Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Mensagem aos Professores e Funcionários do Colégio Estadual Praia do Siqueira


Uma mensagem aos professores e funcionários do Colégio Estadual Praia do Siqueira,

     Eu tenho um sonho, não sei se vou conseguir realizá-lo. Sonho em poder dar aula para  meu próprio filho, na escola onde trabalho e se Deus quiser continuarei. Um escola , um Colégio Público do Estado.

   Há 6 anos quando entrei para o magistério não os conhecia, alguns ainda nem tinham entrado nesta aventura de ser professor, outros já estavam na vida há bem mais tempo. Olho este Colégio onde vocês e eu educamos e sinto um carinho muito grande, sinto-me orgulhosa e grata a Deus por ter me colocado neste Colégio , com esta vista linda, com o pôr do sol mais bonito de Cabo Frio. E com corpo docente difícil de se encontrar , principalmente no interior do Estado do Rio de Janeiro, pois percebo e sinto que os professores têm carinho por suas profissões, têm também suas preocupações e angustias, isso faz parte da vida e de quem decidiu abraçar esta profissão... Sem contar com os funcionários: cozinheiras, auxiliares de turma (né Fatinha!), coordenadores (Rosi , Selma guerreiras!), secretárias (os), Alan e Fernandinho que tomam conta de nossos anjinhos e do portão, que sem esta turma também não há escola, colégio; bom provavelmente esqueci de alguém..., perdoem-me.

   E voltando um pouco atrás, entrei em 2008.6 já se passaram quase 6 anos. Passei pela experiência de conhecer duas diretoras e agora estou tendo uma nova oportunidade, de conhecer mais uma diretora. Mais um recomeço para o Colégio Estadual Praia do Siqueira, mais uma chance... Ao longo desta pequena caminhada de 6 anos, li em uma redação de um aluno que “respeito se conquista” e confesso que essa lição não saiu da minha cabeça desde então.

      Ano passado (2013) fizemos uma greve que durou dois meses e como professora me senti profundamente humilhada, pisoteada por políticos, por juízes, pelo próprio Sindicato que tem o dever de nos defender, de defender a categoria e não de servir a partido político. Hoje tenho a consciência de que não posso contar nem com advogados para defender a nossa causa /  nossa luta, apenas com a união dos professores. Sinceramente, não sei de verdade quantos professores estão em greve no Estado... Cada um tem a liberdade de escolha, tem o livre arbítrio, não vou ficar apontando, criticando ou até mesmo ficar horas tentando convencer. Cada um sabe o que faz, cada um é juiz de sua própria consciência.  Mas depois da humilhação do ano passado... sem contar que o maior prejudicado é o aluno (a)! Cansei, cansei! Basta! Como posso tentar passar para os meus alunos e alunas esse ensinamento moral, se permito que diariamente, todos os dias os professores sejam desrespeitados principalmente fora de sala de aula, por políticos e juízes cujos salários e benefícios saem dos bolsos dos cidadãos que pagam seus impostos. Basta!

     Não entrei em greve apenas pelo aumento de salário (Campanha Salarial 2014 – 20% Já), apenas pela Lei Federal do 1/3 para Planejamento e demais reivindicações do Sindicato. Entrei em greve também por uma questão moral – Operação Respeito ao Professor – dentro e fora de sala de aula. Portanto, estou colocando em prática a lição deste aluno,                 “respeito se conquista” . Se vou conseguir? Não sei! Mas permitir que político corrupto e juiz sem moral, continuem brincando com a educação, não vou não! Se vamos conseguir aumento, não sei, depende da pressão, da união e da força da categoria. Não contem com advogados em caso de greve.

     Até porque eles estão brincando com a minha vida, com a tua vida e com a vida de nossos filhos e irmãos. Eu tenho um sonho, ver meu filho, Gibinha, estudando aqui. Minha causa é justa, que mal há nela? POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA DIGNA E DE QUALIDADE


Cabo Frio 8 de junho de 2014

Carta aos meus anjinhos - Greve Unificada dos Professores da Rede Municipal e Rede Estadual - Rio de Janeiro (Início da greve 12.05.2014 - mês da Data Base)


Carta aos meus anjinhos (alunos e alunas);

     Eu sei que para muitos vocês,  greve não adianta nada, que só os prejudica. Mas a greve, é um instrumento político que a classe trabalhadora usa para chamar atenção à várias questões e situações. Aliás é o único!

   Ano passado (2013) fizemos uma greve que durou dois meses e como professora me senti profundamente humilhada, pisoteada por políticos, por juízes, pelo próprio Sindicato que tem o dever de nos defender, de defender a categoria e não de servir a partido político. Hoje tenho a consciência de que não posso contar nem com advogados para defender a nossa causa /  nossa luta, apenas com a união dos professores. Sinceramente, não sei de verdade quantos professores estão em greve no Estado... Cada um tem a liberdade de escolha, tem o livre arbítrio, não vou ficar apontando, criticando ou até mesmo ficar horas tentando convencer. Cada um sabe o que faz, cada um é juiz de sua própria consciência.  Mas depois da humilhação do ano passado... sem contar que o maior prejudicado é o aluno (a)! Cansei, cansei! Basta! Como posso tentar passar para os meus alunos e alunas esse ensinamento moral, se permito que diariamente, todos os dias os professores sejam desrespeitados principalmente fora de sala de aula, por políticos e juízes cujos salários e benefícios saem dos bolsos dos cidadãos que pagam seus impostos. Basta!

     Não entrei em greve apenas pelo aumento de salário (Campanha Salarial 2014 – 20% Já), apenas pela Lei Federal do 1/3 para Planejamento e demais reivindicações do Sindicato. Entrei em greve também por uma questão moral – Operação Respeito ao Professor – dentro e fora de sala de aula. Portanto, estou colocando em prática a lição deste aluno,                 “respeito se conquista” . Se vou conseguir? Não sei! Mas permitir que político corrupto e juiz sem moral, continuem brincando com a educação, não vou não! Se vamos conseguir aumento, não sei, depende da pressão, da união e da força da categoria.

    Tenho consciência de que vocês são os maiores prejudicados com esta greve. Ao mesmo tempo fico revoltada quando olho para os computadores da escola e vejo que poucos funcionam, quando preciso usar a Xerox e tá quebrada, quando percebo que a Rosi tem que se virar em muitas para atender a todos na biblioteca, quando percebo que há espaço para uma quadra de esporte e não dá por causa da $$, quando sinto que nossos funcionários são desrespeitados...Quando a sociedade nos cobra, a nós professores, que sejamos exemplo de conduta, mas ao mesmo tempo nos chama de vagabundos, baderneiros e nos paga um salário vergonhoso em relação às responsabilidades que temos.   Nós professores também somos prejudicados, muitos sofrem assédio moral, muitos são perseguidos, humilhados.  Ao longo da greve a categoria passa por várias pressões. Aliás, nossa greve é considerada ilegal! Teremos uma audiência, quando não sei, em que uma das discussões será o ponto, ou seja , corremos o risco  de corte de ponto. Caso isso ocorra, não haverá reposição de aula...

     O governador Pezão anda fazendo viagens pelo Estado, fazendo sua campanha política, mas em nenhum momento sentou para negociar com a categoria, a negociação está sendo feita através da justiça, do poder judiciário. Estamos nas ruas tentando justamente uma negociação com o poder executivo estadual, e nada! Não estamos de brincadeira.

     Meus anjinhos, o trabalho de professor não se resume à sala de aula, sala de aula é a ponta do iceberg... Mas ninguém vê isso, nem mesmo vocês! Todos pensam que só trabalhamos em sala de aula...Mas tudo bem! Amo o que faço e já não espero reconhecimento mesmo. E tenho um carinho muito grande por cada um, embora sejam levados! Aproveitem o recesso e cuidem-se.  A categoria decidiu que mesmo durante o recesso estaremos em greve, mesmo que seja ilegal.

    
Cabo Frio, 08 de junho de 2014


Praticamente quase 10 anos depois nova greve se inicia....
                                                                                 

Livro : O que é Revolução? - Introdução

   Boa parte da Humanidade acreditou que o Comunismo tinha acabado com a queda do muro de Berlim em 1989, que dividia a Alemanha em duas partes, a Ocidental (Capitalista) e a Oriental (Comunista). O Livro "O que é Revolução", impresso na URSS em 1988, mostra-nos que as intenções dos Comunistas ao que tudo indica eram outras...

   Particularmente considero uma leitura geral do projeto comunista de poder e ainda muito superficial, todavia já é um começo pois dá uma noção da Teoria Marxista-Leninista. Acredito que ainda há muito para investigar, uma vez que esta praga precisa ser combatida de qualquer maneira, especialmente com o sinal da cruz. 

 obs: Como não tenho celular de dedinho e levo muito tempo para postar qualquer foto na web, não tirei ainda foto do livro, para provar que este livro realmente existe. Por hora, limito-me a informar que os capítulos referentes a este livro, foram copiados/ transcritos do mesmo em word , copiados e colocados para o este blog.


Fonte – Livro: O que é Revolução? – ABC Dos conhecimentos sociais e políticos; autores , A.Sertsova; V. Chíchkina e L. Yákovleva.. Edições Progresso, 1988 – Impresso na URSSS.





O QUE É REVOLUÇÃO?


