Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

´Qual será o futuro do Complexo do Alemão?

Há momentos em que o silêncio fala mais do que mil palavras, porém também há momentos que não conseguimos ficar em silêncio, como se nada estivesse acontecendo. Como professora de sociologia do ensino médio em uma escola pública de Cabo Frio, sinto-me meio que obrigada a fazer uma breve observação sobre os acontecimentos da passada no Complexo do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. Antes gostaria de fazer duas observações preliminares.


Em primeiro lugar quero lembrar que procuro evitar tocar diretamente no assunto tráfico de drogas e de armas, por alguns motivos: a) não conheço o assunto em profundidade, tenho apenas o mesmo conhecimento que o senso comum tem; b) é um assunto demasiado complicado e complexo; c) porque no fundo sei que a presença do tráfico nas comunidades onde meus alunos moram é uma realidade; d) temo fazer julgamentos precipitados e por vezes equivocados.


Em segundo lugar, apesar de não tratar diretamente da questão do tráfico de drogas e de armas, busco sutilmente contornar o assunto colocando outras questões de ordem moral e ética. Sempre pergunto aos alunos: Que caminho escolher, o do bem ou o do mal? Com o intuito de jogar a responsabilidade das escolhas na vida sobre o próprio aluno, lembrando-o sempre de que ele é o único responsável pelas escolhas, atitudes e comportamentos e que cada ato pode ter uma conseqüência, cabendo portanto ao próprio aluno assumí-los e contorná-los da melhor maneira possível.


As observações que aqui serão feitas podem estar erradas, por carecerem de informações mais precisas, contudo são apenas observações parciais sobre o cerco ao Complexo do Alemão ocorrido no Rio de Janeiro entre os dias 25 a 28 e que vai continuar ao longo de mais sete meses.


As ações do tráfico em resposta às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) não só subestimaram, como também precipitaram os acontecimentos, uma vez que o Estado se viu obrigado a unir todas as forças, desde da PM, passando pela Policia Federal até o Exército e a Marinha.


A perda de um território do tráfico, no caso do Complexo do Alemão com 16 favelas e sua retomada pelo Estado é um marco na história do Rio de Janeiro. Partindo do princípio de que ao que parece eles (Estado) conseguiu diminuir o poder e a influência do Comando Vermelho, facção que controlava o tráfico de drogas em toda aquela área.


A prisão de traficantes da alta hierarquia do CV, a apreensão de drogas e armas indica que o Complexo do Alemão era um ponto estratégico para esta facção. A retomada deste território pelo Estado pode indicar um provável prejuízo para esta facção, que em carta aberta ao público deixou claro a necessidade dos “partidos” se unirem. Deixando a entender que saiu com grandes baixas tanto humanas quanto financeiras.


Sem querer ser estraga festa coloco agora algumas questões:


Por quanto tempo o Estado conseguirá manter a ordem no Complexo do Alemão? Será que as UPPs naquela região resolverão a situação desta área?


O Estado conseguiu enfraquecer o Comando Vermelho, porém nada foi mencionado com relação às outras facções como A.D.A (Amigos dos Amigos), TCP (Terceiro Comando Puro) e TC (Terceiro Comando), e o pior as milícias. Quem garante que essas UPPs no futuro não serão comandas pelas milícias? Quem garante que outras facções não se misturem aos milicianos para controlarem o Complexo do Alemão?


Algo me diz que ainda tem muita “poeira debaixo deste tapete” e que ainda é muito cedo para acreditarmos em UPPs, pois o tráfico de drogas e de armas pode ter uma dimensão muito maior do que imaginamos. O fato é que no momento o Estado ganhou uma árdua batalha, mas não a guerra.


E o mais trágico disso tudo é a sociedade brasileira trava uma guerra constante entre o certo e o erro. Nesse cenário de caos temos muitas batalhas, uma delas é também com a corrupção. Pois corrupção mata tanto quanto o tráfico, pena que não tenho estatísticas para provar.


Aos policiais não corruptos que participaram do cerco ao Complexo do Alemão, que sabem diferenciar o que significa um bem público e um bem privado ou particular, congratulações.


Deus queira que esses policiais não se aproveitem da situação e não se tornem milicianos!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tristes olhos

Tristeza e desânimo saltam-me os olhos.
Olhos esses que tinham a esperança em muitas coisas.
Olhos que me faziam ver e acreditar,
Olhos que me faziam ir adiante, mesmo quando tudo parecia obscuro.
Desses olhos não caem mais lágrimas.
Eles estão cansados, exaustos,
tristes e desesperançosos.
Mais ainda enxergam, mas ainda vêem alguma luz,
por mais distante que ela esteja.
Estes olhos sabem que é preciso chorar,
que é preciso deixar as lágrimas saltarem enlouquecidamente.
Para assim lavar a alma e espantar a tristeza e a desesperança.

Escrita em 23 de novembro de 2010

Viagem da Mente

Cada viagem da mente uma perda,
Cada viagem da mente uma loucura,
Cada viagem da mente meu eu fica deslocado,
Cada viagem da mente a tristeza vem depois,
Cada viagem da mente meu corpo muda para pior,
Cada viagem da mente vem a sensação de fracasso.
Sinto tudo isso em cada viagem da mente que passei.
E para cada viagem da mente senti uma mistura de depressão
com a necessidade de recuperação urgente.

Escrita no dia 23 de novembro de 2010

Um breve oi

Este ano não foi muito bom para mim, passei pela minha sétima viagem da mente (surto psicótico) e ainda estou juntando os cacos. Costumo sempre dizer que o pior de qualquer surto é o depois. Mas deixa para lá, o fato é que fiz muita loucura , tive que entrar de licença, minha vida ficou uma bagunça e só agora estou tentando arrumá-la. Nada melhor que o tempo, o tempo é o melhor remédio. Mas confesso que não estou uma maravilha, ao menos voltei a dar minhas aulas de sociologia e filosofia. Pois é acabei voltando atrás na minha decisão em só dar aulas de sociologia, os motivos foram dois: primeiro porque teria que completar carga horária em outro colégio e o segundo, os próprios alunos e a escola.
Mas de qualquer maneira confesso que tenho andando meio tristonha e desanimada, por vários motivos, qualquer dia os coloco.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cega, surda e muda

Já pensou se as folhas falassem de verdade?

O mundo seria muito mais animado. Folhas se comunicando com borboletas... deixemos o transe de lado.

A novela do fiscal, supervisor, sei seja lá qual for o status do olhos do big brother ("Nosso Pai, Nosso Grande Irmão, O tal do Estado Leviatã) chegou ao fim. Depois de um tempinho a folhinha de carvalho caiu ou mudou de cor , pois teve que dançar conforme as estações do ano, ou melhor adaptar-se às circunstâncias... Infelizmente, algo me diz que é melhor ficar mudinha neste momento.



Mas indo à raiz da questão: A folhinha de carvalho acabou aceitando o desafio... Postá-lo-ei em outra ocasião...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (05)

Ida à Coordenadoria.

Em horário alternativo, as últimas notícias da novela do fiscal da educação...

Nada resolvido realmente e a novela continua. Pontualmente cheguei às 10horas na coordenadoria e imediatamente fui levada a um setor lá que parece tratar da admissão dos professores. Conversando com a moça deste setor, ela deixou claro que a legislação só permite professor entrar em sala de aula para lecionar uma dada disciplina se tiver no mínimo 160horas em seu histórico escolar. Bom, ao longo da minha graduação não fui informada sobre isso e sinceramente não estava nem preocupada, até porque jamais me imaginei professora de sociologia de ensino médio. E até hoje me pergunto se levo jeito pra dar aulas, minha letra é um horror, meu quadro um caos, não consigo controlar turmas grandes.... Cada aula é uma batalha contra a “tirania da maioria”, sem contar que preciso virar artista, malabarista e advinha na maioria das vezes.

