Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

terça-feira, 13 de julho de 2021

"MINHA ALMA ESTÁ EM BRISA - MÁRIO DE ANDRADE

 

Este texto foi enviado pelo Tio Gilberto por zap e é dedicado à todas as pessoas que já passaram dos 40, 50 e mais.

 

MINHA ALMA ESTÁ EM BRISA  - Mário de Andrade

 Contei meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver a partir daqui, do que o que eu vivi até agora.

Eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces; O primeiro comeu com prazer, mas quando percebeu que havia poucos, começou a saboerá—los profundamente.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis em que são discutidos estatutos, regras, procedimentos e regulamentos internos, sabendo que nada será alcançado.

Não tenho mais tempo para apoiar pessoas absurdas que, apesar da idade cronológica, não cresceram.

Meu tempo é muito curto para discutir títulos. Eu quero a essência, minha alma está com pressa... Sem muitos *doces no pacote ...

 

Quero viver ao lado de pessoas humanas, muito humanas. Que sabem rir dos seus erros. Que não ficam inchadas, com seus triunfos. Que não se consideram eleitos antes do tempo. Que não ficam longe de suas responsabilidades. Que defendem a dignidade humana. E querem andar ao lado da verdade e da honestidade.

O essencial é o que faz a vida valer a pena.

Quero cercar-me de pessoas que sabem tocar os corações das pessoas ....

Pessoas a quem os golpes da vida, ensinaram a crescer com toques suaves na alma

Sim ... Estou com pressa ... *Estou com pressa para viver com a intensidade que só a maturidade poder dar.

Eu pretendo não desperdiçar nenhum dos doces que eu tenha ou ganhe .... Tenho certeza de que eles serão mais requintados do que os que comi até agora.

Meu objetivo é chegar ao fim satisfeito e em paz com meus entes queridos e com a minha consciência.

Nós temos duas vidas e a segunda começa quando você percebe que você só tem uma ....

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Ensinamentos 01

        “Pensamento vira sentimento, que vira palavra, ação, hábito, caráter ... destino.”

                                                                                                                                                 Autor desconhecido

 

“Nem o seu pior inimigo pode lhe fazer tanto mal como seus próprios pensamentos.”

                                                                                                                                                                                                Buda

sábado, 15 de maio de 2021

CRIANDO ELOS

 UMA TENTATIVA DE LIGAR A FILOSOFIA Á FÍSICA

 

Nye:

- O perigo é justamente confundirmos o nosso verdadeiro eu com a máscara, isto é,  com a nossa imagem. Os gregos achavam que se nossa imagem ficasse refletida por muito tempo no lago,  corríamos o risco de perder a alma. Narciso ilustra essa ideia de perda do encantamento da própria imagem: morre ao apaixonar-se pelo seu reflexo.

 

Falando sobre identidade, usamos algumas palavras-chave, como reflexo, refletir. O que significa a palavra reflexo?  Voltar-se sobre si, reconhecer-se. O espelho é considerado uma das maiores invenções da humanidade. Antes de enxergar-se nas plácidas águas de um lago, e muito antes de existirem espelhos, o homem viu, nos olhos de um outro homem, sua própria imagem. No lago reconheceu o que já tinha visto e depois inventou o espelho. O primeiro reflexo da nossa identidade está nos olhos do outro, que também participa da construção da nossa auto-imagem. Como os outros me veem? Será que a forma como os outros me veem corresponde à imagem que tenho de mim mesma [o]?

 

Refletir, portanto, significa também deixar-se ver, mostrar-se, revelar-se, exibir para o outro algo do que você é. Como se, com a nossa simples presença, estivéssemos dizendo: “Este sou eu”.

 

Simão:

- Sensacional !! E olha só que bacana: o termo “reflexo” também significa “cuidado”. Ora, se reflexo é igual a cuidado, para bom entendedor, poucas palavras bastam : cuidado com o reflexo! Pelo menos no espelho, reflexo nunca corresponde a nossa imagem original: vemo-nos sempre invertidos. O “cuidado”, no campo semântico, pressupõe também reflexão, pensamento.  É sua origem latina cogitatu.  Assim, cuidado é igual a reflexão. Portanto, “cuidar” nunca deve ser compreendido como um ato mecânico de proteção, mas sim como uma atitude que nasce naturalmente nos planos afetivo e cognitivo humanos e responde a nossas necessidades de zelo e desvelo, como espécie

 

*Autor Desconhecido

 

Fique na sua - fique nos seus limites

 Texto – Fique na sua – fique nos seus limites  (pág 118)

Livro da Arte de Viver

Autor Anselm Grun

Editora Vozes

 

     “Quem quer achar defeitos, até mesmo no paraíso os encontrará” (Henry Thoreau).

