Assim
como acontece com outras doenças, é preciso entender o transtorno bipolar e
desmistificar algumas informações para buscar o tratamento correto.
O
transtorno bipolar caracteriza-se por alterações cíclicas de humor que se
manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia ou
de mania em diferentes graus de intensidade. Porém as oscilações de humor das
pessoas no transtorno são diferentes das mudanças que, geralmente, são normais
de aparecer. Nesses pacientes, essas alterações de humor são mais graves e
duradouras e interferem em aspectos importantes; como a capacidade de
trabalhar, de estudar e de se relacionar com os outros.
Por isso, é salutar que os pacientes que
sofrem com o transtorno bipolar procurem intervenção médica especializada. Porém,
alguns mitos relacionados à doença ainda atrapalham na busca pelo tratamento
correto.
“Os principais mitos associados ao
transtorno bipolar referem-se à ideia de que um exame de sangue de dosagem de
lítio permite comprovar ou descartar o diagnóstico da doença, à ideia de que
transtorno é o novo nome da Psicose Maníaco Depressiva, enquanto esta é apenas
um dos quadros mais graves apresentados pelos pacientes, a ideia de que todo
transtorno bipolar necessita do uso de estabilizador do humor e, principalmente
à ideia de que quem se exalta, isto é perigoso ou mostra-se com muita energia
ou com depressão de verdade e está só fingindo. Outro mito associado à doença é
de que a pessoa que fala muito rápido, que não consegue ser interrompida e é
ansiosa não deve ser levada a sério quando o assunto é o transtorno”, explica o
psiquiatra Sander Friedman.
Transtorno
bipolar e seu diagnóstico
De acordo
com a psicóloga Amanda Paiva, o primeiro passo para um diagnóstico correto é conversar
com um médico. Um clínico geral ou um psiquiatra podem avaliar a história clínica
de um paciente, fazer um exame físico e, se necessário, solicitar exames
complementares que podem ajudar a fazer o diagnóstico diferencial com outras condições,
como derrame cerebral ou tumores cerebrais. A psicóloga ainda reforçou o fato
de que o transtorno bipolar não é diagnosticado por exames de sangue ou de
imagens e que, por isso, o ideal é procurar por um profissional especialista e
experiente.
A psicóloga afirmou sobre o fato de que
esses mitos que envolvem a doença podem levar os pacientes a não procurar por
ajuda. Isso acontece porque a sociedade acaba criando estigmas e preconceitos,
o que gera medo nas pessoas que sofrem com o transtorno e, consequentemente,
evitam procurar por diagnóstico e tratamento.
As
opções de tratamento
Pessoas com transtorno bipolar têm no
tratamento médico e psicológico especializado as opções para lidar com a
doença. “Geralmente, são usados um ou mais estabilizadores do humor,
principalmente o carbonato de lítio. A associação com antidepressivos e
antipsicóticos pode ser necessária para o controle dos episódios de depressão e
de mania, respectivamente. Muitas vezes são também usados anticonvulsivantes no
tratamento. Já a psicoterapia tem como objetivo, primeiramente, ajudar o
cliente a perceber e conscientizar-se das alterações de seus estados mentais,
para que assim possa lidar com essas questões de forma mais efetivam saudável e
favorável à recuperação da saúde mental, autoestima e equilíbrio”, afirma
Amanda. E segundo Sander, a internação psiquiátrica faz-se indispensável quando
a estrutura social ou familiar de apoio for insuficientemente protetora frente
à gravidade dos sintomas, considerados os demais fatores de risco do contexto
da vida do paciente.
Doença
crônica
O
transtorno bipolar é uma condição a ser acompanhada por um longo período de
tempo, às vezes ao longo de toda a vida do paciente. A doença não tem cura, mas
as pessoas melhoram e retoman suas atividades após a instituição do tratamento
adequado.
É preciso atenção ao diagnóstico, pois o transtorno
bipolar pode ser confundido com outras doenças como depressão, déficit de atenção,
esquizofrenia, quadros de histeria, demência e algumas psicoses.
A
família tem papel fundamental na vida do paciente que convive com alguma disfunção
emocional
Fica claro
que o transtorno bipolar não atinge apenas quem possui o problema, mas também àqueles
que compartilham dos seus momentos. Por isso, o primeiro passo para família e
para os amigos é saber como lidar com o portador do problema, compreendendo suas
necessidades. A partir do entendimento, fica mais fácil lidar com esse mal e
ainda possibilita a criação de uma atmosfera favorável, que proteja e evite
conflitos desnecessários.
União
que fortalece
Entre os
tratamentos psicossociais é importante destacar a terapia em família. A opção é
utilizada para reduzir o nível de angústia de todos para uma possível melhora
do doente e do ambiente familiar. Chamada de Terapia Focada na Família foi
criada pelo psicólogo americano David Miklowitz e tem como métodos estratégias
psicoeducacionais e exercícios em equipe. Em alguns casos, a técnica pode não só
melhorar a estrutura familiar, mas também estabilizar o humor do doente e
evitar hospitalizações. Para aplicar o método, procure acompanhamento
especializado.
Reação
positiva!
Muitas
vezes, os familiares não entendem a diferença constante de comportamento e
podem descontar mais peso em cima do transtorno. Ao reparar que algo não anda
bem, deve-se encorajar uma avaliação profissional. Caso o resultado seja
positivo, é preciso entender que a culpa não é do afetado: a doença é orgânica,
ou seja, implica em uma disfunção cerebral.
Auxílio
médico
Para que você
tenha mais conhecimento sobre o transtorno, é possível obter ajuda e apoio em
diferentes meios, seja com profissionais da área de saúde ou em ONGs que
trabalham com problemas mentais. A internet também é uma ferramenta importante
de informação, uma vez que concentra portais de ajuda e links diretos com
médicos e psicólogos. Porém, procure sempre sites especializados e com estudos
confiáveis. Ainda é indicado que os familiares e amigos mantenham sempre o
diálogo com diferentes plataformas, para entender o universo bipolar e fazer
parte dele de forma harmoniosa.
