Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Autoestima.
domingo, 14 de fevereiro de 2021
“Quando me amei de verdade”, Charles Chaplin
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
Matéria – Mais que uma consulta
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017
Editora Alto Astral
Matéria
– Mais que uma consulta
Sentar no divã e contar sobre a rotina diária e as maiores aflições internas pode não ser uma tarefa fácil no início. No entanto, com certeza esse processo se torna mais fácil com o passar do tempo, e a saúde mental só tem a ganhar com isso! A psicoterapia é um tratamento psicológico utilizado para tratar problemas de ordem emocional de qualquer tipo, como dificuldades em aceitar uma doença e problemas de relacionamento. É realizado com base na conversação e não faz uso de medicamentos. “Ele é conduzido por um psicólogo que detém o conhecimento de diversas técnicas de abordagem e pode, desta forma, selecionar a que melhor atende o paciente”, explica a psiquiatra Célia Cortez.
Uma importante e benéfica decisão
O tratamento psicológico pode auxiliar o paciente no entendimento e na aceitação da doença e da necessidade de seguir as orientações médicas quanto ao uso de medicamentos. Além disso, o profissional ajuda no reconhecimento dos sinais que indicam um episódio de depressão ou mania. “Por meio da psicoterapia, o indivíduo pode ser incentivado a realizar caminhadas (para ajudar na fase depressiva) e mudanças no estilo de vida, evitando ambientes e situações estressantes”, explica Célia. A profissional destaca também que esse acompanhamento pode diminuir o risco de recaídas.
O papel do psiquiatra
O profissional trabalha com a avaliação, o tratamento e a manutenção do bem-estar do paciente com a ajuda de medicamentos. O psiquiatra Sander Fridman cita os mais comuns: “Antidepressivos, estabilizadores do humor, antipsicóticos, tranquilizantes, entre outros, que são usados isolados ou associadamente, dependendo do arranjo sintomático, da sensibilidade do paciente aos efeitos colaterais, das condições de suporte da família e dos amigos, dos motivadores existenciais e do contexto existencial do paciente”.
Terapia familiar
A psiquiatra explica que o tratamento
torna-se complicado sem o apoio e e o envolvimento de familiares. “No início da
doença é difícil convencer o paciente a buscar tratamento, pois um dos sintomas
da fase maníaca é o bem-estar e a felicidade. Também é comum o paciente
abandonar o tratamento logo no início da fases de remissão do episódio de
mania, dizendo-se curado. Ou seja, para a adesão do paciente bipolar ao
tratamento é necessário o empenho da família, e o acompanhamento
psicoterapêutico da família é muito importante”, afirma Célia. Além disso, a
profissional destaca que o psiquiatra e o psicólogo devem conversar com a
família para explicar os aspectos da doença e orientá-la em relação aos sinais
e sintomas.
Cuide do emocional
Apesar de não serem considerados formas de tratamento para o transtorno bipolar, atividades como meditação, yoga e massagens auxiliam no equilíbrio entre corpo e mente e podem ser realizadas – se o profissional permitir – em conjunto com o uso de medicamentos e a terapia.
Outras terapias benéficas ao corpo e à mente
Você pode apostar nas opções a seguir para afastar as dores internas e, com isso evitar possíveis doenças emocionais, que tal escolher uma favorita e praticar:
Yoga: além de auxiliar na respiração e no bom desempenho do sistema nervoso, a técnica ainda proporciona o aumento da concentração e a diminuição da ansiedade. “A prática de yoga pode ser uma grande aliada para prevenção dos quadros de depressão, por todos os benefícios já conhecidos. Recentemente, uma pesquisa americana evidenciou que a prática do ioga aumentava os níveis de um neurotransmissor (o GABA), em até 27%, o mesmo que está diminuído nos quadros de depressão e ansiedade. Para uma aplicação mais terapêutica, temos a prática da iogaterapia, em que o paciente é atendido por um iogaterapeuta que fará uma avaliação e montará uma estratégia individual para aquele paciente”, conta o instrutor de ioga e meditação Salvador Hernandes.