Introdução

       A revolução social é um dos temas mais actuais do pensamento social dos nossos dias porque vivemos uma época de grandes realizações históricas e mudanças revolucionárias radicais.

     A época contemporânea é a época de transição do capitalismo para o socialismo e o comunismo, da competição histórica entre os dois sistemas sócio-políticos mundiais, das revoluções socialistas e de libertação nacional, do desmoronamento do colonialismo, da luta das principais forças motrizes do desenvolvimento social – o socialismo mundial, o movimento operário e comunista, os povos de países emancipados e os movimentos democráticos de massas – contra o imperialismo, contra a sua política de agressão e opressão, pela paz , a democracia e o progresso social.

     O processo de transformação revolucionária tornou-se verdadeiramente mundial. Ocorrem constantemente mudanças revolucionárias nas várias partes do globo.

     A realidade refutou as esperanças que os ideólogos burgueses depositavam no amortecimento da luta de classes no mundo capitalista. Foram desmentidas numerosas teorias em voga sobre a modernização e a transformação do capitalismo contemporâneo segundo as quais a revolução técnico-científica suprimiria  a luta de classes e tornaria desnecessária a revolução socialista.

     Os fenômenos de crise, sem precedentes pela sua força e agudeza, afectam todas as esferas da sociedade burguesa contemporânea: a economia, a política e a ideologia. A inflação desenfreada, o aumento geral dos preços, as comoções financeiras, a crise energética, a recessão da produção, o aumento do desemprego, a utilização rapace e a poluição do meio ambiente perigosa para a vida da humanidade, a crise da democracia  burguesa e da cultura burguesa provocam uma nova e poderosa vaga de luta de classe. As massas populares respondem aos vícios sociais do capitalismo com a vigorosa luta antimonopolista, e à ameaça à paz por parte do imperialismo com o movimento antibelicista de envergadura sem precedentes que se desenvolveu nos anos 80.

     Os pregadores do anticomunismo veem em todas as transformações revolucionárias a “mão de Moscovo”, intrigas do “comunismo mundial”. Segundo afirmam, estas são as causas de todas as mudanças sociais ocorridas no mundo no último meio século. Deturpando a essência do processo histórico, os anticomunistas procuram apresentar as revoluções sociais como fenômenos casuais, não condicionados pelo desenvolvimento da sociedade.

     Na realidade , a necessidade de revoluções sociais é condicionada pelas leis objetivas do desenvolvimento social. A base das revoluções contemporâneas são as contradições econômicas , sociais e políticas , inerentes do mundo capitalista.  “As revoluções – dizia Lenine – não se fazem por encomenda, não se fazem coincidir com um ou outro momento, mas amadurecem no processo de desenvolvimento histórico e desencadeiam-se no momento condicionado pelo conjunto de toda uma série de causas internas e externas”.

     As revoluções – dizia , Lenine – “acontecem quando dezenas de milhões de pessoas chegam à conclusão de que se pode continuar a viver assim”.

     Por esta mesma razão, é simplesmente impossível e absurda qualquer  “exportação da revolução”. O povo de cada país tem direito de lutar pela sua libertação social e nacional.

     A teoria revolucionária dos comunistas, o marxismo-leninismo, exerce influência cada vez  maior nos acontecimentos históricos que ocorrem no mundo de hoje. A teoria da revolução social é a parte mais importante da ciência marxista-leninista.

     Os seus fundadores são Karl Marx e Friedrich Engels. Já nos meados do século XIX, quando a experiência revolucionária era relativamente limita, souberam criar as bases da teoria da revolução socialista e colocar os problemas importantes da passagem para o socialismo que conservam a sua atualidade teórica e prática nos nossos dias.

     Em conformidade com novas condições históricas e a experiência revolucionária das massas, V. I. Lénine aprofundou, concretizou e desenvolveu todas as teses mais importantes da teoria da revolução, enriqueceu-a com novas conclusões e descobertas, indicou as crescentes possibilidades e perspectivas revolucionárias. Toda a experiência do movimento revolucionário atual confirma a justeza da teoria marxista-leninista da revolução e a sua correspondência às necessidades da transformação radical do mundo. Esta teoria é a arma  provada na luta pela realização das tarefas revolucionárias da humanidade.

     No entanto, hoje surgiram muitos fenômenos e processos sociais que não existiam nem podiam existir nos tempos de Marx e Lénine. A experiência do movimento revolucionário em cada país apresenta ricos materiais para a elaboração criadora da teoria revolucionária. E ela desenvolveu-se com o desenvolvimento do mundo objetivo.

     O Partido Comunista da União Soviética, sintetizando a riquíssima experiência das transformações revolucionárias da URSS e de outros países socialistas, bem como a experiência do movimento libertador atual, desenvolve de forma criadora a teoria da revolução socialista e todo  o marxismo-leninismo em geral. Todos os partidos comunistas e operários e o pensamento coletivo do movimento comunista mundial dão uma contribuição valiosa para o enriquecimento da teoria marxista-leninista da revolução socialista.

     O presente livro expõe os fundamentos da teoria marxista-leninista da revolução social. O que é revolução? Por que são as revoluções necessárias e inevitáveis no desenvolvimento social? Que papel desempenham no processo histórico? Como se realizam e que formas concretas tomam? Que tipos de revoluções são característicos na época atual?  Estas e algumas outras questões sobre a revolução são expostas no presente livro. Os autores dedicam especial atenção à analise da teoria e da prática  da revolução socialista. Um capítulo é especialmente dedicado à análise das revoluções anti-imperialistas,  democrático-populares e de libertação nacional. O seu papel na época contemporânea é enorme.
    Este trabalho destina-se a um amplo círculo de leitores que se interessam pelos problemas e as perspectivas do desenvolvimento social.



Fonte – Livro: O que é Revolução? – abc Dos conhecimentos sociais e políticos; autores , A.Sertsova; V. Chíchkina e L. Yákovleva.. Edições Progresso, 1988 – Impresso na URSSS.






Livro : O que é Revolução? - Capítulo 1 A Teoria Marxista - Leninista da Revolução Social


O que é revolução – Capitulo 1 : A Teoria Marxista-Leninista da Revolução Social

      A vida social, assim como todo o mundo objetivo, encontra-se em mudança e desenvolvimento. O desenvolvimento tem duas formas: mudanças graduais e saltos. As mudanças graduais contínuas dos diferentes aspectos da vida social nos marcos de um sistema íntegro chamam-se evolução. Os marxistas consideram a evolução importante forma de desenvolvimento social. Na sua célebre obra O Capital , K. Marx analisou atentamente o processo evolucionário de desenvolvimento das formas de produção capitalista: da simples cooperação  para a manufatura e, depois , para  a grande produção mecânica. Dedicou também grande atenção ao estudo dos processos evolucionários das relações sociais, de classe, políticas, jurídicas e morais da sociedade capitalista.

     No entanto, como se mostrará mais adiante, na sociedade antagônica, a evolução social cedo ou tarde depara com obstáculos que só é possível eliminar através da revolução social. As revoluções sociais são os períodos mais difíceis do desenvolvimento social. V. L. Lénine dizia que “a revolução é uma ciência sábia, difícil e complexa”.

     A revolução social  é a passagem da sociedade para um degrau qualitativo novo e mais elevado do desenvolvimento social realizada pelas forças progressistas, o  movimento do regime social velho, caduco, para o regime novo, mais avançado.

     O marxismo considera o processo histórico uma sucessão de formações econômico-sociais. A teoria das formações econômico-sociais foi criada por Marx. Ele via  que, em cada momento histórico, todos os fenômenos da vida social estão ligados entre si num sistema integro. Via que, no processo de desenvolvimento, a sociedade sofre profundas mudanças qualitativas. Marx destacou no desenvolvimento da sociedade as etapas históricas caracterizadas por um conjunto qualitativo determinado de relações econômicas, sócio-políticas e ideológicas, bem como determinadas leis específicas. Marx denominou-as de formações socioeconômicas. A formação socioeconômica- diz Marx – é uma sociedade “um estádio determinado histórico, de desenvolvimento, uma sociedade com caráter peculiar, diferenciado”.

    A história conhece cinco formações socioeconômicas que se sucederam: a comunidade primitiva, o esclavagismo, o feudalismo, o capitalismo e o comunismo. A transição de uma formação socioeconômica para outra ocorre através da revolução social. “A revolução – dizia Lénine – é uma transformação que destrói o velho naquilo que é mais fundamental e radical....”

     A revolução é um salto no desenvolvimento da sociedade, uma transformação das mudanças quantitativas em qualitativas. Ao caracterizar o desenvolvimento revolucionário, V. I. Lénine escrevia que é “um desenvolvimento por saltos, por catástrofes, por revoluções”; “soluções de continuidade”, “transformações de quantidade em qualidade...”.

     A evolução social e a revolução social completam-se mutuamente, são formas necessárias, em interação , do processo histórico. As mudanças quantitativas graduais e as mudanças qualitativas insignificantes do regime social preparam as suas transformações qualitativas essenciais; a evolução social conduz à revolução social. E a revolução social eleva o processo histórico a um degrau novo e cria novas possibilidades para o posterior desenvolvimento evolucionário.