Rotina
normal
Para os
pais , é importante que a doença não tome conta da relação. O indicado é não individualizar
o filho, uma vez que, ao trata-lo de forma diferente, você pode encorajar uma
postura de vítima do mesmo. “Algumas vezes o doente pode manipular a situação
para se beneficiar”, aponta a psicóloga Luciana Kotaka. Para que se tenha
equilíbrio dentro do lar, ela recomenda estar presente de maneira natural, sem
superproteção ou vigilância constante.
Pise
no freio!
Pessoas
que possuem o transtorno bipolar apresentam a velocidade de pensamento em um
ritmo mais veloz, por isso é preciso manter a calma em situações de estresse. Dessa
forma, é recomendado que a família e os amigos estejam preparados e estimulem
uma desaceleração com atitudes que acalmem a ansiedade. Dica: tenha pela casa
cartazes positivos; procure não elevar o tom de voz; evite termos pejorativos e
preconceituosos quanto à doença, entre outros comportamentos positivos.
Cuidado
com carinho
Os portadores
do transtorno podem ainda passar por problemas como alcoolismo, depressão e, em
alguns casos, tentativas de suicídio. Nessas situações, o acompanhamento
especializado é mais que fundamental e requer uma decisão da família sobre internação
e medicamentos, dependendo do grau de comprometimento do quadro.
Você
sabia?
As doenças mentais orgânicas são aquelas em
que encontra-se uma lesão física que justifica a doença a nível psiquiátrico. Podemos
citar como exemplos os tumores, sífilis cerebral, aneurismas cerebrais,
arteriosclerose dos vasos cerebrais, oligofrenias”, detalha a psicóloga clínica
Luciana Kotaka.
Saiba
como lidar melhor com as dificuldades que o transtorno bipolar traz à rotina de
trabalho.
O
transtorno bipolar não afeta somente quem tem o problema: as pessoas ao redor são
bastante atingidas pela doença! E quando se trata do ambiente empresarial, então,
onde temos que lidar com as diferenças de cada pessoa para que o trabalho flua
da melhor maneira possível, o sinal de alerta deve ser ligado. Afinal, não é
fácil para quem tem o transtorno se controlar durante a crise. O primeiro passo
para isso, com toda a certeza, é saber identificar o momento em que ela está
ocorrendo. “A principal informação é aprender a lidar com a ansiedade gerada
nessa relação, pois ambientes muitos conturbados e estressantes não são adequados
para o tratamento e manutenção da estabilidade do paciente”, destaca a psicóloga
clínica e coach Keli Rodrigues. A partir daí, a convivência torna-se mais
difícil, tanto para quem sofre com o distúrbio quanto para filhos e amigos. Veja
a seguir, como lidar com as crises de quem sofre do problema, especialmente nos
ambientes em que o tempo juntos é maior: em casa e no trabalho.
Durante
o expediente
Após o
paciente ser diagnosticado com transtorno bipolar, é comum que ele peça licença
e fique um tempo afastado do emprego. “A bipolaridade pode influenciar no
rendimento profissional do indivíduo. Tanto na fase eufórica, onde geralmente a
pessoa se intromete em tudo, inclusive no trabalho dos outros e provoca brigas
com colegas e chefes, quanto na fase depressiva, na qual ela apresenta desânimo
para trabalhar, tornando-se reclusa e com dificuldade na interação com seus
colegas”, comenta a médica. As duas maiores dificuldades que essa pessoa
apresenta é a continuidade no serviço que estava empenhando, o empenho no
trabalho e nas relações interpessoais com os colegas ao seu redor. A continuidade
do trabalho está diretamente relacionada com a intensidade da crise e, em casos
de crises acentuadas principalmente de crises de depressão, o paciente deve
seguir as recomendações de seu psiquiatra, após uma avaliação do mesmo. Este medirá
a necessidade de afastamento ou não do paciente de suas atividades laborais.
Sem
diferenças
O indivíduo
bipolar deve ser tratado pelos colegas e chefes como qualquer trabalhador,
evitando assim ganhos secundários que esse paciente pode obter, além do fato de
que pode ser fatalmente estigmatizado. O tratamento adequado envolve
medicamentos – denominados “estabilizadores de humor” – além, é claro, do
acompanhamento psicoterápico. “Não necessariamente os pacientes devem comunicar
o transtorno aos colegas e chefes, pois a comunicação pode leva-los a sofrer
com o preconceito e a ser estigmatizado dentro do ambiente profissional”,
comenta a médica Léa Biancamano Guimarães.
Dicas
fundamentais para trabalhar melhor
Confira
dicas que as pessoas diagnosticadas com o transtorno bipolar podem seguir para
melhorar a convivência no ambiente de trabalho e no ambiente familiar. Dessa forma,
ele terá mais consciência e poderá lidar melhor com as crises. São elas:
*Ter
consciência do seu diagnóstico;
*Ser
avaliado e acompanhado por um psiquiatra e psicólogo;
*Aderir
ao tratamento medicamentoso;
*Perceber
características pessoais de modificação do humor que podem levar a uma crise
(tanto de euforia, quanto de depressão).
“Não necessariamente os pacientes devem
comunicar o transtorno aos colegas e chefes, pois a comunicação pode leva-lo a
sofrer com o preconceito e a ser estigmatizado dentro do ambiente profissional.,
Léa Biancamano Guimarães, médica.
É importante que a pessoa que apresentar os sintomas de
transtorno bipolar procure um psiquiatra o quanto antes, pois ele ajudará o
paciente a ter uma vida o mais normal possível, reduzindo a frequência e a
gravidade das crises.
O
transtorno bipolar pode variar de pessoa para pessoa. Conheça os tipos!
