1a) Biblioterapia realizada em 13/5/25 e 20/5/25
1.1) Roda de Leitura- Educação Antirracista (13/5/25 e 20/5/25)
Trechos para leitura compartilhada do livro Conversas desconfortáveis com um homem negro, autor Emmanuel Acho
Capítulo 2 – O que você vê quando me vê? – Preconceito implícito
Pág 37
“Novamente, preconceitos inconscientes podem se manifestar na forma de ações racistas, esse é o problema. Mas acho que é importante começar neste ponto com o fato de que uma pessoa nem mesmo precisa saber que está sendo racista para que o dano seja feito.”
Pág 38
“É função das pessoas empáticas e ponderadas não deixar que esses preconceitos ditem ações que prejudiquem os outros.”
Pg 40
“... . Encare as pessoas como indivíduos. Reafirme suas particularidades e diferenças. É isso que nos torna humanos. Em seu trabalho, na escola ou em qualquer outra instituição à qual pertença, apoie medidas voltadas para a diversidade – assim como medidas de responsabilização.”
Capítulo 7 – A Banca sempre vence, Racismo Sistêmico ** (Estrutural ou Institucional)
Pg 83
“O racismo é uma forma de opressão, ou seja, uma situação em que aqueles com mais poder dominam os com menos poder. E a opressão é tão antiga quanto a civilização. Pesquise quanto quiser: assim que grupos de pessoas começam a criar regras para si mesmas, assim que começam a dividir o poder, os direitos, um governo, alguém é oprimido. Mais cedo ou mais tarde, haverá sistemas em vigor para garantir que algumas pessoas se saiam melhor do que outras. Nos Estados Unidos, assim como em muitos outros países que foram colônias (antes mesmo de chegarmos à escravidão!), os legisladores são brancos e os que ficam em pior situação são negros e pardos.”
Pg. 86
“.... . Também precisamos olhar para a história da relação da comunidade negra com a educação no país. Jamais devemos deixar de levar em conta o fato de que, quando eram escravizados, os negros eram proibidos de ler e escrever, que seus proprietários brancos faziam todo o possível para que eles permanecessem analfabetos, poucos instruídos, ignorantes. Imagine o efeito que isso teve sobre aquelas pessoas escravizadas, e sobre seus filhos e os filhos de seus filhos. Eis um pouco mais de perspectiva. Fundada em 1636, Harvard é a instituição de ensino superior mais antiga dos Estados Unidos. A mais antiga faculdade e universidade historicamente negra é Cheyney University, fundada em 1837. Há portanto, uma lacuna de duzentos anos de ensino superior entre brancos e negros.”
A parte – refletir sobre o sistema de justiça criminal no Brasil
Realidade Brasileira
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ano 2023
- dos 850 mil presos no país, cerca de 70% são negros (cerca de 470 mil)
-https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2024-07/estudo-70-da-populacao-carceraria-no-brasil-e-negra#:~:text=Dos%20mais%20de%20850%20mil,Anu%C3%A1rio%20Brasileiro%20de%20Seguran%C3%A7a%20P%C3%BAblica. – Estudo: 70% da população carcerária no Brasil é negra – Pesquisa mostra racismo estrutural no sistema carcerário.
Realidade norte americana
Pg 87
“.... Embora componham 13% da população dos Estados Unidos, os negros representam mais de um terço dos detentos nas prisões federais e estaduais. Essa super-representação não é um acidente, e sim um produto do racismo sistêmico. Os negros não são mais criminosos do que as outras pessoas (falaremos mais sobre isso no capitulo 10), mas foram criminalizados tanto quanto ou mais do que qualquer outro grupo nos Estados Unidos.”
Contexto Histórico – 1ª Ação Afirmativa
Pg 96
“.... vamos voltar a 1961, quase cem anos depois da Guerra Civil, quando o presidente John F. Kennedy assinou a Ordem Executiva 10925, que instruía os contratantes federais a adotar “ações afirmativas a fim de garantir que todos os candidatos sejam tratados da mesma forma, independentemente de raça, cor, religião, gênero ou nacionalidade de origem”. Essa ordem executiva foi o primeiro exemplo de ação afirmativa do país. Desde então, elas foram implementadas (e contestadas) numa série de áreas onde o racismo sistêmico persistiu.
