São quase 4 horas da manhã, meus olhos estão pregados, sei que se deitar na cama desmaio. Mas algo neste momento está me impedindo de fazer qualquer coisa, senão esta, escrever.
Venho por meio deste texto tentar entender melhor o que vem acontecendo na atual política de educação do governo do estado do Rio de Janeiro, particularmente somente dois pontos serão tratados . Mas em primeiro lugar vou me apresentar, sou formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, tenho uma especialização incompleta em Sociologia, Política e Cultura também pela PUC-Rio. É importante registrar aqui que só pude fazer esta especialização porque consegui uma bolsa-trabalho, o resultado é a Pesquisa dos Egressos de Sociologia, coordenada pelo professor da Puc-Rio, Marcelo Burgos. Em 2007 passei em 6ª lugar no concurso para o magistério estadual (baixada litorânea I), o que por direito garantiu meu começo de carreira como professora docente I, com salário inicial de R$540,00 líquidos. Hoje o professor do estado com curso superior entra recebendo aproximadamente R$730,00 , graças à incorporação do programa Nova Escola e mais um adicional.
O primeiro ponto diz respeito à disciplina de filosofia. É verdade, não tenho a licenciatura em Filosofia o que legalmente me impede de dar aulas desta disciplina no Ensino Médio, porém em meu histórico escolar tenho duas notas dez e uma nota oito e meio em três disciplinas de filosofia. Sem contar que atualmente venho fazendo um curso on-line de Filosofia de cinco anos com o professor Olavo de Carvalho. Convém salientar que este curso vem me ajudando muito profissionalmente e como ser humano, graças a ele pude tirar um peso das costas, quando o professor Olavo de Carvalho deixou claro para os seus alunos a imensa responsabilidade de se estudar filosofia e especialmente de ser seu aluno e que todos nós temos que assumir estes estudos como missão.
Ao longo de um ano meio venho lecionando aulas de filosofia na EJA (Educação para Jovens e Adultos), confesso que venho penando um pouco, pois tenho consciência que a Filosofia assim como a Sociologia são disciplinas perigosas, venho tentando evitar doutrinações e posicionamentos ideológicos em sala de aula. O que realmente me deixa de mãos amarradas, uma vez que sei que estou dentro de um aparelho ideológico do Estado, de esquerda –socialista-marxista e que usa a Educação como forma de dominação política e que praticamente inexiste o desejo de realmente formarem cidadãos que reconheçam o real valor da democracia representativa brasileira. Democracia esta que ao que tudo indica está indo na direção do Socialismo, de maneira sutil mas está.
Muitos falarão que enlouqueci, falem o que quiser e como diz MV Bill –“Só Deus para me julgar!" Muitos dirão internem ela já! Mas não posso me calar diante do que estou vendo, sei que corro todos os riscos, mas não posso, se ficar quieta minha consciência irá pesar pelo resto da minha vida, pois estarei deixando de lado minha missão – a defesa das liberdade (de expressão, de pensamento) faz parte dela. Diante do recado que recebi indiretamente, parece que o fiscal da educação* (detalhe, nem sei o nome) ao ver meus documentos afirmou que não posso mais dar aulas de filosofia. Logicamente até o momento não fui sequer apresentada ao tal fiscal (*), e ainda não tive a oportunidade de perguntar em que ele é formado, ou se alguma vez chegou a pegar em algum livro de filosofia..... Que critérios ele usou para me barrar? Mas tudo bem, depois de muito gritar, xingar sozinha, afinal de contas ele é a autoridade e não posso fazer isso na frente dele. Engoli seco! Mas deixei bem claro a todos em uma reunião do colégio minha visão: tudo bem eu não posso dar aulas de filosofia, agora se colocar outro professor de área diferente entro com processo. Lógico que não vou poder entrar com processo algum, lógico que vou ter q. enfiar meu r... entre as pernas (perdoem-me pelo termo), afinal ano que vem teremos eleições! E eu ainda estou em estágio probatório, qualquer mancada será motivo para inventarem outra ladainha a meu respeito.
Meu futuro a Deus pertence! Peço a ele força e luz para que eu possa continuar de cabeça erguida, peço aos meus anjos da guarda que me guiem no caminho certo. Porque eu sei, eu sinto que estou sofrendo assédio moral, aos colegas de trabalho que por ventura vierem a ler este texto, entendo a situação de vocês, mas preciso me defender, já que não me deram esta chance. Não me apresentaram ao fiscal (*), não ouvi da boca dele seus critérios para me julgar, apenas fui comunicada que não posso mais dar aula de filosofia. Como ainda acredito que há espaços neste país para a liberdade de expressão, o único que encontrei foi o meu cantinho – folhinha de carvalho. Se vocês estivessem no meu lugar, o que pensariam desse fiscal (*)? Como reagiriam? Diante dessa situação, recolho a minha insignificância e continuarei dando com muita honra, alegria e muito orgulho a sociologia.