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017 - Editora Alto Astral
Além da
explicação sobre o problema vista até aqui, é importante ressaltar que ele pode
se manifestar em diversos graus, sendo apresentado em quatro tipos numa
escala de formas mais leves e mais graves, quando atrapalha completamente a
rotina do indivíduo. “O que vai apontar o nível é a frequência, a gravidade e a
duração. No primeiro nível, por exemplo, a pessoa consegue executar suas tarefas
diárias”, indica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano.
O
Tipo I
Acomete
cerca de 1% da população mundial e deixa o humor do doente exageradamente
elevado e expansivo (mania) e pode prejudica-lo nos círculos sociais. Além disso,
o indivíduo também pode passar por períodos de sentimentos negativos, perda de
apetite e insônias. “Em quadros como esse, o que mais chama a atenção é a
desproporção entre as reações, ou seja, quando não há acontecimentos no
ambiente em que a pessoa está e que justifiquem tal comportamento alterado”,
explica Maria Cristina.
Transtornos
Ciclotímicos
Tem como
característica essencial a oscilação frequente de humor, com sintomas
alternados de euforia e depressão moderados. É considerado um dos menos graves,
já que muitas vezes, pode ser confundido com a própria personalidade da pessoa.
Porém de acordo com o Manual, embora alguns indivíduos com esse tipo possam não
ter problemas com certos períodos de hipomania, o prejuízo social acontece em
decorrência das mudanças constantes de humor, ou seja, o individuo pode ser
visto como temperamental, mal-humorado, imprevisível, incoerente ou não confiável.
O
Tipo II
Essa forma
de apresentação difere-se do tipo I devido ao nível de humor, menos elevado e
agressivo, sendo assim chamado de hipomania. De acordo com Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtorno Mentais, pessoa com transtorno bipolar tipo II
normalmente apresentam um episódio depressivo maior, sem que os estados de
euforia mais amenos (hipomania) causem prejuízos pontuais para a vida do paciente.
Transtorno
relacionado induzido por substância ou medicamento
Tanto no
transtorno bipolar quanto no transtorno relacionado induzido, as
características diagnosticadas são as mesmas: mania, hipomania e depressão. O que
varia é que no segundo os estados surgem e se tornam um problema devido a uma
substância. Isso ocorre por causa dos efeitos colaterais de alguns fármacos
antidepressivos e outros psicotrópicos. Entretanto, segundo o Manual, quando
acontecem casos de da hipomania ou mania após uso de medicamento antidepressivo
ou outros tratamentos e persistem além dos efeitos fisiológicos do fármaco,
essa condição é considerada indicadora de transtorno bipolar real, e não de
transtorno relacionado induzido.
Dá
para controlar?
O
tratamento do transtorno bipolar é feito por especialistas de diversas áreas,
como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. “Em alguns casos, há a internação
para proteger o indivíduo dele mesmo e também para que os médicos verifiquem quais
medicamentos têm mais eficácia e eficiência”,
explica Maria Cristina.
“O
mau humor da fome”
Maria
Cristina explica que alterações no aparelho digestivo também podem originar
várias doenças emocionais. Podem ser causadas pelas lesões das paredes do
intestino; motilidade intestinal , que é a capacidade dos intestinos realizarem
contrações para expelir o bolo fecal; alteração na flora bacteriana ou variação
de hormônios responsáveis pela digestação-absorção. A má alimentação também pode
prejudicar as funções mentais, como percepção, memória e até causar distúrbios
de humor.”
Seja
qual for o quadro, a variação de humor constante não é saudável e é preciso ser
reconhecida o quanto antes!
Revista Transtorno Bipolar – Ano 3, no 4 –
2017 - Editora Alto Astral
Quem é que nunca acordou de mau humor de
manhã, mas já no início do dia no trabalho ou na escola tudo ocorreu superbem e
a felicidade tomou conta de seu interior? Alterações humor são comuns no dia a
dia das pessoas! Mas você sabe até que ponto isso é normal? O transtorno
bipolar tem causado dúvidas entre as pessoas e, por isso, alguns pacientes com
a doença ainda estão sem tratamento. Assim, vale conhecer as características
desse problema que atinge cerca de 8% da população – segundo a Associação
Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). Explicamos nas linhas a seguir um
pouco mais sobre o transtorno, suas consequências e trouxemos um teste que pode
ajudar a identifica-lo (é claro, substituir de maneira alguma uma consulta
médica).
Turbilhão de sentimentos
O
transtorno bipolar é diagnosticado com alterações de humor que aparecem como
episódios depressivos alternados com os de euforia – também conhecidos como
mania - , em diferentes graus de intensidade. “Geralmente, ele é caracterizado
por mudanças no modo de ser habitual, com o paciente apresentando-se mais
triste, irritado, sem ânimo ou impaciente – em sua forma depressiva.Ou com a mente, a fala e o comportamento
acelerados – o que caracteriza sua forma eufórica. Estas duas maneiras podem se
somar e coincidir na mesma pessoa, resultando no transtorno”, explica o
psiquiatra do Hospital Adventista Silvestre, Sander Fridman. A ABTB diz que
essa doença é uma condição médica frequente. O de tipo I, que se dá pela
presença de episódios de depressão e de mania, ocorre em cerca de 1% da
população geral. Já se considerar os quadros mais brandos – os denominados “espectro
bipolar” -, como o tipo II, que é marcado pela alternância de depressão e
episódios mais leves de euforia, a predominância pode chegar a até 8% da
população. Assim, estima-se que cerca de 1,8 a 1,5 milhões de brasileiros sejam
portadores do transtorno bipolar, em suas diferentes formas de apresentação.