1.A base econômica da revolução social

     As causas finais das revoluções sociais residem no desenvolvimento  da produção material. O esclarecimento destas causas só se tornou possível com o aparecimento da concepção materialista da história. A criação da concepção materialista da história foi o grande mérito de Marx e Engels. Foram os primeiros cientistas a demonstrar que o aspecto material da vida social (o ser social) é o fator primário e determinante: o ser social determina a consciência social. O ser social dos homens é antes de mais a produção dos bens materiais e as relações materiais que se estabelecem entre os homens no processo de produção.

      Marx e Engels partiam , na sua teoria, dum fato simples e bem compreensível: antes de fazer a política, a arte, etc., os homens têm de comer, vestir-se e abrigar-se , isto é, satisfazer as suas necessidades materiais vitais. E só é possível obter os meios de vida no processo de produção material. Se a produção cessasse, os homens morreriam de fome ou seriam obrigados a colher os frutos da natureza para manter a sua vida. Por isso a produção permanente dos bens materiais é a condição indispensável da existência e do desenvolvimento da sociedade.

      No processo de produção, os homens empregam diversos instrumentos de trabalho: arado, máquinas, utilizam a energia d´água, do vento, do vapor, da eletricidade, do átomo e vários materiais: madeira, pedra , metal, plásticos, etc. Tudo o que os homens utilizam no processo de produção dos bens materiais: os instrumentos de trabalho (máquinas, mecanismos, instrumentos),  meios auxiliares (edifícios, estradas, canais, energia, combustível, produtos químicos), os objetos de trabalho (minérios, madeira, matérias plásticas), constitui os meios de produção.

     No entanto, nenhuma máquina e nenhuma energia servem à sociedade por si mesmas. São utilizadas na atividade laboral do homem. Os meios de trabalho e os homens que os põem em movimento graças aos seus hábitos, experiência e conhecimentos, constituem as forças produtivas da sociedade.

     No processo de produção , os homens necessariamente e independentemente da sua vontade, entram em determinadas relações entre si: as relações de produção.

     As forças produtivas exprimem a relação dos homens com a natureza e mostram com que meios de produção obtêm os bens materiais necessários à vida. As relações de produção exprimem antes de mais as relações de propriedade, isto é, mostram a quem pertencem os meios de produção fundamentais, como os homens se relacionam no processo de produção e como distribuem entre os produtos do trabalho.

     As formas produtivas e as relações de produção constituem na sua unidade um ou outro modo de obtenção dos meios de vida, o modo de produção dos bens materiais.

      Marx e Engels  descobriram a lei do papel determinante do modo de produção dos bens materiais na vida da sociedade. Em cada época histórica, as formas de vida social existentes e inclusive a mentalidade dos homens dependem, em última análise , do modo de produção. Se muda o modo de produção dos bens materiais, muda, também toda a vida da sociedade. Por isso, a história da sociedade é antes de tudo a história da substituição dos modos de produção. É preciso procurar as causas finais das mudanças ocorridas na sociedade (como sabemos ,, as revoluções são transformações qualitativas profundas da vida social) nas mudanças dos modos de produção.

     Como é que se desenvolve a própria produção e se substituem os modos de produção dos bens materiais?

     As fontes de desenvolvimento da produção não se encontram fora  mas dentro dela. Entre os dois aspectos do modo de produção (as forças produtivas e as relações de produção) existe determinada interdependência necessária. As forças produtivas são o aspecto determinante da sua unidade. Significa isto que determinadas relações de produção se estabelecem entre os homens não arbitrariamente, não pelo capricho de alguém, mas em conformidade com o caráter e o nível de desenvolvimento das forças produtivas.

     A unidade das forças produtivas e das relações de produção, expressa no modo de produção, não  exclui contradições entre elas. A causa do surgimento das contradições reside no fato das forças produtivas e as relações de produção mudarem de forma diferente. A produção não pára. Aumenta e aperfeiçoa-se constantemente. As forças produtivas são, neste processo, o elemento mais dinâmico. Procurando  aliviar o seu trabalho e produzir cada vez mais, os homens aperfeiçoam os instrumentos de trabalho, acumulam hábitos de produção e conhecimentos necessários. Estas mudanças podem ser bastante substanciais mesmo no marcos do mesmo modo de produção.

       As relações de produção são  mais estáveis e conservadoras. Apesar de sofrer certas mudanças, a sua essência não muda nos marcos de um modo de produção concreto. Por exemplo, no capitalismo, as suas forças produtiva crescem consideravelmente, enquanto que as relações de produção continuam a assentar na propriedade capitalista dos meios de produção e na exploração dos trabalhadores pela classe dos capitalistas. E estes fazem todo o possível para conservar estas relações de produção.

     Entre as novas forças produtivas e as relações de produção antiquadas e atrasadas no seu desenvolvimento surgem contradições. Estas agravam-se e entram em conflito. A substituição das velhas de relações de produção pelas novas torna-se vital necessidade do desenvolvimento social. Cedo ou tarde, o conflito só se resolve pelo único meio possível: pela  liquidação revolucionária das velhas relações sociais e a sua substituição por novas.

     Indicando as causas da revolução social, Marx escrevia no prefácio à sua obra Para a Crítica da Economia Política  que, numa certa etapa do desenvolvimento da sociedade, as forças produtivas entram em contradição com as relações de produção no seio das quais se tinham até aí  desenvolvido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações de produção transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social.

     Portanto, a base econômica objetiva da revolução social é o conflito entre as novas forças produtivas e as velhas relações de produção.

       A liquidação das velhas relações de produção e a sua substituição por novas não se realiza automaticamente, por si mesma, mas através da luta de classes, cuja manifestação superior é a revolução social. “Chama-se revolução a luta de classes desesperada, que atingiu a maior exacerbação” – escrevia Lénine.  

     No decurso da revolução social acontecem, regra geral, choques entre as duas classes opostas. Uma delas é reaccionária, em vias de desaparecimento, e que procura por todos os meios manter o seu domínio e as velhas relações de produção. Outra classe é revolucionária, o futuro pertende-lhe. Lénine considerava que sem o conceito de classe e de sociedade de classes, o conceito de revolução social é insuficientemente concreto. “Toda a revolução política, se não é substituição das cliques, é uma revolução social – a questão só consiste em saber a revolução social  de que classe. – Lénin é um louco varrido, Marx e Engles filhos da puta – incentivando a luta de classes , entre as diferentes classes sociais e com essa visão materialista – o caminho sempre será o conflito.



2. A questão fundamental : da revolução social

       A revolução social resolve muitas questões relacionadas com a transformação radical da sociedade: destrói o velho e cria o novo. Entre todas as questões que a revolução deve resolver, a primeira e a principal é a questão da passagem do poder para as mãos da classe revolucionária.  “A questão mais importante de qualquer revolução é sem dúvida a questão do poder de Estado” – escrevia Lénine.

     Por que é que a ciência marxista dá à questão do poder tão grande importância?

    Primeiro, isto é condicionado pela essência e o significado do Estado como instrumento especial criado e utilizado pela classe dominante pra assegurar o seu domínio e manter o regime socioeconômico existente.

    Segundo, a importância da questão do poder na revolução social é condicionada pela sua essência e tarefas. Para cumprir as suas tarefas, a revolução deve superar a resistência estatal organizada das forças reacionárias da sociedade e estabelecer o poder estatal das forças sociais revolucionárias.

       A experiência histórica ensina que a burguesia tendo concentrado nas suas mãos as fábricas e empresas, o comércio e as finanças – todas as posições-chave na economia, e detendo o poder de Estado, incluindo o aparelho de violência (o exército, a polícia, as prisões), luta tenaz e encarniçadamente pela conservação da sociedade capitalista caduca. Para realizar as transformações socialistas, a classe operária deve estabelecer, no decurso da luta revolucionária, a sua ditadura, ou seja, o poder apoiado na força das grandes massas trabalhadoras. Este poder tem a tarefa de defender as conquistas da classe operária contra os seus inimigos internos e externos, suprimir a divisão da sociedade em opressores e oprimidos, criar condições que excluam a possibilidade de exploração do homem pelo homem. A classe operária utiliza o seu poder para fortalecer e ampliar a aliança com as massas trabalhadoras e orienta a atividade de toda a sociedade para um objetivo único: a construção do socialismo. 

     Deve-se compreender corretamente a relação entre fenômenos como revolução social e revolução política. Não são idênticas . A revolução política é a tomada do poder pela classe progressista. Chamam-lhe também revolução social em sentido restrito porque não resolver todas as questões da transformação revolucionária da sociedade, mas apenas a sua parte relacionada com a passagem do poder para as forças progressistas. A revolução política é importante meio e condição da reorganização radical de todos os aspectos da vida social.

    A revolução social não termina com a passagem do poder para a nova classe (não se reduz à revolução política). Depois dela existe um período mais ou menos longo de transformação de todas as esferas da vida social, no primeiro plano colocam-se as tarefas criadoras da revolução. “Toda revolução destrói a velha sociedade e, portanto, é social  - escrevia Marx. Toda a revolução derruba o velho poder e portanto tem um caráter político”.

     A passagem do poder para a classe revolucionária é também o principal indício distintivo da revolução. “A passagem do poder de Estado das mãos de uma classe  para as mãos de outra é o sinal primeiro, principal fundamental, de uma revolução , tanto no significado rigorosamente científico como no significado político prático desde conceito”.