Equoterapia: desenvolve atividades que o paciente deve realizar sobre cavalos. Esse exercício permite o desenvolvimento da musculatura, aumenta a flexibilidade e melhora a coordenação motora e o equilíbrio. Além de ser recomendada para pessoas com algum tipo de deficiência, é indicada para quem sofre com problemas psicológicos.
Fitoterapia: trata-se do uso de plantas para fins terapêuticos. “É considerada fitoterápica toda preparação farmacêutica com chás, tinturas, xaropes, pomadas e cápsulas que utiliza como matéria-prima algumas partes de plantas como folhas, caules , raízes, flores e sementes”, afirma a farmacêutica e homeopata Adriana Márcia Gonçalves. Durante o tratamento, são empregadas diversas ervas com os mais variados sabores (amargo, azedo, doce) e temperaturas (quente, frio, morno) e cada doença é tratada de acordo com as características de cada planta e a necessidade do paciente.
Florais: basicamente é o emprego de essências florais, que auxiliam o indivíduo no equilíbrio de suas emoções e solução de conflitos internos. “A técnica tem eficácia em lidar com uma variedade imensa de problemas psíquicos e físicos, que têm sua origem no simples desajuste dos fluxos de energia vital. É um sistema cada vez mais aceito e respeitado como um potente complemento aos tratamentos de medicina tradicional. Seu efeito é profundo, pois suas fórmulas têm a capacidade de mudar os padrões patológicos gerados nas células no campo emocional e físico, reestruturando-os em padrões saudáveis, o que reflete na harmonização psíquica e física”, salienta a terapeuta Cristiane Mariano.
Artes Plásticas: quem já praticou sabe que elas são uma distração e tanto para a mente. Esta técnica ajuda a esquecer os problemas, sem contar que os resultados são maravilhosos e, além de deixar a casa mais bonita, ainda pode ajudar no orçamento do lar! Procurar um curso é um ótimo passo para começar a se aperfeiçoar. As possibilidades são enormes: seja em trabalhos com telas, cerâmica ou biscuit, basta escolher aquele que mais combina com você e começar.
Dança: seja de salão, salsa, jazz ou qualquer outro tipo, seus benefícios à saúde são incontáveis. “Os estudiosos comprovam que dançar ajuda na tonificação muscular, na melhoria da flexibilidade, espanta o estressem ajuda na perda de peso, no controle do colesterol e no condicionamento físico, além de ser um ótimo exercício para estreitar relacionamentos, combater a depressão, promover a diversão e aumentar a disposição e autoestima das pessoas”, conta o educador físico Caito Junior.
Eu - Dançar alivia a tensão, joga todo estresse para fora sem contar que é uma excelente forma de expressão e ensina a lidar com a emoção também.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Matéria – Vida que segue!
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017
Editora Alto Astral
Matéria – Vida que segue!
O
transtorno não condena o paciente a ter uma rotina sem qualidade. Duvida? Então,
confira uma série de dicas que vão ajudar na busca pelo bem-estar.
1.Aceite a doença
“Quando o paciente aceita que precisa de tratamento psiquiátrico, esse processo torna-se mais fácil e eficaz”, destaca a psiquiatra, Maria Cristina De Stefano.
“A maioria
das doenças se cura espontaneamente ou com quase nenhuma interferência médica,
porém, os transtornos mentais podem ser controlados, atenuados, e até curados,
com um tratamento adequado”, indica Maria Cristina.
Ao receber
a terapia indicada por um profissional, é importante integrá-los ao dia a dia,
em doses e horários certos definidos pelo seu psiquiatra.
Especialistas
indicam dormir ao menos 8 horas por noite. “O corpo cansado, exausto e
estressado fica mais propenso a adoecer”, indica Maria Cristina.