Em cada fase
Uma sensação
Embora
seja típica nas crises, a característica mais marcante presente nos portadores
do transtorno é a mudança em relação ao modo habitual de ser da pessoa. Segundo
o profissional, algumas pessoas podem ter seus sintomas por tempo tão
prolongado que eles se confundem com a personalidade do doente. Confira a seguir
as duas fases mais marcantes do transtorno:
Depressão: nesse período, pode
ocorrer a perda quase completa dos interesses pessoais, bem como falta de
energia e de iniciativa, uma extrema inquietude angustiada, sono ruim –
acordando, muitas vezes, cedo demais ou sono excessivo. “Atenção e memória
podem ficar muito prejudicadas, interferindo no desempenho no trabalho, nos estudos
e na capacidade de cuidar de um dependente, por exemplo, e até de andar sozinho
pela rua com segurança”, explica Sander. A pessoa, normalmente, fala muito
pouco, com volume de voz baixo e expressão corporal contida. “Pode haver também
a perda do desejo sexual e até da capacidade de amar ou de vivenciar o amor,
ameaçando a continuidade dos laços familiares”, completa o psiquiatra.
Preocupações ou desejo de morrer também são comuns, assim como fantasias,
planos e tentativas de suicídio, cujo risco é alto e aumenta muito mais quando
associado ao abuso ou dependência de álcool. “Às vezes, visões de pessoas que
já morreram, vozes que falam com o doente ou lhe comandam fugas e atos suicidas
podem acompanhar e agravar muito o quadro, aumentando o risco para a
sobrevivência dos pacientes”, conta o profissional.
Euforia: a forma maníaca é
um estado de exaltação do humor, com aumento de energia, sem qualquer relação
com o momento em que a pessoa está
vivendo. Nesse período, o paciente não está deprimido nem alegre por motivo
especial, mas apresenta humor eufórico ou irritável. Em geral, a mudança do
comportamento na euforia é súbita, mas o indivíduo não percebe sua alteração ou
a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação
objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes. Essa fase pode ser
acompanhada de um aumento no desejo e na disposição sexual, na interação social
e na redução da necessidade de sono diário, podendo interferir na capacidade
intelectual – aumentando nos casos mais leves e piorando nos mais graves, pela
incapacidade de se concentrar –, além do estresse cumulativo decorrente das
consequências de seu comportamento perigoso. “Sua apreciação otimista da
realidade é capaz de atingir níveis extremos, em que a pessoa pode julgar-se
ilimitada em suas capacidades em geral, como voar, assumir dívidas, vencer
pessoas armadas, etc”, diz Sander. Pode também acreditar que alguém está
preparando uma forma de ataque ou perseguição contra ela, e eventualmente,
tomar a iniciativa de “atacar antes”.
Consequências Graves
O transtorno bipolar causa incapacitação e grave sofrimento para os
portadores e suas famílias. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovaram
que a doença foi a sexta maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam
que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por
exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se
não tratado adequadamente.
Segundo Sander Fridman, as consequências do transtorno são:
*Morais : mudança na imagem social
*Laborais : incapacidade para o trabalho
*Psicológicas : sofrimento emocional e
internação psiquiátrica
*Físicas : vários adoecimentos, acidentes e tentativas
de suicidio
*Econômicas : empobrecimento, perda
de oportunidades de trabalho e subsistência
*Criminais : agressões, homicídios – como autor ou vítima
- , aprisionamento em manicômio judiciário e vítimas de vingança
*Legais
Segundo a ABTB, a mortalidade dos portadores do
transtorno bipolar é elevada e o suicídio é a causa mais frequente de morte,
principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o
suicídio ao menos uma vez em suas vidas.
Vídeo baseado no capítulo 1 do livro
Maquiavel Pedagogo – Pascal Bernadin, que retrata algumas técnicas de
manipulação de pessoas...
1.Submissão e Autoridade
2.Conformismo
3.Normas do Grupo
4.Pé na porta
5.Porta na cara
6.Dissonância Cognitiva
7.Não pague seus empregados
8.Gafanhotos fritos
9.Iniciação Sexual
10.Contatos Ovnis
11.Dramatização
12.Decisões e discussões em grupo
13.Avaliações
“O bom senso o guardará e o discernimento o
protegerá”
Provérbios
2:11
Uma revolução pedagógica baseada baseada
nos resultados da pesquisa psicodegógica está em curso no mundo inteiro.Ela é conduzida por especialistas na Ciência
da Educação que, formados todos nos meios revolucionários,logo dominaram os departamentos de educação
de diversas instituições internacionais:Unesco, Conselho da Europa, Comissão de
Bruxelas e OCDE. Na França, o Ministério da Educação e os IUFMS1 estão
igualmente submetidos à sua influência. Essa revolução pedagógica visa a impor
uma “ética voltada para a criação de uma nova sociedade”2 e a estabelecer uma
sociedade intercultural. A nova ética não é outra coisa senão uma sofisticada
representação da utopia comunista. O estudo dos documentos em que tal ética
está definida não deixa margem a qualquer dúvida: sob o manto da ética, e
sustentada por uma retórica e por uma dialética frequentemente notáveis,
encontra-se a ideologia comunista, da qual apenas a aparênciae os modos de ação foram modificados. A
partir de uma mudança de valores, de uma modificação das atitudes e dos
comportamentos, bem como de uma manipulaçãoda cultura,3pretende-se levar a
cabo a revolução psicológica e, ulteriormente, a revolução social. Essa nova
ética faz hoje parte dos programas da França,4 e é obrigatoriamente ensinada em
todos os níveis do sistema educacional.
