Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (05)

Ida à Coordenadoria.

Em horário alternativo, as últimas notícias da novela do fiscal da educação...

Nada resolvido realmente e a novela continua. Pontualmente cheguei às 10horas na coordenadoria e imediatamente fui levada a um setor lá que parece tratar da admissão dos professores. Conversando com a moça deste setor, ela deixou claro que a legislação só permite professor entrar em sala de aula para lecionar uma dada disciplina se tiver no mínimo 160horas em seu histórico escolar. Bom, ao longo da minha graduação não fui informada sobre isso e sinceramente não estava nem preocupada, até porque jamais me imaginei professora de sociologia de ensino médio. E até hoje me pergunto se levo jeito pra dar aulas, minha letra é um horror, meu quadro um caos, não consigo controlar turmas grandes.... Cada aula é uma batalha contra a “tirania da maioria”, sem contar que preciso virar artista, malabarista e advinha na maioria das vezes.

Mas voltando ao assunto, levaram-me neste setor para conversar com o responsável, este não estava pois teve que sair para resolver processos e só iria voltar as 11:30hs. Como a moça já tinha me passado a informação que precisava, resolvi não esperar.

Ao que tudo indica parece que não gostaram do meu posicionamento, quando deixei claro que esta situação pode ser caracterizada como assédio moral, por isso levaram-me a este setor, para que pudessem me dar maiores informações, mas o responsável não estava. Contudo a moça que lá estava fez bem o seu papel, como foi relatado acima, graças à ela não levei um chá de cadeira de uma hora.

A carta abaixo foi enviada por email a diretora da escola e a todos os professores do colégio onde tenho matrícula.


Carta à Coordenadoria da Baixada Litorânea I – CR 07 e à diretora do xxxxxxxxxxx

Venho por meio desta formalizar e reiterar meu pedido anterior, o de não lecionar no momento aulas de Filosofia no Magistério do Estado do Rio de Janeiro. De fato, em meu histórico escolar não constam as 160 horas como obriga a legislação, por enquanto. Sendo assim gostaria de completar a carga horária nos colégios onde já dou aulas de sociologia,

Antes porém, gostaria de fazer um pedido à coordenadoria que fizesse um levantamento sério dos professores que estão dando aulas principalmente de Sociologia em outros colégios, tal como foi feito comigo na disciplina de Filosofia, pelo inspetor XYZ no final deste ano de 2009. Caso estes professores também não tenham autorização, disponho-me a pegar GLP, caso eu queira.

Atenciosamente agradeço,
Cordialmente,
Djane Bouças de Carvalho Britto

Cabo Frio, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Carta à Coordenadoria e à Diretora

À Coordenadoria da Baixada Litorânea I
De : Djane Bouças de Carvalho Britto – número da matrícula xxxxxxxx

Venho por meio desta reafirmar minha posição com relação ao comunicado que me foi passado de maneira informal pela diretora *****, ****, referente à disciplina de Filosofia e respectivamente sua nova carga horária, nos moldes da nova matriz curricular.

Tendo em vista o comunicado que recebi de maneira informal e indireta do inspetor, xyz, através da diretora ****, segundo o qual não tenho autorização para lecionar aulas de filosofia no Ensino Médio, no caso na EJA, reafirmo aqui minha posição quanto a colocação do inspetor xyz. De fato, legalmente não tenho autorização, uma vez que não sou formada em Filosofia logo não sou licenciada, sou apenas licenciada em Sociologia. Por esta razão, enfatizo nesta carta o meu desejo de não mais dar aulas de Filosofia para o Estado do Rio de Janeiro em quaisquer série ou fase e colégio, e reitero minha vontade em permanecer somente com as cargas horárias referentes à Sociologia, no ***** e complementando-as preferencialmente no *****, onde leciono esta disciplina deste 2008.2.

Vale registrar que o tratamento do inspetor xyz com relação à professora em questão pode ser caracterizado como assédio moral, dado que esta professora está em Estágio Probatório. Cumpre salientar também, que é de conhecimento geral que há no Magistério do Estado do Rio de Janeiro, professores de História que lecionam Sociologia e Filosofia. Sendo assim, esta carta tem como objetivo reafirmar formalmente a posição da professora em questão em não dar mais aulas de filosofia no magistério estadual, tendo em vista que esta está sofrendo assédio moral, porém não tem como provar.
Por meio desta carta (formal) venho por fim defender-me desta decepção e de possíveis outras que posso vir a ter dentro do Magistério do Estado do Rio de Janeiro, já que ainda estou em estágio probatório.
Convém advertir à coordenadoria que sinceramente não sei o nome do respectivo inspetor, o que significa que fui avaliada segundo critérios que desconheço totalmente, por uma pessoa que também desconheço absolutamente. Decididamente é uma falta de respeito para com os professores que ali chegaram por seus próprios méritos e levam o magistério estadual a sério.