     É isto que em primeiro lugar distingue a revolução de toda espécie de golpes de cúpula que não afetam as bases do domínio de uma ou outra classe, mas apenas substituem certos grupos ou pessoas no poder.

    Nem toda a passagem do poder de uma classe para outra pode ser chamada revolução. Se ao poder chega novamente a classe caduca que consegue temporariamente restabelecer o seu domínio, isto não é a revolução, mas a contra-revolução ou a restauração da velha ordem.

     É necessário fazer diferença entre revolução e reformas. Estas também ajudam a resolver as contradições sociais. Mas a essência da reforma, mesmo quando ela é uma profunda transformação social, consiste em deixar o poder nas mãos da velha classe.

     Os marxistas não são contra as reformas na sociedade burguesa, se melhoram a situação dos trabalhadores e contribuem para o despertar da sua consciência revolucionária.

    Mas, diferentemente dos reformistas que vêem nas reformas um objetivo em si e só procuram obter para os trabalhadores condições mais vantajosas de venda da força de trabalho, os marxistas vêem nelas o meio que aproxima a revolução.



3. A situação revolucionária.
A lei fundamental da revolução

     O conflito entre as novas forças produtivas e as velhas relações de produção é necessário, mas não basta para a realização da revolução (isto vê-se claramente na análise da etapa atual do processo revolucionário mundial).

      A revolução só pode triunfar quando se criam as condições objetivas e subjetivas necessárias.

     As condições objetivas da revolução  são as premissas econômicas e sócio-políticas que se criam independentemente da vontade dos homens e dos partidos políticos. O conjunto das  condições objetivas em que se pode realizar a revolução exprime-se pelo conceito  situação revolucionária. A teoria sobre ela foi elaborada por Lénine em muitas obras , mas de forma mais  completa no artigo A Bancarrota da II Internacional.

     O conceito de situação revolucionária compreende três indícios fundamentais:
1.a crise das cúpulas e da política da classe dominante que não pode conservar o seu domínio com velhos métodos;
2.um agravamento anormal da miséria e dos sofrimentos das classes oprimidas;
3.uma intensificação considerável da atividade das massas que não querem suportar a opressão e a ausência de direitos políticos.
       Estas teses leninistas são também hoje atuais. De vez em quando, nalguns países capitalistas cria-se uma situação próxima da revolucionária. Mas diferencia-se muito da situação revolucionária que existiu , por exemplo, na Rússia em Outubro de 1917.

      A época contemporânea introduz muita coisa nova no processo de amadurecimento da situação revolucionária. Neste processo exercem grande influência a mudança geral da correlação de forças a favor do socialismo, o enfraquecimento do capitalismo mundial, a desagregação do seu sistema colonial. No passado, a situação revolucionária estava ligada , geralmente, a pesadas crises econômicas, guerra e fome. Hoje, tornam-se cada vez mais variadas as possibilidades do seu surgimento. A criação da situação revolucionária pode ser provocada por diferentes causas:  as comoções econômicas, a bancarrota da política do governo (por exemplo, o fiasco de aventuras militares), os conflitos nacionais ou raciais conducentes ou agravamento brusco das contradições sociais, etc.

     A miséria e o sofrimento das massas (cujo agravamento caracteriza a situação revolucionária) são conceitos históricos concretos. Por exemplo, para muitos países em vias de desenvolvimento é o empobrecimento no sentido literal da palavra. Para os países capitalistas desenvolvidos é o agravamento brusco do contraste entre as possibilidades de satisfazer as necessidades e a sua satisfação real que está muito atrás do possível.

     Muitos problemas novos e extremamente agudos colocou perante a classe operária dos países capitalistas desenvolvidos a intensificação, nos últimos anos, dos fenômenos de crise do capitalismo: a diminuição dos ritmos de crescimento da produção, a instabilidade extraordinária do sistema financeiro, a crescente dívida pública, etc.

     Nestas condições, a burguesia lançou uma ofensiva contra as conquistas econômicas e políticas da classe operária. Procura tirar aos trabalhadores as conquistas obtidas á custa da luta longa e tenaz. Faz-se a pressão intensiva no nível do salário real que diariamente revela tendência para a diminuição. Aumenta a distância entre os salários dos trabalhadores e os lucros dos capitalistas. Na situação dos trabalhadores dos países capitalistas reflete-se muito dolorosamente o enorme e sempre crescente desemprego: parte cada vez maior da população ativa vê-se completa ou parcialmente afastada da produção social.

      A questão da correlação entre a revolução e a guerra   é um dos importantes aspectos da compreensão da essência da situação revolucionária.

      Nalguns casos, as situações revolucionárias nasceram das guerras.  Tanto a primeira como a segunda guerra mundial serviram de poderoso acelerador da explosão revolucionária. O debilitamento do sistema capitalista, devido à primeira guerra mundial facilitou a vitória da revolução socialista na Rússia em Outubro de 1917.  Com a derrota das forças principais da reacção internacional – o fascismo alemão e italiano e o militarismo japonês – surgiu a  possibilidade de libertação do jugo capitalista de uma série de países da Europa Central e Sudeste, da China, Coreia do Norte e Vietnã do Norte.  As mesmas causas facilitaram a libertação da dependência colonial aos povos da Índia, Indonésia, Birmânia, etc. Estes fatos históricos permitem concluir que as guerras mundiais agravam extremamente as contradições sócio-políticas, os males e as privações das massas populares e conduzem à revolução.

      Isto não significa, no entanto , que as revoluções sejam absolutamente impossíveis sem guerras.  Comprovam-no as numerosas revoluções de libertação nacional dos nossos dias:  a revolução em Cuba, no Chile e noutros países. A guerra não é a fonte nem a condição necessária da revolução.  O marxismo manifesta-se decididamente contra as teorias e a prática aventureiristas de “empurrar a revolução com a guerra”.

     Os comunistas não temem nem a revolução nem a guerra popular. Estão prontos a dar a vida em nome do triunfo dos ideais da revolução. Milhares de comunistas tombaram nos campos das batalhas revolucionárias. No entanto, a luta armada dos revolucionários só se justifica se é ditada pelas condições objetivas do desenvolvimento da revolução. 

      É preciso ter em vista que, se no passado algumas guerras aceleravam a revolução e a passagem para o novo regime social, nas condições atuais, uma guerra termonuclear poderia levar à morte da civilização mundial. Os povos não têm hoje tarefa mais importante e inadiável do que a defesa da paz e a prevenção da catástrofe nuclear.

      A situação revolucionária é necessária não só para a realização da revolução socialista, mas também para qualquer revolução social. Por conseguinte, tem o caráter de lei histórica geral. Demonstra-o toda a experiência das revoluções burguesas do século XIX, das três revoluções na Rússia e das revoluções da época atual.

     O conceito de situação revolucionária tem excepcional importância para a estratégia e a tática da luta de libertação. A experiência histórica mostra que as tentativas de derrubar o poder das classes dominantes, sem existir situação revolucionária, fracassam. Se não existem as condições objetivas necessárias, nenhuns esforços dos revolucionários podem provocar a revolução, nenhuma energia revolucionária leva à transformação da sociedade.

          No entanto, nem toda a situação revolucionária termina em revolução, muito menos na sua vitória. A situação revolucionária existiu na Rússia em 1859-1861  e  1879-1880,  mas a revolução não se deu. A situação revolucionária existiu na Rússia também em 1905, mas a revolução foi derrotada.

        Além das condições objetivas da revolução , é necessário ainda o fator subjetivo maduro.

       O fator subjetivo na história é a atividade consciente do seu sujeito :  as massas, as classes, os partidos,  as pessoas isoladas.

       De acordo com a concepção materialista da história, toda a história é o resultado da atividade prática dos homens que a criam consciente ou inconscientemente, em condições determinadas. Os marxistas negam a representação do desenvolvimento da sociedade como um processo automático e fatalmente condicionado. A história não se faz por si só, é feita pelos homens. No período de grandes viragens na história, em que amadureceram as condições objetivas para as transformações sociais, o fator subjetivo pode ter papel decisivo. Dele depende a realização das possibilidades criadas pelo desenvolvimento social.

        No processo histórico, é grande o papel das personalidades  destacadas, chefes e dirigentes que compreendem e refletem corretamente, na sua atividade, as necessidades históricas do desenvolvimento da sociedade. No entanto, o papel determinante, na criação histórica, cabe às massas populares.  Depois de descobrir as leis do processo histórico, o marxismo-leninismo viu nas massas populares  o principal intérprete da necessidade histórica, a força que desempenha o papel determinante no desenvolvimento social.

      Os conceitos “povo” , “massas populares”, têm diferente conteúdo nas várias épocas históricas.  Na comunidade primitiva, em que a sociedade não estava dividida em classes, o termo “povo” significa população.  Os conceitos de “povo” e “população” coincidem no socialismo, depois de liquidadas as classes exploradoras.

      Na sociedade de classes, as massas populares podem integrar diferentes camadas sociais. Mas, apesar de toda a variabilidade histórica da composição de classe das massas populares, este conceito, primeiro , tem sempre por seu núcleo as massas trabalhadoras que produzem os bens materiais;  segundo, abrange a maioria esmagadora da população oposta à  cúpula antipopular da sociedade, às classes reaccionárias; terceiro, compreende todas as camadas sociais, capazes, num dado momento histórico, contribuir para o progresso da sociedade.