A
submissão à autoridade
É uma série de experiências célebres, o professor Santley Milgran
evidenciou de maneira espetacular o papel da submissão à autoridade ao
comportamento humano. Milgram9 repetiu repetiu suas experiências com 300mil
pessoas, experiências estas que foram reproduzidas em diversos países. Os
resultados obtidos são indiscutíveis. A experiência de base envolve três
pessoas: o pesquisador, um suposto aluno, que na verdade é um colaborador do
pesquisador, e o verdadeiro objeto da experiência, o professor. A experiência
pretende supostamente determinar a influência das punições no aprendizado. O
professor deve então mostrar ao suposto estudante extensas listas de palavras
e, em seguida, testar sua memória. Em caso de erro, uma punição precisa ser
imposta ao colaborador. O objeto da experiência ignora, naturalmente, o status
real do colaborador, e crê que este , como ele próprio, não tem qualquer
relação com a organização da experiência. As punições consistem em descargas
elétricas de 15 a 450 volts, as quais o próprio professor deve acionar contra
osuposto estudante, situado em uma peça
vizinha. A voltagem das descargas aumenta a cada erro cometido. O colaborador,
é claro, não recebe essas descargas, contrariamente ao que acredita o professor
– este é quem recebe, no início do experimento, uma descarga de 45 volts,
para“assegurar-se de que ogerador funciona”. As reações que o
colaborador deve simular são estritamente codificadas: a de 75 volts ele começa
a murmurar; a 120 volts, ele reclama; a 150 volts ele pede para que parem com a
experiência e, a 285 volts, ele lança um grito de agonia, depois do qual se
calacompletamente. É assegurado ao
professor que os choques são dolorosos mas não deixam seqüelas. O pesquisador
deve zelar para que a experiência chegue ao seu termo, tratando de encorajar o
professor, caso este venha a manifestar dúvidas quanto à inocuidade da
experiência ou caso deseje encerrá-la. Também esses encorajamentos são
estritamente codificados: à primeira objeção do professor, o pesquisador lhe responde:
“Queira continuar, por favor”; na segunda vez: “A experiência exige que você
continue”; na terceira vez : “É absolutamente essencial que você continue” , na
quarta e ultima vez: “Você não tem escolha. Deve continuar.”Se o professor persiste em suas objeções após
o quarto encorajamento, a experiência é encerrada.
O
resultado da experiência é espantoso: mais de 60% dos professores levam-na até
o final, mesmo convencidos de que estão realmente administrando correntes de
450 volts.Em alguns países, a taxa
chega alcançar 85%. É preciso acrescentar que a experiência é extremamente
penosa para os professores, e que eles viviam uma forte pressão psicológica mas
seguem, não obstante, até o fim.
2)Conformismo
O conformismo
A tendência ao conformismo foi estudada por Asch,11 em sua célebre
experiência. Ao sujeito avaliado, apresenta-se uma linha traçada sobre uma
folha; além dela, três outras linhas de comprimento diversos. Em seguida, se
lhe pede para apontar, entre essas linhas três linhas, aquela cuja medida é
igual à da linha-padrão. Por exemplo: esta última mede quatro polegadas,
enquanto as linhas que devem ser a ela comparadas medem, cada qual três, cinco,
quatro polegadas. À experiência estão presentes indivíduos associados ao pesquisador,
que devem igualmente responder à questão. Estes,cujo papel real na experiência
é ignorado pelo avaliado, dão, nos ensaios válidos, a mesma resposta errônea,
combinada anteriormente à experiência. O individuo testado tem duas
alternativas: ou dar uma resposta errônea ou se opor à opinião unânime do
grupo. A experiência é repetida diversas vezes, com diferentes linhas-padrão e
linhas para comparar.Há ocasiões em que
os colaboradores respondem de modo correto (ensaios neutros). Aproximadamente três
quartos dos indivíduos realmente avaliados deixam-se influenciar nos ensaios
válidos, dando uma ou várias respostas errôneas. Assim, 32% das respostas dadas
são errôneas, mesmo que a questão não ofereça, naturalmente, qualquer
dificuldade. Na ausência de pressões,o percentual de respostas corretas chega
a92%. Verifica-se também que os
indivíduos conformistas, interrogados após a experiência, depositaram sua
confiança na maioria, decidindo-se pelo parecer desta, apesar da evidência
perceptiva. Sua motivação principal está na falta de confiança em si e em seu
próprio julgamento. Outros conformaram-se à opinião do grupo para não parecer
inferiores ou diferentes. Eles não têm consciência de seu comportamento. Assim,
a percepção de uma pequena minoria de sujeitos avaliados foi modificada:seus
membros enxergaram as linhas tais como a maioria as descreveu. Lembremos que o
individuo não sofria qualquer sanção caso errasse ao responder, da mesma forma,
que na experiência de Milgram , ninguém iria se opor a quem desejasse abortar a
experiência.
Convém
notar que, se um dos colaboradores dá a resposta correta, o individuo avaliado
então se sente liberto da pressão psicológica do grupo e dá, igualmente, a
resposta correta, resultado que ilustra bem o papel dos grupos minoritários. A
realidade social, contudo, é para estes bem menos favorável,uma vez que as
pressõesou sanções são aí muito
intensas.
3)Normas
de Grupo
A célebre experiência de Sherif12 sobre o efeito autocinético evidência
a influência exercida por um grupo sobre a formação das normas e atitudes de
seus membros. A experiência desenrola-se assim: tendo-se instalado um
individuo, sozinho, em uma sala escura, pede-se-lhe que descreva os movimentos
de uma pequena fonte luminosa, a qual na verdade, acha-se imóvel.O sujeito não encontrando nenhum ponto de
referência, logo começa a perceber movimentos erráticos (efeito autocinético).
Após algum tempo, passa a considerar que a amplitude dos movimentos oscila em
torno de um valor médio, que varia de individuo para individuo. Se, ao
contrário, a experiência é realizada com vários indivíduos observando a mesma
fonte luminosa e partilhando entre si observações, surge logo uma norma de
grupo à qual todos se conformam. No caso de, posteriormente, um individuo
deixado só, ele permanece, ainda assim, conformado àquela norma de grupo.
Tendo-se repetido a experiência, propondoagora ao sujeito outras questões ambíguas (estimativas de temperatura,
julgamentos estéticos etc), constatou-se que, quanto mais difícil era formular
um julgamento objetivo, mais estreita se fazia a conformidade à norma de grupo.