     Há pessoas que encontram cabelo em toda sopa que tomam. Acham defeitos até mesmo no paraíso. Também ali encontram algo para criticar. A pergunta é: donde vem esta atitude? Devem ser pessoas profundamente insatisfeitas consigo mesmas. E pelo fato de não estarem satisfeitas consigo mesmas, nada pode satisfazê-las. Quando alguém admira e louva alguma coisa aflora nelas a inveja. Precisam destruir aquilo que a pessoa admira e aprecia. Nada há que possa satisfazê-las, nem uma pessoa e nem Deus, nem o céu e nem o inferno, nem o paraíso e nem o dia comum. Em tudo criticam alguma coisa. Junto a pessoas assim é complicado viver. Elas têm uma compulsão de puxar para baixo também os outros que com elas convivem. Espalham uma atmosfera de insatisfação, mau-humor, amargura e discórdia.

     Em relação a pessoas assim só nos resta fechar-nos em nós mesmos e proteger nossa alma, para não sermos contaminados pela febre da discórdia. Se eu me fechar contra essas pessoas, não as julgo. Deixo-as ser como são: “Você pode ser como é. Você pode ver o mundo como o vê. Mas eu me recuso a aceitar o seu modo de ver. Também renuncio a querer convencê-lo do contrário. Pois sei que será um empreendimento sem fim, e eu nada vou conseguir. Eu o deixo na sua. Mas eu também fico na minha e com a minha visão das coisas”.

 

Não Comparar

 Texto – Não comparar (pág 119)

Livro da Arte de Viver

Autor Anselm Grun

Editora Vozes

 

     “Em qualquer lugar em que você estiver não se compare com os outros, e encontrará paz.” (Abade Poimen).

     Assim que encontramos um grupo de pessoas, assalta-nos o mecanismo da comparação. Comparo-me com os outros: A aparência deles é melhor do que a minha? São mais inteligentes do que eu? Ganham mais dinheiro do que eu? Recebem mais atenção do que eu? São mais espirituais do que eu? Enquanto eu me comparar com os outros, não terei paz. Ou eu me desvalorizo e valorizo os outros, ou faço o contrário. De qualquer forma, nunca estou na minha, estou sempre na dos outros. E assim, não tenho paz. Só quando deixar de me comparar com os outros terei paz. Então serei confrontado comigo mesmo e convidado a reconduzir-me ao agradecimento por tudo o que Deus me deu e me oferece a todo instante. Em vez de olhar para os outros, olho para mim mesmo, como eu mesmo sou. Estou na minha. Estou simplesmente aqui. Esta é a condição para encontrar a paz. Paz significa simplesmente: estar aí, estar em harmonia consigo mesmo, aproveitar o tempo presente em paz.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Reflexões sobre o Ser Humano

 Apostila Sociologia – 2º ano (2011)

Sociedade & Cultura – Ser humano, um ser sócio-cultural

 

Por que podemos dizer que o ser humano é um ser sócio-cultural?

E qual é a importância da cultura para o ser humano?

 

     Vamos por partes. Sócio porque o ser humano, o indivíduo depende dos outros para viver, ou seja, o ser humano precisa fazer parte de um determinado grupo social (como por exemplo, a família). Cultural, porque este individuo ao nascer dentro de um grupo social (família), ele automaticamente está dentro de uma sociedade, dentro de um Estado,  de uma nação -. E essa nação tem uma cultura, fala uma língua, tem suas regras, uma história, etc. Por exemplo: se nascemos no Brasil, somos brasileiros, isso significa que estamos dentro da cultura brasileira e que aprenderemos a falar a língua portuguesa, que é a língua oficial do nosso país.

 

     Qual é a importância da cultura?