      Em determinadas condições históricas, fazem parte do povo algumas classes não trabalhadoras, como, por exemplo, a burguesia nacional que participa no movimento progressivo da sociedade.

      Antes do aparecimento do marxismo, o conceito de “povo”  era frequentemente identificado com o conceito de “multidão”  (massas incultas, analfabetas), cujo destino é seguir cegamente personalidades destacadas.

      Entre os sociólogos burgueses contemporâneos também estão amplamente difundidas teorias sobre a divisão da sociedade em massas amorfas e elite (a camada ou camadas altas e privilegiadas que exercem as funções de administração, de desenvolvimento da ciência e da cultura)  que é a verdadeira criadora da história.  O objetivo principal destas concepções é inculcar nos trabalhadores a ideia da sua incapacidade de ter vida independente sem as classes exploradoras, mascarar o antagonismo de classe real entre a burguesia e os trabalhadores, apresentando-o como a “contradição eterna”  entre a  “multidão”  e as poucas personalidades destacadas.

      No entanto, o papel decisivo na história pertence ao povo. A atividade produtiva das massas populares tem significado prioritário na vida da sociedade. Elas criam e aperfeiçoam os instrumentos de trabalho, acumulam os hábitos de trabalho e transmitem-nos de geração em geração, produzem todos os bens materiais, sem os quais a sociedade não poderia existir nem mais um dia.

       O povo desempenha também o relevante papel no domínio da cultura, na criação dos valores espirituais.  Os marxistas prestam homenagem às personalidades geniais da ciência e da arte. Mas são as massas populares que criam as bases da produção espiritual e as condições para o seu progresso. O pensamento e a língua, o conhecimento e a escrita devem à atividade das massas trabalhadoras.

      O povo é o criador de um importante elemento da cultura:  a língua das obras épicas, da música e das danças. A criação popular também hoje tem enorme valor artístico. É nela que nasce e se forma a arte e a literatura nacionais de cada país.

     O povo desempenha importante papel na vida política.

    Nas sociedades antagônicas, as classes exploradoras procuraram sempre afastar o povo da participação na direção do Estado e reduzir ao mínimo a sua atividade política. Esta é uma característica inalienável da sociedade exploradora. No entanto, é a política que representa o campo de luta encarniçada entre os exploradores e os explorados. Todas as liberdades políticas e sociais democráticas, no capitalismo, foram arrancadas às classes dominantes através da luta das massas populares.

      O papel das massas populares na vida política da sociedade aumenta e manifesta-se abertamente sobretudo nos períodos cruciais da história:  nas revoluções e nos movimentos de libertação nacional. Sem o papel decisivo das massas populares não ocorre nenhum acontecimento histórico.  As massas populares são sempre a principal força motriz da revolução, independentemente da classe que chegue ao poder por intermédio dela.  “As revoluções são a festa dos oprimidos e explorados.  Nunca a massa do povo é capaz de ser um criador tão ativo do novo regime social como em tempo de revolução” – escrevia Lénine.

           A história universal mostra que quanto mais as massas populares se agitaram, tanto mais profundas foram as transformações sociais e políticas da sociedade. E vice-versa, com o aumento da solidez e da envergadura da ação histórica, crescia o efetivo das massas populares que participavam nesta ação. Esta é uma das leis importantes da história.  Ao esclarecer a essência desta lei,  Lénine escreveu:  “Quanto maior é a envergadura, quanto maior é a  amplitude das ações históricas, tanto maior é o número de pessoas que participam nessas ações , e , inversamente, quanto mais profunda é a transformação que desejamos fazer,  tanto mais necessário é elevar o interessa por ela e a atitude consciente para com ela, convencer dessa necessidade mais e mais milhões e dezenas de milhões de pessoas”.

      Na época atual aumenta incomensuravelmente o papel das massas populares na história.Torna-se qualitativamente novo o papel dos trabalhadores depois da vitória  da revolução socialista, que conduz à abolição da exploração do homem pelo homem, e o desenvolvimento espontâneo da sociedade dá lugar ao desenvolvimento planificado de todas as esferas da vida social conscientemente orientado pelo partido marxista-leninista.  

      O movimento de libertação nacional é uma das forças motrizes principais do processo revolucionário mundial da nossa época. Centenas de milhões de pessoas, anteriormente oprimidas e esmagadas pela dependência colonial, hoje renasceram para a criação histórica.

     Hoje, as massas populares são a principal força na luta pela paz e contra a guerra nuclear.

     O papel das massas populares não se deve analisar de modo abstrato, desligado das classes, partidos e dirigentes que as encabeçam. O descontentamento das grandes massas trabalhadoras nem sempre conduz à tomada de posições ativas, consequentemente de classe. A história testemunha que, em certas situações críticas, as forças reaccionárias, que dispõem dos meios de repressão e embrutecimento das massas, podem empurrá-las para ações contrárias aos seus interesses vitais e ao progresso social. O papel das massas populares depende da direção política e ideológica existente num momento dado num determinado país. É dever do partido revolucionário mostrar às massas a existência da situação revolucionária, despertar a sua consciência e determinação revolucionária e criar as organizações correspondentes à situação revolucionária para atuar nessa direção. Por fatores subjetivos da revolução  Lénine entendia  “a capacidade da classe  revolucionária para ações revolucionárias de massas, bastante  fortes  para quebrar (ou quebrantar) o velho governo que nunca, mesmo na época de crises, cairá, se não o  “deixar cair”.

      É lei objetiva da revolução a união numa aliança sólida de toda as forças progressistas que se consolidam  numa plataforma política que exprime a aspiração à liquidação do velho regime social. É necessária a atividade do partido revolucionário capaz de unir e consolidar todas estas forças progressistas.  “O partido é a parte avançada, consciente  da classe, é a sua vanguarda. A força desta vanguarda é 10 ou 100 vezes maior do que o seu número” – escrevia Lénine. 

      Do exposto deduz-se que o fator subjetivo da revolução compreende os seguintes elementos:
1.a consciência revolucionária das massas, a sua prontidão e decisão de lutar até o fim;
2.a organização das massas e da sua vanguarda que permite concentrar todas as forças capazes de lutar pela vitória da revolução;
3.a direção das massas pelo partido capaz de elaborar a estratégia e a tática de luta acertadas e de realizá-las na prática.

      A madureza do fator subjetivo é a principal condição para a realização das possibilidades da situação revolucionária. A situação revolucionária em unidade com o fator subjetivo maduro constitui a premissa geral e necessária da revolução. Lénine definiu   a unidade das condições objetivas e do fator subjetivo  como  a  lei fundamental de toda a revolução social.

      O desprezo pelas exigências da lei fundamental da revolução conduz ao aventureirismo na política e à possível derrota das forças revolucionárias.

    A tarefa da vanguarda revolucionária consiste exatamente em determinar acertadamente se as condições existentes correspondem à luta eficaz pela vitória da revolução.



4. A revolução e a contra-revolução

      No plano histórico geral, a resistência das classes caducas está condenada, em última instância à derrota.  Mas em cada caso concreto do desenvolvimento revolucionário são  possíveis zigue-zagues , recuos e até derrotas temporárias. Isto deve-se ao fato de as forças reaccionárias utilizarem todas as possibilidades para manter o seu domínio de classe e aplicarem diversas formas de luta contra o crescente movimento revolucionário. A passagem para o novo regime social é inevitavelmente acompanhada do confronto entre a revolução e a contra-revolução.

      A contra-revolução  é a reacção à revolução , a forma extrema e encarniçada de luta de classes reaccionárias contra as forças revolucionárias. Utilizando toda a diversidade de métodos (conluios, atos de sabotagem, agitação contra o poder revolucionário e as suas medidas, etc.),  a contra-revolção tende para a violência e o terror.  A sua essência é impedir pela força o processo de transformação revolucionária da sociedade. E se devido à contra-revolução vence a classe reaccionária, o velho regime é restaurado. A vitória da contra-revolução  é uma estratégia para as classes oprimidas. O testemunho claro disso são o massacre sangrento dos participantes da Comuna de Paris de 1871, o fuzilamento maciço dos operários depois da derrota da revolução de 1905-1907 na Rússia, o extermínio bárbaro dos comunistas e revolucionários durante os acontecimentos de 1965-1966 na Indonésia , os desmandos da junta chilena depois do golpe fascista  de 1973 e muitos outros fatos.

      A contra-revolução pode ser diferente pela sua essência de classe  : monárquico-feudal ou burguesa. A contra-revolução dirigida contra a revolução socialista é um fenômeno muito particular.

      A base social da contra-revolução   é constituída antes de tudo pelas classes exploradoras reaccionárias que em consequência da revolução perdem o poder e a riqueza.  São elas que organizam e inspiram a atividade contra-revolucionária.  Como executores imediatos do terror e dos atos contra-revolucionários utilizam-se, habitualmente, elementos marginais, fanáticos das camadas  camponesas mais ignorantes e embrutecidas, polícias, unidades do exército regular.  No entanto, estas camadas constituem a minoria da população.  Para se opor à revolução, as forças contra-revolucionárias precisam de uma base social mais ou menos ampla.  Recorrendo ao engano e especulando com uns ou outros erros da revolução,  os reaccionários procuram atrair para o seu lado as camadas trabalhadoras atrasadas.  As forças contra-revolucionárias concentram a sua atenção principalmente na pequena burguesia. Com este objetivo procuram inculcar nos camponeses o preconceito contra a cooperativização da economia, destruir a aliança da classe operária com os camponeses pobres e médios.