Algumas
substâncias, tanto lícitas (medicamentos em demasia, cigarro, café e álcool)
quanto ilícitas (maconha, cocaína, LSD e crack), não são indicadas para quem
tem o transtorno. “Elas modificam as funções e diminuem a vida dos neurônios”,
destaca Maria Cristina. Além disso, um fator que pode contribuir para o
desenvolvimento da bipolaridade é a dependência química.
“Uma pessoa
submetida ao estresse constante e intenso tem mais chance de adoecer ou de ter
uma crise emocional, principal desencadeante das alterações do humor”, afirma
Maria Cristina.
Se
possível, observe as pessoas com quem convive diariamente e evite indivíduos
pessimistas, controladores; estressados, tensos e explosivos. “As crises
alheias podem agravar seus sintomas. Busque manter relacionamentos com pessoas
que influenciam sua vida de forma positiva, com calma, aceitação, compreensão e
estabilidade”, destaca Maria Cristina
Algumas
práticas físicas feitas ao ar livre, por exemplo, são capazes de estimular o
corpo e ainda fornecem sensação prazerosa o que ajuda a estabilizar e manter o
humor, pois isso libera endorfina, um dos neurotransmissores capazes de
desligar a adrenalina, hormônio comum em situações de estresse.
Nas fases
de euforia, pode ser mais fácil manter atividades físicas, entretanto, em seu
oposto, pode ser mais difícil. Por isso, procure companhias que o estimulem,
principalmente em momentos deprimidos. “Exercícios físicos facilitam uma
neuroquímica mais equilibrada e acalmam a mente” afirma o hipnoterapeuta e
psicólogo clínico Bayard Galvão.
Seja
através de uma caminhada tranquila, uma volta de bicicleta, olhar as nuvens
passando no céu. Preste atenção nesses momentos que são apenas seus e faça
deles os melhores.
“Fazer
algo que dá prazer é uma forma de manter o bom humor e a autoestima”, ressalta
Maria Cristina.
O hábito
tem capacidade de desenvolver a autoconfiança, importante para a evolução do
tratamento.
“A técnica
promove relaxamento, libera neurotransmissores importantes tanto para a
recuperação de lesões cerebrais como periféricas, e, em consequência, evita
crises”, recomenda a psiquiatra.
Massagens podem
liberar ocitocina, conhecida como hormônio do amor e, como efeito, além de
ajudar no relaxamento, modula o humor e a ansiedade.
Quem tem a
doença precisa manter uma alimentação balanceada, nem que seja preciso
interferência médica ou de nutricionistas. “O transtorno bipolar pode levar a
queda ou aumento de apetite, da voracidade à anorexia, portanto, o déficit de
vitaminas no organismo, assim como a obesidade,
agravam os sintomas de humor alterado”, aponta Maria Cristina.
Essa dica
é geral, porém cai muito bem para quem possui a doença. O açúcar em excesso
pode levar à obesidade e aumentar a ansiedade. A cada dia, diminua um pouco e
aprenda a dizer não à oferta de doces sem se sentir culpado ou constrangido.
“A
assertividade é um dos componentes da saúde mental e pode ser aprendida e
treinada nas sessões de psicoterapia”, comenta a psiquiatra
Guardar
anotações do seu dia a dia, de momentos que o deixam feliz ou o oposto, o que
fez e o que deixou de fazer, é uma forma de entender o que acontece com você e
o que está contribuindo ou não para a melhora da doença. “As anotações também
vão contribuir para o controle dos efeitos das medicações e ajudam seu médico a
ajuda-lo mais ainda”, destaca a profissional.
Busque se
conhecer, observando momentos de irritabilidade, tristeza, desânimo, excesso de
felicidade e inquietações. “Em seguida escreva o que teria passado pela sua
cabeça ou acontecido à sua volta logo antes (até 15 minutos) da emoção em questão.
