Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

Filhos de Gaia (gata desaparecida desde março de 2007)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

13 TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO GLOBALISTA - MAQUIAVEL PEDAGOGO


 13 Técnicas de Manipulação Globalista

Fonte: Canal Socran

 

Vídeo baseado no capítulo 1 do livro Maquiavel Pedagogo – Pascal Bernadin, que retrata algumas técnicas de manipulação de pessoas...

 

1.Submissão e Autoridade

2.Conformismo

3.Normas do Grupo

4.Pé na porta

5.Porta na cara

6.Dissonância Cognitiva

7.Não pague seus empregados

8.Gafanhotos fritos

9.Iniciação Sexual

10.Contatos Ovnis

11.Dramatização

12.Decisões e discussões em grupo

13.Avaliações

 

“O bom senso o guardará e o discernimento o protegerá”

Provérbios 2:11

 

     Uma revolução pedagógica baseada baseada nos resultados da pesquisa psicodegógica está em curso no mundo inteiro.  Ela é conduzida por especialistas na Ciência da Educação que, formados todos nos meios revolucionários,  logo dominaram os departamentos de educação de diversas instituições internacionais:Unesco, Conselho da Europa, Comissão de Bruxelas e OCDE. Na França, o Ministério da Educação e os IUFMS1 estão igualmente submetidos à sua influência. Essa revolução pedagógica visa a impor uma “ética voltada para a criação de uma nova sociedade”2 e a estabelecer uma sociedade intercultural. A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada representação da utopia comunista. O estudo dos documentos em que tal ética está definida não deixa margem a qualquer dúvida: sob o manto da ética, e sustentada por uma retórica e por uma dialética frequentemente notáveis, encontra-se a ideologia comunista, da qual apenas a aparência  e os modos de ação foram modificados. A partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos comportamentos, bem como de uma manipulação  da cultura,3  pretende-se levar a cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social. Essa nova ética faz hoje parte dos programas da França,4 e é obrigatoriamente ensinada em todos os níveis do sistema educacional.

 

 A submissão à autoridade

      É uma série de experiências célebres, o professor Santley Milgran evidenciou de maneira espetacular o papel da submissão à autoridade ao comportamento humano. Milgram9 repetiu repetiu suas experiências com 300mil pessoas, experiências estas que foram reproduzidas em diversos países. Os resultados obtidos são indiscutíveis. A experiência de base envolve três pessoas: o pesquisador, um suposto aluno, que na verdade é um colaborador do pesquisador, e o verdadeiro objeto da experiência, o professor. A experiência pretende supostamente determinar a influência das punições no aprendizado. O professor deve então mostrar ao suposto estudante extensas listas de palavras e, em seguida, testar sua memória. Em caso de erro, uma punição precisa ser imposta ao colaborador. O objeto da experiência ignora, naturalmente, o status real do colaborador, e crê que este , como ele próprio, não tem qualquer relação com a organização da experiência. As punições consistem em descargas elétricas de 15 a 450 volts, as quais o próprio professor deve acionar contra o  suposto estudante, situado em uma peça vizinha. A voltagem das descargas aumenta a cada erro cometido. O colaborador, é claro, não recebe essas descargas, contrariamente ao que acredita o professor – este é quem recebe, no início do experimento, uma descarga de 45 volts, para  “assegurar-se de que o  gerador funciona”. As reações que o colaborador deve simular são estritamente codificadas: a de 75 volts ele começa a murmurar; a 120 volts, ele reclama; a 150 volts ele pede para que parem com a experiência e, a 285 volts, ele lança um grito de agonia, depois do qual se cala  completamente. É assegurado ao professor que os choques são dolorosos mas não deixam seqüelas. O pesquisador deve zelar para que a experiência chegue ao seu termo, tratando de encorajar o professor, caso este venha a manifestar dúvidas quanto à inocuidade da experiência ou caso deseje encerrá-la. Também esses encorajamentos são estritamente codificados: à primeira objeção do professor, o pesquisador lhe responde: “Queira continuar, por favor”; na segunda vez: “A experiência exige que você continue”; na terceira vez : “É absolutamente essencial que você continue” , na quarta e ultima vez: “Você não tem escolha. Deve continuar.”  Se o professor persiste em suas objeções após o quarto encorajamento, a experiência é encerrada.

     O resultado da experiência é espantoso: mais de 60% dos professores levam-na até o final, mesmo convencidos de que estão realmente administrando correntes de 450 volts.  Em alguns países, a taxa chega alcançar 85%. É preciso acrescentar que a experiência é extremamente penosa para os professores, e que eles viviam uma forte pressão psicológica mas seguem, não obstante, até o fim.

 

2)Conformismo

 O conformismo

     A tendência ao conformismo foi estudada por Asch,11 em sua célebre experiência. Ao sujeito avaliado, apresenta-se uma linha traçada sobre uma folha; além dela, três outras linhas de comprimento diversos. Em seguida, se lhe pede para apontar, entre essas linhas três linhas, aquela cuja medida é igual à da linha-padrão. Por exemplo: esta última mede quatro polegadas, enquanto as linhas que devem ser a ela comparadas medem, cada qual três, cinco, quatro polegadas. À experiência estão presentes indivíduos associados ao pesquisador, que devem igualmente responder à questão. Estes,cujo papel real na experiência é ignorado pelo avaliado, dão, nos ensaios válidos, a mesma resposta errônea, combinada anteriormente à experiência. O individuo testado tem duas alternativas: ou dar uma resposta errônea ou se opor à opinião unânime do grupo. A experiência é repetida diversas vezes, com diferentes linhas-padrão e linhas para comparar.  Há ocasiões em que os colaboradores respondem de modo correto (ensaios neutros). Aproximadamente três quartos dos indivíduos realmente avaliados deixam-se influenciar nos ensaios válidos, dando uma ou várias respostas errôneas. Assim, 32% das respostas dadas são errôneas, mesmo que a questão não ofereça, naturalmente, qualquer dificuldade. Na ausência de pressões,o percentual de respostas corretas chega a  92%. Verifica-se também que os indivíduos conformistas, interrogados após a experiência, depositaram sua confiança na maioria, decidindo-se pelo parecer desta, apesar da evidência perceptiva. Sua motivação principal está na falta de confiança em si e em seu próprio julgamento. Outros conformaram-se à opinião do grupo para não parecer inferiores ou diferentes. Eles não têm consciência de seu comportamento. Assim, a percepção de uma pequena minoria de sujeitos avaliados foi modificada:seus membros enxergaram as linhas tais como a maioria as descreveu. Lembremos que o individuo não sofria qualquer sanção caso errasse ao responder, da mesma forma, que na experiência de Milgram , ninguém iria se opor a quem desejasse abortar a experiência.

