Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Brincando de Rimar

 

Brincando de rimar

Rimando dia 17 de maio de 2022

Fudida mal paga

Com o cú na mão

Minha reputação

Já está no chão

Meu corpo num valão

Misturado com sabão em pó

Que nem dá dó

E todos aplaudindo no bailão

 

Quem é você para falar de justiça

Que usa unha postiça

Fala de mim pelas costas

Mas é branca e se faz preta

Por uma cota

 

Meus direitos teus direitos

Então faz direito seus deveres

Se queres ter seus direitos

Cada um fazendo a tua parte

Na humildade e com dignidade

 

Vou rimar

Para não chorar

Vou cantar e dançar

Para não surtar

Vou falar sozinha

Para não pirar

Vou me amar

Em primeiro lugar

 

Amar não dá

Rir é proibido

Bom é ser fingido

E viva o cinismo

Mundo hipócrita

Desse eu tô fora

 

Já me usaram

Já me caluniaram

Já me difamaram

Já me calaram

Mas não me pararam

 

Fácil falar

Difícil é encarar

Um olhar

 

Liberdade para quê

Se todos preferem o fumê

 

 Brincando de rimar  – 19/5/22

 

Estava procurando alguém para amar

E não para odiar

Mas não consigo parar de olhar o mar

Nem deixar de amar

Só quero voar

Só quero mergulhar

Só quero nadar

Só quero relaxar

Para nunca mais odiar

Apenas contemplar

 

 

Ontem vi um cavalo-marinho

Tão pequenino

De primeira não acreditei

Estranhei

Água límpida

Abençoou-me com a visão

Desse animalzinho.

 

Julgam -me sem me conhecer

Falam mal de mim

Por não terem o que fazer

Vidas vazias, vidas sem sentido

Que nada fazem

A não ser maldizer

 

Brincando de rimar – 21/5/22

 Mergulhar no mar

Boiar

Ver o sol brilhar

Pássaros a voar

Só me resta

Alguém para amar

 

 

Ler para quê

De que adianta ler

Ler não leva a nada

Ler não tem nada a ver

Quem lê não tá com nada

Não vale nada

Vale mais quem nada lê

 

 Brincando de rimar – 27/5/22

 Procuro alguém para amar

Não me canso de caçar

E atacar no olhar

Quero abraçar

E sentir o coração pular

 

 

 

 

domingo, 12 de junho de 2022

Objetivo número 1 do milênio

 

Objetivos do milênio – agenda globalista

 

Embora estejamos na onda da década dos oceanos é preciso lembrar que o objetivo número um rumo ao desenvolvimento sustentável é a erradicação da pobreza.

 

Em outras palavras: diminuir a desigualdade social e econômica

 

63.550.228 habitantes viviam em situação de vulnerabilidade de pobreza (até ½ salário mínimo)

 

Metas

 

              11

Até 2030 erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares atualmente medida como pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia.

 

              12

Até 2030 reduzir pelo menos à metade a proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões de acordo com as definições nacionais.

 

             13

 Implementar em nível nacional, medidas e sistemas de proteção social apropriados para todos incluindo pisos e até 2030 atingir a cobertura substancial dos pobres e vulneráveis.

 

            14

Até 2030 garantir que todos os homens e mulheres particularmente os pobres e vulneráveis tenham direitos iguais aos recursos econômicos bem como o acesso a serviços básicos, propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade: herança, recursos naturais, novas tecnologias apropriadas e serviços financeiros, incluindo microfinanças.

 

           15

Até 2030 construir a resiliência dos pobres e daqueles em situação de vulnerabilidade e reduzir a exposição de vulnerabilidade destes a eventos relacionados com o clima e outros choques e desastres econômicos, sociais e ambientais.