      Por exemplo, a contra-revolução conseguiu o apoio das massas camponesas ao esmagar a Comuna de Paris. Isto aconteceu porque  a maioria esmagadora do campesinato associava o socialismo à expropriação da sua propriedade.

      Por isso a luta pelas massas tem sido e continua a ser o problema central do confronto entre as forças revolucionárias e contra-revolucionárias. Privar a contra-revolução de todo e qualquer apoio nas massas significa limitar consideravelmente as suas possibilidades.

       Na época da crise geral do capitalismo, os golpes fascistas são uma manifestação frequente das ações contra-revolucionárias das classes reaccionárias. A chegada dos  partidos fascistas ao poder pode realizar-se por via armada, violando a constituição democrática burguesa.  Assim se realizou o golpe fascista no Chile em 1973.  No entanto, onde é possível,  os fascistas utilizam as instituições parlamentares para alcançar os seus objetivos contra-revolucionários.  Por exemplo, na Alemanha, os hitlerianos realizaram o golpe fascista em 1933 depois de vencerem nas eleições e obterem a maioria no Reichstag. Nos anos 70, os regimes fascistas ou pró-fascistas foram estabelecidos numa série de países da América Latina em consequência de golpes militares.

      O fascismo é a ditadura aberta dos meios mais reaccionários e chauvinistas da burguesia. Chegando ao poder, os fascistas estabelecem o terror aberto, liquidam os direitos e liberdades democráticas conquistadas pelas massas trabalhadoras numa luta longa e  tenaz, lançam repressões contra os militantes comunistas e sindicais e todas as camadas da população de tendências revolucionárias.

     A contra-revolução recebe importante apoio da reacção internacional. Na época atual, os meios governantes dos EUA são o baluarte da contra-revolução mundial, o seu inspirador e organizador. A exportação da contra-revolução (a contra-revolução externa) por eles cria a ameaça à liberdade e à independência dos povos, visa a manutenção dos regimes exploradores antipopulares, aumenta a tensão internacional. São testemunhos do caráter agressivo da política contra-revolucionária as manobras dos EUA na Nicarágua, El Salvador, Afeganistão  e Angola, o encorajamento das forças contra-revolucionárias nos países africanos, os atos de sabotagem anti-socialistas contra os povos da Europa Central e Oriental.  Os meios reaccionários dos EUA utilizam para estes fins um grande arsenal de meios:  desde ações econômicas e diversões ideológicas até a provocação militar descarada. 

      A reacção internacional escolheu o socialismo real como principal alvo dos seus atentados contra-revolucionários.

      Depois da vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, num prazo relativamente curto, o socialismo real  afirmou-se, fortaleceu-se e transformou-se na principal força revolucionária da atualidade.

      Durante as décadas do após-guerra, o socialismo real consolidou-se como sistema de Estados e demonstrou de modo convincente as suas vantagens de princípio sobre o capitalismo.

      Entre as conquistas reais do socialismo figuram a abolição de todas as formas de opressão social e desigualdade nacional, a ausência do desemprego,  a instrução e a assistência médica gratuitas, a segurança social estatal, a habitação barata, o desenvolvimento acelerado das nações e povos atrasados, o desenvolvimento da economia sem crises, a verdadeira democracia que assegura inaudita atividade das massas populares em todas as esferas da vida social, e muitas outras conquistas inacessíveis aos trabalhadores no capitalismo.
 
     Atualmente, o socialismo é o baluarte de todas as forças progressistas, democráticas, amantes da paz e da libertação nacional, é a vanguarda e o mais poderoso apoio do processo revolucionário mundial.  Por isso, com o aumento do prestígio e influência do socialismo real intensificam-se as manobras contra-revolucionárias do imperialismo e de toda a reacção internacional dirigidas contra os países socialistas.  Para atingir esse fim utilizam-se os mais diversos meios :  tentativas de impedir pela força militar a edificação do socialismo, o desejo de envolver um ou outro Estado socialista na dependência financeira  econômica das potências socialistas, o fomento das sobrevivências nacionalistas e religiosas, etc.

       A reacção internacional dirige hoje os seus esforços para minar o socialismo por dentro. Nas últimas décadas, entre os reaccionários adquire cada vez maior popularidade a chamada contra-revolução  “silenciosa”  ou  “rastejante”.  Especulando com as falhas e erros das forças revolucionárias e utilizando para os seus fins as dificuldades objetivas do nascimento do novo regime social, os seus inimigos procuram desarmar ideologicamente os trabalhadores e desmoralizar o partido governante para conseguir a passagem do poder para as forças anti-socialistas e a restauração paulatina das relações capitalistas.

      A reação internacional aposta na estratégia global de luta contra o processo revolucionário, dando principal importância à luta contra o crescente movimento revolucionário e de libertação nacional e coordenando os esforços de todas as  forças contra-revolucionárias.

      A  contra-revolução são as ações condenadas, em perspectiva histórica, ao fracasso porque contradizem a necessidade histórica e não têm raízes no terreno nacional e social do país que entra no caminho da revolução. No entanto, a realização das transformações progressistas exige a vigilância de todas as forças revolucionárias. A prática histórica mostra que a defesa da revolução contra as manobras das forças contra-revolucionárias é uma necessidade objetiva.  “Toda a revolução só vale alguma coisa se se sabe defender....”- escrevia Lénine.

      Os  países socialistas e o movimento comunista internacional lutam decididamente contra a exportação da contra-revolução e apoiam os povos, vítimas da agressão das forças reaccionárias.

      A atitude para com a revolução e a contra-revolução está expressa com toda a clareza no Programa do Partido Comunista da União Soviética onde se diz que as revoluções são o resultado lógico do desenvolvimento social e da luta de classes em cada país. O PGUS considerou e considera inaceitável por princípio, a “exportação”  da revolução e a sua imposição de fora a alguém. No entanto, todas e quaisquer formas de “exportação” da contra-revolução são um atentado grosseiro contra  a livre expressão da vontade dos povos, contra o seu direito de escolherem independentemente a sua vida de desenvolvimento. A União Soviética opõe-se resolutamente às tentativas de parar pela força e fazer retroceder o evoluir da História.


5. Tipos de revoluções sociais

      Todas as revoluções sociais têm traços comuns:  a coincidência das condições objetivas e do fator subjetivo como lei fundamental, o  confronto entre as forças revolucionárias e contra-revolucionárias, etc. No entanto, as revoluções de diferentes épocas realizadas em condições diferentes têm traços específicos , condicionados pelo caráter da contradição fundamental que resolvem e  pelas forças motrizes da revolução.

      As forças motrizes da revolução  são classes, grupos e camadas sociais que realizam a revolução social. A composição das forças motrizes da revolução é condicionada pela sua  base econômica. A parte progressista da sociedade, a sua grande maioria, está interessada na resolução do conflito surgido num determinado modo de produção , na supressão das velhas relações de produção e na sua substituição por novas.

      A composição das forças motrizes pode depender também de outros fatores: consciência das massas oprimidas, o nível da sua organização, etc. Nem todas as classes objetivamente interessadas na vitória da revolução social constituem as suas forças motrizes. Por exemplo, na Comuna de Paris, o campesinato trabalhador praticamente não participou  na revolução, apesar dos seus interesses estarem objetivamente ligados à sua vitória.

      As forças motrizes da revolução dependem das condições históricas em que se realiza. Frequentemente, as revoluções que se realizam em diferentes condições históricas concretas distinguem-se essencialmente pelas suas forças motrizes.  Por exemplo, nas revoluções burguesas dos séculos XVII-XVIII realizadas nos países da Europa Ocidental,  as forças motrizes eram  o campesinato, a classe operária nascente,  a pequena burguesia urbana e as camadas burguesas. A burguesia não era só a  força motriz, mas também a força hegemônica dessas revoluções. Na revolução  burguesa de 1905-1907 e na Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia, a  burguesia não só era o seu guia, como tão-pouco era uma das suas forças motrizes.  As forças motrizes da revolução burguesa na Rússia eram o proletariado e o campesinato, pertencendo a hegemonia ao proletariado.

       O marxismo-leninismo elaborou a tipologia das revoluções sociais.  O seu conceito geral é o conceito de formação socioeconômica. O tipo de revolução é determinado pelo regime econômico-social que derruba e pelo regime que cria no seu lugar. Aos três tipos fundamentais de formações de classes antagônicas (esclavagismo, feudalismo e capitalismo)  correspondem três tipos fundamentais de revoluções sociais:  a passagem do regime esclavagista (regime escravo) para o feudalismo,  do regime feudal para o capitalismo e  do capitalismo para o socialismo. As revoluções proletárias socialistas são o  tipo superior de revoluções sociais e diferenciam-se radicalmente de todas as anteriores.