Em suma, as ações afirmativas são um esforço no sentido de reparar as desigualdades sistêmicas causadas por séculos de discriminação. Para tentar alcançar medidas de igualdade social, elas dão tratamento preferencial aos grupos que foram vitimas dessas desigualdades prolongadas. Algumas pessoas argumentam que não é justo das preferência aos negros e, consequentemente, tratar os brancos de forma injusta. Em relação a isso, proponho a pergunta: o que é justo? Se você me perguntar, a justiça só pode ocorrer entre partes que estejam em igualdade de condições, e os negros nunca foram tratados com igualdade nos Estados Unidos e no mundo. Na verdade, injustiça não chega nem perto de descrever como eles foram tratados.”
“... . A questão é que não podemos julgar o racismo apenas no nível individual. Ele também é histórico e sistêmico – lembre-se os brancos sempre terão uma vantagem de séculos.”
Pg 98
“Pense nisso: a injustiça que os negros vivenciam é o objetivo do racismo sistêmico, não o subproduto de algum outro objetivo. Aquilo que os brancos vivenciam como injustiça resultante de ações afirmativas não tem como objetivo ser injusto com os brancos. E é aí que reside a principal diferença.”
Pg 99
“... . Os negros tiveram que lutar para celebrar a si mesmos e sua cultura em público.”
**História do Brasil – Quilombos
Cenário – Movimento Vidas Negras Importam
Pgs 99/100
“Por razões parecidas, é no mínimo insensível dizer “Todas as vidas importam” quando alguém diz que vidas negras importam. As vidas brancas nunca estiveram em perigo por causa das vidas negras na mesma medida em que as vidas negras foram ameaçadas pelos brancos e pela branquitude, e isso em nível individual e sistêmico. Embora algumas pessoas digam isso para incitar conflitos e outras possam fazê-lo em nome da inclusão, em ambos os casos é insensível e prejudicial.
Observação: Os capítulos do livro da Parte Nós
*O amor sempre vence: a família inter-racial – cap 12
*Briga boa: a luta por mudanças – cap 13
*Solicitamos sua presença: como ser um aliado ou aliada – cap 14
*Partindo para o jogo: como acabar com o racismo – cap 15
Pg 156
“É disso que trata este “nós”. Se conseguirmos realmente integrar pessoas brancas e negras, trabalhando em conjunto, então nosso mundo produzirá uma melodia cheia de alegria
Observaçãozinha: Reflitam sobre o papel da música na construção deste “nós” (Rap, Hip Hop e também o Reggae)
A título de curiosidade o Reggae, gênero musical jamaicano, foi declarado pela Unesco em 2018, como Patrimônio Imaterial da Humanidade.
O Reggae assim como outros gêneros musicais simboliza:
-Resistência Negra
-Espiritualidade
-Defesa dos Direitos Humanos
-Luta por Justiça Social
Segundo a IA do Google:
O Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, definido pela UNESCO, refere-se a práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que as comunidades, grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante do seu patrimônio cultural. É um patrimônio transmitido de geração em geração e recriado pelas comunidades, em função do seu ambiente, interação com a natureza e história.
==Capítulo 14 – Solicitamos sua presença – Como ser um aliado ou aliada
Pg 177 – “Essa luta sempre precisou de brancos nas trincheiras, e isso não mudou.”
Pg 183
“... . A aliança verdadeira é o compromisso de se engajar nessa luta por um longo tempo: muito tempo depois de deixar de ser uma noticia no topo da primeira pagina; muito depois de as câmeras terem parado de filmar. Não hoje, mas amanhã, na próxima semana, no próximo ano, na próxima década.”
Eu – aqui é de fundamental pois estamos falando de direitos civis
== Capítulo 15 – Partindo para o jogo – Como acabar com o racismo
Pg 188
“MORRISON: Há apenas a raça humana. Cientificamente, antropologicamente. O racismo é uma construção – uma construção social.
Pg 192
“... Sim, uma pessoa negra pode ser racista individualmente (veja a discussão anterior a esse respeito), mas os negros como um todo não têm poder suficiente nos Estados Unidos para concretizar o racismo sistêmico.” ..... “Nosso sistema de justiça criminal tendencioso trabalho lado a lado com o estereótipo de homens negros como inerentemente perigosos, marginais e membros de gangue – o que leva a um policiamento excessivo, encarceramento excessivo e ainda mais preconceito no sistema judiciário.”
