Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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domingo, 27 de novembro de 2022

Leitura Livros - recortes e anotações - O Sentido da Vida

 Livro – O Sentido da Vida

Viktor Frankl

 

Frases para reflexão:

 

“A vontade de humor é a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada, constitui um truque útil para a arte de viver.” – p. 62

 

“Sempre e em toda parte, a pessoa está colocada diante da decisão de transformar sua situação de mero sofrimento numa realização interior de valores. Tomemos o caso dos doentes, particularmente os incuráveis.” -p 91

 

“A emoção que é sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que dela formamos uma ideia clara e nítida.” – frase de Espinosa ; p. 98

 

“Quem tem por que viver aguenta quase todo como.” – frase de Nietzsche

p.

 

“Viver não significa outra coisa se não arcar com a responsabilidade de responder adequadamente às perguntas da vida, pelo cumprimento das tarefas colocadas pela vida a cada individuo, pelo cumprimento da exigência do momento.” – p. 102

 

“Em cada situação é chamada a assumir outra atitude.” – p. 102

 

 

=Observações:

1)Qual  e o sentido do sofrimento e da morte?

2)O que a vida espera de nós? – se trata de fazer uma Revolução Copernicana

A revolução Copernicana constituiu-se no processo histórico que redundou na substituição do sistema geocêntrico pelo sistema heliocêntrico, inclusive no que diz respeito às profundas consequências acarretadas por essa substituição para a história da humanidade. Wikipédia

(**)

3)Vital – questão de sobrevivência = relações existentes entre estado emocional de uma pessoa e as condições de imunidade do organismo. – p.  100

 

(**) sem sol (luz) não há vida – terra um dos planetas do sistema solar, acho que o 3º planeta // - heliocentrismo - postula que o Sol está parado e que é a Terra que faz um movimento de rotação completa em torno de seu próprio eixo no decurso de 24 horas ; translação completa da Terra em torno do Sol no decurso de 365 dias que, como sabemos, constitui-se no próprio fundamento do sistema heliocêntrico

Essa pergunta lembra outra colocação feita pelo ex-presidente americano JK, “não pergunte o que país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo país.”

 

“Esse fato de cada indivíduo não pode ser substituído nem representado por outro é no entanto aquilo que, levado ao nível da consciência, ilumina em toda a sua grandeza a responsabilidade do ser humano por sua vida e pela continuidade da vida.” – pg 105

 

“O efeito direto do ser exemplo sempre é maior do que o efeito das palavras.” – pg 105

 

 

=Logoterapia – pgs 145 a 151

 

“...”o desejo é o pai do pensamento” para “a angústia é a mãe do evento.” -pg 146

 

“A logoterapia baseia sua técnica denominada “intenção paradoxal” no fato duplo de que o medo produz aquilo de que temos medo e de que a intenção excessiva impossibilita o que desejamos. Em alemão, descrevi a técnica da intenção paradoxal já em 1939. Nessa abordagem, o paciente que sofre de fobia é convidado a intencionar precisamente que teme, mesmo que apenas por um momento.” – pg 147

 

“O leitor perceberá que esse procedimento consiste numa inversão da atitude do paciente, uma vez que seu temor é substituído por um desejo paradoxal. Através desse tratamento, tira-se o vento das velas da ansiedade.

Semelhante procedimento, entretanto, precisa fazer uso da capacidade especificamente humana do autodistanciamento, inerente ao senso de humor. Essa capacidade básica da pessoa distanciar-se de si mesma entra em ação sempre que se aplica a técnica logoterápica chamada “intenção paradoxal”. Ao mesmo tempo, o paciente é capacitado a se colocar numa posição distanciada de sua própria neurose. Há uma afirmação coerente neurótico que aprende a rir de si mesmo pode estar a caminho da autodireção, talvez da cura”. A intenção paradoxal é a validação empírica e aplicação clínica da afirmação de Allport.” – pp 146 e 147

 