      A primeira , na história ,  substituição das formações socioeconômicas foi a passagem do regime comunitário para o esclavagista. A originalidade desta passagem consistia em que marcou a substituição da sociedade sem classes pela sociedade de classes. Pode ser considerada também como tipo especial de revolução social, porque deu-se a destruição radical de todas as relações sociais e a passagem de uma formação socioeconômica para outra.  No entanto, não houve revolução política porque no regime comunitário não existiam relações políticas. O poder político e as relações políticas surgem com o aparecimento das classes e a decomposição do regime comunitário. A passagem para a nova formação socioeconômcia, formando-se de uma massa de processos locais.

        A questão da tipologia das revoluções sociais é muito complexa. As fronteiras entre os diferentes tipos de revoluções não são fixas. O processo real de desenvolvimento social compreende ainda tipos menos expressos.  Pode haver revoluções inacabadas. Por exemplo, a revolução chilena, incluindo socialistas. A revolução realizou uma série de profundas transformações socioeconômicas democráticas gerais que colocaram as bases para o seu desenvolvimento  ulterior para o socialismo. No entanto, a marcha “normal”  da revolução foi interrompida pelo golpe militar reaccionário.

      Cada tipo de revolução social subdivide-se em numerosas variantes. São particularmente complexas e com múltiplas variantes as transformações revolucionárias da época contemporânea. O seu núcleo é constituído pelas revoluções socialistas cujo principal ponto de apoio é o sistema socialista mundial. Grande envergadura tomaram as revoluções anti-imperialistas, antifeudais, democrático-populares, nacional-libertadoras anti-imperialistas, etc. Todas elas são descendentes do processo revolucionário mundial único que conduz à renovação social da sociedade.

  






     















   



Livro : O que é Revolução? - Capítulo 2 Revoluções Burguesas e Democrático-Burguesas


O que é revolução? – Cap 2 Revoluções Burguesas e Democrático- Burguesas

1.Revoluções burguesas

      As revoluções sociais que se realizaram na passagem do feudalismo para o capitalismo chamam-se burguesas.  Realizaram-se em tempos diferentes e constituíram toda época histórica : séculos XVI – XIX. Esta foi a época da queda do feudalismo e da afirmação da nova formação socioeconômica, capitalista.

      A história da sociedade feudal conheceu uma série de movimentos que não se transformaram em revoluções sociais vitoriosas.
  
      Tais foram quase todas as sublevações e guerras camponesas no período do desenvolvimento ascendente do feudalismo : na Inglaterra, a revolta dos camponeses sob a direção de Wat Tyller (1381);  França , o movimento dos camponeses que recebeu o nome  Jaqueira ; na Rússia, os levantamentos camponeses sob a direção de Ivan Bolóntnikov (1606-1607) , de Stepan Razine (1670-1671) , de Iemelian Pugatchov (1773-1775) e outros.

      Todos estes movimentos camponeses eram espontâneos, não organizados e por isso fracos. Não existia uma classe capaz de conduzir os camponeses, tão-pouco existia um programa de luta consequente e acabado. E o principal é que não tinha ainda chegado o tempo da substituição do regime feudal pelo capitalista. Não obstante terem sido derrotadas, as revoltas camponesas infligiram golpes consideráveis no feudalismo e agravaram a sua crise.

      Com o andar do tempo, o desenvolvimento das forças produtivas entra em conflito com as relações de produção dominantes da sociedade feudal e as instituições políticas e ideológicas por estas  determinadas. Ao lado das pequenas oficinas de artesãos aparecem grandes manufaturas, baseadas  em ferramentas, mas com ampla aplicação da divisão do trabalho e a utilização do trabalho de pessoas livre da servidão.

     No seio da sociedade feudal forma-se o novo modo de produção : capitalista. O seu desenvolvimento exige a supressão das ordens feudais. A burguesia, classe portadora do novo modo de produção, necessita do mercado do trabalho   “livre” , ou seja , de trabalhadores livres da servidão e da propriedade e obrigados a vender sua força de trabalho.  Ela necessita do mercado nacional e da possibilidade de mandar livremente em todas as esferas da vida social.

      A expressão social fundamental dos conflitos econômicos é o profundo antagonismo de classes e a luta entre a burguesia e a classe dominante dos senhores feudais que tomava as formas cada vez mais agudas.  Criam-se situações revolucionárias.  Começa a época das revoluções burguesas.

      As primeiras revoluções burguesas realizavam-se sob a direção da burguesia urbana que, num caso, levava a luta até ao derrube decisivo dos senhores feudais e, noutro, obtinha a vitória em resultado do compromisso com eles.  Além da burguesia , as forças motrizes dessas revoluções eram os camponeses e a classe operária nascente.  Devido ao desenvolvimento histórico desigual, as revoluções burguesas ocorreram em épocas diferentes o que, como será mostrado mais adiante, levou a mudanças sérias das forças motrizes e da posição da própria burguesia.

      O mérito histórico das revoluções burguesas consiste em que abalaram, minaram e, na maioria dos casos , atiraram para o monturo da história  o regime  feudal caduco. No sentido político, as revoluções burguesas eram dirigidas contra a máquina estatal feudal e os regimes monárquicos.

     As revoluções burguesas assestaram um golpe, nuns casos, decisivo, noutros, não muito consequente na servidão, destruíram as relações que durante séculos ligavam as gerações camponesas servas aos senhores feudais.  Mas a realização principal e objetiva das revoluções burguesas consiste em que limparam o terreno para as relações econômicas capitalistas e criaram o poder de Estado que defendia e consagrava estas relações. Considerando as revoluções burguesas como tipo histórico de revolução social, é necessário salientar as diferenças, às vezes profundas e essenciais, no desenvolvimento de uma ou outra revolução burguesa. Por exemplo, na  Inglaterra,  a revolução burguesa terminou com o compromisso entre a burguesia e os senhores feudais, a conservação do regime monárquico como forma de governo de Estado. Este compromisso não impediu, antes contribuiu  para o desenvolvimento das relações capitalistas, sobretudo na realização da política colonial.

      Em França, o feudalismo foi varrido por um assalto resoluto, os participantes nas ações revolucionárias ocuparam posições sem compromisso em relação ao feudalismo e aos seus atributos estatais. A revolução de 1879 chamam “grande” porque acabou com o regime monárquico abominável e criou a aparência de participação das massas na direção dos assuntos do Estado.


      Na Rússia, a substituição das relações feudais pelos capitalistas durou muito tempo, e as classes dominantes tentavam adaptar as instituições feudais ao desenvolvimento do capitalismo através de reformas. No entanto, nenhumas reformas podiam salvar a autocracia na Rússia e esta foi varrida em Fevereiro de 1917 pela vigorosa Revolução popular.


      As chamadas revoluções burguesas  “de cúpula”  distinguem-se conforme o grau de participação das massas populares na revolução. Pelo seu objetivo histórico, estas revoluções são burguesas porque contribuem para o estabelecimento e fortalecimento das relações sociais capitalistas, mas têm caráter histórico limitado pelas suas forças motrizes : nelas participam, regral geral, estes ou a         queles grupos  da burguesia ,e  a participação das massas populares e das forças progressistas da sociedade é insignificante.  As massas não podem colocar, nessas revoluções, as suas próprias tarefas porque são afastadas da participação ativa no processo revolucionário. Estas revoluções chamam-se  “de cúpula”  porque deixam invioláveis muitos aspectos essenciais do velho regime.

      Os golpes palacianos e conluios de diversas espécies são ainda menos revolucionários. No entanto, em certos casos, podem agitar e movimentar as massas. As consequências podem ser imprevistas para os organizadores dos conluios e golpes palacianos.

      É preciso ter em conta que a classe dominante está dividida em diferentes grupos e camadas, cada um dos quais tem os seus interesses especiais. Para satisfazer os seus interesses, estes grupos procuram estabelecer o governo que represente diretamente estes interesses. É a luta de classes interna que não ameaça o domínio das classes, a luta pela redistribuição dos lucros no seio da própria classe exploradora e pela criação das condições mais favoráveis para o enriquecimento de um ou outro grupo.

     Muitos golpes de Estado são simultaneamente militares porque os seus participantes atraem certos grupos de oficiais do exército ligados por interesses comuns. O golpe de Estado pode ser progressista ou reaccionário. Isto depende dos objetivos que colocam os participantes do golpe. São conhecidos golpes de Estado realizados por militares progressistas ou por militares ligados ao grupo da burguesia interessada na conquista  e consolidação da independência nacional. Em determinadas condições, por exemplo, a ligação com a forças democráticas, estes golpes podem significar o começo das reformas democráticas. Recordemos o golpe de Estado no Egito em 1952, no Peru em 1968, em Portugal em 1974. No entanto, em resultado destes golpes de Estado, realizados por oficiais progressistas , a plenitude do  poder não chegou a passar para o povo. Os oficiais, representantes das camadas médias, foram inconsequentes nas revoluções, mostraram-se vacilantes em virtude da sua posição dupla na sociedade.  Aproveitando-se destas vacilações, a burguesia , regra geral, reduz a nada as conquistas das forças progressistas obtidas nesses golpes de Estado.