Cordialmente,



Cabo Frio, dia 23 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (04)

Infelizmente ainda não estou me sentindo em férias. Muitos de vocês que estão lendo isto aqui falarão que é besteira, que estou fazendo uma tempestade num copo d´água, etc. Mas aprendi com a vida a não esperar que os outros façam as coisas por mim e que resolvam os meus problemas. Muito menos a ficar esperando migalhas do “Grande Irmão”. Pois bem cá estou em mais uma madrugada, tendo que pensar como vou resolver a novela do supervisor da educação. Detalhe, agora o supervisor virou inspetor. São exatamente 4hs e 09 minutos.

O Conselho de Classe – dia 21 de dezembro de 2009

Que dia inesquecível! Caminhando alegremente para o colégio de repente me veio uma intuição: E se o supervisor da educação estiver lá? Como devo me comportar? E não é que entro na sala da diretora quem encontro lá, o supervisor que agora é inspetor. Com tanta mudança de status, peço licença ao inspetor, supervisor, ah sei lá, para chamá-lo de uma vez por todas de fiscal da educação. Logicamente este “servo” da educação estava para lá para fiscalizar e para chatear, com mudanças e mais cobranças de última hora.


É desnecessário dizer que o conselho não começou na hora, pois professores tiveram que fazer alterações em seus diários devido as últimas notícias do fiscal da educação. A principal foi que todos os professores deveriam fechar seus diários antes ou no dia do conselho de classe. Confesso que jurava que todos sabiam disso, mas ao observar a situação tive que me conter e ficar quieta, afinal já tinha aberto meu bico. Dei graças a Deus por ter feito tudo certinho, também pudera, passei a madrugada organizando essa papelada toda. Se eu tivesse que alterar alguma coisa ia ficar p... da vida.

Antes de começar o conselho de fato, abri meu bico, deixei claro para os colegas o que estava se passando comigo. Enquanto isso na sala ao lado estava o fiscal, falei em alto e bom som o que estava se passando, até para que ele escutasse mesmo. Ao final, a diretora pediu para que eu escrevesse, foi o que fiz (veja carta endereçada à Coordenadoria Regional das Baixadas Litorâneas). A professora que estava sentada ao meu lado, só me perguntava: Quanto tempo você tem de Estado? Estava tão irada na hora que nem dei muita atenção. Ainda bem! Mas senti e percebi pela maneira dela falar sua mensagem: Querida não se estressa, depois de um tempo no Estado você se acostuma. Sinceramente, é disso que tenho medo. Como posso aceitar o que fizeram comigo e com os alunos da 1002 este ano? Como posso aceitar deixarem meu nome num quadro de horário de uma escola na qual não pisava desde do final do ano de 2008? Como posso aceitar que de repente apareça na minha matrícula hora extra que nunca tinha feito? Como posso aceitar depois de terem feito essa falcatrua com meu nome vir um fiscal da educação e dizer que não tenho autorização para dar aulas de filosofia? Meu medo é justamente este que eu me acostume, e que com o passar dos anos eu permita que o Estado ou seja lá que governo for me vença, que eu passe a aceitar as coisas do jeito que são, de cima para baixo, sem nenhum compromisso sério com a educação e com os profissionais que estão “no chão da fábrica” . Não é senhor Lula “Deus” da Silva? Não é prezado governador Sérgio Cabral?

Agora são 4horas e 44 minutos acho que consegui colocar para fora. Às 10hs de hoje ainda terei que estar na Coordenadoria com uma posição. A carta mencionada acima foi entregue à diretora da escola onde tenho matrícula por orientação da coordenadoria.

sábado, 19 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (03)

Decididamente não estou disposta a ser uma peça no tabuleiro de xadrez da atual Secretaria de Estado e Educação do Estado do Rio de Janeiro. Por isso cá estou aqui novamente em plena madrugada de sábado escrevendo. Poderia estar fazendo mil e uma outras coisas, mas minha cabeça ferve quando penso no assunto. São exatamente 4hs e 18 minutos de domingo e não consigo tirar da minha cabeça a palavra – assédio moral.