O tempo para o pensamento virar sentimento (seja trazendo alegria, tristeza ou
raiva) é de 0,2 segundo, tempo para um pensamento alterar a química do corpo,
gerando o que se chama de emoção”, explica Bayard.
Saiba que,
mesmo buscando conquistar o controle, tudo bem receber ajuda. Isso, inclusive é
uma ótima forma de acelerar o tratamento. “Guardar mágoas, ressentimentos e
tristezas pode desencadear períodos depressivos. Aprender a desabafar sem
buscar culpados nos liberta da raiva e nos leva a achar soluções realistas e
possíveis, economizando nossa energia emocional”, comenta Maria Cristina.
21.
Busque seu direito de tirar férias
Mesmo que
seja autônomo, procure investir e separar um momento de descanso total,
desligando-se o máximo possível. “O tempo de férias não deve ser menor de 20
dias, pois só neste período é que diminuem os hormônios do estresse”, recomenda
a psiquiatra.
Ok, pode
parecer idealístico, mas você pode controlar isso também, buscando não acomodar-se.
Invista em você até que o leve a um trabalho no qual se sinta gratificado e
respeitado.
Além de
evitar o abandono, a adoção pode trazer estímulos surpreendentes para quem
convive com a doença: “traz alegria, ensina a cuidar e a valorizar a vida, seja
ela qual for, liberta nossos interesses e instintos, além de desenvolver nossa
compaixão” comenta a psiquiatra. No entanto, a ação de cuidar deve ser pensada
e realizada com responsabilidade.
Principalmente
em momentos de euforia, antes de tomar alguma decisão, verificar com alguém em
quem confia se a compra, investimento ou atitude pode fazer parecer ser boa. “Quando
a pessoa está excessivamente alegre, é fácil tomar decisões de maneira
inconsequente”, afirma Bayard.
“Caso
fique pesado demais lidar com a dificuldade sozinho, deixe para fazê-lo em
consultório com o psicoterapeuta”, recomenda Bayard.
É um tema
difícil de administrar, pois cada um lida com o momento de tristeza de uma
forma. No entanto, buscar entender esse pensamento negativo como um momento
ruim, que a “tempestade passará”, ajuda a dissipar as “nuvens”.
Em
situações de tristeza, aprenda a valorizar o que você tem hoje e tudo de bom
que a vida tem para oferecer no momento presente. “Não é incomum as pessoas se
tornarem insensíveis à realidade, buscando apenas felicidades intensas,
relacionamentos perfeitos, sucesso sem esforço e variações, que quando
confrontados com o mundo, este dá a impressão de ser sem graça e pouco,
trazendo inúmeras tristezas e frustrações”, relata Bayard.
Sabe
aquilo que você escreveu em algum momento de felicidade? Não hesite em
revisitá-lo e reviver boas experiências e vivências. Mas cuidado! “A diferença
entre saudade e nostalgia é que a primeira é saudável e alimenta a vida, a
segunda, dificulta o presente e se torna uma areia movediça”, ressalta o psicólogo.
Para isso,
é preciso entender que ela é uma escolha e não um lugar para chegar! Por isso,
deixe-se levar pelo caminho mais alegre. Bayard exemplifica: “É fato que as
pessoas não têm claro o que lhes dá prazer ou felicidade, mas sim o que elas
acham que trará prazer. Um raciocínio para diferenciar um e outro é buscar nas lembranças
e se perguntar: do que eu busco hoje que me trará felicidade, quanto eu já vivenciei de maneira similar a
situação?”
“Caso o
paciente tenha medo de perder o emprego, ficar sem companheira (o) ou ficar
doente, ele pode buscar sabedoria para viver bem, com pouco dinheiro e solteiro
(a) e sabendo que um dia pode adoecer. Não foram poucos os que escreveram
sobres estes assuntos, como Sêneca (filósofo do século I) e Montaigne (filósofo
do século XVI)”, indica Bayard.