     É  através da cultura que nos tornamos de fato seres humanos, pois o que diferencia o ser humano é a sua capacidade de dar significado as coisas e isso ocorre principalmente através da linguagem verbal (palavra falada ou escrita). Ao aprendermos nossa língua e ao assimilarmos nossos valores, costumes , estamos entrando também em nossa cultura. Podemos dizer que é através principalmente da linguagem verbal que vamos nos tornando sócio-culturais.

 

     É importante chamar atenção que este processo em que aprendemos a falar nossa língua, que assimilamos os costumes, regras é o que chamamos de socialização. Portanto, podemos dizer que a socialização é também um processo sócio-cultural em que o “ser biológico” vai se tornando um “ser sócio-cultural”. Além do mais, como argumenta Durkheim, sociólogo francês do século XIX, a cultura já estava lá antes do individuo nascer, por exemplo: a língua portuguesa, os costumes, as tradições são anteriores ao individuo e vão continuar a existir depois que ele morrer. Como dizia Durkheim, os indivíduos passam, mas a sociedade permanece.

 

 

Sociedade & Cultura – A questão do natural /biológico e do cultural

Como as ciências sociais (Sociologia  e a Antropologia) entendem a questão do natural/biológico e do cultural?

 

Vejamos o que Gilberto Freyre fala rapidamente sobre esta questão:

“O indivíduo nasce dono do que os biólogos chamam a “base orgânica” necessária para desenvolver-se em pessoa ou em pessoas sociais: senhor de órgãos e sentidos que estabelecerão o contato entre o que é nele verdadeiramente hereditário, natural e individual e a vida social e a cultura. Mas aquele desenvolvimento se opera em grande parte, através da organização social e da cultura dentro das quais o individuo se torne socius ou pessoa. Organização de que ele depende, antes mesmo de nascer, e que vai depender dele, mesmo depois dele morrer.”

 

 

*”base orgânica”, “equipamento biológico” = corpo humano (células – órgãos/ sentidos)

*Só com o tempo e através do processo de socialização (quando o indivíduo através de seu grupo social que vive dentro de uma sociedade, com determinada cultura vai sendo socializado).

 

     O natural/ biológico refere-se ao que todo ser humano tem de igual, ou seja, todos nós nascemos com um corpo, temos células, tecidos, órgãos, precisamos de ar,  comida; neste ponto somos animais  e pertencemos ao reino animal.  Cultural é aquilo que é criado e transformado pelo homem, neste processo o homem começa também a dar significado as coisas. Imaginemos: formigas não têm cultura, agem por instinto; ao passo que o ser  humano não se comporta como uma formiga, uma vez que é a cultura de sua sociedade que vai orientar seu comportamento. Por exemplo: japoneses comem de palitinhos ; e nós brasileiros comemos com talhares, garfo e faca.

 

Obs: Como há inúmeras definições para cultura, vamos buscar entender cultura como sendo a capacidade que o ser humano tem de dar significado as coisas, aos sentimentos e aos acontecimentos.

 

Obs: Ao estudarmos sociologia começamos a ficar mais atentos às palavras. Ou seja, estamos trabalhando com conceitos, o que significa dizer que uma palavra pode ter vários significados. Por exemplo: quando falamos de igualdade, é interessante perguntarmos: De que igualdade estamos falando? Igualdade racial? Igualdade entre os sexos? Igualdade econômica

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A falência familiar na arte de educar

 A matéria a seguir tem mais de uma década, mas a questão continua atual, infelizmente.

Jornal o Globo – 1ª década século XXI

Pedagogia

 

Artigo: A falência familiar na arte de educar

Autor: Paulo Nathanael de Souza, doutor em educação

 