 

 

MOTIVOS DA POBREZA NO BRASIL

*o baixo investimento no sistema educacional;

*a grande disparidade de trabalho e renda entre as pessoas;

*o preconceito existentes na sociedade;

*a presença de um grande número de trabalhadores informais

*a ausência de políticas de geração de renda

 

Balão de Pensamento: Nuvem: De acordo com a FGV Social, quase 25 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil. Em 2019 antes da pandemia de Covid 19 eram pouco mais de 23 milhões de indivíduos nesta situação.
 

 

Estudos sobre Estratificação Social

 

Colégio Estadual Miguel Couto

Disciplina: Sociologia

Ensino Médio Regular – 2º Ano

 

Texto – Outras formas de Estratificação Social

 

     Vimos nos outros textos como os fundadores da Sociologia, Karl Marx e Max Weber estratificaram as sociedades europeias do século XIX. Karl Marx estratificada a sociedade em termos de propriedade e assim dividiu a sociedade entre os proprietários [burguesia] e os não-proprietários [proletariado/ operário] , afirmando que a propriedade privada é a causa principal da desigualdade econômica e social entre as classes sociais e vai buscar demonstrar isso através do seu método de estudo chamado Materialismo Histórico Dialético. Já Max Weber vai levar em consideração outros critérios além do econômico [propriedade], tendo em vista que seu método de estudo é a Sociologia Compreensiva na qual busca entender os motivos pelos quais os homens agem de determinada maneira, levando em conta inclusive a ação social mesmo que seja de poucos indivíduos, assim para ele há três critérios básicos pelos quais podemos classificar um indivíduo ou grupo social em determinada classe, são eles: a) o econômico; b) o profissional e c) o político e chama atenção também para a importância do status social na hora da classificação. Não podemos esquecer no entanto que as sociedades passaram por inúmeras mudanças desde o final do século XIX até o início deste século , XXI e diante desta complexidade foi preciso que novos critérios ou indicadores sociais fossem criados, principalmente no caso da sociedade brasileira. É o que veremos daqui em diante.

 

     Antes de entrarmos em contato com o IBGE , é importante conhecermos alguns critérios de estratificação ainda não mencionados: racial e do gênero. Vejamos: Quando o censo pergunta: Qual é a sua cor? É parda? É amarela? É negra? É branca? É indígena? A pessoa ao responder determinada cor está se classificando dentro de determinada raça, vale lembrar que quem se classifica é a pessoa entrevistada, não o recenseador. O mesmo ocorre quando perguntamos: Quantos negros há no Brasil? Quantos brancos há no Brasil? Existe ou não mistura de raças no Brasil? O negro é maioria? O branco é maioria? Enfim como podemos interpretar esta questão da raça no Brasil? Com relação a estratificação de gênero o critério é o mesmo, lembrando que gênero é uma invenção cultural ao passo que sexo segue um critério puramente biológico. Assim quando estamos falando de gênero estamos nos referindo [a orientação sexual – LGBT+] , ou seja é apresentado à pessoa essas categorias culturais de acordo com a sua orientação sexual e a pessoa se coloca em uma delas; bem diferente da pergunta: Qual é o sexo? [sexo de nascimento].

 

     Para além destes dois critérios mencionados anteriormente podemos fazer o seguinte: elaborar um questionário, entrevistar as pessoas e em seguida fazer uma análise dos dados coletados. Neste questionário poderíamos fazer perguntas relacionadas a vários critérios de classificação/ estratificação social. Como por exemplo:

 

Questões do Questionário Piloto

1ª) O indivíduo trabalha? – Sim   Não

2ª) Qual é a sua atividade econômica? Ou qual é a sua profissão? [dimensão profissional]

3ª) Quanto você ganha?  [dimensão econômica]

4ª) Sua atividade tem algum poder na sociedade [capacidade de mando, status] – [dimensão política]

5ª) Qual é o seu sexo?  - masculino    feminino

6ª) Qual é o seu gênero? Hétero    LGBT+

7ª) Qual é a sua cor?  [dimensão racial]

8ª) Estado civil?

9ª) Nível de escolaridade?

outros...

10ª) Qual é a renda familiar?