Sherif generaliza esses resultados até“o estabelecimento de normas sociais, como os estereótipos,as modas,as
convenções, os costumes, os valores”. Interrogando-se sobre a possibilidade “de
fazer com que o sujeito adote [-] uma norma prescrita,ditada por influencias sociais específicas”,
que submete o individuo em teste à influência de um companheiro prestigioso (um
universitário) , e logra obter que o sujeito ingênuo modifique sua norma e
substitua por aquela do companheiro de mais prestígio.
4)Pé
na Porta
Freedam e Fraser, em 1966, 13 trazem à luz um fenômeno conhecido como
pé-na-porta. Trataremos de duas de suas experiências.
Com a primeira delas, se buscava conhecer, em função da primeira como
era formulada a pergunta, o percentual de donas de casa dispostas a responder a
uma enquete a respeito de seus hábitos de consumo. Estimando que talenquete deveria ser longa e aborrecida,
somente 22% aceitaram dela participar quando se lhes convidou a isso
diretamente. Mas os autores, dirigindo-se a uma segunda amostragem, fizeram
preceder à pergunta um processo preparatório bastante simples: três dias antes
de formulá-la, telefonaram aos membros desse grupo, solicitando-lhes que
respondessem a oito perguntas a cerca de seus hábitos de consumo em matéria de
produtos de limpeza. Quando, três dias mais tarde, se lhes pediu para que se
submetessem à mesma enquete que fora feita com os membros da primeira
amostragem, a taxa de aceitação elevou-se a 52%.Chama atenção o fato de que um procedimento
tão simples possua tamanhopoder.
Portanto,
o princípio pé-na-porta é o seguinte: começa-se por pedir ao sujeito que faça
algo mínimo (ato aliciador) , mas que esteja relacionado ao objetivo real da
manipulação, que se trata de algo bem mais importante (ato custoso). Assim, o
sujeito sente-se engajado, ou seja, psicologicamente preso por seu ato mínimo,
anterior ao ato custoso.
Noutra experiência, os mesmos autores dividiram igualmente os
participantes em dois grupos. Os membros do primeiro não foram submetidos a
qualquer preparação particular. Aos membros do segundo foi solicitado que
colassem (ato aliciador) um adesivo na janela. Pediu-se em seguida aos membros
dos dois grupos que instalassem, cada qual em seu jardim,uma grande placa
–que chegava a encobrir parcialmente a
fachada da casa – a qual recomendava prudência aos motoristas. Enquanto , o
percentual de aceitação ,no primeiro grupo , foi de apenas 16,7%, no segundo
grupo esse percentual atingiu a marca de 76%. Ainda, convém notar que,
contrariamente à pesquisa anterior, nesta as duas pesquisas foram conduzidas
por duas pessoas diferentes.
E não é só isso. A enorme disparidade entre esses percentuais , citados
logo acima, foi obtida nos casos em que os adesivos também exortava os
motoristas à prudência. A atitude era a mesma(ser favorável a uma conduta mais prudente), tanto no ato aliciador
(fixar um adesivo) quanto no ato custoso (instalar em seu jardim uma placa sem
graça).
5)Porta
na Cara
“Portana Cara”
Técnica complementar à precedente, a “porta na cara”15 consiste em
apresentar, de início, um pedido exorbitante, que naturalmente será recusado,
depois do que se formula um segundo pedido,então aceitável. Em uma
experiência clássica, Citaldini et al. Solicitaram a alguns estudantes que
acompanhassem, por duas horas,um grupo
de jovens deliquentes em uma visita ao zoológico. Formulada diretamente, essa
solicitação obteve somente 16,7% de aceitação.Entretanto, colocando-a após um pedido exorbitante, a taxa elevou-se a
50%. Naturalmente, um “pé na porta” ou uma “porta na cara” podem ser úteis
parase extorquir um ato custoso,o qual,
por sua vez consistirá em um ato aliciador, no caso de um próximo pé na porta.
Com tal expediente, é possível obter comprometimentos cada vez mais
significativos. Essa técnica de “bola de neve” éefetivamente aplicada.
6)Dissonância
Cognitiva ou Espiritualismo Dialético
A teoria da dissonância cognitiva,
elaborada em 1957,por Festinger ,16
permiti perceber o quanto nossos atos podem influenciar nossas atitudes,
crenças, valores ou opiniões. Se é evidente que nossos atos, em medida mais ou
menos vasta, são determinados por nossas
opiniões, bem menos claro nos parece que o inverso seja verdadeiro, ou seja,
que nossos atos possam modificar nossas opiniões. A importância dessa
constatação leva-nos a destacá-la , para que, a partir dela, se tornem visíveis
as razões profundas da reforma do sistema educacional mundial. Verificamos
anteriormente que é possível induzir diversos comportamentos, apelando-se à
autoridade, à tendência ao conformismo ou às técnicas do “pé na porta” ou da “porta na cara”. Os fundamentos que
servem de base a esses atos induzidos repercutem em seguida sobre as opiniões
do sujeito, modificando-as (dialética
psicológica). Assim, encontramo-nos diante de um processo extremamente
poderoso, que permite a modelagem do psiquismo humano e que, além disso,
constitui a base das técnicas de lavagem cerebral.
Dissonância Cognitiva
*Dissonância Cognitiva é um termo da
psicologia
*A teoria da dissonância prega que
cognições contradizentes servem como estímulos para a mente obter ou inventar
novos pensamentos ou crenças, movimentar crenças pré-existentes, de forma a
reduzir a quantidade de dissonância (conflito) entre as cognições.
A Dissonância Cognitiva pode ser eliminada?
Conforme Festinger (1957), os profissionais
de Administração e Marketing não podem
eliminar a dissonância, mas eles podem compreender a forma de construção
dos mecanismos em que ocorre a dissonância e então, podem agir de forma a minizá-la ao máximo, reduzindo assim
sua intensidade.
A dissonância cognitiva
A dissonância cognitiva é um estado
psicológico relativamente desagradável que pode viver-se quando tomamos
consciência da discrepância entre as nossas atitudes ou entre as nossas
atitudes e os nossos comportamentos.