Depois de um ano e meio lecionando sociologia e filosofia sinto-me sinceramente, humilhada. Este ano vi em um colégio uma turma da Eja de primeiro ano sem poder ter aula de sociologia, com professora graduada da área na escola proibida de entrar em sala, enquanto seu nome não entrasse efetivamente no sistema, a professora no caso é essa quem vos fala, a folhinha de carvalho. Durante dois meses meu nome entrava e saia do sistema, enquanto isso os alunos ficaram sem aula de sociologia. Pois bem, agora que tenho a certeza de que estou sofrendo assédio moral, creio que tenho o dever de chamar atenção para o que vem ocorrendo dentro da Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Continuando... Graças a um santo colega de trabalho, descobri que um outro colégio aqui em Cabo Frio estava prendendo meu nome em seu quadro de horário. Logo que entrei para o Estado lecionei apenas 6 meses de sociologia neste colégio, depois passei a complementar carga horária em outros. Acho melhor dar uma paradinha para explicar melhor.

Assim que entrei para o Estado (2008.2) tive que complementar carga horária em três colégios, pois sociologia e filosofia são disciplinas apenas do Ensino Médio. Então o que aconteceu em 2009? Continuei em dois colégios, no outro a direção não disse nada, quer dizer até disse, ocasionalmente quando encontrei as diretoras por acaso – elas disseram que meu nome estava no quadro de horário, disse a elas que estava em outro colégio e não fizeram absolutamente nada. Nada! E meu nome lá continuou, mesmo depois de eu dizer que estava complementando carga horária em outro colégio. Ou seja deixaram meu nome no quadro de horário de propósito ou sequer procuraram averiguar o que estava acontecendo. Tentei durante um tempo ver a minha situação mas não tive acesso a este quadro pois não estava disponível no site da secretaria, resultado fiquei sem saber nada. Tanto que fui complementar carga horária em outro colégio, por sinal, bem melhor.




A confusão começou de fato quando precisei pegar GLP (Gratificação por Lotação Prioritária – ou simplesmente hora extra) onde tenho matrícula e não conseguia, foram dois meses nessa brincadeira, meu nome entrava e saía do sistema. Tudo culpa do sistema.....Sempre o sistema, como se realmente não estivesse ninguém por trás do sistema! Cara pálida ta querendo enganar quem? E cadê o tal supervisor da educação que não viu isso? Afinal meu nome estava neste quadro de horário desde do início do ano!! E ninguém viu isso? Supervisionar colégio pequeno é moleza!

Como disse antes, um santo colega de trabalho perguntou-me se eu dava aula neste colégio (onde meu nome estava no quadro de horário), respondi-lhe que já tinha dado ano passado, mas que neste ano não dei sequer uma aula lá. Achei estranho... então resolvi tentar entrar de novo no quadro de horário da secretaria na internet, fiquei surpresa por ele estar disponível, porém irada quando vi meu nome no quadro de horário do colégio que havia dado aula no ano passado e que sequer tinha posto o pé lá neste ano. E se Deus quiser jamais vou colocar. Caso me coloquem lá, aviso a vocês ok!

Resumo da opera, a solução para o problema teve que partir da professora, a folhinha de carvalho. Se não fosse a folhinha de carvalho investigar o quadro de horário, os alunos iam continuar sem aula de sociologia e ainda iam me pedir para fazer um plano de estudos. Logicamente diante desta proposta de plano de estudos, tive que partir para o ataque, deixei bem claro que não assinaria nada, que não faria nenhum plano de estudos para esta turma e que ela passaria nem nota alguma de sociologia, afinal a turma não ia ter sequer uma aula de sociologia. Caso aceitasse esta proposta, estaria automaticamente desqualificando todo o meu trabalho em sala de aula. Estaria rebaixando minha aula a um mero plano de estudo. Graças a Deus, depois que descobri a falcatrua com meu nome consegui pegar a glp de sociologia para a turma que "não tinha professor" - "que tinha carência de professor", mas foram dois meses de palhaçada enquanto isso os alunos sem aula. Brincadeira! (detalhe ainda não recebi, mas td bem)


Depois dessa novela, vem um supervisor da educação e diz que não tenho autorização para dar aulas de filosofia. Maravilha! Hoje tenho a certeza e posso falar em alto e bom som que sei que estou sofrendo assédio moral do Estado. E que todo cuidado é pouco quando se trabalha dentro de um aparelho ideológico do Estado, e como não quero dar corda para o Estado me enforcar, tomei a decisão de não dar mais aulas de filosofia no Estado. Mas como sou concursada em Sociologia, o Estado vai ter que me aturar sim, pode tentar me controlar com cartão prá cá e prá lá, mas não podem controlar meu pensamento, nem o que leio nem em que acredito e não vou admitir nunca ser doutrinada pelo Estado ou por qualquer política de governo.