 

     Ao perguntarmos a ocupação e a renda da pessoa automaticamente estamos classificando ela em determinada camada social, ou classe social [dimensão econômica, na qual fica mais claro a desigualdade, lembrando que o critério educação também é considerado]. Desta maneira se priorizarmos  a dimensão econômica, podemos classificar a sociedade brasileira nas seguintes classes  sociais:

*Classe social A – renda mensal = de 15 salários mínimos [s/m]

*Classe social B – renda mensal = de 05 a 15 s/m

*Classe social C – renda mensal = de 03 a 05 s/m

*Classe social D – renda mensal = de 01 a 03 s/m

*Classe social E – renda mensal = até 1 s/m

**Pobreza Absoluta = quem vive com até menos de 1 dólar por dia.

 

     Resumindo, classe social é quando um grupo social apresenta a mesma renda e tem mais ou menos o mesmo estilo de vida. Vale lembrar que outros critérios também deve ser levados em consideração.

 

Observações Importantes:

1)Uma outra maneira de classificarmos o indivíduo ou o grupo social em determinada classe é através do consumo [capacidade de consumo], quer seja de comida, de aparelhos celulares, carro, etc.

 

2)Ao classificarmos as pessoas e agrupá-las sob a forma de classe social automaticamente estamos estratificando, dividindo-as em diferentes camadas sociais. Quando observamos que há diferenças enormes entre as classes sociais, ou quando as diferenças tomam proporções assustadoras temos as desigualdades sociais e econômicas.

 

3)Apesar do sistema capitalista gerar desigualdades e econômicas, somente em sociedades de classes há chances de mobilidade social, mudança de classe social.

 

4) Desigualdade Social – podemos dizer que está mais relacionada à dificuldade de acesso à educação, saúde, previdência, trabalho, saneamento básico, alimentação, infraestrutura de um  modo geral. Neste caso, o indivíduo o grupo social desta classe social muitas vezes não consegue fazer valer os seus direitos.

 

5) Desigualdade Econômica -  refere-se mais à renda [ao salário], está diretamente ligada à dimensão profissional  e reflete também no poder aquisitivo [“capacidade de consumo”].

 

 

Texto – Síntese de Indicadores Sociais

O que é

Fonte: https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/trabalho/9221-sintese-de-indicadores-sociais.html?=&t=o-que-e

 

Analisa a qualidade de vida e os níveis de bem-estar das pessoas, famílias e grupos populacionais, a efetivação de direitos humanos e sociais, bem como o acesso a diferentes serviços, bens e oportunidades, por meio de indicadores que visam contemplar a heterogeneidade da sociedade brasileira sob a perspectiva das  desigualdades sociais.

 

A Síntese de Indicadores Sociais teve início em 1998. Sua origem remonta à publicação Indicadores sociais: relatório 1979, também do IBGE, que, rompendo com a hegemonia de indicadores econômicos para estes fins, em especial o Produto Interno Bruto – PIB, avançou na proposição de um novo escopo de avaliação das  condições de vida da população, contemplando, à época, questões relacionadas a População e famílias, Divisão do trabalho, Mobilidade ocupacional da força de trabalho, Distribuição de renda, Despesa familiar, Habitação, Educação e Saúde. Até a edição de 2016, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD constituiu a sua principal fonte de informação, complementada com outras estatísticas, tanto do IBGE como de fontes externas. Com o encerramento da PNAD e sua substituição pela Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, esta passou a ser principal fonte de informação do estudo, somando-se a ela, da mesma forma, outras estatísticas internas e externas.

 

Ao longo de sua existência, o estudo tem procurado abarcar uma série de informações essenciais para o mapeamento das desigualdades e seus efeitos sobre a realidade social brasileira, com vistas não só à incorporação de assuntos atuais e relevantes para as políticas públicas, como também ao aprofundamento das análises a partir do eixo das desigualdades de gênero, cor ou raça e grupos de idade.

 

A periodicidade do estudo é anual, exceto nos anos de realização do Censo Demográfico. Sua abrangência geográfica é nacional, com resultados divulgados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Regiões Metropolitanas e Municípios das Capitais.

 

 

https://educa.ibge.gov.br/professores/educa-atividades/17677-trabalhando-com-o-conceito-de-renda-domiciliar-per-capita.html

 

https://educa.ibge.gov.br/professores/educa-atividades/17683-conhecendo-a-populacao-de-minha-cidade.html

 

https://cidades.ibge.gov.br/

 

https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rj/panorama*

 

*Dados Educação

1)Matrículas no ensino fundamental [2017] - 2.019.459 matrículas

2)Matrículas no ensino médio [2017] - 573.300 matrículas

3)Docentes no ensino fundamental [2015] - 120.913 docentes

4)Docentes no ensino médio [2017] - 45.483 docentes

5)Número de estabelecimentos de ensino fundamental [2017] - 7.680 escolas

6)Número de estabelecimentos de ensino médio [2017] - 2.269 escolas

 

 

 

"A valorização do salário mínimo transformou o mercado de trabalho", afirma Lilian Marques

Lilian Marques, assessora técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

última modificação 22/12/2017 15h14 Reprodução/Portal Brasil

 

http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2016/04/ganho-real-de-77-do-salario-minimo-melhorou-a-vida-de-48-milhoes-de-pessoas

 

rever esta matéria de jornal com calma

qual é a metodologia de pesquisa usada por este instituto

 

domingo, 22 de maio de 2022

Permita-se Ser Mal Vista!!

Indo contra a maré, nadando contra a correnteza e algumas vezes "against the wind", continuo dando valor mais a essência , à substância do que a aparência. Uma forma sem conteúdo é como brownie massudo, sem recheio algum. 
Em tempos narcísisticos como os nossos, aparências não me impressionam, são apenas cascas.... Assim são muitas pessoas apenas cascas mas tão vazias por dentro, que quando começamos abrir o cheiro ruim é tão forte, que o melhor a fazer é deixar de lado. 

Aos que gostam de julgar e falar da vida alheia sem ter nada melhor a dizer. Somente digo isto:

Permita-se ser mal vista

“Permita-se ser mal vista, mal falada, mal avaliada!

Permita que se enganem a seu respeito, que dêem risadinhas pelas costas!

Permita que julguem, que cochichem que acreditem saber quem você é!

Permita que te “olhem torto”, que se afastem, que te excluam, que te rejeitem!

Deixe sua reputação cair por terra, enfrente seu maior pesadelo!

E veja que SIM, ela acaba em morte!

Morte desta que era escrava “dos outros”.

E então viva, viva livre, sem medo.

Porque os “outros” não tem mais poder sobre você.”


Thereza muito obrigada por  ter me passado este belo texto!! Valeu amiga!! 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Caminhos para o Autoconhecimento

                         CAMINHOS PARA O AUTOCONHECIMENTO

 

“A melhor conversa que você pode ter é aquela em que você mesmo responde à sua própria pergunta.”

Fonte: Canal Mundo Cultural

Vídeo: A Arte de Falar Sozinho/ Você será mais inteligente ao fazer isso.

 

“Contar a verdade para si mesmo” = Testemunho solitário

 

“O que é melhor para você.” = Para mim, busco sempre a verdade.

 

“Pensamento existe na consciência, é a fala que o /a torna realidade.”

 

“Falar sozinho cria uma passagem entre a realidade e as suas ideias.”

 

“Falar em voz alta quando está sozinho serve de consolo e desabafo.”

Consolo – a raiva pode ser expelida pelas palavras – eu faço isso, ajuda a diminuir a carga emocional e você fica mais leve.

 

“Quanto maior for a intimidade consigo mesmo mais irá se entender.

E quanto ao entendimento, maior será seu potencial e produtividade.”

 

Falar sozinho => intimidade -> dá direção para a vida -> autoconhecimento

Organiza as ideias, clareia a mente

É uma terapia

terça-feira, 19 de abril de 2022

Metamorfoseando

 

É mais ou menos assim:

“Quando a situação for boa, desfrute-a

Quando a situação for ruim, transforme-a.

Quando a situação não puder ser transformada,

     Transforme-se.

segunda-feira, 28 de março de 2022

MEDO DE SER

 O MEDO DE SER

Arthur da Távola, “Alguém que já não fui”

 

Vejo quilômetros de filmes e teipes, anos a fio, leio quilos de papel, despenco abismos de olhares, enfrento filas intermináveis de letras: autores, diretores, sonoplastas, criadores, publicitários, o filmete, o produto, a peça, o disco, a monografia, o retrato. Vejo a moça que quer dizer o que pensa mas não diz. O homem que ama o filho mas não consegue. O filho que está com vontade de viver a própria experiência, mas teme.

 

Eu tudo, por onde passa olho do cronista, está presente o medo de ser. Estranha mistura esta, a nossa, a humana, que nos faz querendo sempre ser e vacilando a cada momento de realizar.

 

É a moça que quer ser amada mas se defende realizando o discurso sociológico. É o rapaz que quer ser político mas tem medo de perder a vida. É o menino que deseja falar com outro, mas teme ser mal julgado. É a mãe que deseja reter o filho mas disfarça.

 

O medo de ser paralisa o gesto de afeto pelo temor do ridículo, do riso, do escárnio, da gozação, da indiferença e, até , do elogio.

 

O medo de ser impede a franqueza diante daquele de quem se depende. O medo de ser impossibilita a entrega completa porque ela pode ser mal interpretada. O medo de ser prolonga muita coisa que já acabou.

 

O medo de ser cria defesas mirabolantes: ficar rico; ser original; ser metido a diferente; fazer-se inteligente; transformar-se em muito culto; virar o melhor da turma; ser o rei da festa; passar a ser o engraçado do grupo; fazer peso ou se transformar no bambam da esquina; bater o recorde; ser da seleção; “meu filho seja sempre o melhor”; parecer bom; dar uma de herói; cobrar atitudes sempre dos outros; criticar sem reparar as dificuldades de cada um.

 

O medo de ser cala aquela raiva; sepulta aquele ódio, finge que não liga; provoca concordância com os outros grupos mais agressivos ou convincentes; adere a modas; segura as pontas; aguenta a barra; sacode a poeira; adula, passa a mão na cabeça; aparente eficiência fazer ser eficiente; ensina a mandar; aprende a obedecer; faz repetir os gestos; silencia a franqueza; teme a crítica; impede a ocupação do próprio espaço.

 

O medo de ser paralisa o gesto de afeto; adia o telegrama de parabéns; não envia a carta de amor; finge que não odeia; esconde-se na simpatia; simpatiza com os esconderijos; faz concordâncias irrefletidas; aceita influências; finge-se de forte; depende do que aparenta.

 

O medo de ser estraga aquela energia porque ela não era sincera; atrapalha aquela viagem porque ela era só fuga; procura aquela tristeza e faz ficar mais triste; vai naquele lugar mas dá formigamento nas extremidades; aceita aquele elogio sem com ele concordar; sofre em demasia por aquela injustiça mesmo sabendo injusta. Rejeita o louvor mesmo o sabendo sincero.

 

O medo de ser não comunga na hora em que dá vontade e sim por causa dos outros; não ensina a lição do próprio porque vive na dependência do amor alheio; não se olha no espelho com pavor de encontro o rosto de quem inveja.

 

O medo de ser é a fuga do mais genuíno e própria de cada pessoa por causa dos padrões e modelo e comportamentos inculcados , introjetados, inoculados, disfarçados em amor, seio bom ou mau, injeção, colégio pago ou aula de balé

 

O medo de ser forma a legião das representações que envolvem (90? 95?) por cento dos nossos atos.

 

O medo de ser gera outros eus. Gera o tu, o ele, o nós, o vós, o eles no eu; e não o eu no tu, no ele, no nós, no vós, neles, como expressão mais autêntica e verdadeira do que somos e não do que fingimos ser.