“Quanto à real causa das neuroses, fora os elementos constitucionais de natureza somática ou psíquica, mecanismos retroalimentadores, como ansiedade antecipatória, parecem constituir importante fator patogênico. Um dado sintoma ocasiona a fobia; a fobia provoca o sintoma; e o sintoma, por sua vez, reforça a fobia. Uma cadeia como essa pode ser observada em casos obsessivo-compulsivos, nos quais o paciente combate as ideias que o perseguem. Desta forma, porem , ele aumenta o poder que elas têm de perturba-lo, uma vez que pressão provoca contrapressão, e mais uma vez é reforçado o sintoma! Por outro lado, assim que o paciente para de combater suas obsessões, procurando ridiculariza-las, tratando-as com atitude irônica, aplicando a intenção paradoxal, interrompe-se o círculo vicioso, o sintoma diminui e acaba atrofiando. Nos felizes casos em que não houver um vazio existencial propiciando o sintoma e convidando-o a se instalar, o paciente não só conseguirá ridicularizar seu medo neurótico, mas, por fim, conseguirá ignorá-lo completamente.

Estamos vendo que a ansiedade antecipatória precisa ser combatida através da intenção paradoxal; à hiperintenção bem como à hiper-reflexão, é preciso opor a derreflexão; a derreflexão, em última análise, não é possível a não ser através de uma orientação do paciente para a sua vocação e missão específica na vida.

Não é a preocupação do neurótico consigo mesmo, seja ela de comiseração ou de desprezo, que vai romper o círculo vicioso; a chave para a cura é a autotranscendência!” – pp 150 e 151

 

 

Pontos chaves para reflexão:

 

“Antes de mais nada, há um perigo inerente na doutrina do “nada mais que” aplicado à pessoa; teoria de que o ser humano é “nada mais que” o resultado de  condicionantes biológicos, psicológicos e sociológicos, ou produto da hereditariedade e do meio ambiente. Semelhante visão do ser humano faz o neurótico acreditar no que ele já tende a pensar de qualquer forma, a saber, que é um fantoche, vítima de influências externas ou circunstâncias internas. Esse fatalismo neurótico é fomentado e reforçado por uma psicoterapia que nega liberdade à pessoa. (*)

Sem dúvida, o ser humano é um ser finito e sua liberdade é restrita. Não se trata de estar livre de fatores condicionantes, mas sim da liberdade de tomar uma posição frente aos condicionamentos. Como eu disse certa vez: “Sendo professor em dois campos, neurologia e psiquiatria, sou plenamente consciente de até que ponto o ser humano está sujeito às condições biológicas, psicológicas e sociológicas. Mas além de ser professor nessas duas áreas sou sobrevivente de quatro campos – campos de concentração – e como tal também sou testemunha da surpreendente capacidade humana de desafiar e vencer até as piores condições concebíveis.” (**)

(*)Eu – onde está a nossa liberdade?

(**) – Eu também me considero uma sobrevivente, sobrevivente de 7 surtos psicóticos o último, o 8 – fiquei pelada de bunda para cima...e fui filmada, olha que lindo. Ela filmou a prova contra ela.... e agora coloca uma câmera na casa dela, torcendo para que eu tenha outro. É muito ordinária mesmo. To rindo a toa daquela narcisista, meu silêncio minha busca pela sabedoria. Só tenho pena.... Tadinha é muito limitada , narcisismo emburrece porque a pessoa perde a capacidade de refletir sobre si mesma. Vive de aparência e esquece o mais importante, a essência. Quem ela é? Uma vida vazia, sem sentido que resolveu virar meu encosto... nunca vai ser alguém. Enquanto isso vou recheando minha alma, só no silêncio, assim como a natureza, pássaros quando voam não fazem barulho....   a liberdade tem que ter responsabilidade... pena que as pessoas ainda não entenderam isso confundiram com libertinagem e ficaram escravas de um sexo vazio....qualquer coisa satisfaz. Vale qualquer merda... – deixaram limitar-se pelos condicionantes – se todo mundo faz....  todos vazios, todos gados.

Better apart... do que na mediocridade.

Imagina que vou me igualar aquela merda – só porque tem peitão e bundão e deve ser gostosa pra caralho... – só isso?  Qualquer travesti tem bundão e peitão... e um pirocão – e aí... Esse é o nosso mundo hoje. Se é isso prefiro ficar apart... Ainda não encontrei um amante de verdade... – não quero libertinagem, liberdade sempre com responsabilidade, sou adulta e assumo as consequencias pelo que faço, não sou como ela... Sou mulher de verdade. Não uma covarde narcisista, limitada. Sou professora e tá na cara que é uma invejosa... problema é dela, vai ter que me engolir porque não vou mudar, kkkk. Vou me aprimorar, desenvolvendo meu lado sombra e rindo de mim mesma – vou ficar uma velha e louca. – Viva a logoterapia.

Cada um que busque seu caminho.

Sou bipolar com muito orgulho. Sobrevivente  de 8 surtos psicóticos e campanha de difamação de uma narcisista perversa.  Quanto mais falar melhor... tá todo mundo vendo. Quem se esconde é ela!!

Não tenho culpa se o brasileiro despreza o conhecimento e ridiculariza quem busca o auto conhecimento e abre mão de certos condicionantes. E não ama a Filosofia. Acha coisa inútil.

Só lamento... livros também são perigosos

Ler é um ato revolucionário...

Afeto é um ato revolucionário

Amor aos livros então nem se fala...

Plante seu jardim e decore sua alma

Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...

Ódio divide

Amor une, soma

Amor liberta

Ódio acorrenta e mata

Outro ponto chave para reflexão:

 

“Parece-me, entretanto, que existe um pressuposto ainda mais errôneo e perigoso, que eu chamo de “pandeterminismo”. Refiro-me à visão do ser humano que descarta sua capacidade de tomar uma posição frente a condicionantes, quaisquer que sejam. O ser humano não é completamente condicionado e determinado; ele mesmo determina se cede aos condicionantes ou se lhes resiste. Isto é, o ser humano é autodeterminante, em última análise. Ele não simplesmente existe, mas sempre decide qual será sua existência, o que se tornará no momento seguinte.

Da mesma forma, todo ser humano tem a liberdade de mudar a qualquer instante. Por isso podemos predizer seu futuro somente dentro de um quatro muito amplo de um levantamento estatístico relativo a um grupo inteiro; a personalidade individual , entretanto, permanece essencialmente imprevisível. A base para qualquer previsão estaria constituída pelas condições biológicas, psicológicas ou sociológicas. No entanto, uma das principais características da existência humana está na capacidade de se elevar acima dessas condições, de crescer para além delas. O ser humano é capaz de mudar o mundo para melhor, se possível, e de mudar a si mesmo para melhor, se necessário.” – pp 152 e 153

 

“A liberdade, no entanto, não é a última palavra. Não é mais que parte da história e metade da verdade. Liberdade é apenas o aspecto negativo do fenômeno integral cujo aspecto positivo é responsabilidade. Na verdade, a liberdade está em perigo de degenerar, transformando-se em mera arbitrariedade, a menos que seja vivida em termos de responsabilidade. É por esse motivo que propus a constrição de uma Estátua da Responsabilidade na Costa Oeste dos Estados Unidos, para complementar a Estátua da Liberdade na Costa Leste.” – pg 154

 

Eu – “O mundo é maior que seu quarto.”

O que está por trás dessa colocação por parte dele?

Qual será a visão de mundo dele? Gostaria de saber.

Quem se prendeu a condicionantes foi ele!!

Quem está querendo condicionar minha vida é ele!!

Quem quer me esquecer é ele! – negar minha existência

Quem não admite que errou é ele!!

Eu apenas – i forgive you, it is time to forget. – turn page.

Não posso deixar de ser bipolar por causa dele. – faz parte da minha personalidade. – tenho essa limitação biológica – minhas sinapses são diferentes... – cada um com suas limitações, não posso fazer altas viagens nas drogas , viajo de outras maneiras... – lendo. Mas o mundo dele é das aparências – prefere acreditar na mentira e mentir também.

Anos de convivência com aquela merda estragou esse menino. 