     Convém notar que, se um dos colaboradores dá a resposta correta, o individuo avaliado então se sente liberto da pressão psicológica do grupo e dá, igualmente, a resposta correta, resultado que ilustra bem o papel dos grupos minoritários. A realidade social, contudo, é para estes bem menos favorável,uma vez que as pressões  ou sanções são aí muito intensas.

 

3)Normas de Grupo

     A célebre experiência de Sherif12 sobre o efeito autocinético evidência a influência exercida por um grupo sobre a formação das normas e atitudes de seus membros. A experiência desenrola-se assim: tendo-se instalado um individuo, sozinho, em uma sala escura, pede-se-lhe que descreva os movimentos de uma pequena fonte luminosa, a qual na verdade, acha-se imóvel.  O sujeito não encontrando nenhum ponto de referência, logo começa a perceber movimentos erráticos (efeito autocinético). Após algum tempo, passa a considerar que a amplitude dos movimentos oscila em torno de um valor médio, que varia de individuo para individuo. Se, ao contrário, a experiência é realizada com vários indivíduos observando a mesma fonte luminosa e partilhando entre si observações, surge logo uma norma de grupo à qual todos se conformam. No caso de, posteriormente, um individuo deixado só, ele permanece, ainda assim, conformado àquela norma de grupo. Tendo-se repetido a experiência, propondo  agora ao sujeito outras questões ambíguas (estimativas de temperatura, julgamentos estéticos etc), constatou-se que, quanto mais difícil era formular um julgamento objetivo, mais estreita se fazia a conformidade à norma de grupo.

     Sherif generaliza esses resultados até  “o estabelecimento de normas sociais, como os estereótipos,as modas,as convenções, os costumes, os valores”. Interrogando-se sobre a possibilidade “de fazer com que o sujeito adote [-] uma norma prescrita,  ditada por influencias sociais específicas”, que submete o individuo em teste à influência de um companheiro prestigioso (um universitário) , e logra obter que o sujeito ingênuo modifique sua norma e substitua por aquela do companheiro de mais prestígio.


4)Pé na Porta

      Freedam e Fraser, em 1966, 13 trazem à luz um fenômeno conhecido como pé-na-porta. Trataremos de duas de suas experiências.

     Com a primeira delas, se buscava conhecer, em função da primeira como era formulada a pergunta, o percentual de donas de casa dispostas a responder a uma enquete a respeito de seus hábitos de consumo. Estimando que tal  enquete deveria ser longa e aborrecida, somente 22% aceitaram dela participar quando se lhes convidou a isso diretamente. Mas os autores, dirigindo-se a uma segunda amostragem, fizeram preceder à pergunta um processo preparatório bastante simples: três dias antes de formulá-la, telefonaram aos membros desse grupo, solicitando-lhes que respondessem a oito perguntas a cerca de seus hábitos de consumo em matéria de produtos de limpeza. Quando, três dias mais tarde, se lhes pediu para que se submetessem à mesma enquete que fora feita com os membros da primeira amostragem, a taxa de aceitação elevou-se a 52%.  Chama atenção o fato de que um procedimento tão simples possua tamanho  poder.

     Portanto, o princípio pé-na-porta é o seguinte: começa-se por pedir ao sujeito que faça algo mínimo (ato aliciador) , mas que esteja relacionado ao objetivo real da manipulação, que se trata de algo bem mais importante (ato custoso). Assim, o sujeito sente-se engajado, ou seja, psicologicamente preso por seu ato mínimo, anterior ao ato custoso.

     Noutra experiência, os mesmos autores dividiram igualmente os participantes em dois grupos. Os membros do primeiro não foram submetidos a qualquer preparação particular. Aos membros do segundo foi solicitado que colassem (ato aliciador) um adesivo na janela. Pediu-se em seguida aos membros dos dois grupos que instalassem, cada qual em seu jardim,uma grande placa –  que chegava a encobrir parcialmente a fachada da casa – a qual recomendava prudência aos motoristas. Enquanto , o percentual de aceitação ,no primeiro grupo , foi de apenas 16,7%, no segundo grupo esse percentual atingiu a marca de 76%. Ainda, convém notar que, contrariamente à pesquisa anterior, nesta as duas pesquisas foram conduzidas por duas pessoas diferentes.

     E não é só isso. A enorme disparidade entre esses percentuais , citados logo acima, foi obtida nos casos em que os adesivos também exortava os motoristas à prudência. A atitude era a mesma  (ser favorável a uma conduta mais prudente), tanto no ato aliciador (fixar um adesivo) quanto no ato custoso (instalar em seu jardim uma placa sem graça).

 

5)Porta na Cara

 “Porta  na Cara”

     Técnica complementar à precedente, a “porta na cara”15 consiste em apresentar, de início, um pedido exorbitante, que naturalmente será recusado, depois do que se formula um segundo pedido,   então aceitável.  Em uma experiência clássica, Citaldini et al. Solicitaram a alguns estudantes que acompanhassem, por duas horas,  um grupo de jovens deliquentes em uma visita ao zoológico. Formulada diretamente, essa solicitação obteve somente 16,7% de aceitação.  Entretanto, colocando-a após um pedido exorbitante, a taxa elevou-se a 50%. Naturalmente, um “pé na porta” ou uma “porta na cara” podem ser úteis para  se extorquir um ato custoso,o qual, por sua vez consistirá em um ato aliciador, no caso de um próximo pé na porta. Com tal expediente, é possível obter comprometimentos cada vez mais significativos. Essa técnica de “bola de neve” é  efetivamente aplicada.