O segundo ponto a ser destacado refere-se ao comunicado que me foi passado. Lá vai: “O QH (quadro de horário) mudará radicalmente em 2010. Nele constará toda a vida do professor (a), conforme a coordenadoria relatou, o sistema de rede está conectado às salas de aula, onde será computada a pauta de freqüência, conteúdo dado, freqüência do professor (a) etc...” Qualquer semelhança com o livro Big Brother 1984 de George Orwell é mera coincidência tá! Para quem não captou bem este recado o professor será controlado por uma rede, um tal sistema aí, ao que tudo indica em cada sala haverá um computador, no qual o professor deverá registrar a presença do aluno e o conteúdo dado naquele dia, imediatamente esses dados aparecerão no sistema. Tem suas vantagens e desvantagens, confesso que não acho graça nesta idéia, primeiro porque vai tirar a liberdade do professor; segundo , porque corre-se o risco de ter um esvaziamento na rede pública de ensino por parte dos alunos; terceiro, porque esse sistema pode ser falho, podendo inclusive perder dados, ou a empresa não ser correta, etc; quarto, tais mudanças não visam mudar a qualidade da educação; quinto, é uma mudança de cima para baixo e que não atende as necessidades reais de cada escola e de cada aluno. Por fim, esta mudança já era para ter acontecido, mas percalços do destino, graças a Deus impediram que ela ocorresse este ano. Só uma perguntinha: Afinal de contas ainda não me disseram qual ou quais são os objetivos desse controle todo em cima do aluno e do professor? É o que contenção de despesas? Se for contenção de despesas, estão me chamando de idiota, burra e ignorante! Porque não é! Detalhe seria interessante que o sindicato dos professores investigasse quanto o governo estadual de Sérgio Cabral vai gastar para fazer todas essas mudanças. Quando fazem obras não colocam os gastos públicos? Então! O mesmo deveria ser feito com a educação!
São 5h e 20 minutos, acho que consegui colocar estes dois pontos que para mim continuam difíceis de engolir. Talvez eu esteja fazendo uma tempestade em copo d´água, mas ficar quieta neste momento seria o mesmo que concordar com tudo que estão fazendo. Se temos que aceitar ordens de cima, então que as expliquem de maneira clara e transparente antes das coisas acontecerem de fato. Isso é Estado! É o Estado controlando tudo, sua entrada na escola, sua entrada na sala de aula, sua merenda, seu professor, enfim controlando a vida do aluno e do professor. Como professora busco dentro do possível assumir minhas responsabilidades, não quero um big brother, um estado corrupto controlando a vida dos alunos nem a minha.
Obs: Sei que daqui para frente o bicho vai pegar ainda mais para o meu lado.
Seja o que Deus quiser!
Venho por meio deste texto tentar entender melhor o que vem acontecendo na atual política de educação do governo do estado do Rio de Janeiro, particularmente somente dois pontos serão tratados . Mas em primeiro lugar vou me apresentar, sou formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, tenho uma especialização incompleta em Sociologia, Política e Cultura também pela PUC-Rio. É importante registrar aqui que só pude fazer esta especialização porque consegui uma bolsa-trabalho, o resultado é a Pesquisa dos Egressos de Sociologia, coordenada pelo professor da Puc-Rio, Marcelo Burgos. Em 2007 passei em 6ª lugar no concurso para o magistério estadual (baixada litorânea I), o que por direito garantiu meu começo de carreira como professora docente I, com salário inicial de R$540,00 líquidos. Hoje o professor do estado com curso superior entra recebendo aproximadamente R$730,00 , graças à incorporação do programa Nova Escola e mais um adicional.
O primeiro ponto diz respeito à disciplina de filosofia. É verdade, não tenho a licenciatura em Filosofia o que legalmente me impede de dar aulas desta disciplina no Ensino Médio, porém em meu histórico escolar tenho duas notas dez e uma nota oito e meio em três disciplinas de filosofia. Sem contar que atualmente venho fazendo um curso on-line de Filosofia de cinco anos com o professor Olavo de Carvalho. Convém salientar que este curso vem me ajudando muito profissionalmente e como ser humano, graças a ele pude tirar um peso das costas, quando o professor Olavo de Carvalho deixou claro para os seus alunos a imensa responsabilidade de se estudar filosofia e especialmente de ser seu aluno e que todos nós temos que assumir estes estudos como missão.
Ao longo de um ano meio venho lecionando aulas de filosofia na EJA (Educação para Jovens e Adultos), confesso que venho penando um pouco, pois tenho consciência que a Filosofia assim como a Sociologia são disciplinas perigosas, venho tentando evitar doutrinações e posicionamentos ideológicos em sala de aula. O que realmente me deixa de mãos amarradas, uma vez que sei que estou dentro de um aparelho ideológico do Estado, de esquerda –socialista-marxista e que usa a Educação como forma de dominação política e que praticamente inexiste o desejo de realmente formarem cidadãos que reconheçam o real valor da democracia representativa brasileira. Democracia esta que ao que tudo indica está indo na direção do Socialismo, de maneira sutil mas está.