7)
Não pague aos seus empregados
A experiência de Festinger e Carlsmith18 pode ser assim resumida: num
primeiro momento, os examinados devem realizar uma tarefa manual repetitiva e
extremamente tediosa. Em seguida, o pesquisador- pretextando uma indisponibilidade de seu colaborador – lhes podem que
apresentem a tarefa a outros examinados , mostrando-a como um exercício
interessante, prazeroso. Para que realizem essa apresentação, a uns é oferecido
um dólar, a outros são oferecidos vinte dólares. Ao termo da experiência, os
indivíduos desses doisgrupos são
testados, a fim de se conhecer suas atitudes reais em relação àquela tarefa
inicial. Aqueles aos quais foram pagos vinte dólares descreveram-na como
tediosa, enquanto os demais, que receberam um dólar, modificaram sua cognição
relativamente à tarefa e passam não somente a considerá-la interessante e
prazerosa, mas, ainda, mostram-se dispostos a participar de outras experiências
semelhantes. Os primeiros justificam sua mentira admitindo haver agido por
interesse na retribuição, o que já não podem fazer os do outro grupo , aos
quais se havia prometido um dólar apenas.Colocados em situação de dissonância cognitiva , provocada pela
contradição entre sua percepção inicial da experiência e o ato e o ato que
foram levados a cometer.
Assim, uma pressão fraca (oferecer um dólar
como prêmio) , quer dizer, uma pressão apenas suficiente para induzir ao
comportamento buscado, têm efeitos cognitivos muito mais extensos que uma
pressão mais forte (oferecer vinte dólares). Esse fenômeno é bem conhecido
do“menagers”, que não ignoram que os
dirigentes que percebem salários menores são mais comprometidos com o trabalho
e na sua relação com a empresa. Da mesma forma, os pedagogos puderam constatar
que uma ameaça fraca, apenas suficiente para gerar o comportamento desejado, é
frequentemente mais eficaz a longo prazo do que uma ameaça mais forte. Nesse
último caso, a criança, consciente de que cede a uma forte pressão, conserva o
seu desejo inicial, o qual ela deverá satisfazer logo que possível.Entretanto, no primeiro caso dá-se o
contrário: a criança tenderá a entrar em dissonância cognitiva induzida pela
contradição entre seu desejo inicial e seu comportamento efetivo, produzido
pressão psicológica ligada à ameaça fraca. Exatamente como no caso dos indivíduos
submetidos às experiências de Festinger e Carlsmith, impõe-se a necessidade de
reduzir essa dissonância, o que se pode obter mediante o expediente de
desvalorizar o comportamento proibido. A modificação de atitude e de comportamento
é então duradoura, uma vez que, nesse
caso, ocorreu uma interiorização da proibição.
8)
Gafanhotos Fritos
Você gosta de gafanhotos fritos?
Sob o pretexto o menu do colégio militar, incluíram-se nele, gafanhotos
fritos,19, o que , convém notar, não agradou a ninguém. Mas a apresentação
dessa novidade foi realizada de duas maneiras diversas: um grupo foi convidado
a dela participar por um sujeito simpático, enquanto o segundo grupo foi
confiado a um homem desagradável, que tinha mesmo por objetivo forjar-se uma
figura antipática, efeito que obtinha – a par de outros recursos – ao tratar
seu assistente de modo grosseiro. Realizada a experiência, constatou-se que,
entre as pessoas que realmente comeram gafanhotos fritos, o percentual de membros
do segundo grupo que declaram haver gostado era significativamente maior que o
do primeiro grupo. Enquanto estes podiam justificar interiormente seu ato , já
que haviam agido motivados pela simpatia do apresentador, os membros do segundo
grupo viram-se obrigados a encontrar uma justificação do comportamento que lhes
fora extorquido. Para reduzir a dissonância cognitiva provocada pela
contradição entre sua aversão por gafanhotos fritos e o ato de comê-los, só
lhes restava mudar sua opinião a respeito daquela aversão.
9)
Iniciação Sexual
Para participar de discussões em grupo
acerca da psicologia sexual, algumas jovens foram levadas a passar por diversas
“provas iniciáticas”.20. Ao primeiro grupo impõe-se uma iniciação severa e
fastidiosa, psicologicamente aliciadora, portanto. Ao segundo, impôs-se uma
iniciação superficial. O grupo testemunho, por fim, foi admitido sem qualquer
iniciação. A discussão fora preparada para ser extremamente tediosa e
desinteressante. Constatou-se, ao final, que as jovens que declararam haver
gostado da discussão foram justamente aquelas que passaram pela iniciação mais
severa. Nesse caso, a dissonância cognitiva era provocada pela contradição
entre o investimento psicológico necessário para suportar uma iniciação severa
e a ausência de qualquer benefício daí obtido.
10)
Contatos Extra Terrestres
A senhora Keech, 21 fundadora de uma pequena seita,dizia receber
mensagens extraterrestres que informavam sobre a iminência do fim do mundo.
Tendo sido anunciado o dia da catástrofe, convidaram-se os membros da seita a
se reunirem, na véspera, para serem conduzidos à segurança dointerior de um OVINI, que aliás nunca veio. Festinger
estudava o grupo e se interessava pelo modo segundo o qual os seus membros
realizariam a redução da dissonância cognitiva após o resultado, previsível
desse momento crítico. (Com efeito, sabe-se que é bastante significativo o
investimento psicológico que ocorre em seitas; a dissonância cognitiva que se
gera em tais situações éconsiderável).Tendo já passado a hora fatídica, a senhora Keech declarou
ter recebido uma nova mensagem , pela qual era informada de que a fé e o fervor
de seus discípulos haviam permitido que a catástrofe fosse evitada. Então
estes,submetidos a uma forte dissonância cognitiva, apressaram-se a aceitar tal
explicação, que lhes proporcionava a custo baixo, reduzir aquela dissonância.