Mas voltando ao assunto, levaram-me neste setor para conversar com o responsável, este não estava pois teve que sair para resolver processos e só iria voltar as 11:30hs. Como a moça já tinha me passado a informação que precisava, resolvi não esperar.

Ao que tudo indica parece que não gostaram do meu posicionamento, quando deixei claro que esta situação pode ser caracterizada como assédio moral, por isso levaram-me a este setor, para que pudessem me dar maiores informações, mas o responsável não estava. Contudo a moça que lá estava fez bem o seu papel, como foi relatado acima, graças à ela não levei um chá de cadeira de uma hora.

A carta abaixo foi enviada por email a diretora da escola e a todos os professores do colégio onde tenho matrícula.


Carta à Coordenadoria da Baixada Litorânea I – CR 07 e à diretora do xxxxxxxxxxx

Venho por meio desta formalizar e reiterar meu pedido anterior, o de não lecionar no momento aulas de Filosofia no Magistério do Estado do Rio de Janeiro. De fato, em meu histórico escolar não constam as 160 horas como obriga a legislação, por enquanto. Sendo assim gostaria de completar a carga horária nos colégios onde já dou aulas de sociologia,

Antes porém, gostaria de fazer um pedido à coordenadoria que fizesse um levantamento sério dos professores que estão dando aulas principalmente de Sociologia em outros colégios, tal como foi feito comigo na disciplina de Filosofia, pelo inspetor XYZ no final deste ano de 2009. Caso estes professores também não tenham autorização, disponho-me a pegar GLP, caso eu queira.

Atenciosamente agradeço,
Cordialmente,
Djane Bouças de Carvalho Britto

Cabo Frio, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Carta à Coordenadoria e à Diretora

À Coordenadoria da Baixada Litorânea I
De : Djane Bouças de Carvalho Britto – número da matrícula xxxxxxxx

Venho por meio desta reafirmar minha posição com relação ao comunicado que me foi passado de maneira informal pela diretora *****, ****, referente à disciplina de Filosofia e respectivamente sua nova carga horária, nos moldes da nova matriz curricular.

Tendo em vista o comunicado que recebi de maneira informal e indireta do inspetor, xyz, através da diretora ****, segundo o qual não tenho autorização para lecionar aulas de filosofia no Ensino Médio, no caso na EJA, reafirmo aqui minha posição quanto a colocação do inspetor xyz. De fato, legalmente não tenho autorização, uma vez que não sou formada em Filosofia logo não sou licenciada, sou apenas licenciada em Sociologia. Por esta razão, enfatizo nesta carta o meu desejo de não mais dar aulas de Filosofia para o Estado do Rio de Janeiro em quaisquer série ou fase e colégio, e reitero minha vontade em permanecer somente com as cargas horárias referentes à Sociologia, no ***** e complementando-as preferencialmente no *****, onde leciono esta disciplina deste 2008.2.

Vale registrar que o tratamento do inspetor xyz com relação à professora em questão pode ser caracterizado como assédio moral, dado que esta professora está em Estágio Probatório. Cumpre salientar também, que é de conhecimento geral que há no Magistério do Estado do Rio de Janeiro, professores de História que lecionam Sociologia e Filosofia. Sendo assim, esta carta tem como objetivo reafirmar formalmente a posição da professora em questão em não dar mais aulas de filosofia no magistério estadual, tendo em vista que esta está sofrendo assédio moral, porém não tem como provar.
Por meio desta carta (formal) venho por fim defender-me desta decepção e de possíveis outras que posso vir a ter dentro do Magistério do Estado do Rio de Janeiro, já que ainda estou em estágio probatório.
Convém advertir à coordenadoria que sinceramente não sei o nome do respectivo inspetor, o que significa que fui avaliada segundo critérios que desconheço totalmente, por uma pessoa que também desconheço absolutamente. Decididamente é uma falta de respeito para com os professores que ali chegaram por seus próprios méritos e levam o magistério estadual a sério.

Cordialmente,



Cabo Frio, dia 23 de dezembro de 2009