Uma observação que acho fundamental registrar aqui é que que em sala de aula busco orientar-me pelos valores morais e princípios éticos da profissão, se em alguns momento não consigo evitar um pouco de doutrinação é porque tem momentos que realmente é difícil de segurar. Mas tudo que mais desejo é que os alunos entendam significado de agir moralmente. Agora, aqui no meu cantinho, sinto muito, abro bico mesmo. Cansei de ficar quieta e só levar na cara, de seis meses aguentei o quanto pude. Se tem uma coisa que dou valor é a minha liberdade de pensamento e de expressão, aqui vocês não podem e não vão me censurar. Como diz Mv Bill , “Só Deus pode me julgar”. Não estou à venda. Minha liberdade de pensamento é tudo que eu tenho.

Ilustríssimo supervisor da educação, o senhor merece um belo cartão vermelho!
Tal como o PT e todos os políticos corruptos que fazem da educação, saúde, segurança e transporte moedas políticas. Vocês deveriam ter vergonha na cara!

Continuem vendendo seus votos, continuem.....
Vai dar m.... Ou melhor, já está estamos nadando nela né!!!

São exatamente 5h e 33 minutos de domingo.


Estou no fim deste desabafo, sufocado durante meses!


Ufa! Coloquei pra fora, não quero começar o ano de 2010 com tudo isso guardado não! heheh

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"OI JÁ MONTOU A SUA ARVÓRE?" GANHEI ESSE PRESENTÃO, OLHEM SÓ....

OIJá montou sua árvore???Trouxe uma para você!!!
dj - Ainda não! Mas muito obrigada por tê-la montado por mim Ju!
Fiz uma humilde contribuição, as estrelinhas, hehehehe


___________________Paz
__________________União
_________________Alegrias
________________Esperanças
_______________Amor.Sucesso
______________Realizações.Luz
_____________Respeito.Harmonia
____________Saúde **Solidariedade
___________Felicidade***Humildade
__________Confraternização***Pureza
_________Amizade**Sabedoria***Perdão
________Igualdade***Liberdade**Boa.sorte
_______Sinceridade***Estima***Fraternidade
______Equilíbrio***Dignidade*****Benevolência
_____Fé**Bondade**Paciência**Gratidão**Força
____Tenacidade**Prosperidade**Reconhecimento
( ¨.•´¨) . ×`•.¸.•´× (¨`•.•´¨). ×`•.¸.•´× (¨`•.-- ¨.•´¨) . ×`•.¸.•´× (¨`•.•´¨). ×`•.¸.•´× (¨`•...“:)CAMPANHA: VAMOS FAZER ESTA ÁRVORE CIRCULAR NO ORKUTATÉ O FIM DO ANO PARA ENERGIZAR 2010!!!PARTICIPE VOCÊTAMBÉM ENVIE PARA 10 AMIGOS QUE VOCÊ CONSIDERAR ESPECIALINCLUSIVE EU, SE VOCÊ ASSIM ME CONSIDERAR

obs: Favor não desmontá-la!! Não cortá-la!! Nem pense em cortar um galho, ou tirar uma folha!! Entendeu bem? Ela é sagrada!
bjs, cuidem-se e aquele abraço,
folhinha de carvalho

SEJA O QUE DEUS QUISER (02)

Gostaria realmente de poder abrir meu bico, e postar aqui o texto que escrevi nesta longa madrugada. - SEJA O QUE DEUS QUISER! (01). Acordei com a intuição de que deveria retirá-lo deste blog imediatamente, assim faço. Aprendi que a vida é um jogo e que há momentos que devemos recuar, noutros avançar e que também há momentos que a melhor tática é simplesmente ficar quieto. Assim faço, por não saber de onde pode vir o próximo tiro.




Sei que vocês não estão entendendo nada do que estou falando, nem poderiam, afinal nem eu mesma estou. E caso fale, irão me chamar de louca, então prefiro ficar quieta agora, aguardando os próximos capítulos da novela do fiscal da educação que tem autoridade para barrar quem vai dar aulas de filosofia e quem não vai.



