Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017
Editora Alto Astral
Matéria
– Mais que uma consulta
Sentar no divã e contar sobre a rotina diária e as maiores aflições internas pode não ser uma tarefa fácil no início. No entanto, com certeza esse processo se torna mais fácil com o passar do tempo, e a saúde mental só tem a ganhar com isso! A psicoterapia é um tratamento psicológico utilizado para tratar problemas de ordem emocional de qualquer tipo, como dificuldades em aceitar uma doença e problemas de relacionamento. É realizado com base na conversação e não faz uso de medicamentos. “Ele é conduzido por um psicólogo que detém o conhecimento de diversas técnicas de abordagem e pode, desta forma, selecionar a que melhor atende o paciente”, explica a psiquiatra Célia Cortez.
Uma importante e benéfica decisão
O tratamento psicológico pode auxiliar o paciente no entendimento e na aceitação da doença e da necessidade de seguir as orientações médicas quanto ao uso de medicamentos. Além disso, o profissional ajuda no reconhecimento dos sinais que indicam um episódio de depressão ou mania. “Por meio da psicoterapia, o indivíduo pode ser incentivado a realizar caminhadas (para ajudar na fase depressiva) e mudanças no estilo de vida, evitando ambientes e situações estressantes”, explica Célia. A profissional destaca também que esse acompanhamento pode diminuir o risco de recaídas.
O papel do psiquiatra
O profissional trabalha com a avaliação, o tratamento e a manutenção do bem-estar do paciente com a ajuda de medicamentos. O psiquiatra Sander Fridman cita os mais comuns: “Antidepressivos, estabilizadores do humor, antipsicóticos, tranquilizantes, entre outros, que são usados isolados ou associadamente, dependendo do arranjo sintomático, da sensibilidade do paciente aos efeitos colaterais, das condições de suporte da família e dos amigos, dos motivadores existenciais e do contexto existencial do paciente”.
Terapia familiar
A psiquiatra explica que o tratamento
torna-se complicado sem o apoio e e o envolvimento de familiares. “No início da
doença é difícil convencer o paciente a buscar tratamento, pois um dos sintomas
da fase maníaca é o bem-estar e a felicidade. Também é comum o paciente
abandonar o tratamento logo no início da fases de remissão do episódio de
mania, dizendo-se curado. Ou seja, para a adesão do paciente bipolar ao
tratamento é necessário o empenho da família, e o acompanhamento
psicoterapêutico da família é muito importante”, afirma Célia. Além disso, a
profissional destaca que o psiquiatra e o psicólogo devem conversar com a
família para explicar os aspectos da doença e orientá-la em relação aos sinais
e sintomas.
Cuide do emocional
Apesar de não serem considerados formas de tratamento para o transtorno bipolar, atividades como meditação, yoga e massagens auxiliam no equilíbrio entre corpo e mente e podem ser realizadas – se o profissional permitir – em conjunto com o uso de medicamentos e a terapia.
Outras terapias benéficas ao corpo e à mente
Você pode apostar nas opções a seguir para afastar as dores internas e, com isso evitar possíveis doenças emocionais, que tal escolher uma favorita e praticar:
Yoga: além de auxiliar na respiração e no bom desempenho do sistema nervoso, a técnica ainda proporciona o aumento da concentração e a diminuição da ansiedade. “A prática de yoga pode ser uma grande aliada para prevenção dos quadros de depressão, por todos os benefícios já conhecidos. Recentemente, uma pesquisa americana evidenciou que a prática do ioga aumentava os níveis de um neurotransmissor (o GABA), em até 27%, o mesmo que está diminuído nos quadros de depressão e ansiedade. Para uma aplicação mais terapêutica, temos a prática da iogaterapia, em que o paciente é atendido por um iogaterapeuta que fará uma avaliação e montará uma estratégia individual para aquele paciente”, conta o instrutor de ioga e meditação Salvador Hernandes.
Equoterapia: desenvolve atividades que o paciente deve realizar sobre cavalos. Esse exercício permite o desenvolvimento da musculatura, aumenta a flexibilidade e melhora a coordenação motora e o equilíbrio. Além de ser recomendada para pessoas com algum tipo de deficiência, é indicada para quem sofre com problemas psicológicos.
Fitoterapia: trata-se do uso de plantas para fins terapêuticos. “É considerada fitoterápica toda preparação farmacêutica com chás, tinturas, xaropes, pomadas e cápsulas que utiliza como matéria-prima algumas partes de plantas como folhas, caules , raízes, flores e sementes”, afirma a farmacêutica e homeopata Adriana Márcia Gonçalves. Durante o tratamento, são empregadas diversas ervas com os mais variados sabores (amargo, azedo, doce) e temperaturas (quente, frio, morno) e cada doença é tratada de acordo com as características de cada planta e a necessidade do paciente.
Florais: basicamente é o emprego de essências florais, que auxiliam o indivíduo no equilíbrio de suas emoções e solução de conflitos internos. “A técnica tem eficácia em lidar com uma variedade imensa de problemas psíquicos e físicos, que têm sua origem no simples desajuste dos fluxos de energia vital. É um sistema cada vez mais aceito e respeitado como um potente complemento aos tratamentos de medicina tradicional. Seu efeito é profundo, pois suas fórmulas têm a capacidade de mudar os padrões patológicos gerados nas células no campo emocional e físico, reestruturando-os em padrões saudáveis, o que reflete na harmonização psíquica e física”, salienta a terapeuta Cristiane Mariano.
Artes Plásticas: quem já praticou sabe que elas são uma distração e tanto para a mente. Esta técnica ajuda a esquecer os problemas, sem contar que os resultados são maravilhosos e, além de deixar a casa mais bonita, ainda pode ajudar no orçamento do lar! Procurar um curso é um ótimo passo para começar a se aperfeiçoar. As possibilidades são enormes: seja em trabalhos com telas, cerâmica ou biscuit, basta escolher aquele que mais combina com você e começar.
Dança: seja de salão, salsa, jazz ou qualquer outro tipo, seus benefícios à saúde são incontáveis. “Os estudiosos comprovam que dançar ajuda na tonificação muscular, na melhoria da flexibilidade, espanta o estressem ajuda na perda de peso, no controle do colesterol e no condicionamento físico, além de ser um ótimo exercício para estreitar relacionamentos, combater a depressão, promover a diversão e aumentar a disposição e autoestima das pessoas”, conta o educador físico Caito Junior.
Eu - Dançar alivia a tensão, joga todo estresse para fora sem contar que é uma excelente forma de expressão e ensina a lidar com a emoção também.