     Nunca, no Brasil, se falou tanto em educação e na sua incapacidade de superar déficits e fracassos, como agora. Desde que se deu a democratização das matrículas escolares e as multidões heterogêneas invadiram as salas de aulas dos cursos de todos os níveis, graus e modalidades de ensino, a incapacidade de gerar bons resultados na política educacional praticada entre nós ficou evidente. Ainda há milhões de pessoas analfabetas puras com mais de 15 anos de idade e o ensino básico, que devera ser de ótima qualidade, da a sua obrigatoriedade universal no ciclo fundamental e o fato de que geralmente é o único nível de escolaridade ao alcance das massas, aí está a ocupar classificações vergonhosas nas tabelas nacionais e internacionais de avaliação do aproveitamento na aprendizagem. São grandes contingentes que saem todos os anos das escolas, sem saber ler nem compreender o que leem, escrever frases com clareza e logicidade ou fazer operações aritméticas, além da soma, da multiplicação, da subtração e de divisão, de algarismos simples, que vão apenas até as dezenas (quando chegam as centenas, instala-se o caos!). É o denominado grupo dos analfabetos funcionais, que passam pela sala de aula sem nada aprenderem. Não é por acaso que o ensino superior, herdeiro dessa tragédia toda, não mais consiga cumprir o seu papel de criador e incentivador dos novos saberes, para acomodar-se num subnível intelectual, que já não pode mais ser considerado tão superior, eis que se conformou em ser apenas um ensino de 3º grau (ou pós-colegial).

 

     Os especialistas pesquisam incansavelmente as causas dessas insuficiências e acabam por culpar, ora os professores, ora o desequipamento escolar, ora os currículos sobrecarregados ou, ainda , as verbas insuficientes destinas ao setor. De fato, cada uma dessas facetas guarda uma culpa ampla e profunda para com os maus resultados estatísticos do desempenho do sistema. Porém, há uma razão oculta da qual ninguém diz que estende suas raízes no subsolo delas todas. Há que debitar-lhe no entanto, grande dose de responsabilidade pelo que vem ocorrendo: trata-se da falência das famílias no exercício de sua responsabilidade educativa em relação aos filhos. Como todos sabem, o bicho homem, quando nasce, é um ser biológico, como todos os outros que vêm à vida. Só que com uma diferença: enquanto que os bichos trazem ao nascerem defesas naturais e instintivas, que os ajudam a alimentar-se e a superar riscos, o homem só sobreviverá se for amparado por forças outras que não as suas próprias. O cenário ideal para isso é a família. A família existe mais do que apenas para facilitar a geração dos filhos, se não que, principalmente para ampará-los, alimentá-los, defende-los e educa-los, a partir do momento de sua chegada ao mundo. A natureza social e cultural do ser humano impõe aos familiares essas ações aculturativas em relação às novas gerações. Trata-se de uma ação informal, que educa, não só pelo exemplo, mas principalmente pelos primeiros esclarecimentos exigidos pela curiosidade dos educandos, feitos de lições rudimentares sobre usos e costumes,  comunicação oral, valores básicos de convívio social e de conduta ética, princípios religiosos, etc. Antigamente, no campo e na cidade, isso funcionava a contendo, não importando se a família era rica ou pobre, eis que a pobreza jamais precisou ser sinônimo de ignorância, sujeira ou grosseira.

 

     Com esta enlouquecida urbanização dos tempos atuais, em que massas humanas sem ter onde morar, vivendo de subempregos da informalidade econômica e, não raro, cobrindo-se de andrajos e passando fome a organização e a funcionalidade familiar entraram em crise. Criou-se não apenas uma faixa de lumpers sem futuro como ainda se assistiu ao surgimento de novas gerações criadas nas ruas, que hoje engrossam o tráfico de drogas e ampliam a cultura da criminalidade por todas as esferas sociais. Os pais, não raro desconhecidos ou desunidos, não mais conseguem impor sua autoridade familiar, nem tão pouco transmitir aos jovens aquela educação primeira, que seria do seu dever.

 

     A consequência aí está: ao chegarem à escola crus e ignorantes, até mesmo das regras básicas da civilidade, passam pela sala de aula agredindo professores, espancando e até matando colegas, e sem apresentar um traço mínimo de maturidade para o convívio social e a aprendizagem formal.

 

     Considerando que essa população é imensa no espectro estrutural da sociedade brasileira, faço-me diariamente uma pergunta incômoda, para a qual não tenho resposta (você, caro leitor, terá?): como sair da crise educacional, em que estamos atolados, sem a reintegração das famílias (não só das lupens mas também das classes mais altas e até escolarizadas) no seu dever de orientar as crianças e os jovens no recesso do lar? Que políticas sociais de governo deveriam conter não só reformas da educação mas também medidas no sentido de apoiar e assistir minimamente as famílias, principalmente, as mais marginalizadas cultural e economicamente, no que diz respeito as suas necessidades educativas para com os filhos? Olhar para isso poderia ser um bom começo para  a superação da crise da educação no Brasil.