Peço a Deus que me oriente nesta minha caminhada, que me proteja e que me dê forças para continuar lutando pelo que acredito. Acredito na liberdade, acredito que cabe a cada indivíduo assumir suas responsabilidades e que o Estado não deve ficar se metendo na vida das pessoas. Acredito que educar vai muito além da formalidade sala de aula, acredito que não devemos baixar a cabeça quando discordamos de algo. Acredito que uma das coisas mais delicadas é você se encontrar nos mundo atual. Acredito que a lição que Sócrates deixou há mais de 2000 anos - "Conhece-se te a ti mesmo" é um longo caminho de auto-conhecimento que deveria fazer parte da vida de cada pessoa. Acredito que todo ser humano pode ser auto didata (junto ou separado hhehehe) basta ter amor ao conhecimento. Acredito que ser ignorante significa acima de tudo ignorar a lição de Sócrates.


Assim que eu tiver um posicionamento dos atores sociais envolvidos na novela do fiscal da educação(*), posto aqui o texto mencionado - Seja o que Deus quiser ! (01)

(*) Errata: Supervisor da Educação.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SEJA O QUE DEUS QUISER! (01)

São quase 4 horas da manhã, meus olhos estão pregados, sei que se deitar na cama desmaio. Mas algo neste momento está me impedindo de fazer qualquer coisa, senão esta, escrever.

Venho por meio deste texto tentar entender melhor o que vem acontecendo na atual política de educação do governo do estado do Rio de Janeiro, particularmente somente dois pontos serão tratados . Mas em primeiro lugar vou me apresentar, sou formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, tenho uma especialização incompleta em Sociologia, Política e Cultura também pela PUC-Rio. É importante registrar aqui que só pude fazer esta especialização porque consegui uma bolsa-trabalho, o resultado é a Pesquisa dos Egressos de Sociologia, coordenada pelo professor da Puc-Rio, Marcelo Burgos. Em 2007 passei em 6ª lugar no concurso para o magistério estadual (baixada litorânea I), o que por direito garantiu meu começo de carreira como professora docente I, com salário inicial de R$540,00 líquidos. Hoje o professor do estado com curso superior entra recebendo aproximadamente R$730,00 , graças à incorporação do programa Nova Escola e mais um adicional.

O primeiro ponto diz respeito à disciplina de filosofia. É verdade, não tenho a licenciatura em Filosofia o que legalmente me impede de dar aulas desta disciplina no Ensino Médio, porém em meu histórico escolar tenho duas notas dez e uma nota oito e meio em três disciplinas de filosofia. Sem contar que atualmente venho fazendo um curso on-line de Filosofia de cinco anos com o professor Olavo de Carvalho. Convém salientar que este curso vem me ajudando muito profissionalmente e como ser humano, graças a ele pude tirar um peso das costas, quando o professor Olavo de Carvalho deixou claro para os seus alunos a imensa responsabilidade de se estudar filosofia e especialmente de ser seu aluno e que todos nós temos que assumir estes estudos como missão.

Ao longo de um ano meio venho lecionando aulas de filosofia na EJA (Educação para Jovens e Adultos), confesso que venho penando um pouco, pois tenho consciência que a Filosofia assim como a Sociologia são disciplinas perigosas, venho tentando evitar doutrinações e posicionamentos ideológicos em sala de aula. O que realmente me deixa de mãos amarradas, uma vez que sei que estou dentro de um aparelho ideológico do Estado, de esquerda –socialista-marxista e que usa a Educação como forma de dominação política e que praticamente inexiste o desejo de realmente formarem cidadãos que reconheçam o real valor da democracia representativa brasileira. Democracia esta que ao que tudo indica está indo na direção do Socialismo, de maneira sutil mas está.