Pg 193
“Vamos pensar no que isso significa: raça foi uma criação política, uma criação econômica – todos esse ódio desenvolvido a fim de garantir o interesse de alguns sujeitos do século XVII que queriam enriquecer plantando cana-de-açúcar e algodão, que queriam ter certeza de que sempre estariam no topo da pirâmide social. Isso significa que o racismo sempre teve a ver com poder. O que, por sua vez, significa que nós inventamos o racismo. O que, por fim, quer dizer que talvez possamos aprender a desinventá-lo também.”
“Se você está criando filhos brancos, por favor, fale com eles sobre raça. Todos nós precisamos ver cor para enxergar o racismo. Além disso, cor e etnia são parte do que torna as pessoas humanas, e negar a qualquer um de nós nossa particularidade é negar nossa humanidade. E , como disse Toni Morrison, a nossa única raça é, no fim das contas, a humana.”
Pg 197
“Acabar com o racismo não é uma linha chegada que vamos cruzar. É um caminho que vamos percorrer.”
Pgs 218,219
“O Brasil carrega a triste e desconfortável marca de ter sido o país que sustentou a escravidão de forma legalizada durante mais tempo. Os registros indicam que os primeiros escravizados chegam ao Brasil em 1535, e a Lei Áurea só leva a escravidão para a ilegalidade em 1888, mas a gente sabe que uma lei não muda nada num estalar de dedos, quanto mais naquela época e num país da dimensão do Brasil. Durante mais de 353 anos, no Brasil, o negro era mercadoria. A nossa historia oficial, a historia dessa sociedade complexa que chamamos de Brasil e com a qual nos identificamos como cidadãos, tem cerca de 520 anos (desde 1500), e mais da metade dessa história derramou, sem qualquer desconforto e constrangimento, sob o ponto de vista da lei, o sangue negro. A lei dizia: vidas negras não importam! E, depois, a lei mudou, mas a sociedade, não. Afinal, que condições foram dadas aos negros que, de repente, acordaram libertos e analfabetos, sem qualquer profissionalização, sem casa, sem bens, sem ter para onde voltar? Nossa, não ter para onde voltar! Depois de trezentos anos, muitos negros brasileiros nem sabem mais de onde vieram, não têm registro de suas origens. Dá para imaginar uma coisa assim? As colônias, como o Brasil, receberam muitos imigrantes, de países diversos. Muitos chegaram aqui famintos e precisando reconstruir suas vidas. No entanto, todos trouxeram o seu passado consigo. O Brasil recebeu portugueses, italianos, alemães, libaneses, chineses, japoneses, coreanos, turcos, armênios, gregos e tantos e tanto outros. Os escravizados chegaram aqui e foram condenados a não ter nome, origem, família, passado. O nosso autor também enfrenta, de frente, este desconforto: Sim, somos todos afrodescendentes. Mas a África é grande e diversa. A África é “muitas”. Muitos povos, muitas nações, muitos idiomas, culturas, crenças, culinária. A África não é nação, é continente. É como se de repente, o mundo todo virasse para nós, brasileiros , e falasse: Brasileiro, argentino, venezuelano, boliviano é tudo igual, não é? Vocês não têm a mesma história, língua, costumes, tradições?!
=O Elo entre Educação Antirracional e a Educação Ambiental
Contexto Histórico – ECO 92 (anos 90)
Livro O Que o Brasileiro Pensa da Ecologia
Capítulo - Quem são os ecologistas (p.37)
Falam os negros:
“O pessoal não consegue perceber que desde 1531, quando começaram a chegar os negros no Brasil, estão questão do meio ambiente sempre esteve ligada à nossa cultura... Por exemplo, o quilombo dos Palmares, primeiro Estado Africano na América, teve uma política de preservação do meio ambiente _ durou 100 anos, preservando todo aquele meioambiente, e hoje, a gente pode ver que havia um planejamento de desenvolvimeno sustentado lá dentro. Então, quando hoje a gente vê discutir essa questão ambiental eu me pergunto se essas pessoas nunca leram nada sobre a cultura negra, porque isso já existe há anos nos Brasil junto a comunidade negra. Por isso é que eu digo que essa questão chega ao Brasil com a tanga do Gabeira.”
Cabo Frio, 12/05/2025



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