 

Liberdade e responsabilidade caminham juntas é fundamental que entendam isso. Fácil fazer as merdas e jogar a responsabilidade no outro. Querer culpar o outro. Meu surto psicótico não foi um crime, eles se aproveitaram do que eu tenho, da minha doença e da paixão que sentia naquela época. Hoje restou amor materno , afinal depois de toda a liberdade que dei a ele – ao meu filho de 24 anos – que só vem fazendo merda. É aquela musica – “ame a sua missão”. Mais uma vez só me resta xingá-lo: filho da puta. E rir de mim, que virei piada. Uma puta professora? Ou uma professora puta? É um moleque mesmo. Rsrsrsrs E ciumento ainda por cima – “chain” .Filho da puta, filho da puta e filho da puta.

Ele merece uma surra da mãe. Chinelada.

Agora sou vovozinha.

 

Obs: doentes mentais foram mortos por nazistas, eu estaria morta.

Eles praticavam a eutanásia.

 

= Reumanizando a psiquiatria

 Ponto para reflexão:

 

“O ser humano não é uma coisa entre outras; coisas se determinam mutuamente, mas o ser humano, em última análise , se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna – dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente – é ele que faz de si mesmo. No campo de concentração, por exemplo, nesse laboratório vivo e campo de testes que ele foi, observamos e testemunhamos alguns dos nossos companheiros se portarem como porcos, ao passo que outros agiram como se fossem santos. O ser humano tem dentro de si ambas as potencialidades; qual será concretizada depende de decisões e não de condições.” – p. 155

 

Eu – não existe condição mais sub-humana que a de um campo de concentração, ali vemos que a maldade humana não tem limites. O que uma ideologia e sua propaganda não faz?! E aqui faço ponte com Hannah Arendt – e seu conceito de “banalidade do mal”. Não sei... mas sinto que estamos em tempos sombrios – parece que estamos pouco a pouco perdendo nossas referências de humanidade.

Minha decisão – nada substitui o contato físico. – confiança só olhando no olho bem fundo. E o olhar humano é o mais expressivo que tem.

Quanto a minha bipolaridade, sei que não tem jeito, vão sempre me julgar. O mundo é assim – julga, condena , anula .... apenas deixo falarem , viro as costas e sigo em frente. Fácil falar, fácil destruir... é muito mais fácil destruir do que construir qualquer coisa. Sempre foi assim, construir dá trabalho e vc conta com poucos, conta nos dedos. Agora para destruir , todos se juntam covardemente, para nenhum assumir a responsabilidade, passar a imagem ruim. Melhor sozinha, do que com pessoas assim, - do meu lado Only good vibes – no time for toxic people. – essa é a minha decisão, escolhi esse caminho há mais de 20 anos. Meu histórico profissional é a prova.

 

 

A nossa liberdade está justamente nos momentos em que precisamos tomar importantes decisões na vida.

ainda posso  fazer outras viagens... hehehe – ler é perigoso.... atiça a imaginação

 

 

= A TESE DO OTIMISMO TRÁGICO – pag  161 a 175 – super hiper mega importante – ler, reler, reler,....

 

Pontos chave reflexão:

 

“Vamos começar perguntando-nos o que se deve entender por “otimismo trágico”. Em resumo, significa que a pessoa é e permanece otimista apesar da “tríade trágica”, como é chamada em logoterapia a tríade daqueles aspectos da existência humana que podem ser circunscritos por: 1.dor; 2.culpa; 3.morte. De fato, este capítulo levanta  a questão: “Como é possível dizer sim à vida apesar de tudo isso?” Como, para colocar a questão de outra forma, pode a vida conservar seu sentido potencial apesar de seus aspectos trágicos? No final das contas, “dizer sim à vida apesar de tudo”, para usar o título de um livro meu em alemão, pressupõe que a vida, potencialmente, tem um sentido em quaisquer circunstâncias, mesmo nas miseráveis. E isso, por sua vez, pressupõe a capacidade humana de transformar criativamente os aspectos negativos da vida em algo positivo ou construtivo. Em outras palavras, o que importa é tirar o melhor de cada situação dada. O “melhor”, no entanto, é o que em latim se chama optimum -daí o motivo por que falo de um otimismo trágico, isto é, um otimismo diante da tragédia e tendo em vista o potencial humano que, nos seus melhores aspectos, sempre permite: 1.transformar o sofrimento numa conquista e numa realização humana; 2. Extrair da culpa a oportunidade de mudar a si mesmo para melhor; 3. Fazer da transitoriedade da vida um incentivo para  realizar ações responsáveis.” – p. 161