Matéria – Após o diagnóstico
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017
Editora Alto Astral
Matéria
– Após o diagnóstico
Assim
como acontece com outras doenças, é preciso entender o transtorno bipolar e
desmistificar algumas informações para buscar o tratamento correto.
Por isso, é salutar que os pacientes que
sofrem com o transtorno bipolar procurem intervenção médica especializada. Porém,
alguns mitos relacionados à doença ainda atrapalham na busca pelo tratamento
correto.
“Os principais mitos associados ao
transtorno bipolar referem-se à ideia de que um exame de sangue de dosagem de
lítio permite comprovar ou descartar o diagnóstico da doença, à ideia de que
transtorno é o novo nome da Psicose Maníaco Depressiva, enquanto esta é apenas
um dos quadros mais graves apresentados pelos pacientes, a ideia de que todo
transtorno bipolar necessita do uso de estabilizador do humor e, principalmente
à ideia de que quem se exalta, isto é perigoso ou mostra-se com muita energia
ou com depressão de verdade e está só fingindo. Outro mito associado à doença é
de que a pessoa que fala muito rápido, que não consegue ser interrompida e é
ansiosa não deve ser levada a sério quando o assunto é o transtorno”, explica o
psiquiatra Sander Friedman.
A psicóloga afirmou sobre o fato de que
esses mitos que envolvem a doença podem levar os pacientes a não procurar por
ajuda. Isso acontece porque a sociedade acaba criando estigmas e preconceitos,
o que gera medo nas pessoas que sofrem com o transtorno e, consequentemente,
evitam procurar por diagnóstico e tratamento.
O
transtorno bipolar é uma condição a ser acompanhada por um longo período de
tempo, às vezes ao longo de toda a vida do paciente. A doença não tem cura, mas
as pessoas melhoram e retoman suas atividades após a instituição do tratamento
adequado.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Matéria – Suporte que vem de casa
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017
Editora Alto Astral
Matéria – Suporte que vem de casa
A família tem papel fundamental na vida do paciente que convive com alguma disfunção emocional
União que fortalece
Entre os
tratamentos psicossociais é importante destacar a terapia em família. A opção é
utilizada para reduzir o nível de angústia de todos para uma possível melhora
do doente e do ambiente familiar. Chamada de Terapia Focada na Família foi
criada pelo psicólogo americano David Miklowitz e tem como métodos estratégias
psicoeducacionais e exercícios em equipe. Em alguns casos, a técnica pode não só
melhorar a estrutura familiar, mas também estabilizar o humor do doente e
evitar hospitalizações. Para aplicar o método, procure acompanhamento
especializado.
Reação
positiva!
Muitas
vezes, os familiares não entendem a diferença constante de comportamento e
podem descontar mais peso em cima do transtorno. Ao reparar que algo não anda
bem, deve-se encorajar uma avaliação profissional. Caso o resultado seja
positivo, é preciso entender que a culpa não é do afetado: a doença é orgânica,
ou seja, implica em uma disfunção cerebral.
Auxílio
médico
Para que você
tenha mais conhecimento sobre o transtorno, é possível obter ajuda e apoio em
diferentes meios, seja com profissionais da área de saúde ou em ONGs que
trabalham com problemas mentais. A internet também é uma ferramenta importante
de informação, uma vez que concentra portais de ajuda e links diretos com
médicos e psicólogos. Porém, procure sempre sites especializados e com estudos
confiáveis. Ainda é indicado que os familiares e amigos mantenham sempre o
diálogo com diferentes plataformas, para entender o universo bipolar e fazer
parte dele de forma harmoniosa.