Muitos falarão que enlouqueci, falem o que quiser e como diz MV Bill –“Só Deus para me julgar!" Muitos dirão internem ela já! Mas não posso me calar diante do que estou vendo, sei que corro todos os riscos, mas não posso, se ficar quieta minha consciência irá pesar pelo resto da minha vida, pois estarei deixando de lado minha missão – a defesa das liberdade (de expressão, de pensamento) faz parte dela. Diante do recado que recebi indiretamente, parece que o fiscal da educação* (detalhe, nem sei o nome) ao ver meus documentos afirmou que não posso mais dar aulas de filosofia. Logicamente até o momento não fui sequer apresentada ao tal fiscal (*), e ainda não tive a oportunidade de perguntar em que ele é formado, ou se alguma vez chegou a pegar em algum livro de filosofia..... Que critérios ele usou para me barrar? Mas tudo bem, depois de muito gritar, xingar sozinha, afinal de contas ele é a autoridade e não posso fazer isso na frente dele. Engoli seco! Mas deixei bem claro a todos em uma reunião do colégio minha visão: tudo bem eu não posso dar aulas de filosofia, agora se colocar outro professor de área diferente entro com processo. Lógico que não vou poder entrar com processo algum, lógico que vou ter q. enfiar meu r... entre as pernas (perdoem-me pelo termo), afinal ano que vem teremos eleições! E eu ainda estou em estágio probatório, qualquer mancada será motivo para inventarem outra ladainha a meu respeito.

Meu futuro a Deus pertence! Peço a ele força e luz para que eu possa continuar de cabeça erguida, peço aos meus anjos da guarda que me guiem no caminho certo. Porque eu sei, eu sinto que estou sofrendo assédio moral, aos colegas de trabalho que por ventura vierem a ler este texto, entendo a situação de vocês, mas preciso me defender, já que não me deram esta chance. Não me apresentaram ao fiscal (*), não ouvi da boca dele seus critérios para me julgar, apenas fui comunicada que não posso mais dar aula de filosofia. Como ainda acredito que há espaços neste país para a liberdade de expressão, o único que encontrei foi o meu cantinho – folhinha de carvalho. Se vocês estivessem no meu lugar, o que pensariam desse fiscal (*)? Como reagiriam? Diante dessa situação, recolho a minha insignificância e continuarei dando com muita honra, alegria e muito orgulho a sociologia.

O segundo ponto a ser destacado refere-se ao comunicado que me foi passado. Lá vai: “O QH (quadro de horário) mudará radicalmente em 2010. Nele constará toda a vida do professor (a), conforme a coordenadoria relatou, o sistema de rede está conectado às salas de aula, onde será computada a pauta de freqüência, conteúdo dado, freqüência do professor (a) etc...” Qualquer semelhança com o livro Big Brother 1984 de George Orwell é mera coincidência tá! Para quem não captou bem este recado o professor será controlado por uma rede, um tal sistema aí, ao que tudo indica em cada sala haverá um computador, no qual o professor deverá registrar a presença do aluno e o conteúdo dado naquele dia, imediatamente esses dados aparecerão no sistema. Tem suas vantagens e desvantagens, confesso que não acho graça nesta idéia, primeiro porque vai tirar a liberdade do professor; segundo , porque corre-se o risco de ter um esvaziamento na rede pública de ensino por parte dos alunos; terceiro, porque esse sistema pode ser falho, podendo inclusive perder dados, ou a empresa não ser correta, etc; quarto, tais mudanças não visam mudar a qualidade da educação; quinto, é uma mudança de cima para baixo e que não atende as necessidades reais de cada escola e de cada aluno. Por fim, esta mudança já era para ter acontecido, mas percalços do destino, graças a Deus impediram que ela ocorresse este ano. Só uma perguntinha: Afinal de contas ainda não me disseram qual ou quais são os objetivos desse controle todo em cima do aluno e do professor? É o que contenção de despesas? Se for contenção de despesas, estão me chamando de idiota, burra e ignorante! Porque não é! Detalhe seria interessante que o sindicato dos professores investigasse quanto o governo estadual de Sérgio Cabral vai gastar para fazer todas essas mudanças. Quando fazem obras não colocam os gastos públicos? Então! O mesmo deveria ser feito com a educação!

São 5h e 20 minutos, acho que consegui colocar estes dois pontos que para mim continuam difíceis de engolir. Talvez eu esteja fazendo uma tempestade em copo d´água, mas ficar quieta neste momento seria o mesmo que concordar com tudo que estão fazendo. Se temos que aceitar ordens de cima, então que as expliquem de maneira clara e transparente antes das coisas acontecerem de fato. Isso é Estado! É o Estado controlando tudo, sua entrada na escola, sua entrada na sala de aula, sua merenda, seu professor, enfim controlando a vida do aluno e do professor. Como professora busco dentro do possível assumir minhas responsabilidades, não quero um big brother, um estado corrupto controlando a vida dos alunos nem a minha.

Obs: Sei que daqui para frente o bicho vai pegar ainda mais para o meu lado.
Seja o que Deus quiser!


(*) Errata - Supervisor da Educação