 

“... . Mas a felicidade não pode ser buscada; precisa ser decorrência de algo. Deve-se ter uma razão para “ser feliz”. Uma vez que a razão é encontrada, no entanto, a pessoa fica feliz automaticamente. Na nossa maneira de ver, o ser humano não é alguém em busca da felicidade, mas sim alguém em busca de uma razão para ser feliz, através – e isto é importante – da realização concreta do significado potencial inerente e latente numa situação dada.” – p. 162

-

Eu – é aquilo que o professor Olavo falou não se fazer de coitadinho, aceitar as situações, buscar lidar com elas dentro da realidade...Será que realmente a culpa é minha? Do crime não! Surtar não é crime!! Ela sabe direitinho o que ela fez – só que  narcisistas são incapazes  de refletir sobre eles mesmos, justamente por se acharem perfeitos e os maiores. Fico me perguntando que tipo de seres humanos estão nascendo nessa nova era – das redes sociais. Tá tudo tão confuso!!

Eu – Será que a culpa é minha? Se eles estiverem olhando pelo efeito borboleta, tem uma certa lógica – mas não vou me responsabilizar , nem me culpar pelo crime dela, que foi intencional, ela mesma falou que quer – que eu vá internada num manicômio. Ou seja, ela se entregou... kkkk . Não sou galinha otária, sou uma águia...., ainda sou uma loba em pele de cordeiro – dusty in the wind – ela não é nada – NDDD – better apart...

 

“Essa necessidade de uma razão é similar a outro fenômeno especificamente humano – o riso. Se você quer que alguém ria, você deve dar-lhe uma razão, tem que contar-lhe uma piada por exemplo. Não é possível, de modo algum, obter dele uma risada real exortando-o ou .pessoas em frente a uma máquina fotográfica que sorriem, para depois constatar nas fotos reveladas que suas fisionomias estão congeladas em sorrisos artificiais.

 

Em logoterapia, esse padrão de comportamento é chamado de “hiperintenção”. Ele cumpre importante papel na origem da neurose sexual, seja frigidez ou impotência. Quanto mais o paciente – em vez de esquecer-se de si mesmo doando-se – esforçar-se diretamente por alcançar o orgasmo, isto é, o prazer sexual, tanto mais essa busca de prazer sexual causará seu próprio fracasso. Na verdade, o chamado “princípio do prazer” é um estraga-prazeres.

 

Uma vez que a busca de sentido por parte do indivíduo é bem sucedida, isto não só o deixa feliz, mas também lhe da a capacidade de enfrentar sofrimento. E o que acontecerá se a procura de sentido por parte da pessoa tiver sido em vão? O resultado pode ser uma situação fatal. Quero lembrar, por exemplo, o que aconteceu algumas vezes em situações extremas como campos de concentração ou acampamentos de prisioneiros de guerra. Nestes, como ouvi de soldados americanos, surgiu um padrão de comportamento que eles chamavam de “desistite”. Nos campos de concentração, esse comportamento encontrava paralelo naqueles que, determinada manhã, às cinco horas, recusavam-se a levantar e a ir trabalhar, preferindo ficar na cabana, sobre palha molhada de urina e fezes. Nada – nem advertências, nem ameaças – podia induzi-los a mudar de comportamento. E então ocorria alho típico: puxavam um cigarro do fundo de um bolso qualquer, onde o haviam guardado, e começavam a fumar. Naquele momento, nós sabíamos que, durante as próximas quarenta e oito ,horas, iríamos observa-los morrer. A percepção de sentido havia desaparecido e, consequentemente, a busca do prazer imediato havia tomado as rédeas.

 

Porventura isso não nos lembra de uma situação paralela com que nos confrontamos todos os dias? Penso naqueles jovens, em escala mundial, que se referem a si mesmos como “geração sem futuro”. Sem dúvida, não é apenas ao cigarro que eles apelam: é às drogas.