 

6)Dissonância Cognitiva ou Espiritualismo Dialético

     A teoria da dissonância cognitiva, elaborada em 1957,por Festinger ,16  permiti perceber o quanto nossos atos podem influenciar nossas atitudes, crenças, valores ou opiniões. Se é evidente que nossos atos, em medida mais ou menos vasta,  são determinados por nossas opiniões, bem menos claro nos parece que o inverso seja verdadeiro, ou seja, que nossos atos possam modificar nossas opiniões. A importância dessa constatação leva-nos a destacá-la , para que, a partir dela, se tornem visíveis as razões profundas da reforma do sistema educacional mundial. Verificamos anteriormente que é possível induzir diversos comportamentos, apelando-se à autoridade, à tendência ao conformismo ou às técnicas do “pé na porta”  ou da “porta na cara”. Os fundamentos que servem de base a esses atos induzidos repercutem em seguida sobre as opiniões do  sujeito, modificando-as (dialética psicológica). Assim, encontramo-nos diante de um processo extremamente poderoso, que permite a modelagem do psiquismo humano e que, além disso, constitui a base das técnicas de lavagem cerebral.

 Dissonância Cognitiva

*Dissonância Cognitiva é um termo da psicologia

*A teoria da dissonância prega que cognições contradizentes servem como estímulos para a mente obter ou inventar novos pensamentos ou crenças, movimentar crenças pré-existentes, de forma a reduzir a quantidade de dissonância (conflito) entre as cognições.

 A Dissonância Cognitiva pode ser eliminada?

Conforme Festinger (1957), os profissionais de Administração e Marketing não podem eliminar a dissonância, mas eles podem compreender a forma de construção dos mecanismos em que ocorre a dissonância e então, podem agir de forma a minizá-la ao máximo, reduzindo assim sua intensidade.

                                      A dissonância cognitiva

 A dissonância cognitiva é um estado psicológico relativamente desagradável que pode viver-se quando tomamos consciência da discrepância entre as nossas atitudes ou entre as nossas atitudes e os nossos comportamentos.

 

 7) Não pague aos seus empregados

   A experiência de Festinger e Carlsmith18 pode ser assim resumida: num primeiro momento, os examinados devem realizar uma tarefa manual repetitiva e extremamente tediosa. Em seguida, o pesquisador  - pretextando uma indisponibilidade de seu colaborador – lhes podem que apresentem a tarefa a outros examinados , mostrando-a como um exercício interessante, prazeroso. Para que realizem essa apresentação, a uns é oferecido um dólar, a outros são oferecidos vinte dólares. Ao termo da experiência, os indivíduos desses dois  grupos são testados, a fim de se conhecer suas atitudes reais em relação àquela tarefa inicial. Aqueles aos quais foram pagos vinte dólares descreveram-na como tediosa, enquanto os demais, que receberam um dólar, modificaram sua cognição relativamente à tarefa e passam não somente a considerá-la interessante e prazerosa, mas, ainda, mostram-se dispostos a participar de outras experiências semelhantes. Os primeiros justificam sua mentira admitindo haver agido por interesse na retribuição, o que já não podem fazer os do outro grupo , aos quais se havia prometido um dólar apenas.  Colocados em situação de dissonância cognitiva , provocada pela contradição entre sua percepção inicial da experiência e o ato e o ato que foram levados a cometer.

     Assim, uma pressão fraca (oferecer um dólar como prêmio) , quer dizer, uma pressão apenas suficiente para induzir ao comportamento buscado, têm efeitos cognitivos muito mais extensos que uma pressão mais forte (oferecer vinte dólares). Esse fenômeno é bem conhecido do  “menagers”, que não ignoram que os dirigentes que percebem salários menores são mais comprometidos com o trabalho e na sua relação com a empresa. Da mesma forma, os pedagogos puderam constatar que uma ameaça fraca, apenas suficiente para gerar o comportamento desejado, é frequentemente mais eficaz a longo prazo do que uma ameaça mais forte. Nesse último caso, a criança, consciente de que cede a uma forte pressão, conserva o seu desejo inicial, o qual ela deverá satisfazer logo que possível.  Entretanto, no primeiro caso dá-se o contrário: a criança tenderá a entrar em dissonância cognitiva induzida pela contradição entre seu desejo inicial e seu comportamento efetivo, produzido pressão psicológica ligada à ameaça fraca. Exatamente como no caso dos indivíduos submetidos às experiências de Festinger e Carlsmith, impõe-se a necessidade de reduzir essa dissonância, o que se pode obter mediante o expediente de desvalorizar o comportamento proibido. A modificação de atitude e de comportamento  é então duradoura, uma vez que, nesse caso, ocorreu uma interiorização da proibição.


8) Gafanhotos Fritos

      Você gosta de gafanhotos fritos?

     Sob o pretexto o menu do colégio militar, incluíram-se nele, gafanhotos fritos,19, o que , convém notar, não agradou a ninguém. Mas a apresentação dessa novidade foi realizada de duas maneiras diversas: um grupo foi convidado a dela participar por um sujeito simpático, enquanto o segundo grupo foi confiado a um homem desagradável, que tinha mesmo por objetivo forjar-se uma figura antipática, efeito que obtinha – a par de outros recursos – ao tratar seu assistente de modo grosseiro. Realizada a experiência, constatou-se que, entre as pessoas que realmente comeram gafanhotos fritos, o percentual de membros do segundo grupo que declaram haver gostado era significativamente maior que o do primeiro grupo. Enquanto estes podiam justificar interiormente seu ato , já que haviam agido motivados pela simpatia do apresentador, os membros do segundo grupo viram-se obrigados a encontrar uma justificação do comportamento que lhes fora extorquido. Para reduzir a dissonância cognitiva provocada pela contradição entre sua aversão por gafanhotos fritos e o ato de comê-los, só lhes restava mudar sua opinião a respeito daquela aversão.

 

 9) Iniciação Sexual

      Para participar de discussões em grupo acerca da psicologia sexual, algumas jovens foram levadas a passar por diversas “provas iniciáticas”.20. Ao primeiro grupo impõe-se uma iniciação severa e fastidiosa, psicologicamente aliciadora, portanto. Ao segundo, impôs-se uma iniciação superficial. O grupo testemunho, por fim, foi admitido sem qualquer iniciação. A discussão fora preparada para ser extremamente tediosa e desinteressante. Constatou-se, ao final, que as jovens que declararam haver gostado da discussão foram justamente aquelas que passaram pela iniciação mais severa. Nesse caso, a dissonância cognitiva era provocada pela contradição entre o investimento psicológico necessário para suportar uma iniciação severa e a ausência de qualquer benefício daí obtido.

 

 10) Contatos Extra Terrestres

       A senhora Keech, 21 fundadora de uma pequena seita,dizia receber mensagens extraterrestres que informavam sobre a iminência do fim do mundo. Tendo sido anunciado o dia da catástrofe, convidaram-se os membros da seita a se reunirem, na véspera, para serem conduzidos à segurança do  interior de um OVINI, que aliás nunca veio. Festinger estudava o grupo e se interessava pelo modo segundo o qual os seus membros realizariam a redução da dissonância cognitiva após o resultado, previsível desse momento crítico. (Com efeito, sabe-se que é bastante significativo o investimento psicológico que ocorre em seitas; a dissonância cognitiva que se gera em tais situações é  considerável).Tendo já passado a hora fatídica, a senhora Keech declarou ter recebido uma nova mensagem , pela qual era informada de que a fé e o fervor de seus discípulos haviam permitido que a catástrofe fosse evitada. Então estes,submetidos a uma forte dissonância cognitiva, apressaram-se a aceitar tal explicação, que lhes proporcionava a custo baixo, reduzir aquela dissonância. Além disso, passaram ao proseletismo , atitude que haviam cuidadosamente evitado nos dias que precederam o dia fatídico.

 

11. Dramatização

      Constatou-se experimentalmente que uma dramatização,em que pese seu caráter aparentemente lúdico, é capaz de provocar dissonâncias cognitivas e as subseqüentes alterações de valor. A identificação ativa ao papel assumido é suficientemente forte para aliciar o ator. Esse surpreendente resultado é incontestável e firmemente estabelecido. Ao obrigar os indivíduos a agir em oposição às suas convicções, sem constrangê-los formalmente a isso, facilita-se o surgimento de dissonâncias cognitivas e a conseqüente organização do universo cognitivo do ator. A dramatização é a base do psicodrama , técnicas psicológica correntemente utilizada. Igualmente, a dramatização constitui uma das psicopedagogias ativas mais poderosas e de uso mais comum; é ensina nos IUFMS, por exemplo.

 O ator não é isento de receber influencia do papel que realiza, caso não esteja preparado para isso. Em novatos, essa técnica pode ser muito promissora.

 

 12) Decisões e Discussões de Grupo

      As decisões e discussões de grupo, por seu inegável caráter público, tem um alto potencial para promover o engajamento. Elas constituem uma das poderosas técnicas para introduzir dissonâncias cognitivas.  A terapia de grupo, técnica psicoterapêutica  clássica, tem nelas um de seus elementos constitutivos fundamentais. Elas também são utilizadas pela psicologia ativa , que frequentemente se apresenta como exercícios de comunicação. E são ensinados nos IUFMS.

     Claro está que a dinâmica de grupos apóia-se ainda sobre outros elementos, principalmente afetivos, mas não seria pertinente detalhá-los aqui.

 

13) Avaliações

 Avaliação (dos alunos e dos professores)

      A avaliação consiste em outro meio extremamente eficaz para conduzir à interiorização de valores e de atitudes. Não é possível esclarecer os seus fundamentos recorrendo-se a outras teorias da psicologia social que não a do engajamento. Suas conclusões podem ser resumidas em poucas palavras , dizendo-se que, por força do exercício do poder personificado pelo avaliador, o sujeito da avaliação é levado a interiorizar normas sociais. Esse processo está na base da reprodução social ou – se se altera a escala da avaliação – da modificação de valores. A avaliação formativa , conforme seu nome indica, visa expressamente a ensinar o sujeito. Quando aplicada ao domínio da ética , leva a interiorizar valores e atitudes. Sob a forma de autoavaliação , ela acrescenta o engajamento do sujeito à sua avaliação. O estudo das diversas formas de avaliação (teorias da avaliação) constitui um componente importante da psicopedagogia e do ensino dispensado nos IUFMS.

 Os IUFMS franceses integram, portanto, um projeto mundial de formação de professores sustentado por pedagogias ativas e que visa a modificar profundamente o papel da escola.

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Não julgue para não sereis julgado!

     O ato de julgar o outro é além de ser um subterfúgio para que não tenhamos que lidar com a nossas próprias inquietudes, é também uma das maiores portas para o erro. A dor de ser algo de julgamento alheio, nunca é maior do que o remorso em descobrir que fomos injustos com alguém. A fábula do escritor Mário Salvador, ilustra bem a passagem do Evangelho de São Mateus.

     Naqueles tempos, um caçador encontrou na floresta uma raposa morta e junto ao seu corpo estava seu filhote. Então, o caçador pegou o filhote e o levou para sua casa. Não tardou para que a vizinhança começasse o falatório:

A vizinhança:

- Este animal é bravio, é uma fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar seu filho, o recém-nascido.

     O tempo foi passando e o caçador continuava cuidando daquele filhote, que ai final de um tempo acabou tornando-se uma forte e bela raposa adulta, não bravia como os vizinhos haviam falado há tempos atrás. Todavia, a vizinhança continuava cismada e não acreditava que uma raposa poderia ser dócil e sempre que tinha a oportunidade deixava o caçador de antena ligada, dizendo:

A vizinhança:

- Você pode não entender, mas este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores.

     De manhã bem cedinho, quando o caçador chegou em casa, observou que sua raposa criada com tanto carinho estava com a boca cheia de sangue, e logo veio em sua memória o falatório da vizinhança:

O falatório da vizinhança na memória do caçador:

- Este animal é bravio, é uma fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar seu filho!

- Você pode não entender, mas este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores

     Ao ver a raposa com a boca toda ensanguentada, imediatamente logo veio em sua mente o falatório da vizinhança. Assustado o caçador não pensou duas vezes, tirou o machado de suas costas e matou a raposa. Morta a raposa, o caçador foi ver como estava seu filho, e qual não foi a sua surpresa ao perceber que seu filho dormia tranquilamente, mas no chão bem próximo a sua cama jazia um enorme corpo de cobra.

      Percebendo o engano ou a injustiça que cometeu, o caçador num gesto de arrependimento decidiu enterrar o corpo da raposa, que ele havia matado junto com o machado, objeto usado por ele para dar fim a vida da raposa.

 

1º Passo livre interpretação: Que mensagem traz o texto?

2º Passo interpretação do texto: O “falatório da vizinhança” descrito nesta fábula representa julgamento? E por que?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

PROJETO BÚSSOLA BIPOLAR - O CALEIDOSCÓPIO DA VIDA - Quando encaramos a vida como palco....

 

A vida é uma dádiva divina, só temos uma,  saber viver para nós humanos  é uma  tarefa mais complexa do que para um animal. Basta lembra-los que só nós seres humanos temos essa capacidade maravilhosa de refletir, de pensar sobre nós mesmos, sobre os outros e o entorno.  De voltar no tempo com o nosso pensamento. E não somos pré-determinados como os animais o são, Deus nos concedeu o livre-arbítrio para que ao longo de nossa caminhada saibamos distinguir o bem do mal, separar o joio do trigo. Sendo assim só nós podemos refletir sobre nossas próprias vidas e buscar o melhor enredo.

 

Há muitas maneiras de encarar a vida, e elas podem mudar ao longo da viagem e mesclarem-se.  Podemos imaginar a vida como um grande palco de teatro, onde somos levados a representar papéis; podemos olhar a sociedade em que vivemos e chegarmos a conclusão de que estamos vivendo numa selva ; há quem encare a vida como um jogo, em que ou se perde ou se ganha; tem também as pessoas que olham a vida como se fosse uma estrada. Com esse caleidoscópio de visões ou maneiras de encarar a vida , se você não tiver raiz profunda,  se você não conjugar com quem você é, ou quem você quer ser; quando passar por intempéries ou tiver que se reorientar na vida enfrentar a situação vai ser muito mais difícil. Sair do caos e encontrar seu próprio eixo pode levar uma eternidade. E quanto mais cedo começarmos a busca pelo nosso auto conhecimento melhor, assim, quanto mais cedo nos indagarmos : Quem sou eu?  Quem eu quero ser em termos de ser humano Melhor ! Mais tempo de vida teremos para nos conhecermos e quando tivermos que alinhar os imãs da nossa bússola interior, não sofreremos tanto.  Afinal de contas perder-se ao longo da vida é muito fácil, o difícil muitas vezes é reencontrar-se.

 

Socrátes já dizia que uma vida não refletida não merecia ser vivida e “conhece-te a ti mesmo”. E só podemos nos conhecer, mergulhando em nós mesmos, não se trata de egoísmo ou narcisismo, é uma questão de necessidade de sobrevivência, principalmente quando percebemos ou encaramos o mundo como uma selva, onde os mais fortes sobrevivem. E as múltiplas dimensões do ser humano precisam estar equilibradas para sobreviver: biologicamente, socialmente , psicologicamente e espiritualmente , podemos pensar na tríade: corpo, mente e alma. Quem nunca ouviu falar na frase “mente sã, corpo são”.  E temos que ter raízes bem profundas para não sermos levados pelas vozes da multidão que mais nos desorientam do que nos guiam. Esse processo de buscar o nosso centro , de mergulharmos em nós mesmos não é tão simples assim,  pois podemos não gostar do que iremos ver, teremos que nos enfrentar, admitir muitas vezes para nós mesmos que estamos errados, mas se formos humildes e não nos cobrarmos tanto, sairemos mais fortalecidos e podemos aos poucos ir realinhando os imãs e nossas raízes ficarão mais profundas.

 

A vida passa muito rápido, quando se vê dois  anos se foram,  e volta a cena o teatro das eleições municipais, dois anos depois o teatro agora toma conta do país, são as eleições presidenciais. É o teatro da disputa de poder. Quando vemos passaram-se vinte anos e aí olhamos o que aconteceu com a sociedade e com o mundo nesses vinte anos? Podemos ser meros espectadores ou podemos pensar em participar de alguma maneira nesse grande palco de teatro que é a vida em sociedade.  Em que todos interpretam papéis mas muitos nem mesmo sabem quem são, perderam suas raízes, deixaram-se levar por valores menos nobres e caíram no fingimento. Fingem para os outros o que não são, escondem-se através de máscaras, têm medo dos próprios sentimentos e não sabem lidar com as próprias emoções, são perdidos em si mesmos e muitas vezes possuídos por emoções destrutivas, como raiva e ódio e o sentimento de inveja. Certas cenas do palco político brasileiro nos dão exemplos de como nossos políticos são excelentes artistas, muitos venderam-se ao sistema e vivem uma vida de teatro, submissos a vontade do grupo que está no poder.

 

 

A vida é um jogo onde não se pode ganhar sempre e que temos que aprender a perder. Quem gosta de perder? Ninguém, a não ser que a derrota lhe traga alguma vantagem.  Quando as regras do jogo são claras e justas para ambos os lados, tal como nos jogos esportivos: futebol, baseibol, vôlei e muitos outros, temos uma competição e cooperação e o jogo é limpo. Duas equipes disputando um campeonato, ganha a competição a equipe que se destacou melhor, que soube se organizar melhor, que soube controlar-se melhor, aquela em que os membros se uniram, cada um por meio de sua função cooperou. Esse é o espírito que as olimpíadas buscam enaltecer a cada quatro anos. Mas nem sempre a competição é bem vista pela sociedade de maneira geral, pois competir também pode trazer à tona sentimentos de superioridade e inferioridade e com isso uma gama de emoções e sentimentos que podem gerar um caos interior tenso de lidar. Mais uma vez venho aqui levantar a bandeira do “conhece-te a ti mesmo”. Ao invés de competir ou comparar-se com o outro, é melhor olhar para si mesmo: o que eu sou por fora e por dentro. Os olhos da sociedade sempre nos enganam, as aparências geralmente nos iludem, portanto não compare-se com o outro, evite situações que podem ferir sua auto estima. Não se machuque por comparações inúteis e nem entre em competições, que são na realidade jogos psicológicos que vão te desequilibrar. “Conhece-te a ti mesmo”, fortaleça-se por dentro e surpreenda o adversário. E lembre-se que a vida é uma estrada em que não se basta conhecer bem o caminho , e que talvez conhecer-se seja um dos principais caminhos. Pois não se esqueça tudo que é material podem tirar de você, mas o que você é seu, suas experiências são suas ninguém as viveu por você, só você viveu e muitas vezes sobreviveu.

 

O filho cresceu e um dia do nada simplesmente avisa que está botando o pé na estrada. O que fazer? Como lidar com essa experiência? Vai amarra-lo no pé da cama , algemá-lo e passar-lhe um sermão? Talvez seja tarde demais ... Ele pode estar tão decidido que qualquer cena dramática de sua parte não o sensibilizará, ele decidiu, usou seu livre arbítrio, fez sua escolha. Ao pais neste momento tempestuoso só resta orar para que ele tenha escolhido o caminho do bem nesta longa da estrada da vida e que nada o desvie desse caminho. Até porque “botar o pé” na estrada não é uma decisão fácil de ser tomada é preciso ter coragem, é neste momento em que teremos que assumir um compromisso com nós mesmos, de ser responsável pela nossa própria vida, de assumir nossos erros e suportar as adversidades sem se fazer de coitadinho ou de vítima e principalmente assumir as consequências de nossas escolhas e decisões.  

 

A vida é feita de escolhas, tal como uma estrada em que muitos momentos nos depararmos com bifurcações, curvas perigosas, subidas , descidas, e longínquos retornos; além da sinalização quando tem ou quando conseguimos enxergar. Muitas têm acostamento outras nada, apenas um abismo em baixo. Há quem prefira viver a cem km por hora, como se viver em alta velocidade implicasse viver intensamente, cuidado, ao virar uma curva, o abismo pode estar logo atrás;  fez a escolha errada, cuidado o próximo retorno só a quilômetros e quilômetros de distância, não vai dar para consertar num pulo;  não deu atenção às placas, aos avisos de alerta, cuidado isso pode custar sua vida; vai fazer ultrapassagem, tá com pressa, faça ,mas faça com responsabilidade e assumindo todos os riscos. E todo cuidado é pouco quando se está na escuridão da estrada, o perigo pode estar logo adiante e nos pegar de surpresa.

 

Qualquer que seja a cor escolhida neste caleidoscópio cedo ou tarde vai perceber que sobreviver na selva é uma questão de vida ou morte; ou vai chegar no leito de morte e confessar que viveu uma vida de mentira, apenas representando e usando máscaras, mentindo para si mesmo o mesmo todo; ou vai despertar para a vida perceber que perdeu muito tempo competindo com os outros ao invés cooperar consigo mesmo,  e que perdeu muito tempo olhando para os outros ao invés de cuidar da própria vida e de suas potencialidades, de seus talentos. E por fim depois de quilômetros e quilômetros rodados pode perceber que pegou a estrada e que  não está preparado para o retorno.  Assim o princípio da caminhada já está dado desde do começo da filosofia com Sócrates : Conhece -te a ti mesmo; uma vida não refletida não merece ser vivida.”

 

 

 

      Essa viagem rumo ao auto conhecimento só depende de você. Há muitas maneiras de fazê-la , mas você não vai conseguir escapar de si mesmo. Afinal, refletir é preciso.  É preciso que você mergulhe em si mesmo, e tenha como inspiração a lição de Bob Marley: “Preocupe-se mais com a sua consciência do que com a sua reputação.”  E caminhe se perguntando: O que é mais importante para mim a essência ou a aparência?  E outras perguntinhas  como as baixo:

 

    

a)     Essência ou aparência: Eis a questão?

b)    Que interesses tenho?

c)     Que habilidades ou talentos tenho?

d)    Quais são os meus valores?

e)     Quais são os meus objetivos?

f)      Quais os meus maiores medos?

g)    Quais são minhas qualidades?

h)    Quais são meus defeitos?

 

     Pode respondê-las como quiser, o importante é refletir , pensar com carinho sobre cada uma delas e responder de acordo com a sua alma. Não minta para você mesmo. Por exemplo: eu vou confessar que meu maior medo é acabar louca dentro de um hospício público.  Quanto aos objetivos é natural que eles mudem ao longo da vida, ou que se tenha objetivos de curto, médio e longo prazos, coloque-os todos. Vale lembrar que essas perguntas podem ser feitas várias vezes ao longo de nossa caminhada e isso é natural, é saudável, quer dizer que estamos vivendo de maneira consciente, refletindo, não somos mais um na massa. E nem será uma viagem perdida.

 

Quando encaramos a vida como palco....

 Como muito bem nos ensina  Constantin Stalinislavski em seu livro "A Construção da Personagem":

"A única condição é não perder seu eu interior enquanto estiver fazendo essa pesquisa exterior. E agora, lhes digo o vamos fazer. Nossa próxima aula será uma mascarada." -pg 22.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

"POR OLAVO DE CARVALHO - QUEM É FILÓSOFO E QUEM NÃO É"

 Já dizia meu amado Goethe...

"Não entrarás no paíz das idéas!".

Eu sou, no entanto conhecido na margem.

Quem não se gaba de conquistar as ilhas,

tem ao menos permissão de lançar ancora."

== Eu & Goethe , Goethe & Eu ==

Eu também me considero à margem.

Não me considero sábia nem filósofa.

Apenas amante do conhecimento.

Que tem consciência dos desafios para quem mergulha no mundo das ideias. 

Meu maior medo confesso é ficar apenas no mundo das ideias e perder o contato com o real. E enlouquecer... 

Mestre Olavo de Carvalho também já dizia que uma das condições para entrarmos na Filosofia é aceitar a realidade. É buscar a "unidade do conhecimento na unidade da consciência". É isto que venho tentando fazer, com toda minha humildade e ignorância.


Por Olavo de Carvalho – 7/5/2009

Diário do Comércio – 8 de maio de 2009

 Quem é filósofo e quem não é

Cobrar ensino público e qualidade não adianta. Melhor seria ajudar autoditadas.

 No afresco A Escola de Atenas, Rafael reúne estudiosos antigos, como se fossem amigos conversando. No detalhe, Platão e Aristóteles.

 À medida que se a consciência do debate total das nossas universidades públicas e privadas, cresce o número de brasileiros que, valentemente, buscam estudar em casa e adquirir por esforço próprio aquilo que já compraram de um governo ladrão – ou de ladrões empresários de ensino – e jamais receberam.

 Quase dez anos atrás a Fundação Odebrecht – no mais, uma instituição admirável – me perguntou o que eu achava de uma campanha para cobrar do governo um ensino de melhor qualidade. Respondi que era inútil. De vigaristas nada se pede nem se exige. O melhor a fazer com o sistema de ensino era ignorá-lo. Se querem prestar ao público um bom serviço, acrescentei, que tratassem de ajudar os auditadas, aquela parcela heróica da nossa população que, de Machado de Assis a Mário Ferreira dos Santos, criou o melhor da nossa cultura superior. O meio de ajuda-los era pôr ao seu alcance os recursos essenciais para a auto-educação, que é, no fim das contas, a única educação que existe.

 Cheguei a conceber uma coleção de livros e DVDs que davam, para cada domínio especializado do conhecimento, não só os elementos introdutórios indispensáveis, mas as fontes para o prosseguimento dos estudos até um nível que superava de muito o que qualquer universidade brasileira poderia não só oferecer, mas até mesmo imaginar.

 Minha sugestão foi gentilmente engavetada, e, com ou sem campanha de cobrança, o ensino nacional continuou declinando até tornar-se  aquilo que é hoje: abuso intelectual de menores, exploração da boa-fé popular, crime organizado ou desorganizado.

 Na mesma medida, o número de cartas desesperadas que me chegam pedindo ajuda pedagógica multiplicou-se por dez , por cem e por mil, transcendendo minha capacidade de resposta, forçando-me a inventar coisas como o programa True Outspeak, o Seminário de Filosofia Online  e outros projetos em andamento. E não dou conta da demanda. As cartas continuam vindo, e o pedido que mais se repete é de uma bibliografia filosófica essencial. Impossível.

 O primeiro passo nessa ordem de estudos não é receber uma lista de livros, mas formá-la por iniciativa própria, na base da tentativa e erro, até que o estudante desenvolva uma espécie de instinto seletivo capaz de orientá-lo no labirinto das bibliotecas filosóficas. O que posso fazer, isto sim, é fornecer um critério básico para você aprender a discernir, à primeira vista, entre os autores que falam em nome da filosofia, quais merecem atenção e quais seria melhor esquecer.

 Tive a sorte de adquirir esse critério pelo exemplo vivo do meu professor, Pe. Stanislavs Ladusãns. Quando ele atacava um novo problema filosófico – novo para os alunos, não para ele -, a primeira coisa que fazia era analisa-lo segundo os métodos e pontos de vista dos filósofos que tinham tratado do assunto, em ordem cronológica, incorporando o espírito de cada um e falando como se fosse um discípulo fiel, sem contestar ou criticar nada. Feito isso com duas dúzias de filósofos, as contradições e dificuldades apareciam por si mesmas, sem a menor intenção polêmica. Em seguida ele colocava em ordem essas dificuldades, analisando cada uma e por fim articulando, com os elementos mais sólidos fornecidos pelos vários pensadores estudados, a solução que lhe parecia melhor.

 A coisa era uma delícia, para dizer o mínimo. Num relance, compreendíamos o sentido vivo daquilo que Aristóteles pretendera ao afirmar que o exame dialético tem de começar pelo recenseamento das “opiniões dos sábios” e tem de pensar com as cabeças de seus antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o estado em que a chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro abstratismo bocó, opinionismo gratuito, amadorismo presunçoso.

 A conclusão imediata era a seguinte: a filosofia é uma tradição e a filosofia é uma técnica. Chega ao domínio da técnica pela absorção ativa da tradição e absorve-se a tradição praticando a técnica segundo as várias etapas do seu desenvolvimento histórico.

 Note-se a imensa diferença que existe entre adquirir pura informação, por mais erudita que seja, sobre as ideias de um filósofo, e leva-las à prática fielmente, como se fossem nossas. A primeira alternativa mata os filósofos e os enterra num sepulcro elegante. A segunda os revive e os incorpora à nossa consciência como se fosse papéis que representamos pessoalmente no grande teatro do conhecimento. É a diferença entre museologia e tradição. Num museu pode-se conservar muitas peças estranhas, relíquias de um passado incompreensível. Tradição vem do latim traditio, que significa  “trazer”, “entregar”. Tradição significa tornar o passado presente através da revivescência das experiências interiores que lhe deram sentido. A tradição filosófica é a história das lutas pela claridade do conhecimento, mas como o conhecimento é intrinsecamente temporal e histórico, não se pode avançar nessa luta senão revivenciando as batalhas anteriores e trazendo-as para os conflitos da atualidade.

 Muitas pessoas, levadas por um amor exagerado à sua independência de opiniões (como se qualquer porcaria saída das suas cabeças fosse um tesouro), têm medo de deixar-se influenciar pelos filósofos, e começam a discutir com eles desde a primeira linha, isto quando já não entram na leitura armadas de uma impenetrável carapaça de prevenções.

 Com o Pe. Ladusãns aprendíamos que, no conjunto, as influências se melhoram umas às outras e até as más se tornam boas. Incorporadas à rede dialética, mesmo as cretinices filosóficas mais imperdoáveis em aparência acabam se revelando úteis, como erros naturais que a inteligência tem de percorrer se quer chegar a uma verdade densa, viva e não apenas acertar a esmo generalidades vazias.

 Algumas regras práticas decorrem dessas observações:

 1.Quando você se defrontar com um filósofo, em pessoa ou por escrito, verifique se ele se sente à vontade para raciocinar junto com os filósofos do passado, mesmo aqueles dais quais “discorda”. A flexibilidade para incorporar mentalmente, os capítulos anteriores da evolução filosófica é a marca do filósofo genuíno, herdeiro de Sócrates, Platão e Aristóteles. Quem não tem isso, mesmo que emita aqui e ali uma opinião valiosa, não é um membro do grêmio: é um amador, na melhor das hipóteses um palpiteiro de talento. Muitos se deixam aprisionar nesse estado atrofiado da inteligência por preguiça de estudar. Outros, porque na juventude aderiram a tal ou qual corrente de pensamento e se tornaram incapazes de absorver em profundidade todas as outras, até o ponto em que já nada podem compreender nem mesmo da sua própria. Uma dessas doenças, ou ambas, eis tudo o que você adquirir numa universidade brasileira.

 2. Não estude filosofia por autores, mas por problemas. Escolha os problemas que verdadeiramente lhe interessam, que lhe parecem vitais para a sua orientação na vida, e vasculhe os dicionários e guias bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do assunto. A formulação do problema via mudar muitas vezes no curso da pesquisa, mas isso é bom. Quando tiver selecionado uma quantidade razoável de textos pertinentes, leio-os em ordem cronológica, buscando reconstituir mentalmente a história das discussões a respeito. Se houver lacunas, volte à pesquisa e acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico suficientemente contínuo. Depois classifique as várias opiniões segundo seus pontos de concordância e discordância, procurando sempre averiguar onde uma discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias essenciais em discussão. Feito isso, monte tudo de novo, já não em ordem histórica, mas lógica, como se fosse uma hipótese filosófica única, ainda que insatisfatória e repleta de contradições internas. Então você estará equipado para examinar o problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e, contribuição original ao debate.

 É assim que se faz, é assim que se estuda filosofia. O mais é amadorismo, beletrismo, propaganda política, vaidade organizada, exploração do consumidor ou gasto ilícito de verbas públicas.

 Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

 

Fonte:

http://www.dcomercio.com.br/ImpressaoMateria.aspx?materia=16855&canal=39

 Segue um breve resumo das partes que considerei mais relevantes.

 1)Método  do Pe Stanislavas Ladusâns quanto às estratégias de ataque a um novo problema filosófico:

 1º passo: a análise do problema precisa ser feita com “abstinência de crítica ou julgamentos”, ou seja, deve ser feita como se você fosse um discípulo fiel.

 2º passo: analisar em ordem cronológica o problema de acordo com o ponto de vista dos filósofos que tinham tratado do assunto.

 3º passo: analisar em ordem cronológica (e crítica) o método usado pelo autor para tratar do problema.

 4º passo: fazer este exercício com pelo menos 2 dúzias de filósofos. E verificar os seguintes pontos:

 - quais são as principais dificuldades

- como aparecem suas contradições

- como eles lidam com as dificuldades e contradições em seu próprio pensamento

- por fim articular este autor com os elementos mais sólidos fornecidos pelos outros pensadores e verificar a solução que lhes pareça melhor.

 

2)Não esquecer de seguir a orientação de Aristóteles quanto ao Exame Dialético.

 1º passo: análise , o 1º, 2º e 3º  passos do método do Pe Stanislavas Ladusâns,  deve-se iniciar-se com pelo “recenseamento das “opiniões dos sábios”.

 2º passo: feita essa análise do recenseamento das opiniões do sábios” é importante articular todo esse material como se fosse uma teoria única.

 3º passo: levar em consideração que “Cada filósofo tem de pensar com as cabeças de seus antecessores para compreender o  status quaestionies.”

 

3) Teoria Única – Em que sentido?

“Cada filósofo tem pensar com as cabeças de seus antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o estado em que as questão chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro abstratismo bocó, opinionismo gratuito, amadorismo presunçoso. – status quaestionei – “estado em que a questão chegou a ele.” – Como ficou a questão, ou problema. Ou que: Quais foram as conclusões do autor.

 

 4) “A Filosofia é uma tradição  e a Filosofia é uma Técnica.”

Como você consegue absorver a tradição filosófica através da técnica?

Respostas:

1º passo:

Através do exame dialético proposto por Aristóteles e pelo método do Pe Stanislavas Ladusãns.

“Praticando a técnica segundo as várias etapas do seu desenvolvimento histórico.”

 2º Passo:

Vasculhe os dicionários e guias bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do assunto.

 3º Passo:

Quando tiver selecionado uma quantidade razoável de textos pertinentes, leia-os em ordem cronológica, buscando reconstituir mentalmente a história das discussões a respeito.

 Obs: Se houver lacunas, volte à pesquisa e acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico suficientemente contínuo.

 4º Passo:

Depois classifique as várias opiniões segundo seus pontos de concordância e discordância.

 5º Passo:

Procurando sempre averiguar onde a discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias essenciais em discussão.

 6º Passo:

Feito tudo isso (os passos anteriores) monte tudo de novo em ordem lógica – como se fosse uma hipótese filosófica única, ainda que insatisfatória e repleta de contradições internas – (atenção , não em ordem histórica)

 “Então você estará equipado para examinar o problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e confrontando-o com o legado da tradição , dar, se possível, sua própria contribuição original ao debate.”

 

 Meu Testemunho - Minha experiência na Filosofia. 

Ainda não fiz mas pretendo fazer, meu relato sobre esta longa viagem que começou há mais de uma década.

 

 

 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Refletindo sobre a minha personalidade

 

Exercício de descrição da personalidade

 

Para início de conversa o transtorno bipolar de humor faz parte da minha personalidade e para estabilizar o meu humor e manter meu equilíbrio tomo religiosamente à noite o carbonato de litium (lítio). Já tive um temperamento mais colérico, a vida e o nascimento do meu filho fizeram com que eu tivesse que mudar, amadurecer, me domar, conhecer-me mais. Mas acho que ele não deixou de ser colérico, pois ainda tenho explosões. E segundo minha  mãe tenho tendências autoritárias, kkk

 

Considero-me bastante reflexiva e introspectiva, ao mesmo tempo em que dependendo da situação sinto-me a vontade em público e extrovertida. Não tenho problemas em falar em público, gosto de transmitir o que sei , de lidar com meus alunos. Não me considero uma pessoa vaidosa, nem arrogante, considero-me como aquela a música do Gonzaguinha: Um Eteno Aprendiz. Aliás se eu pudesse não sairia da Terra Nunca, uma coisa sei que sou , responsável. Procuro assumir meus diferentes papéis, sempre levando em conta que outros dependem de mim, principalmente minha vidinha, meu amado filho. O único que consegue me domar.

 

Outra característica que tenho desde  garota é a sensibilidade. Agora aos 43 anos posso dizer com quase cem porcento de certeza que sou empata e sensitiva. Sempre senti a energia do ambiente, e das pessoas, acho que por isso prefiro andar sozinha que mal acompanhada. Sinto a vibe da pessoa logo de cara.... e minha intuição raramente falha.

 

A minha bipolaridade fez com que eu me tornasse cada vez mais introspectiva, de modo a buscar sempre me conhecer melhor , buscar lidar com as oscilações de humor e aprender a lidar com as minhas próprias emoções. Não é fácil, já que é sempre mais fácil apontar o dedo para o outro, e dizer que o outro deve melhorar. Julgar é fácil, difícil é encarar-se. É olhar-se com uma lente de aumento. Graças a Deus não sou perfeita, sou uma humilde mortal com defeitos e qualidades, mas atenta ao meu interior, buscando fortalece-lo, pois aprendi uma coisa na vida: podem tirar tudo, tudo nesta vida, menos quem eu sou, minha essência. E a introspecção é o caminho, pelo menos esse foi o caminho que encontrei.

 

Cabo Frio, 05 de setembro de 2020