Rotina
normal
Para os
pais , é importante que a doença não tome conta da relação. O indicado é não individualizar
o filho, uma vez que, ao trata-lo de forma diferente, você pode encorajar uma
postura de vítima do mesmo. “Algumas vezes o doente pode manipular a situação
para se beneficiar”, aponta a psicóloga Luciana Kotaka. Para que se tenha
equilíbrio dentro do lar, ela recomenda estar presente de maneira natural, sem
superproteção ou vigilância constante.
Pise
no freio!
Pessoas
que possuem o transtorno bipolar apresentam a velocidade de pensamento em um
ritmo mais veloz, por isso é preciso manter a calma em situações de estresse. Dessa
forma, é recomendado que a família e os amigos estejam preparados e estimulem
uma desaceleração com atitudes que acalmem a ansiedade. Dica: tenha pela casa
cartazes positivos; procure não elevar o tom de voz; evite termos pejorativos e
preconceituosos quanto à doença, entre outros comportamentos positivos.
Cuidado
com carinho
Os portadores
do transtorno podem ainda passar por problemas como alcoolismo, depressão e, em
alguns casos, tentativas de suicídio. Nessas situações, o acompanhamento
especializado é mais que fundamental e requer uma decisão da família sobre internação
e medicamentos, dependendo do grau de comprometimento do quadro.
As doenças mentais orgânicas são aquelas em
que encontra-se uma lesão física que justifica a doença a nível psiquiátrico. Podemos
citar como exemplos os tumores, sífilis cerebral, aneurismas cerebrais,
arteriosclerose dos vasos cerebrais, oligofrenias”, detalha a psicóloga clínica
Luciana Kotaka.
Matéria – Interferência na vida profissional
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017
Editora Alto Astral
Matéria – Interferência na vida profissional
Saiba
como lidar melhor com as dificuldades que o transtorno bipolar traz à rotina de
trabalho.
Durante o expediente
Após o
paciente ser diagnosticado com transtorno bipolar, é comum que ele peça licença
e fique um tempo afastado do emprego. “A bipolaridade pode influenciar no
rendimento profissional do indivíduo. Tanto na fase eufórica, onde geralmente a
pessoa se intromete em tudo, inclusive no trabalho dos outros e provoca brigas
com colegas e chefes, quanto na fase depressiva, na qual ela apresenta desânimo
para trabalhar, tornando-se reclusa e com dificuldade na interação com seus
colegas”, comenta a médica. As duas maiores dificuldades que essa pessoa
apresenta é a continuidade no serviço que estava empenhando, o empenho no
trabalho e nas relações interpessoais com os colegas ao seu redor. A continuidade
do trabalho está diretamente relacionada com a intensidade da crise e, em casos
de crises acentuadas principalmente de crises de depressão, o paciente deve
seguir as recomendações de seu psiquiatra, após uma avaliação do mesmo. Este medirá
a necessidade de afastamento ou não do paciente de suas atividades laborais.
Sem diferenças
O indivíduo
bipolar deve ser tratado pelos colegas e chefes como qualquer trabalhador,
evitando assim ganhos secundários que esse paciente pode obter, além do fato de
que pode ser fatalmente estigmatizado. O tratamento adequado envolve
medicamentos – denominados “estabilizadores de humor” – além, é claro, do
acompanhamento psicoterápico. “Não necessariamente os pacientes devem comunicar
o transtorno aos colegas e chefes, pois a comunicação pode leva-los a sofrer
com o preconceito e a ser estigmatizado dentro do ambiente profissional”,
comenta a médica Léa Biancamano Guimarães.
Confira
dicas que as pessoas diagnosticadas com o transtorno bipolar podem seguir para
melhorar a convivência no ambiente de trabalho e no ambiente familiar. Dessa forma,
ele terá mais consciência e poderá lidar melhor com as crises. São elas:
*Ter
consciência do seu diagnóstico;
*Ser
avaliado e acompanhado por um psiquiatra e psicólogo;
*Aderir
ao tratamento medicamentoso;
*Perceber
características pessoais de modificação do humor que podem levar a uma crise
(tanto de euforia, quanto de depressão).
domingo, 31 de janeiro de 2021
Matéria – Uma doença várias vertentes
Matéria
– Uma doença várias vertentes
O
transtorno bipolar pode variar de pessoa para pessoa. Conheça os tipos!