 

Na verdade, o consumo de drogas é apenas um aspecto de um fenômeno de massa mais geral,  a saber, o sentimento de falta de sentido que resulta de uma frustração das nossas necessidades existenciais – o que, por sua vez, se transformou num fenômeno universal das nossas sociedades industriais. Hoje não apenas os logoterapeutas que afirmam que o sentimento de falta de sentido cumpre um papel sempre crescente na etiologia da neurose. Como escreve Irvin D. Yalon da Universidade de Stanford, em Existencial Psychotherapy: “De quarenta pacientes consecutivos procurando terapia numa clínica psiquiátrica de atendimento externo (...) doze (30%) tinham algum problema de vulto relacionado com sentido (segundo dados de autoavaliação, testemunhos de terapeutas ou julgamentos independentes)”. Milhares de quilômetros a leste de Palo Alto, a situação difere por apenas um porcento: as últimas estatísticas pertinentes indicam que, em Viena, 29% da população afirmam que falta sentido em suas vidas.

 

Quanto à origem do sentimento da falta de sentido, pode-se dizer, ainda que de maneira muito simplificadora, que as pessoas têm o suficiente com que viver, mas não têm nada por que viver; têm os meios, mas não têm sentido. Sem dúvida, alguns não têm nem mesmo os meios. Penso especialmente na massa de pessoas que hoje estão desempregadas. Cinquenta anos atras, publiquei um estudo sobre um tipo específico de depressão que havia diagnosticado em casos de pacientes jovens sofrendo do que eu chamava de “neurose de desemprego”. E consegui demonstrar que essa neurose tinha realmente sua origem numa dupla identificação errônea: estar sem emprego era considerado o mesmo que ser inútil, e ser inútil era considerado o mesmo que levar uma vida sem sentido. Consequentemente, sempre que eu conseguia persuadir os pacientes a trabalhar voluntariamente em organizações de jovens, educação dea adultos, bibliotecas públicas e atividades similares – em outras palavras, quando preenchiam seu abundante tempo livre com alguma atividade não remunerada, mas significativa e portadora de um sentido - , a sua depressão desaparecia, embora sua situação econômica não houvesse mudado e sua fome continuasse a mesma. A verdade é que o ser humano não vive apenas de bem-estar.

 

Ao lado da neurose de desemprego, desencadeada pela situação socioeconômica do individuo, há outros tipos de depressão atribuíveis a condições psicodinâmicas ou bioquímicas. Consequentemente, são indicadas, conforme o caso, a psicoterapia e a farmacoterapia.

 

No que tange ao sentimento de falta de sentido, no entanto, não devemos esquecer que, em si, ele não é uma questão de patologia: mais do que ser sinal e sintoma de uma neurose, eu diria que é a prova da humanidade da pessoa. Mas, embora não seja causado por nada patológico, esse sentimento bem pode causar uma reação patológica; em outras palavras, é potencialmente patogênico.

 

Pensamos na síndrome neurótica de massa tão difundida na jovem geração: há ampla evidência empírica de que as três facetas dessa síndrome – depressão, agressão, dependência de drogas – são devidas ao que se chama em logoterapia  “o vazio existencial”, um sentimento de vacuidade e de falta de sentido.

 

Não é necessário dizer que nem todo caso de depressão pode ser atribuído a um sentimento de falta de sentido. Tampouco o suicídio – a que a depressão, às vezes, leva a pessoa – sempre é resultado de um vazio existencial. Contudo, mesmo que todo e qualquer caso de suicídio não tenha sido levado a cabo por causa de um sentimento de falta de sentido, é bem possível que o impulso de tirar a vida tivesse sido superado se a pessoa tivesse estado consciente de algum sentido e propósito pelos quais valesse a pena viver.

 

Se, portanto, uma forte percepção de sentido cumpre um papel decisivo na prevenção do suicídio – como intervir nos casos em que há risco de suicídio? Quando jovem, passei quatro anos como médico do maior hospital estatal da Áustria, onde estava encarregado do pavilhão dos pacientes com depressão profunda. A maior parte deles havia sido admita depois de uma tentativa

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