Além disso, passaram ao proseletismo , atitude que haviam cuidadosamente
evitado nos dias que precederam o dia fatídico.
11.
Dramatização
Constatou-se experimentalmente que uma
dramatização,em que pese seu caráter aparentemente lúdico, é capaz de provocar
dissonâncias cognitivas e as subseqüentes alterações de valor. A identificação
ativa ao papel assumido é suficientemente forte para aliciar o ator. Esse
surpreendente resultado é incontestável e firmemente estabelecido. Ao obrigar
os indivíduos a agir em oposição às suas convicções, sem constrangê-los
formalmente a isso, facilita-se o surgimento de dissonâncias cognitivas e a
conseqüente organização do universo cognitivo do ator. A dramatização é a base
do psicodrama , técnicas psicológica correntemente utilizada. Igualmente, a
dramatização constitui uma das psicopedagogias ativas mais poderosas e de uso
mais comum; é ensina nos IUFMS, por exemplo.
O
ator não é isento de receber influencia do papel que realiza, caso não esteja
preparado para isso. Em novatos, essa técnica pode ser muito promissora.
12)
Decisões e Discussões de Grupo
As decisões e discussões de grupo, por seu
inegável caráter público, tem um alto potencial para promover o engajamento.
Elas constituem uma das poderosas técnicas para introduzir dissonâncias
cognitivas. A terapia de grupo, técnica
psicoterapêutica clássica, tem nelas um
de seus elementos constitutivos fundamentais. Elas também são utilizadas pela
psicologia ativa , que frequentemente se apresenta como exercícios de
comunicação. E são ensinados nos IUFMS.
Claro está que a dinâmica de grupos apóia-se ainda sobre outros
elementos, principalmente afetivos, mas não seria pertinente detalhá-los aqui.
13)
Avaliações
Avaliação (dos alunos e dos professores)
A avaliação consiste em outro meio extremamente eficaz para conduzir à
interiorização de valores e de atitudes. Não é possível esclarecer os seus
fundamentos recorrendo-se a outras teorias da psicologia social que não a do
engajamento. Suas conclusões podem ser resumidas em poucas palavras ,
dizendo-se que, por força do exercício do poder personificado pelo avaliador, o
sujeito da avaliação é levado a interiorizar normas sociais. Esse processo está
na base da reprodução social ou – se se altera a escala da avaliação – da
modificação de valores. A avaliação formativa , conforme seu nome indica, visa
expressamente a ensinar o sujeito. Quando aplicada ao domínio da ética , leva a
interiorizar valores e atitudes. Sob a forma de autoavaliação , ela acrescenta
o engajamento do sujeito à sua avaliação. O estudo das diversas formas de
avaliação (teorias da avaliação) constitui um componente importante da
psicopedagogia e do ensino dispensado nos IUFMS.
Os IUFMS franceses integram, portanto, um
projeto mundial de formação de professores sustentado por pedagogias ativas e
que visa a modificar profundamente o papel da escola.
O ato de julgar o outro é além de ser um
subterfúgio para que não tenhamos que lidar com a nossas próprias inquietudes,
é também uma das maiores portas para o erro. A dor de ser algo de julgamento
alheio, nunca é maior do que o remorso em descobrir que fomos injustos com
alguém. A fábula do escritor Mário Salvador, ilustra bem a passagem do
Evangelho de São Mateus.
Naqueles tempos, um caçador encontrou na
floresta uma raposa morta e junto ao seu corpo estava seu filhote. Então, o
caçador pegou o filhote e o levou para sua casa. Não tardou para que a
vizinhança começasse o falatório:
A vizinhança:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho, o recém-nascido.
O tempo foi passando e o caçador
continuava cuidando daquele filhote, que ai final de um tempo acabou
tornando-se uma forte e bela raposa adulta, não bravia como os vizinhos haviam
falado há tempos atrás. Todavia, a vizinhança continuava cismada e não
acreditava que uma raposa poderia ser dócil e sempre que tinha a oportunidade
deixava o caçador de antena ligada, dizendo:
A vizinhança:
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores.
De manhã bem cedinho, quando o caçador
chegou em casa, observou que sua raposa criada com tanto carinho estava com a
boca cheia de sangue, e logo veio em sua memória o falatório da vizinhança:
O falatório da vizinhança na
memória do caçador:
- Este animal é bravio, é uma
fera! Quando este filhote crescer poderá machucar e quem sabe até mesmo matar
seu filho!
- Você pode não entender, mas
este animal é uma fera! E ainda vai lhe causar dissabores
Ao ver a raposa com a boca toda
ensanguentada, imediatamente logo veio em sua mente o falatório da vizinhança.
Assustado o caçador não pensou duas vezes, tirou o machado de suas costas e
matou a raposa. Morta a raposa, o caçador foi ver como estava seu filho, e qual
não foi a sua surpresa ao perceber que seu filho dormia tranquilamente, mas no
chão bem próximo a sua cama jazia um enorme corpo de cobra.
Percebendo o engano ou a injustiça que
cometeu, o caçador num gesto de arrependimento decidiu enterrar o corpo da
raposa, que ele havia matado junto com o machado, objeto usado por ele para dar
fim a vida da raposa.
1º Passo livre
interpretação: Que mensagem traz o texto?
2º Passo
interpretação do texto: O “falatório da vizinhança” descrito nesta fábula
representa julgamento? E por que?
Se soubesse, responderia...
Só sei q. sou uma tartaruga para assuntos tecnológicos. Sou apenas uma mortal, buscando nas pequenas coisas da vida a felicidade.
Sou aquela que aprendeu que a vida é uma verdadeira montanha russa, hoje vc pode estar lá em cima, mas amanhã bem pertinho do chão.
Enfim, procuro ser apenas mais uma sobrevivente neste mundo louco, buscando meu lugar ao sol.
Sou aquela que acredita que "enquanto houver vida há esperança".
Sou aquela que aprendeu que há pessoas que dão uma mão, mas tiram com a outra.