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 – 2017 - Editora Alto Astral
Além da explicação sobre o problema vista até aqui, é importante ressaltar que ele pode se manifestar em diversos graus, sendo apresentado em quatro tipos numa escala de formas mais leves e mais graves, quando atrapalha completamente a rotina do indivíduo. “O que vai apontar o nível é a frequência, a gravidade e a duração. No primeiro nível, por exemplo, a pessoa consegue executar suas tarefas diárias”, indica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano.
O
Tipo I
Acomete
cerca de 1% da população mundial e deixa o humor do doente exageradamente
elevado e expansivo (mania) e pode prejudica-lo nos círculos sociais. Além disso,
o indivíduo também pode passar por períodos de sentimentos negativos, perda de
apetite e insônias. “Em quadros como esse, o que mais chama a atenção é a
desproporção entre as reações, ou seja, quando não há acontecimentos no
ambiente em que a pessoa está e que justifiquem tal comportamento alterado”,
explica Maria Cristina.
Transtornos
Ciclotímicos
Tem como
característica essencial a oscilação frequente de humor, com sintomas
alternados de euforia e depressão moderados. É considerado um dos menos graves,
já que muitas vezes, pode ser confundido com a própria personalidade da pessoa.
Porém de acordo com o Manual, embora alguns indivíduos com esse tipo possam não
ter problemas com certos períodos de hipomania, o prejuízo social acontece em
decorrência das mudanças constantes de humor, ou seja, o individuo pode ser
visto como temperamental, mal-humorado, imprevisível, incoerente ou não confiável.
O
Tipo II
Essa forma
de apresentação difere-se do tipo I devido ao nível de humor, menos elevado e
agressivo, sendo assim chamado de hipomania. De acordo com Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtorno Mentais, pessoa com transtorno bipolar tipo II
normalmente apresentam um episódio depressivo maior, sem que os estados de
euforia mais amenos (hipomania) causem prejuízos pontuais para a vida do paciente.
Transtorno
relacionado induzido por substância ou medicamento
Tanto no
transtorno bipolar quanto no transtorno relacionado induzido, as
características diagnosticadas são as mesmas: mania, hipomania e depressão. O que
varia é que no segundo os estados surgem e se tornam um problema devido a uma
substância. Isso ocorre por causa dos efeitos colaterais de alguns fármacos
antidepressivos e outros psicotrópicos. Entretanto, segundo o Manual, quando
acontecem casos de da hipomania ou mania após uso de medicamento antidepressivo
ou outros tratamentos e persistem além dos efeitos fisiológicos do fármaco,
essa condição é considerada indicadora de transtorno bipolar real, e não de
transtorno relacionado induzido.
Dá
para controlar?
O
tratamento do transtorno bipolar é feito por especialistas de diversas áreas,
como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. “Em alguns casos, há a internação
para proteger o indivíduo dele mesmo e também para que os médicos verifiquem quais
medicamentos têm mais eficácia e eficiência”,
explica Maria Cristina.
“O mau humor da fome”
Maria
Cristina explica que alterações no aparelho digestivo também podem originar
várias doenças emocionais. Podem ser causadas pelas lesões das paredes do
intestino; motilidade intestinal , que é a capacidade dos intestinos realizarem
contrações para expelir o bolo fecal; alteração na flora bacteriana ou variação
de hormônios responsáveis pela digestação-absorção. A má alimentação também pode
prejudicar as funções mentais, como percepção, memória e até causar distúrbios
de humor.”
Seja qual for o quadro, a variação de humor constante não é saudável e é preciso ser reconhecida o quanto antes!