Muitos falarão que enlouqueci, falem o que quiser e como diz MV Bill –“Só Deus para me julgar!" Muitos dirão internem ela já! Mas não posso me calar diante do que estou vendo, sei que corro todos os riscos, mas não posso, se ficar quieta minha consciência irá pesar pelo resto da minha vida, pois estarei deixando de lado minha missão – a defesa das liberdade (de expressão, de pensamento) faz parte dela. Diante do recado que recebi indiretamente, parece que o fiscal da educação* (detalhe, nem sei o nome) ao ver meus documentos afirmou que não posso mais dar aulas de filosofia. Logicamente até o momento não fui sequer apresentada ao tal fiscal (*), e ainda não tive a oportunidade de perguntar em que ele é formado, ou se alguma vez chegou a pegar em algum livro de filosofia..... Que critérios ele usou para me barrar? Mas tudo bem, depois de muito gritar, xingar sozinha, afinal de contas ele é a autoridade e não posso fazer isso na frente dele. Engoli seco! Mas deixei bem claro a todos em uma reunião do colégio minha visão: tudo bem eu não posso dar aulas de filosofia, agora se colocar outro professor de área diferente entro com processo. Lógico que não vou poder entrar com processo algum, lógico que vou ter q. enfiar meu r... entre as pernas (perdoem-me pelo termo), afinal ano que vem teremos eleições! E eu ainda estou em estágio probatório, qualquer mancada será motivo para inventarem outra ladainha a meu respeito.
Meu futuro a Deus pertence! Peço a ele força e luz para que eu possa continuar de cabeça erguida, peço aos meus anjos da guarda que me guiem no caminho certo. Porque eu sei, eu sinto que estou sofrendo assédio moral, aos colegas de trabalho que por ventura vierem a ler este texto, entendo a situação de vocês, mas preciso me defender, já que não me deram esta chance. Não me apresentaram ao fiscal (*), não ouvi da boca dele seus critérios para me julgar, apenas fui comunicada que não posso mais dar aula de filosofia. Como ainda acredito que há espaços neste país para a liberdade de expressão, o único que encontrei foi o meu cantinho – folhinha de carvalho. Se vocês estivessem no meu lugar, o que pensariam desse fiscal (*)? Como reagiriam? Diante dessa situação, recolho a minha insignificância e continuarei dando com muita honra, alegria e muito orgulho a sociologia.
O segundo ponto a ser destacado refere-se ao comunicado que me foi passado. Lá vai: “O QH (quadro de horário) mudará radicalmente em 2010. Nele constará toda a vida do professor (a), conforme a coordenadoria relatou, o sistema de rede está conectado às salas de aula, onde será computada a pauta de freqüência, conteúdo dado, freqüência do professor (a) etc...” Qualquer semelhança com o livro Big Brother 1984 de George Orwell é mera coincidência tá! Para quem não captou bem este recado o professor será controlado por uma rede, um tal sistema aí, ao que tudo indica em cada sala haverá um computador, no qual o professor deverá registrar a presença do aluno e o conteúdo dado naquele dia, imediatamente esses dados aparecerão no sistema. Tem suas vantagens e desvantagens, confesso que não acho graça nesta idéia, primeiro porque vai tirar a liberdade do professor; segundo , porque corre-se o risco de ter um esvaziamento na rede pública de ensino por parte dos alunos; terceiro, porque esse sistema pode ser falho, podendo inclusive perder dados, ou a empresa não ser correta, etc; quarto, tais mudanças não visam mudar a qualidade da educação; quinto, é uma mudança de cima para baixo e que não atende as necessidades reais de cada escola e de cada aluno. Por fim, esta mudança já era para ter acontecido, mas percalços do destino, graças a Deus impediram que ela ocorresse este ano. Só uma perguntinha: Afinal de contas ainda não me disseram qual ou quais são os objetivos desse controle todo em cima do aluno e do professor? É o que contenção de despesas? Se for contenção de despesas, estão me chamando de idiota, burra e ignorante! Porque não é! Detalhe seria interessante que o sindicato dos professores investigasse quanto o governo estadual de Sérgio Cabral vai gastar para fazer todas essas mudanças. Quando fazem obras não colocam os gastos públicos? Então! O mesmo deveria ser feito com a educação!
São 5h e 20 minutos, acho que consegui colocar estes dois pontos que para mim continuam difíceis de engolir. Talvez eu esteja fazendo uma tempestade em copo d´água, mas ficar quieta neste momento seria o mesmo que concordar com tudo que estão fazendo. Se temos que aceitar ordens de cima, então que as expliquem de maneira clara e transparente antes das coisas acontecerem de fato. Isso é Estado! É o Estado controlando tudo, sua entrada na escola, sua entrada na sala de aula, sua merenda, seu professor, enfim controlando a vida do aluno e do professor. Como professora busco dentro do possível assumir minhas responsabilidades, não quero um big brother, um estado corrupto controlando a vida dos alunos nem a minha.
Obs: Sei que daqui para frente o bicho vai pegar ainda mais para o meu lado.
Seja o que Deus quiser!
(*) Errata - Supervisor da Educação