      A revolução burguesa adquire características específicas nas colônias e países dependentes. A causa imediata da revolução burguesa pode ser a opressão estrangeira ou a aspiração a unir o país. Mas também nestes casos, o papel decisivo é desempenhado, geralmente, pela necessidade premente de eliminar o regime feudal ou os seus restos.  Com o desenvolvimento do capitalismo agrava-se o conflito entre os interesses do desenvolvimento independente da economia nacional e o domínio do capital estrangeiro. Este conflito engendra a luta  anti-imperialista que se entrelaça com a luta antifeudal.

      A revolução norte-americana de 1775-1783 teve um caráter original. Pelo seu conteúdo fundamental era uma guerra revolucionária do povo americano contra os ingleses que oprimiam e mantinham na es escravidão colonial os povos da América, a guerra pela independência, pela libertação do jugo colonial. Mas, ao mesmo tempo, era a luta de classe dos granjeiros, artesãos e burguesia revolucionária contra os aristocratas latifundiários, a guerra dos partidários da república contra  a monarquia. O resultado político imediato desta revolução foi a unificação das antigas colônias britânicas e a formação de uma nova república burguesia : os EUA.


      Atualmente, a burguesia dos países capitalistas é hostil às transformações revolucionárias e é contra-revolucionária por sua essência. No entanto,  a burguesia tornou-se classe dominante em resultado da revolução, embora limitada pelo caráter de classe. É preciso recordar que os EUA, hoje baluarte da reacção mundial, obtiveram a independência política por intermédio da guerra de libertação nacional.

      É de notar que  a  burguesia , que encabeçou as revoluções antifeudais dos séculos XVII-XIX,  não podia manter muito tempo unidas em torno de si as grandes massas trabalhadoras, porque, numa etapa determinada, os seus interesses entravam inevitavelmente em contradição inconciliável com os interesses das massas.

      Ao notar o caráter limitado das revoluções burguesas,  é preciso reconhecer que, em última  instância, a realização consequente das tarefas da revolução burguesa é vantajosa ao proletariado, porque devido ao crescimento e à concentração da produção se criam condições favoráveis para a organização do proletariado e o aumento da sua consciência de classe.



2. Revoluções democrático-burguesas

      As revoluções burguesas ,em que as massas populares não  só participam ativamente mas apresentam as suas próprias reivindicações, imprimem com a sua luta uma certa marca democrática em todo o processo de revolução e influem nos seus resultados.  Estas revoluções chamam-se revoluções democrático-burguesas.  V.I. Lénine considerava populares as revoluções burguesas em que  “...a massa do povo, a sua maioria, “as camadas inferiores” mais profundas da sociedade, esmagadas pelo jugo e pela exploração, levantaram-se autonomamente e deixaram em todo o curso da revolução a marca das suas reivindicações, das suas   tentativas para construir à sua maneira uma sociedade nova no lugar da antiga, em destruição”.

      Entre as revoluções deste tipo figuram , a Grande Revolução Francesa de 1789-1793, a revolução de 1905-1907 e a revolução democrático-burguesa de Fevereiro de 1917 na Rússia.

       A burguesia procura sempre limitar o mais possível a participação das massas populares na revolução burguesa. Se a  iniciativa revolucionária dos trabalhadores ultrapassa os limites dos objetivos da burguesia, esta não hesita em trair os interesses da revolução, em esmagar pelas armas as massas exploradas. A burguesia  nunca foi classe consequentemente revolucionária até o fim. Apoderando-se dos frutos da revolução, ela procura a aliança com os senhores feudais e todas as forças reaccionárias para reprimir as massas populares.

       Com o desenvolvimento do capitalismo e a formação do proletariado como classe, a burguesia perde cada vez mais o seu espírito revolucionário.  V. I. Lénine  assinalou   “a tendência da burguesia para terminar a revolução a meio caminho, na semiliberdade, na transação com o velho poder e os latifundiários. Esta tendência radica nos interesses de classe da burguesia.”

      A característica da revolução democrático-burguesa seria incompleta e unilateral , se não tivéssemos em conta a diferença essencial entre as possibilidades destas revoluções na época do capitalismo pré-monopolista e depois da sua entrada na fase imperialistas

- capitalismo pré monopolista
-capitalismo na fase imperialista

       O imperialismo    é a última fase do desenvolvimento do capitalismo. O imperialismo chama-se capitalismo monopolista porque o seu traço mais característico é o domínio dos monopólios (grandes associações capitalistas) . No imperialismo, um pequeno número de monopólios concentra nas suas mãos a produção e a venda dos produtos importantes, o que lhes permite impor as suas condições , intensificar a exploração dos trabalhadores , etc.

     No imperialismo, a produção atinge um grau elevado de socialização. No entanto, a forma capitalista privada de apropriação continua e mesma e entrava o desenvolvimento das forças produtivas. Por isso, no imperialismo agravam-se extraordinariamente todas as contradições do capitalismo e, em primeiro lugar, a contradição entre o trabalho e o capital. Aumenta a opressão nacional dos povos, alarga-se o abismo entre os Estados altamente desenvolvidos e a maioria de outros países do mundo capitalista.

       Um traço específico do imperialismo é o militarismo , no qual as despesas militares caem como fardo pesado sobre os ombros dos trabalhadores. As guerras imperialistas decorrentes da essência do imperialismo destroem as forças produtivas. Dezenas de milhões de vidas humanas levaram as duas guerras mundiais desencadeadas pelos  imperialistas, e é apenas uma parte do tributo terrível que a humanidade paga ao imperialismo.

      A ofensiva do imperialismo muda essencialmente a distribuição das forças de classe na  sociedade. Na estrutura das forças motrizes da revolução democrático-burguesa ocorrem mudanças essenciais.

      Na época do imperialismo, nos países capitalistas mais ou menos desenvolvidos, a burguesia tornou-se contra-revolucionária, temendo o proletariado que  ameaça o seu domínio.

     O proletariado mais forte numérica e ideologicamente, organizado num partido político independente, pode tornar-se a força hegemônica, o dirigente da revolução.

     A experiência da revolução popular de 1905-1907  na Rússia já mostrou que a burguesia imperialista ocupa, na revolução democrático-burguesa, uma posição contra-revolucionária. As forças motrizes da revolução democrático-burguesa são o proletariado e o campesinato. A força hegemônica desta revolução é a classe operária interessada na extirpação mais completa dos restos feudais.

     A hegemonia do proletariado na revolução democrático-burguesa da época do imperialismo cria a possibilidade para a sua transformação em revolução socialista.

     K. Marx e F. Engels, já nos anos 40 do século passado, apresentaram a ideia de que, nos países onde demorou a realização das transformações democráticas e as relações capitalistas já se desenvolveram, é possível a passagem direta das transformações democráticas para as socialistas através da revolução ininterrupta. Em 1848, Marx e Engels admitiam a possibilidade da transformação da revolução democrático-burguesa na Alemanha em socialista. Relacionavam a vitória da revolução socialista com o apoio do  “coro camponês”, sem o qual o seu solo proletariado se  converterá   inevitavelmente  “no canto do cisne”

      A transformação contínua da revolução democrático-burguesa em socialista torna-se , na época do imperialismo , não só possível como necessária.
     Baseando-se nas ideias dos fundadores do socialismo-científico, V.I. Lénine criou a teoria íntegra sobre a transformação da revolução democrático-burguesa em socialista e formulou os princípios da sua aplicação prática na atividade da classe operária e da vanguarda revolucionária.

     A conclusão feita por V.l. Lénine é a seguinte: “...Da revolução democrática começamos a passar agora, e precisamente na medida das nossas forças, das forças do proletariado consciente e organizado, começamos a passar para a revolução socialista. Somos pela revolução  ininterrupta. Não ficaremos no meio do caminho.”

     Tendo analisado a distribuição das forças de classe na Rússia, Lénine chegou à conclusão de que, na revolução democrático-burguesa, o aliado da classe operária é todo o campesinato, e , na revolução socialistas, a classe operária apoia-se nos camponeses pobres e luta pelo derrubamento do capitalismo em aliança com as camadas semiproletárias da cidade e do campo.  A hegemonia do proletariado une, liga as duas etapas da revolução. A transformação da revolução democrático-burguesa em socialista reflete-se na superstrutura política:  a ditadura democrática do proletariado e o campesinato, estabelecida na primeira etapa da revolução, transforma-se em ditadura socialista do proletariado

     Em que se baseia a ideia de hegemonia do proletariado na luta pela democracia e o socialismo, em que se baseia a possibilidade de transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista?

     Diferentemente da classe operária, os seus aliados ocupam, no sistema de produção social, a situação que condiciona a sua inconsequência e vacilações em muitos problemas da luta de classes. Só a direção política do proletariado, o intérprete dos interesses vitais de todos os trabalhadores, pode unir a massa dispersa das camadas não proletárias numa verdadeira força política da revolução socialista, dar-lhe a certeza, o espírito combativo e o caráter organizado.

     No entanto, existe um outro aspecto que constitui a única base possível para  a direção das massas camponesas pela classe operária.

     As promessas da burguesia aos camponeses é uma ilusão, de que eles se convenciam cada vez mais. A ajuda proletária é real e  palpável. Só com a ajuda do proletariado, o campesinato recebeu, na maioria dos países, terra, paz e liberdades democráticas. Esta ajuda constitui a base da aliança da classe operária com os camponeses e outras camadas trabalhadoras sob a direção da classe operária. É esta uma das condições importantes da transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista.