Vídeo baseado no capítulo 1 do livro
Maquiavel Pedagogo – Pascal Bernadin, que retrata algumas técnicas de
manipulação de pessoas...
1.Submissão e Autoridade
2.Conformismo
3.Normas do Grupo
4.Pé na porta
5.Porta na cara
6.Dissonância Cognitiva
7.Não pague seus empregados
8.Gafanhotos fritos
9.Iniciação Sexual
10.Contatos Ovnis
11.Dramatização
12.Decisões e discussões em grupo
13.Avaliações
“O bom senso o guardará e o discernimento o
protegerá”
Provérbios
2:11
Uma revolução pedagógica baseada baseada
nos resultados da pesquisa psicodegógica está em curso no mundo inteiro.Ela é conduzida por especialistas na Ciência
da Educação que, formados todos nos meios revolucionários,logo dominaram os departamentos de educação
de diversas instituições internacionais:Unesco, Conselho da Europa, Comissão de
Bruxelas e OCDE. Na França, o Ministério da Educação e os IUFMS1 estão
igualmente submetidos à sua influência. Essa revolução pedagógica visa a impor
uma “ética voltada para a criação de uma nova sociedade”2 e a estabelecer uma
sociedade intercultural. A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada
representação da utopia comunista. O estudo dos documentos em que tal ética
está definida não deixa margem a qualquer dúvida: sob o manto da ética, e
sustentada por uma retórica e por uma dialética frequentemente notáveis,
encontra-se a ideologia comunista, da qual apenas a aparênciae os modos de ação foram modificados. A
partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos
comportamentos, bem como de uma manipulaçãoda cultura,3pretende-se levar a
cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social. Essa nova
ética faz hoje parte dos programas da França,4 e é obrigatoriamente ensinada em
todos os níveis do sistema educacional.
A
submissão à autoridade
É uma série de experiências célebres, o professor Santley Milgran
evidenciou de maneira espetacular o papel da submissão à autoridade ao
comportamento humano. Milgram9 repetiu repetiu suas experiências com 300mil
pessoas, experiências estas que foram reproduzidas em diversos países. Os
resultados obtidos são indiscutíveis. A experiência de base envolve três
pessoas: o pesquisador, um suposto aluno, que na verdade é um colaborador do
pesquisador, e o verdadeiro objeto da experiência, o professor. A experiência
pretende supostamente determinar a influência das punições no aprendizado. O
professor deve então mostrar ao suposto estudante extensas listas de palavras
e, em seguida, testar sua memória. Em caso de erro, uma punição precisa ser
imposta ao colaborador. O objeto da experiência ignora, naturalmente, o status
real do colaborador, e crê que este , como ele próprio, não tem qualquer
relação com a organização da experiência. As punições consistem em descargas
elétricas de 15 a 450 volts, as quais o próprio professor deve acionar contra
osuposto estudante, situado em uma peça
vizinha. A voltagem das descargas aumenta a cada erro cometido. O colaborador,
é claro, não recebe essas descargas, contrariamente ao que acredita o professor
– este é quem recebe, no início do experimento, uma descarga de 45 volts,
para“assegurar-se de que ogerador funciona”. As reações que o
colaborador deve simular são estritamente codificadas: a de 75 volts ele começa
a murmurar; a 120 volts, ele reclama; a 150 volts ele pede para que parem com a
experiência e, a 285 volts, ele lança um grito de agonia, depois do qual se
calacompletamente. É assegurado ao
professor que os choques são dolorosos mas não deixam seqüelas. O pesquisador
deve zelar para que a experiência chegue ao seu termo, tratando de encorajar o
professor, caso este venha a manifestar dúvidas quanto à inocuidade da
experiência ou caso deseje encerrá-la. Também esses encorajamentos são
estritamente codificados: à primeira objeção do professor, o pesquisador lhe responde:
“Queira continuar, por favor”; na segunda vez: “A experiência exige que você
continue”; na terceira vez : “É absolutamente essencial que você continue” , na
quarta e ultima vez: “Você não tem escolha. Deve continuar.”Se o professor persiste em suas objeções após
o quarto encorajamento, a experiência é encerrada.
O
resultado da experiência é espantoso: mais de 60% dos professores levam-na até
o final, mesmo convencidos de que estão realmente administrando correntes de
450 volts.Em alguns países, a taxa
chega alcançar 85%. É preciso acrescentar que a experiência é extremamente
penosa para os professores, e que eles viviam uma forte pressão psicológica mas
seguem, não obstante, até o fim.
2)Conformismo
O conformismo
A tendência ao conformismo foi estudada por Asch,11 em sua célebre
experiência. Ao sujeito avaliado, apresenta-se uma linha traçada sobre uma
folha; além dela, três outras linhas de comprimento diversos. Em seguida, se
lhe pede para apontar, entre essas linhas três linhas, aquela cuja medida é
igual à da linha-padrão. Por exemplo: esta última mede quatro polegadas,
enquanto as linhas que devem ser a ela comparadas medem, cada qual três, cinco,
quatro polegadas. À experiência estão presentes indivíduos associados ao pesquisador,
que devem igualmente responder à questão. Estes,cujo papel real na experiência
é ignorado pelo avaliado, dão, nos ensaios válidos, a mesma resposta errônea,
combinada anteriormente à experiência. O individuo testado tem duas
alternativas: ou dar uma resposta errônea ou se opor à opinião unânime do
grupo. A experiência é repetida diversas vezes, com diferentes linhas-padrão e
linhas para comparar.Há ocasiões em que
os colaboradores respondem de modo correto (ensaios neutros). Aproximadamente três
quartos dos indivíduos realmente avaliados deixam-se influenciar nos ensaios
válidos, dando uma ou várias respostas errôneas. Assim, 32% das respostas dadas
são errôneas, mesmo que a questão não ofereça, naturalmente, qualquer
dificuldade. Na ausência de pressões,o percentual de respostas corretas chega
a92%. Verifica-se também que os
indivíduos conformistas, interrogados após a experiência, depositaram sua
confiança na maioria, decidindo-se pelo parecer desta, apesar da evidência
perceptiva. Sua motivação principal está na falta de confiança em si e em seu
próprio julgamento. Outros conformaram-se à opinião do grupo para não parecer
inferiores ou diferentes. Eles não têm consciência de seu comportamento. Assim,
a percepção de uma pequena minoria de sujeitos avaliados foi modificada:seus
membros enxergaram as linhas tais como a maioria as descreveu. Lembremos que o
individuo não sofria qualquer sanção caso errasse ao responder, da mesma forma,
que na experiência de Milgram , ninguém iria se opor a quem desejasse abortar a
experiência.
Convém
notar que, se um dos colaboradores dá a resposta correta, o individuo avaliado
então se sente liberto da pressão psicológica do grupo e dá, igualmente, a
resposta correta, resultado que ilustra bem o papel dos grupos minoritários. A
realidade social, contudo, é para estes bem menos favorável,uma vez que as
pressõesou sanções são aí muito
intensas.
3)Normas
de Grupo
A célebre experiência de Sherif12 sobre o efeito autocinético evidência
a influência exercida por um grupo sobre a formação das normas e atitudes de
seus membros. A experiência desenrola-se assim: tendo-se instalado um
individuo, sozinho, em uma sala escura, pede-se-lhe que descreva os movimentos
de uma pequena fonte luminosa, a qual na verdade, acha-se imóvel.O sujeito não encontrando nenhum ponto de
referência, logo começa a perceber movimentos erráticos (efeito autocinético).
Após algum tempo, passa a considerar que a amplitude dos movimentos oscila em
torno de um valor médio, que varia de individuo para individuo. Se, ao
contrário, a experiência é realizada com vários indivíduos observando a mesma
fonte luminosa e partilhando entre si observações, surge logo uma norma de
grupo à qual todos se conformam. No caso de, posteriormente, um individuo
deixado só, ele permanece, ainda assim, conformado àquela norma de grupo.
Tendo-se repetido a experiência, propondoagora ao sujeito outras questões ambíguas (estimativas de temperatura,
julgamentos estéticos etc), constatou-se que, quanto mais difícil era formular
um julgamento objetivo, mais estreita se fazia a conformidade à norma de grupo.
Sherif generaliza esses resultados até“o estabelecimento de normas sociais, como os estereótipos,as modas,as
convenções, os costumes, os valores”. Interrogando-se sobre a possibilidade “de
fazer com que o sujeito adote [-] uma norma prescrita,ditada por influencias sociais específicas”,
que submete o individuo em teste à influência de um companheiro prestigioso (um
universitário) , e logra obter que o sujeito ingênuo modifique sua norma e
substitua por aquela do companheiro de mais prestígio.
4)Pé
na Porta
Freedam e Fraser, em 1966, 13 trazem à luz um fenômeno conhecido como
pé-na-porta. Trataremos de duas de suas experiências.
Com a primeira delas, se buscava conhecer, em função da primeira como
era formulada a pergunta, o percentual de donas de casa dispostas a responder a
uma enquete a respeito de seus hábitos de consumo. Estimando que talenquete deveria ser longa e aborrecida,
somente 22% aceitaram dela participar quando se lhes convidou a isso
diretamente. Mas os autores, dirigindo-se a uma segunda amostragem, fizeram
preceder à pergunta um processo preparatório bastante simples: três dias antes
de formulá-la, telefonaram aos membros desse grupo, solicitando-lhes que
respondessem a oito perguntas a cerca de seus hábitos de consumo em matéria de
produtos de limpeza. Quando, três dias mais tarde, se lhes pediu para que se
submetessem à mesma enquete que fora feita com os membros da primeira
amostragem, a taxa de aceitação elevou-se a 52%.Chama atenção o fato de que um procedimento
tão simples possua tamanhopoder.
Portanto,
o princípio pé-na-porta é o seguinte: começa-se por pedir ao sujeito que faça
algo mínimo (ato aliciador) , mas que esteja relacionado ao objetivo real da
manipulação, que se trata de algo bem mais importante (ato custoso). Assim, o
sujeito sente-se engajado, ou seja, psicologicamente preso por seu ato mínimo,
anterior ao ato custoso.
Noutra experiência, os mesmos autores dividiram igualmente os
participantes em dois grupos. Os membros do primeiro não foram submetidos a
qualquer preparação particular. Aos membros do segundo foi solicitado que
colassem (ato aliciador) um adesivo na janela. Pediu-se em seguida aos membros
dos dois grupos que instalassem, cada qual em seu jardim,uma grande placa
–que chegava a encobrir parcialmente a
fachada da casa – a qual recomendava prudência aos motoristas. Enquanto , o
percentual de aceitação ,no primeiro grupo , foi de apenas 16,7%, no segundo
grupo esse percentual atingiu a marca de 76%. Ainda, convém notar que,
contrariamente à pesquisa anterior, nesta as duas pesquisas foram conduzidas
por duas pessoas diferentes.
E não é só isso. A enorme disparidade entre esses percentuais , citados
logo acima, foi obtida nos casos em que os adesivos também exortava os
motoristas à prudência. A atitude era a mesma(ser favorável a uma conduta mais prudente), tanto no ato aliciador
(fixar um adesivo) quanto no ato custoso (instalar em seu jardim uma placa sem
graça).
5)Porta
na Cara
“Portana Cara”
Técnica complementar à precedente, a “porta na cara”15 consiste em
apresentar, de início, um pedido exorbitante, que naturalmente será recusado,
depois do que se formula um segundo pedido,então aceitável. Em uma
experiência clássica, Citaldini et al. Solicitaram a alguns estudantes que
acompanhassem, por duas horas,um grupo
de jovens deliquentes em uma visita ao zoológico. Formulada diretamente, essa
solicitação obteve somente 16,7% de aceitação.Entretanto, colocando-a após um pedido exorbitante, a taxa elevou-se a
50%. Naturalmente, um “pé na porta” ou uma “porta na cara” podem ser úteis
parase extorquir um ato custoso,o qual,
por sua vez consistirá em um ato aliciador, no caso de um próximo pé na porta.
Com tal expediente, é possível obter comprometimentos cada vez mais
significativos. Essa técnica de “bola de neve” éefetivamente aplicada.
6)Dissonância
Cognitiva ou Espiritualismo Dialético
A teoria da dissonância cognitiva,
elaborada em 1957,por Festinger ,16
permiti perceber o quanto nossos atos podem influenciar nossas atitudes,
crenças, valores ou opiniões. Se é evidente que nossos atos, em medida mais ou
menos vasta, são determinados por nossas
opiniões, bem menos claro nos parece que o inverso seja verdadeiro, ou seja,
que nossos atos possam modificar nossas opiniões. A importância dessa
constatação leva-nos a destacá-la , para que, a partir dela, se tornem visíveis
as razões profundas da reforma do sistema educacional mundial. Verificamos
anteriormente que é possível induzir diversos comportamentos, apelando-se à
autoridade, à tendência ao conformismo ou às técnicas do “pé na porta” ou da “porta na cara”. Os fundamentos que
servem de base a esses atos induzidos repercutem em seguida sobre as opiniões
do sujeito, modificando-as (dialética
psicológica). Assim, encontramo-nos diante de um processo extremamente
poderoso, que permite a modelagem do psiquismo humano e que, além disso,
constitui a base das técnicas de lavagem cerebral.
Dissonância Cognitiva
*Dissonância Cognitiva é um termo da
psicologia
*A teoria da dissonância prega que
cognições contradizentes servem como estímulos para a mente obter ou inventar
novos pensamentos ou crenças, movimentar crenças pré-existentes, de forma a
reduzir a quantidade de dissonância (conflito) entre as cognições.
A Dissonância Cognitiva pode ser eliminada?
Conforme Festinger (1957), os profissionais
de Administração e Marketing não podem
eliminar a dissonância, mas eles podem compreender a forma de construção
dos mecanismos em que ocorre a dissonância e então, podem agir de forma a minizá-la ao máximo, reduzindo assim
sua intensidade.
A dissonância cognitiva
A dissonância cognitiva é um estado
psicológico relativamente desagradável que pode viver-se quando tomamos
consciência da discrepância entre as nossas atitudes ou entre as nossas
atitudes e os nossos comportamentos.
7)
Não pague aos seus empregados
A experiência de Festinger e Carlsmith18 pode ser assim resumida: num
primeiro momento, os examinados devem realizar uma tarefa manual repetitiva e
extremamente tediosa. Em seguida, o pesquisador- pretextando uma indisponibilidade de seu colaborador – lhes podem que
apresentem a tarefa a outros examinados , mostrando-a como um exercício
interessante, prazeroso. Para que realizem essa apresentação, a uns é oferecido
um dólar, a outros são oferecidos vinte dólares. Ao termo da experiência, os
indivíduos desses doisgrupos são
testados, a fim de se conhecer suas atitudes reais em relação àquela tarefa
inicial. Aqueles aos quais foram pagos vinte dólares descreveram-na como
tediosa, enquanto os demais, que receberam um dólar, modificaram sua cognição
relativamente à tarefa e passam não somente a considerá-la interessante e
prazerosa, mas, ainda, mostram-se dispostos a participar de outras experiências
semelhantes. Os primeiros justificam sua mentira admitindo haver agido por
interesse na retribuição, o que já não podem fazer os do outro grupo , aos
quais se havia prometido um dólar apenas.Colocados em situação de dissonância cognitiva , provocada pela
contradição entre sua percepção inicial da experiência e o ato e o ato que
foram levados a cometer.
Assim, uma pressão fraca (oferecer um dólar
como prêmio) , quer dizer, uma pressão apenas suficiente para induzir ao
comportamento buscado, têm efeitos cognitivos muito mais extensos que uma
pressão mais forte (oferecer vinte dólares). Esse fenômeno é bem conhecido
do“menagers”, que não ignoram que os
dirigentes que percebem salários menores são mais comprometidos com o trabalho
e na sua relação com a empresa. Da mesma forma, os pedagogos puderam constatar
que uma ameaça fraca, apenas suficiente para gerar o comportamento desejado, é
frequentemente mais eficaz a longo prazo do que uma ameaça mais forte. Nesse
último caso, a criança, consciente de que cede a uma forte pressão, conserva o
seu desejo inicial, o qual ela deverá satisfazer logo que possível.Entretanto, no primeiro caso dá-se o
contrário: a criança tenderá a entrar em dissonância cognitiva induzida pela
contradição entre seu desejo inicial e seu comportamento efetivo, produzido
pressão psicológica ligada à ameaça fraca. Exatamente como no caso dos indivíduos
submetidos às experiências de Festinger e Carlsmith, impõe-se a necessidade de
reduzir essa dissonância, o que se pode obter mediante o expediente de
desvalorizar o comportamento proibido. A modificação de atitude e de comportamento
é então duradoura, uma vez que, nesse
caso, ocorreu uma interiorização da proibição.
8)
Gafanhotos Fritos
Você gosta de gafanhotos fritos?
Sob o pretexto o menu do colégio militar, incluíram-se nele, gafanhotos
fritos,19, o que , convém notar, não agradou a ninguém. Mas a apresentação
dessa novidade foi realizada de duas maneiras diversas: um grupo foi convidado
a dela participar por um sujeito simpático, enquanto o segundo grupo foi
confiado a um homem desagradável, que tinha mesmo por objetivo forjar-se uma
figura antipática, efeito que obtinha – a par de outros recursos – ao tratar
seu assistente de modo grosseiro. Realizada a experiência, constatou-se que,
entre as pessoas que realmente comeram gafanhotos fritos, o percentual de membros
do segundo grupo que declaram haver gostado era significativamente maior que o
do primeiro grupo. Enquanto estes podiam justificar interiormente seu ato , já
que haviam agido motivados pela simpatia do apresentador, os membros do segundo
grupo viram-se obrigados a encontrar uma justificação do comportamento que lhes
fora extorquido. Para reduzir a dissonância cognitiva provocada pela
contradição entre sua aversão por gafanhotos fritos e o ato de comê-los, só
lhes restava mudar sua opinião a respeito daquela aversão.
9)
Iniciação Sexual
Para participar de discussões em grupo
acerca da psicologia sexual, algumas jovens foram levadas a passar por diversas
“provas iniciáticas”.20. Ao primeiro grupo impõe-se uma iniciação severa e
fastidiosa, psicologicamente aliciadora, portanto. Ao segundo, impôs-se uma
iniciação superficial. O grupo testemunho, por fim, foi admitido sem qualquer
iniciação. A discussão fora preparada para ser extremamente tediosa e
desinteressante. Constatou-se, ao final, que as jovens que declararam haver
gostado da discussão foram justamente aquelas que passaram pela iniciação mais
severa. Nesse caso, a dissonância cognitiva era provocada pela contradição
entre o investimento psicológico necessário para suportar uma iniciação severa
e a ausência de qualquer benefício daí obtido.
10)
Contatos Extra Terrestres
A senhora Keech, 21 fundadora de uma pequena seita,dizia receber
mensagens extraterrestres que informavam sobre a iminência do fim do mundo.
Tendo sido anunciado o dia da catástrofe, convidaram-se os membros da seita a
se reunirem, na véspera, para serem conduzidos à segurança dointerior de um OVINI, que aliás nunca veio. Festinger
estudava o grupo e se interessava pelo modo segundo o qual os seus membros
realizariam a redução da dissonância cognitiva após o resultado, previsível
desse momento crítico. (Com efeito, sabe-se que é bastante significativo o
investimento psicológico que ocorre em seitas; a dissonância cognitiva que se
gera em tais situações éconsiderável).Tendo já passado a hora fatídica, a senhora Keech declarou
ter recebido uma nova mensagem , pela qual era informada de que a fé e o fervor
de seus discípulos haviam permitido que a catástrofe fosse evitada. Então
estes,submetidos a uma forte dissonância cognitiva, apressaram-se a aceitar tal
explicação, que lhes proporcionava a custo baixo, reduzir aquela dissonância.
Além disso, passaram ao proseletismo , atitude que haviam cuidadosamente
evitado nos dias que precederam o dia fatídico.
11.
Dramatização
Constatou-se experimentalmente que uma
dramatização,em que pese seu caráter aparentemente lúdico, é capaz de provocar
dissonâncias cognitivas e as subseqüentes alterações de valor. A identificação
ativa ao papel assumido é suficientemente forte para aliciar o ator. Esse
surpreendente resultado é incontestável e firmemente estabelecido. Ao obrigar
os indivíduos a agir em oposição às suas convicções, sem constrangê-los
formalmente a isso, facilita-se o surgimento de dissonâncias cognitivas e a
conseqüente organização do universo cognitivo do ator. A dramatização é a base
do psicodrama , técnicas psicológica correntemente utilizada. Igualmente, a
dramatização constitui uma das psicopedagogias ativas mais poderosas e de uso
mais comum; é ensina nos IUFMS, por exemplo.
O
ator não é isento de receber influencia do papel que realiza, caso não esteja
preparado para isso. Em novatos, essa técnica pode ser muito promissora.
12)
Decisões e Discussões de Grupo
As decisões e discussões de grupo, por seu
inegável caráter público, tem um alto potencial para promover o engajamento.
Elas constituem uma das poderosas técnicas para introduzir dissonâncias
cognitivas. A terapia de grupo, técnica
psicoterapêutica clássica, tem nelas um
de seus elementos constitutivos fundamentais. Elas também são utilizadas pela
psicologia ativa , que frequentemente se apresenta como exercícios de
comunicação. E são ensinados nos IUFMS.
Claro está que a dinâmica de grupos apóia-se ainda sobre outros
elementos, principalmente afetivos, mas não seria pertinente detalhá-los aqui.
13)
Avaliações
Avaliação (dos alunos e dos professores)
A avaliação consiste em outro meio extremamente eficaz para conduzir à
interiorização de valores e de atitudes. Não é possível esclarecer os seus
fundamentos recorrendo-se a outras teorias da psicologia social que não a do
engajamento. Suas conclusões podem ser resumidas em poucas palavras ,
dizendo-se que, por força do exercício do poder personificado pelo avaliador, o
sujeito da avaliação é levado a interiorizar normas sociais. Esse processo está
na base da reprodução social ou – se se altera a escala da avaliação – da
modificação de valores. A avaliação formativa , conforme seu nome indica, visa
expressamente a ensinar o sujeito. Quando aplicada ao domínio da ética , leva a
interiorizar valores e atitudes. Sob a forma de autoavaliação , ela acrescenta
o engajamento do sujeito à sua avaliação. O estudo das diversas formas de
avaliação (teorias da avaliação) constitui um componente importante da
psicopedagogia e do ensino dispensado nos IUFMS.
Os IUFMS franceses integram, portanto, um
projeto mundial de formação de professores sustentado por pedagogias ativas e
que visa a modificar profundamente o papel da escola.
O ato de julgar o outro é além de ser um
subterfúgio para que não tenhamos que lidar com a nossas próprias inquietudes,
é também uma das maiores portas para o erro. A dor de ser algo de julgamento
alheio, nunca é maior do que o remorso em descobrir que fomos injustos com
alguém. A fábula do escritor Mário Salvador, ilustra bem a passagem do
Evangelho de São Mateus.
Naqueles tempos, um caçador encontrou na
floresta uma raposa morta e junto ao seu corpo estava seu filhote. Então, o
caçador pegou o filhote e o levou para sua casa. Não tardou para que a
vizinhança começasse o falatório:
A vizinhança:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho, o recém-nascido.
O tempo foi passando e o caçador
continuava cuidando daquele filhote, que ai final de um tempo acabou
tornando-se uma forte e bela raposa adulta, não bravia como os vizinhos haviam
falado há tempos atrás. Todavia, a vizinhança continuava cismada e não
acreditava que uma raposa poderia ser dócil e sempre que tinha a oportunidade
deixava o caçador de antena ligada, dizendo:
A vizinhança:
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores.
De manhã bem cedinho, quando o caçador
chegou em casa, observou que sua raposa criada com tanto carinho estava com a
boca cheia de sangue, e logo veio em sua memória o falatório da vizinhança:
O falatório da vizinhança na
memória do caçador:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho!
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores
Ao ver a raposa com a boca toda
ensanguentada, imediatamente logo veio em sua mente o falatório da vizinhança.
Assustado o caçador não pensou duas vezes, tirou o machado de suas costas e
matou a raposa. Morta a raposa, o caçador foi ver como estava seu filho, e qual
não foi a sua surpresa ao perceber que seu filho dormia tranquilamente, mas no
chão bem próximo a sua cama jazia um enorme corpo de cobra.
Percebendo o engano ou a injustiça que
cometeu, o caçador num gesto de arrependimento decidiu enterrar o corpo da
raposa, que ele havia matado junto com o machado, objeto usado por ele para dar
fim a vida da raposa.
1º Passo livre
interpretação: Que mensagem traz o texto?
2º Passo
interpretação do texto: O “falatório da vizinhança” descrito nesta fábula
representa julgamento? E por que?
A vida é uma dádiva divina, só temos uma, saber viver para nós humanosé umatarefa mais complexa do que para um animal. Basta lembra-los que só nós
seres humanos temos essa capacidade maravilhosa de refletir, de pensar sobre
nós mesmos, sobre os outros e o entorno. De voltar no tempo com o nosso pensamento. E não
somos pré-determinados como os animais o são, Deus nos concedeu o
livre-arbítrio para que ao longo de nossa caminhada saibamos distinguir o bem
do mal, separar o joio do trigo. Sendo assim só nós podemos refletir sobre
nossas próprias vidas e buscar o melhor enredo.
Há muitas maneiras de encarar a vida, e
elas podem mudar ao longo da viagem e mesclarem-se.Podemos imaginar a vida como um grande palco de
teatro, onde somos levados a representar papéis; podemos olhar a sociedade em que
vivemos e chegarmos a conclusão de que estamos vivendo numa selva ; há quem encare
a vida como um jogo, em que ou se perde ou se ganha; tem também as pessoas que
olham a vida como se fosse uma estrada. Com esse caleidoscópio de visões ou maneiras
de encarar a vida , se você não tiver raiz profunda, se você não conjugar com quem você é, ou quem
você quer ser; quando passar por intempéries ou tiver que se reorientar na vida
enfrentar a situação vai ser muito mais difícil. Sair do caos e encontrar seu
próprio eixo pode levar uma eternidade. E quanto mais cedo começarmos a busca
pelo nosso auto conhecimento melhor, assim, quanto mais cedo nos indagarmos :
Quem sou eu? Quem eu quero ser em termos
de ser humano Melhor ! Mais tempo de vida teremos para nos conhecermos e quando
tivermos que alinhar os imãs da nossa bússola interior, não sofreremos
tanto.Afinal de contas perder-se ao
longo da vida é muito fácil, o difícil muitas vezes é reencontrar-se.
Socrátes já dizia que uma vida não
refletida não merecia ser vivida e “conhece-te a ti mesmo”. E só podemos nos
conhecer, mergulhando em nós mesmos, não se trata de egoísmo ou narcisismo, é
uma questão de necessidade de sobrevivência, principalmente quando percebemos
ou encaramos o mundo como uma selva, onde os mais fortes sobrevivem. E as
múltiplas dimensões do ser humano precisam estar equilibradas para sobreviver:
biologicamente, socialmente , psicologicamente e espiritualmente , podemos
pensar na tríade: corpo, mente e alma. Quem nunca ouviu falar na frase “mente
sã, corpo são”.E temos que ter raízes
bem profundas para não sermos levados pelas vozes da multidão que mais nos
desorientam do que nos guiam. Esse processo de buscar o nosso centro , de
mergulharmos em nós mesmos não é tão simples assim,pois podemos não gostar do que iremos ver,
teremos que nos enfrentar, admitir muitas vezes para nós mesmos que estamos
errados, mas se formos humildes e não nos cobrarmos tanto, sairemos mais
fortalecidos e podemos aos poucos ir realinhando os imãs e nossas raízes
ficarão mais profundas.
A vida passa muito rápido, quando se vê
dois anos se foram,e volta a cena o teatro das eleições
municipais, dois anos depois o teatro agora toma conta do país, são as eleições
presidenciais. É o teatro da disputa de poder. Quando vemos passaram-se vinte
anos e aí olhamos o que aconteceu com a sociedade e com o mundo nesses vinte
anos? Podemos ser meros espectadores ou podemos pensar em participar de alguma
maneira nesse grande palco de teatro que é a vida em sociedade.Em que todos interpretam papéis mas muitos
nem mesmo sabem quem são, perderam suas raízes, deixaram-se levar por valores
menos nobres e caíram no fingimento. Fingem para os outros o que não são,
escondem-se através de máscaras, têm medo dos próprios sentimentos e não sabem
lidar com as próprias emoções, são perdidos em si mesmos e muitas vezes
possuídos por emoções destrutivas, como raiva e ódio e o sentimento de inveja. Certas
cenas do palco político brasileiro nos dão exemplos de como nossos políticos
são excelentes artistas, muitos venderam-se ao sistema e vivem uma vida de
teatro, submissos a vontade do grupo que está no poder.
A vida é um jogo onde não se pode ganhar
sempre e que temos que aprender a perder. Quem gosta de perder? Ninguém, a não
ser que a derrota lhe traga alguma vantagem.Quando as regras do jogo são claras e justas para ambos os lados, tal
como nos jogos esportivos: futebol, baseibol, vôlei e muitos outros, temos uma
competição e cooperação e o jogo é limpo. Duas equipes disputando um
campeonato, ganha a competição a equipe que se destacou melhor, que soube se
organizar melhor, que soube controlar-se melhor, aquela em que os membros se
uniram, cada um por meio de sua função cooperou. Esse é o espírito que as
olimpíadas buscam enaltecer a cada quatro anos. Mas nem sempre a competição é
bem vista pela sociedade de maneira geral, pois competir também pode trazer à tona
sentimentos de superioridade e inferioridade e com isso uma gama de emoções e
sentimentos que podem gerar um caos interior tenso de lidar. Mais uma vez venho
aqui levantar a bandeira do “conhece-te a ti mesmo”. Ao invés de competir ou
comparar-se com o outro, é melhor olhar para si mesmo: o que eu sou por fora e
por dentro. Os olhos da sociedade sempre nos enganam, as aparências geralmente
nos iludem, portanto não compare-se com o outro, evite situações que podem
ferir sua auto estima. Não se machuque por comparações inúteis e nem entre em
competições, que são na realidade jogos psicológicos que vão te desequilibrar.
“Conhece-te a ti mesmo”, fortaleça-se por dentro e surpreenda o adversário. E
lembre-se que a vida é uma estrada em que não se basta conhecer bem o caminho ,
e que talvez conhecer-se seja um dos principais caminhos. Pois não se esqueça
tudo que é material podem tirar de você, mas o que você é seu, suas
experiências são suas ninguém as viveu por você, só você viveu e muitas vezes
sobreviveu.
O filho cresceu e um dia do nada
simplesmente avisa que está botando o pé na estrada. O que fazer? Como lidar
com essa experiência? Vai amarra-lo no pé da cama , algemá-lo e passar-lhe um
sermão? Talvez seja tarde demais ... Ele pode estar tão decidido que qualquer
cena dramática de sua parte não o sensibilizará, ele decidiu, usou seu livre
arbítrio, fez sua escolha. Ao pais neste momento tempestuoso só resta orar para
que ele tenha escolhido o caminho do bem nesta longa da estrada da vida e que
nada o desvie desse caminho. Até porque “botar o pé” na estrada não é uma
decisão fácil de ser tomada é preciso ter coragem, é neste momento em que
teremos que assumir um compromisso com nós mesmos, de ser responsável pela
nossa própria vida, de assumir nossos erros e suportar as adversidades sem se
fazer de coitadinho ou de vítima e principalmente assumir as consequências de
nossas escolhas e decisões.
A vida é feita de escolhas, tal como uma
estrada em que muitos momentos nos depararmos com bifurcações, curvas
perigosas, subidas , descidas, e longínquos retornos; além da sinalização
quando tem ou quando conseguimos enxergar. Muitas têm acostamento outras nada,
apenas um abismo em baixo. Há quem prefira viver a cem km por hora, como se
viver em alta velocidade implicasse viver intensamente, cuidado, ao virar uma
curva, o abismo pode estar logo atrás; fez a escolha errada, cuidado o próximo
retorno só a quilômetros e quilômetros de distância, não vai dar para consertar
num pulo; não deu atenção às placas, aos
avisos de alerta, cuidado isso pode custar sua vida; vai fazer ultrapassagem,
tá com pressa, faça ,mas faça com responsabilidade e assumindo todos os riscos.
E todo cuidado é pouco quando se está na escuridão da estrada, o perigo pode
estar logo adiante e nos pegar de surpresa.
Qualquer que seja a cor escolhida neste
caleidoscópio cedo ou tarde vai perceber que sobreviver na selva é uma questão
de vida ou morte; ou vai chegar no leito de morte e confessar que viveu uma
vida de mentira, apenas representando e usando máscaras, mentindo para si mesmo
o mesmo todo; ou vai despertar para a vida perceber que perdeu muito tempo
competindo com os outros ao invés cooperar consigo mesmo,e que perdeu muito tempo olhando para os
outros ao invés de cuidar da própria vida e de suas potencialidades, de seus
talentos. E por fim depois de quilômetros e quilômetros rodados pode perceber
que pegou a estrada e quenão está
preparado para o retorno. Assim o
princípio da caminhada já está dado desde do começo da filosofia com Sócrates :
Conhece -te a ti mesmo; uma vida não refletida não merece ser vivida.”
Essa viagem rumo ao auto conhecimento só depende de você. Há muitas
maneiras de fazê-la , mas você não vai conseguir escapar de si mesmo. Afinal,
refletir é preciso.É preciso que você
mergulhe em si mesmo, e tenha como inspiração a lição de Bob Marley: “Preocupe-se
mais com a sua consciência do que com a sua reputação.” E caminhe se perguntando: O que é mais
importante para mim a essência ou a aparência? E outras perguntinhascomo as baixo:
a)Essência ou
aparência: Eis a questão?
b)Que interesses
tenho?
c)Que habilidades ou
talentos tenho?
d)Quais são os meus
valores?
e)Quais são os meus
objetivos?
f)Quais os meus
maiores medos?
g)Quais são minhas
qualidades?
h)Quais são meus
defeitos?
Pode
respondê-las como quiser, o importante é refletir , pensar com carinho sobre
cada uma delas e responder de acordo com a sua alma. Não minta para você mesmo.
Por exemplo: eu vou confessar que meu maior medo é acabar louca dentro de um
hospício público. Quanto aos objetivos é
natural que eles mudem ao longo da vida, ou que se tenha objetivos de curto,
médio e longo prazos, coloque-os todos. Vale lembrar que essas perguntas podem
ser feitas várias vezes ao longo de nossa caminhada e isso é natural, é saudável,
quer dizer que estamos vivendo de maneira consciente, refletindo, não somos
mais um na massa. E nem será uma viagem perdida.
Quando encaramos a vida como palco....
Como muito bem nos ensina Constantin Stalinislavski em seu livro "A Construção da Personagem":
"A única condição é não perder seu eu interior enquanto estiver fazendo essa pesquisa exterior. E agora, lhes digo o vamos fazer. Nossa próxima aula será uma mascarada." -pg 22.
Que tem consciência dos desafios para quem mergulha no mundo das ideias.
Meu maior medo confesso é ficar apenas no mundo das ideias e perder o contato com o real. E enlouquecer...
Mestre Olavo de Carvalho também já dizia que uma das condições para entrarmos na Filosofia é aceitar a realidade. É buscar a "unidade do conhecimento na unidade da consciência". É isto que venho tentando fazer, com toda minha humildade e ignorância.
Por Olavo de Carvalho – 7/5/2009
Diário do Comércio – 8 de maio de 2009
Quem é filósofo e quem não é
Cobrar ensino público e qualidade não
adianta. Melhor seria ajudar autoditadas.
No afresco A Escola de Atenas, Rafael reúne
estudiosos antigos, como se fossem amigos conversando. No detalhe, Platão e
Aristóteles.
À medida que se a consciência do debate
total das nossas universidades públicas e privadas, cresce o número de
brasileiros que, valentemente, buscam estudar em casa e adquirir por esforço
próprio aquilo que já compraram de um governo ladrão – ou de ladrões
empresários de ensino – e jamais receberam.
Quase dez anos atrás a Fundação Odebrecht –
no mais, uma instituição admirável – me perguntou o que eu achava de uma
campanha para cobrar do governo um ensino de melhor qualidade. Respondi que era
inútil. De vigaristas nada se pede nem se exige. O melhor a fazer com o sistema
de ensino era ignorá-lo. Se querem prestar ao público um bom serviço,
acrescentei, que tratassem de ajudar os auditadas, aquela parcela heróica da
nossa população que, de Machado de Assis a Mário Ferreira dos Santos, criou o
melhor da nossa cultura superior. O meio de ajuda-los era pôr ao seu alcance os
recursos essenciais para a auto-educação, que é, no fim das contas, a única
educação que existe.
Cheguei a conceber uma coleção de livros e
DVDs que davam, para cada domínio especializado do conhecimento, não só os
elementos introdutórios indispensáveis, mas as fontes para o prosseguimento dos
estudos até um nível que superava de muito o que qualquer universidade
brasileira poderia não só oferecer, mas até mesmo imaginar.
Minha sugestão foi gentilmente engavetada,
e, com ou sem campanha de cobrança, o ensino nacional continuou declinando até
tornar-seaquilo que é hoje: abuso
intelectual de menores, exploração da boa-fé popular, crime organizado ou
desorganizado.
Na mesma medida, o número de cartas
desesperadas que me chegam pedindo ajuda pedagógica multiplicou-se por dez ,
por cem e por mil, transcendendo minha capacidade de resposta, forçando-me a
inventar coisas como o programa True Outspeak, o Seminário de Filosofia
Onlinee outros projetos em andamento. E
não dou conta da demanda. As cartas continuam vindo, e o pedido que mais se
repete é de uma bibliografia filosófica essencial. Impossível.
O primeiro passo nessa ordem de estudos não
é receber uma lista de livros, mas formá-la por iniciativa própria, na base da
tentativa e erro, até que o estudante desenvolva uma espécie de instinto
seletivo capaz de orientá-lo no labirinto das bibliotecas filosóficas. O que
posso fazer, isto sim, é fornecer um critério básico para você aprender a
discernir, à primeira vista, entre os autores que falam em nome da filosofia,
quais merecem atenção e quais seria melhor esquecer.
Tive a sorte de adquirir esse critério pelo
exemplo vivo do meu professor, Pe. Stanislavs Ladusãns. Quando ele atacava um
novo problema filosófico – novo para os alunos, não para ele -, a primeira
coisa que fazia era analisa-lo segundo os métodos e pontos de vista dos
filósofos que tinham tratado do assunto, em ordem cronológica, incorporando o
espírito de cada um e falando como se fosse um discípulo fiel, sem contestar ou
criticar nada. Feito isso com duas dúzias de filósofos, as contradições e
dificuldades apareciam por si mesmas, sem a menor intenção polêmica. Em seguida
ele colocava em ordem essas dificuldades, analisando cada uma e por fim
articulando, com os elementos mais sólidos fornecidos pelos vários pensadores
estudados, a solução que lhe parecia melhor.
A coisa era uma delícia, para dizer o
mínimo. Num relance, compreendíamos o sentido vivo daquilo que Aristóteles
pretendera ao afirmar que o exame dialético tem de começar pelo recenseamento
das “opiniões dos sábios” e tem de pensar com as cabeças de seus
antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o estado em que a
chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro abstratismo bocó, opinionismo
gratuito, amadorismo presunçoso.
A conclusão imediata era a seguinte: a
filosofia é uma tradição e a filosofia é uma técnica. Chega ao domínio da
técnica pela absorção ativa da tradição e absorve-se a tradição praticando a
técnica segundo as várias etapas do seu desenvolvimento histórico.
Note-se a imensa diferença que existe entre
adquirir pura informação, por mais erudita que seja, sobre as ideias de um
filósofo, e leva-las à prática fielmente, como se fossem nossas. A primeira
alternativa mata os filósofos e os enterra num sepulcro elegante. A segunda os
revive e os incorpora à nossa consciência como se fosse papéis que
representamos pessoalmente no grande teatro do conhecimento. É a diferença
entre museologia e tradição. Num museu pode-se conservar muitas peças
estranhas, relíquias de um passado incompreensível. Tradição vem do latim
traditio, que significa“trazer”,
“entregar”. Tradição significa tornar o passado presente através da
revivescência das experiências interiores que lhe deram sentido. A tradição
filosófica é a história das lutas pela claridade do conhecimento, mas como o
conhecimento é intrinsecamente temporal e histórico, não se pode avançar nessa
luta senão revivenciando as batalhas anteriores e trazendo-as para os conflitos
da atualidade.
Muitas pessoas, levadas por um amor
exagerado à sua independência de opiniões (como se qualquer porcaria saída das
suas cabeças fosse um tesouro), têm medo de deixar-se influenciar pelos
filósofos, e começam a discutir com eles desde a primeira linha, isto quando já
não entram na leitura armadas de uma impenetrável carapaça de prevenções.
Com o Pe. Ladusãns aprendíamos que, no
conjunto, as influências se melhoram umas às outras e até as más se tornam
boas. Incorporadas à rede dialética, mesmo as cretinices filosóficas mais
imperdoáveis em aparência acabam se revelando úteis, como erros naturais que a
inteligência tem de percorrer se quer chegar a uma verdade densa, viva e não
apenas acertar a esmo generalidades vazias.
Algumas regras práticas decorrem dessas
observações:
1.Quando você se defrontar com um filósofo,
em pessoa ou por escrito, verifique se ele se sente à vontade para raciocinar
junto com os filósofos do passado, mesmo aqueles dais quais “discorda”. A
flexibilidade para incorporar mentalmente, os capítulos anteriores da evolução
filosófica é a marca do filósofo genuíno, herdeiro de Sócrates, Platão e
Aristóteles. Quem não tem isso, mesmo que emita aqui e ali uma opinião valiosa,
não é um membro do grêmio: é um amador, na melhor das hipóteses um palpiteiro
de talento. Muitos se deixam aprisionar nesse estado atrofiado da inteligência
por preguiça de estudar. Outros, porque na juventude aderiram a tal ou qual
corrente de pensamento e se tornaram incapazes de absorver em profundidade
todas as outras, até o ponto em que já nada podem compreender nem mesmo da sua
própria. Uma dessas doenças, ou ambas, eis tudo o que você adquirir numa
universidade brasileira.
2. Não estude filosofia por autores, mas
por problemas. Escolha os problemas que verdadeiramente lhe interessam, que lhe
parecem vitais para a sua orientação na vida, e vasculhe os dicionários e guias
bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do
assunto. A formulação do problema via mudar muitas vezes no curso da pesquisa,
mas isso é bom. Quando tiver selecionado uma quantidade razoável de textos
pertinentes, leio-os em ordem cronológica, buscando reconstituir mentalmente a
história das discussões a respeito. Se houver lacunas, volte à pesquisa e
acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico
suficientemente contínuo. Depois classifique as várias opiniões segundo seus
pontos de concordância e discordância, procurando sempre averiguar onde uma
discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias
essenciais em discussão. Feito isso, monte tudo de novo, já não em ordem
histórica, mas lógica, como se fosse uma hipótese filosófica única, ainda que
insatisfatória e repleta de contradições internas. Então você estará equipado
para examinar o problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e,
contribuição original ao debate.
É assim que se faz, é assim que se estuda
filosofia. O mais é amadorismo, beletrismo, propaganda política, vaidade
organizada, exploração do consumidor ou gasto ilícito de verbas públicas.
Olavo de Carvalho é ensaísta,
jornalista e professor de Filosofia
Segue um breve resumo das partes que
considerei mais relevantes.
1)Método do Pe Stanislavas Ladusâns quanto às
estratégias de ataque a um novo problema filosófico:
1º passo: a análise do problema precisa ser
feita com “abstinência de crítica ou julgamentos”, ou seja, deve ser feita como
se você fosse um discípulo fiel.
2º passo: analisar em ordem cronológica o
problema de acordo com o ponto de vista dos filósofos que tinham tratado do
assunto.
3º passo: analisar em ordem cronológica (e
crítica) o método usado pelo autor para tratar do problema.
4º passo: fazer este exercício com pelo
menos 2 dúzias de filósofos. E verificar os seguintes pontos:
- quais são as principais dificuldades
- como aparecem suas contradições
- como eles lidam com as dificuldades e
contradições em seu próprio pensamento
- por fim articular este autor com os
elementos mais sólidos fornecidos pelos outros pensadores e verificar a solução
que lhes pareça melhor.
2)Não esquecer de seguir a orientação de
Aristóteles quanto ao Exame Dialético.
1º passo: análise , o 1º, 2º e 3º passos do método do Pe Stanislavas Ladusâns,deve-se iniciar-se com pelo “recenseamento
das “opiniões dos sábios”.
2º passo: feita essa análise do
recenseamento das opiniões do sábios” é importante articular todo esse material
como se fosse uma teoria única.
3º passo: levar em consideração que “Cada
filósofo tem de pensar com as cabeças de seus antecessores para compreender
ostatus quaestionies.”
3) Teoria Única – Em que sentido?
“Cada filósofo tem pensar com as
cabeças de seus antecessores, para poder compreender o status quaestionis – o
estado em que as questão chegou a ele. Fora disso, toda discussão é puro
abstratismo bocó, opinionismo gratuito, amadorismo presunçoso. – status
quaestionei – “estado em que a questão chegou a ele.” – Como ficou a questão,
ou problema. Ou que: Quais foram as conclusões do autor.
4) “A Filosofia é uma tradição e a Filosofia é uma Técnica.”
Como você consegue absorver a tradição filosófica
através da técnica?
Respostas:
1º passo:
Através do exame dialético proposto por
Aristóteles e pelo método do Pe Stanislavas Ladusãns.
“Praticando a técnica segundo as várias
etapas do seu desenvolvimento histórico.”
2º Passo:
Vasculhe os dicionários e guias
bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do
assunto.
3º Passo:
Quando tiver selecionado uma quantidade
razoável de textos pertinentes, leia-os em ordem cronológica, buscando
reconstituir mentalmente a história das discussões a respeito.
Obs: Se houver lacunas, volte à pesquisa e
acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico
suficientemente contínuo.
4º Passo:
Depois classifique as várias opiniões
segundo seus pontos de concordância e discordância.
5º Passo:
Procurando sempre averiguar onde a
discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias
essenciais em discussão.
6º Passo:
Feito tudo isso (os passos anteriores)
monte tudo de novo em ordem lógica – como se fosse uma hipótese filosófica
única, ainda que insatisfatória e repleta de contradições internas – (atenção ,
não em ordem histórica)
“Então você estará equipado para examinar o
problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e confrontando-o com o
legado da tradição , dar, se possível, sua própria contribuição original ao
debate.”
Meu Testemunho - Minha experiência na
Filosofia.
Ainda não fiz mas pretendo fazer, meu relato sobre esta longa viagem que começou há mais de uma década.
Para início de conversa o transtorno
bipolar de humor faz parte da minha personalidade e para estabilizar o meu
humor e manter meu equilíbrio tomo religiosamente à noite o carbonato de litium
(lítio). Já tive um temperamento mais colérico, a vida e o nascimento do meu
filho fizeram com que eu tivesse que mudar, amadurecer, me domar, conhecer-me
mais. Mas acho que ele não deixou de ser colérico, pois ainda tenho explosões.
E segundo minha mãe tenho tendências
autoritárias, kkk
Considero-me bastante reflexiva e
introspectiva, ao mesmo tempo em que dependendo da situação sinto-me a vontade
em público e extrovertida. Não tenho problemas em falar em público, gosto de
transmitir o que sei , de lidar com meus alunos. Não me considero uma pessoa
vaidosa, nem arrogante, considero-me como aquela a música do Gonzaguinha: Um
Eteno Aprendiz. Aliás se eu pudesse não sairia da Terra Nunca, uma coisa sei
que sou , responsável. Procuro assumir meus diferentes papéis, sempre levando
em conta que outros dependem de mim, principalmente minha vidinha, meu amado
filho. O único que consegue me domar.
Outra característica que tenho desdegarota é a sensibilidade. Agora aos 43 anos
posso dizer com quase cem porcento de certeza que sou empata e sensitiva.
Sempre senti a energia do ambiente, e das pessoas, acho que por isso prefiro
andar sozinha que mal acompanhada. Sinto a vibe da pessoa logo de cara.... e
minha intuição raramente falha.
A minha bipolaridade fez com que eu me
tornasse cada vez mais introspectiva, de modo a buscar sempre me conhecer
melhor , buscar lidar com as oscilações de humor e aprender a lidar com as
minhas próprias emoções. Não é fácil, já que é sempre mais fácil apontar o dedo
para o outro, e dizer que o outro deve melhorar. Julgar é fácil, difícil é
encarar-se. É olhar-se com uma lente de aumento. Graças a Deus não sou perfeita,
sou uma humilde mortal com defeitos e qualidades, mas atenta ao meu interior,
buscando fortalece-lo, pois aprendi uma coisa na vida: podem tirar tudo, tudo
nesta vida, menos quem eu sou, minha essência. E a introspecção é o caminho,
pelo menos esse foi o caminho que encontrei.
Se soubesse, responderia...
Só sei q. sou uma tartaruga para assuntos tecnológicos. Sou apenas uma mortal, buscando nas pequenas coisas da vida a felicidade.
Sou aquela que aprendeu que a vida é uma verdadeira montanha russa, hoje vc pode estar lá em cima, mas amanhã bem pertinho do chão.
Enfim, procuro ser apenas mais uma sobrevivente neste mundo louco, buscando meu lugar ao sol.
Sou aquela que acredita que "enquanto houver vida há esperança".
Sou aquela que aprendeu que há pessoas que dão uma mão, mas tiram com a outra.