Texto – Fique na sua – fique nos seus limites (pág 118)
Livro da Arte de Viver
Autor Anselm Grun
Editora Vozes
“Quem
quer achar defeitos, até mesmo no paraíso os encontrará” (Henry Thoreau).
Há pessoas que encontram cabelo em toda sopa que tomam. Acham defeitos
até mesmo no paraíso. Também ali encontram algo para criticar. A pergunta é:
donde vem esta atitude? Devem ser pessoas profundamente insatisfeitas consigo
mesmas. E pelo fato de não estarem satisfeitas consigo mesmas, nada pode
satisfazê-las. Quando alguém admira e louva alguma coisa aflora nelas a inveja.
Precisam destruir aquilo que a pessoa admira e aprecia. Nada há que possa
satisfazê-las, nem uma pessoa e nem Deus, nem o céu e nem o inferno, nem o paraíso
e nem o dia comum. Em tudo criticam alguma coisa. Junto a pessoas assim é
complicado viver. Elas têm uma compulsão de puxar para baixo também os outros
que com elas convivem. Espalham uma atmosfera de insatisfação, mau-humor,
amargura e discórdia.
Em
relação a pessoas assim só nos resta fechar-nos em nós mesmos e proteger nossa
alma, para não sermos contaminados pela febre da discórdia. Se eu me fechar
contra essas pessoas, não as julgo. Deixo-as ser como são: “Você pode ser como
é. Você pode ver o mundo como o vê. Mas eu me recuso a aceitar o seu modo de
ver. Também renuncio a querer convencê-lo do contrário. Pois sei que será um
empreendimento sem fim, e eu nada vou conseguir. Eu o deixo na sua. Mas eu
também fico na minha e com a minha visão das coisas”.


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