vez maior na solidão
e a usufruir a inexplicável
e profunda satisfação que sua
companhia traz.

Quando me amei de verdade,
pude perceber como a vida
é divertida, como eu sou
divertida e como os outros
podem ser divertidos.

Quando me amei de verdade,
confessei serenamente minha
coragem e meu medo, minha
ingenuidade e minha sabedoria,
e arranjei um lugarzinho para
cada um em volta da minha mesa.

Quando me amei de verdade,
comecei a fazer massagem pelo
menos uma vez por mês.

Quando me amei de verdade,
percebi que nunca estou só.

Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade,
parei de tentar impressionar
meu irmão.

 Quando me amei de verdade,
desisti de tentar me livrar das
vozes críticas da minha cabeça.
Hoje digo assim: “obrigada pela
sua opinião”, e elas se consideram
ouvidas. Fim de discussão.

Quando me amei de verdade,
deixei a parte de mim que ainda
sente falta do meu ex ficar triste,
em vez de tentar fazê-la desistir
de amá-lo.

Quando me amei de verdade,
comecei a comprar deliciosas
tortas de chocolate para
a adolescente que existe
Em mim e que as adora.
Mas só de vez em quando.
Com baba-de-moça.

Quando me amei de verdade,
perdi o medo de dizer o que
penso porque percebi como
é bom fazer isso.

Quando me amei de verdade,
passei a derramar meus
sentimentos nos meus diários. Esses
parceiros adoráveis
falam a minha língua.
Não precisam de tradução.

 Quando me amei de verdade,
parei de procurar “especialistas”
e comecei a viver a minha vida.

Quando me amei de verdade,
descobri as lições que minha raiva
me dá sobre responsabilidade,  e a
minha arrogância, sobre
humildade. Agora ouço as duas com
muita atenção.

Quando me amei de verdade,
comecei a comer alimentos orgânicos
(menos aquela deliciosa torta de
chocolate. De vez em quando,
é claro).

Quando me amei de verdade,
consegui relaxar quando
invadida por ondas de
racionalidade e de desespero.

Quando me amei de verdade,
fui capaz de me dar
de presente um corte de cabelo num
supercabeleireiro e sair
felicíssima do salão.

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão, e
com isso errei muito menos vezes.

 Quando me amei de verdade,
aprendi a chorar as dores da
vida no momento em que elas
acontecem, em vez de
sobrecarregar meu coração
arrastando-as por aí.

Quando me amei de verdade,
perdoei-me todas as vezes
em que me acusei e me critiquei.

Quando me amei de verdade,
senti uma grande paz dentro de mim.
Foi bom. Muito bom.

Quando me amei de verdade,
comecei a ouvir a sabedoria do
meu corpo. Ele fala claramente
através do cansaço, das sensações,
das antipatias e dos desejos.

Quando me amei de verdade,
deixei de ter medo do medo.

 Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado e
de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.

 Quando me amei de verdade,
percebi que minha mente pode
me atormentar e me decepcionar.
mas quando eu a coloco a serviço
do meu coração, ela se torna uma
grande e valiosa aliada.



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